Ernie Graham "S/t" ( United Artists LBS 83485 ) UK, 1971
- "Sebastian"
- "So Lonely"
- "Sea Fever"
- "The Girl That Turned The Lever"
- "For A Little While"
- "Blues To Snowy"
- "Don't Want Me Round You"
- "Belfast"
Ernie Graham: voz e composições; com Chris Cunningham ( violino ), Bob Andrews ( orgão, piano, acordeão, guitarra ), Dave Charles ( bateria e percussão ), John Eichler ( Harmonias ), Ian Gomm ( guitarra e harmonias ), Nick Lowe ( baixo e harmonias ), Malcolm Morley ( guitarra e piano ), Billy Rankin ( bateria ), Brinsley Schwarz ( guitarra ), Richard Treece ( guitarra ), Ken Whaley ( baixo ).
Produção: Ernie Graham e Dave Robinson.
Capa ( texturizada ): Design de Jeff Powell; Fotos de Chris Gabrin.
“Help Yourself is uniformly delightful. Malcolm Morley sounds more like Neil Young than Neil Young does. If your ears are shaped like mine, you’re adore Help Yourself’s shimmering, crystalline guitar sound so reminiscente of the first Springfield album, against which Help Yourself stacks up very well.”
( John Mendelsohn, Rolling Stone magazine in a review of Help Yourself’s debut album ).
Não abundam casos como os de Help Yourself. Gravaram o álbum de estreia em 1971 sem nunca terem feito uma actuação de palco, o que para a época era verdadeiramente invulgar; no espaço de dois, três anos produziram um consistente e inspirador conjunto de discos; deixaram uma inegável pegada no rock britânico e, no entanto, aparte um nicho de indefectíveis, permanecem uma, ainda que majestosa, nota de rodapé da história.
Funcionaram quase sempre como um colectivo democrático, com profusas e reiteradas entradas e saídas de membros ( as interseções começam nos Eire Apparent e passam entre outros pelos Man, SamApple Pie, Brinsley Schwarz, Dukes Deluxe, Tyla Gang, Flying Aces, Green Ray ou Sean Tyla ). Todavia o espírito e o som mantiveram a espinha dorsal, muito por responsabilidade desse extraordinário compositor e músico que é Malcolm Morley.
Entre álbuns originais, singles e outras participações, a tarefa de conseguir a totalidade do legado de Help Yourself tem vindo a revelar-se uma tarefa árdua e sobretudo dispendiosa. Facto agora minimizado por “Passing Through, The Complete Studio Recordings”, uma compilação que reúne pela primeira vez numa única edição todas as gravações de estúdio da banda, acrescentando os dois temas integrados no lendário evento “Christmas at The Patti” e “Lost and Found”, um dos quatro álbuns a solo de Malcolm Morley e aquele que mais se identifica com o paradigma sonoro dos Help Yourself. De fora ficou apenas a participação do colectivo em “The Amazing Zig Zag Concert”, um evento levado a cabo para homenagear o legado do Zig Zag Magazine de Pete Frame em prol do underground britânico.
Enquadramento concluído será justo reforçar “a delícia” que é toda a música dos Help Yourself . No conjunto da sua discografia não existe um mau álbum, ainda que uns sejam melhores que outros. O Atalho destacaria os três primeiros – “Help Yourself”, “Strange Affair” e “Beware the shadow”, por serem de uma inigualável eloquência. O álbum estreia por incluir “Old Man” ( sem relação com o tema de Neil Young ), “Deborah”, “To Katherine They Fell” e “Street Songs” entre outros. “Strange Affair” por via de “Brown Lady”, “Heaven Row” ou “The All Electric Fur Trapper” uma peça psicadélica onde as guitarras de Morley, Richad Treece, Ernie Graham e Jo-Jo Glemser disputam o protagonismo. Finalmente “Beware The Shadow” através dos clássicos “American Mother”, “Passing Through” e da semi-prog suite “Reaffirmation”.
Ainda que nascidos como projectos autónomos “Ther Return of Ken Whaley” e “Happy Days” foram publicados em simultâneo e assumem-se como os mais iconoclastas dos registos Help Yourself considerando o até então paradigma sonoro. Mais experimentalistas e, sobretudo no caso do segundo, permeáveis à influência do então emergente pub-rock, integram ainda assim temas muito interessantes ( “Amy”, “Candy Kane” ou “Seashell” ) onde a guitarra do artesão Richard Treece atinge patamares de excelência.
“5” originalmente publicado em 2004 e beneficiando de uma capa concebida e desenhada por RickGriffin, agrupa um conjunto de temas gravados no verão de 1973, mas não editados na época. É um disco bonito e essencialmente melódico. Tem dentro uma das canções mais brilhantes do colectivo – “Cowboy Song” – curiosamente uma das poucas de que Morley não é autor. Acrescem ainda quatro temas/jam sessions captados a 10 de Abril de 1972 numa sessão da BBC Radio One.
( os dois únicos singles dos Help Yourself publicados com picture sleeve; "Brown Lady" na Alemanha e "Mummy won't be home for Christmas" em Inglaterra )
Por fim “Lost and Found”. Cronologicamente as primeiras gravações a solo de Malcolm Morley levadas a cabo nos Foel Studios de Gales em 1976. Entretanto extraviadas, só seriam publicadas em 2002. Reúnem momentos de rara eloquência como “Grace”, “Romance in a Tin” ou o dylanesco “Naked as the Night” e são o corolário perfeito para esta iniciativa editorial.
Help Yourself é uma banda fácil de gostar …, desde que devidamente conhecida. “Passing through” significa uma oportunidade única para os que nunca se cruzaram com estes sons e, também em simultâneo, para uma imensa minoria de incondicionais que encontrarão num lugar único todo o espólio de uma banda verdadeiramente excepcional.
Um dos fenómenos mais intrigantes da música popular britânica
dos 70s do século XX, reside na persistente e incompreensível ausência de
popularidade de um dos mais talentosos colectivos da época: Help Yourself.
À data, publicaram quatro álbuns absolutamente essenciais: “Help
Yourself”, Strange Affair”, “Beware The Shadow” e “The Return of Ken Whaley”, a
que se juntaria em 2004 o também excelente “5”, que como o título deixa antever,
inclui o material que fora composto e gravado para dar sequência cronológica a “Return
of Ken Whaley”, o que não aconteceu.
A natureza e razão do brilhantismo da banda alicerçava-se no
facto dos membros serem simultâneamente compositores
e instrumentistas dotados. Apesar de críticas favoráveis por parte da imprensa ,
o mediatismo da banda nunca foi uma opção suficientemente consistente. Com o
passar dos anos, o grupo, os seus discos e até os ex-membros, transformaram-se
numa espécie de liturgia que um conjunto de incondicionais professava e
professa com persistente regularidade.
Recentemente a fanzine Terrascopaedia dedicou a sua primeira edição
“Annual” ao legado dos Help Yourself. Para tal convocou dois dos muitos recém
convertidos – Prana Crafter( William Sol ) e Zachary Cale para reinterpretarem dois títulos do álbum de estreia da
banda londrina, ambos saídos da inspiração de Malcolm Morley: “Your Eyes are
Looking Down” e “Paper Leaves”. O resultado materializa-se num single que
acompanha a publicação “The Terrascopaedia Annual” onde, como se calcula, os
dois músicos dissertam sobre a importância e o legado dos Help Yourself no desenvolvimento
das suas opções musicais.
No passado o Atalho já referenciou, quer a banda, quer o trabalho
de Malcolm Morley a solo, mas como nunca será demais o destaque aqui fica mais
esta chamada de atenção à boleia de um magnifico artefacto.
Naturaisdo Worcestershire e veteranos dos Sundowners
e Hard Meat, os irmãos Mick e Steve
Dolan encontravam-se no desemprego no inicio dos 70s. Os dois álbuns que
gravaram enquanto Hard Meat ( “Hard
Meat” e “Through a Window”, respectivamente publicados em Abril e
Outubro de 1970 ) apesar do selo de uma
major, a Warner Brothers, e de terem
sido razoavelmente apadrinhados pela crítica, não os conduziram ao paraíso.
Dois anos volvidos o duo dá inicio a um novo projecto: Big Front Yard.
Em linha com o tempo, o estilo mudara relativamente ao padrão
Hard Meat. Menos inflexões
psicadélicas e influências folk-rock, mais soft-country-rock. Algo próximo do
explorado na época por bandas como Brinsley
Schwarz, Man ou Heads, Hands &
Feet.
Entre os anos de 73 e 74 gravam um conjunto de temas não
publicados, entre eles um extraordinário “Morning Glory” que traz de volta à
memória “When The Eagle Flies” dos Traffic.
Mas é em 1975 que os Big
Front Yard atingem o pico da criatividade enquanto grupo. Lançam uma
editora privada ( Rampart Records ) onde publicaram um single: “Money-Go-Round
/ Mad John’s Dream”.
Em simultâneo gravam o seu melhor legado: cinco temas, dos
quais se destacam pela extensão e inspiração, “Time it Right”,“In Your Wagon” e “Godzilla”. Todos com mais
de sete minutos e todos suficientemente brilhante para serem incluídos no mesmo
campeonato onde evoluíam bandas hoje ( também
) subestimadas como Bronco, Hookfoot, HelpYourself ou Cochise.
Os três temas, por si só, justificam a audição de “Big
Front Yard”, um duplo álbum onde por fim, são disponibilizadas as gravações
da banda ( com excepção do lado A do single acima referido ). Porém, de entre
os restantes onze títulos há mais, muitas mais excelentes memórias sonoras de
um estilo e de uma época que o então emergente pub-rock acabou por abafar.
Help Yourself: Richard Treece ( guitarra ), Ken Whaley ( baixo ), Malcolm Morley ( voz, guitarra e piano ), Dave Charles ( voz e bateria ), Sean Tyla ( guitarra ), Deke Leonard ( guitarra ) e Kevin Spacey ( bateria ).
Todos os temas gravados nos estúdios Chipping Norton, Oxfordshire em 1973, com excepção dos temas 4, 8 e 10 gravados no inverno de 2002/2003.
Capa: ilustração de Rick Griffin, design de Synoptik.
Seguramente um dos segredos melhor guardado da música
britânica, Malcolm Morley fundou e integrou
projectos musicais incontornáveis como Sam
Apple Pie, HelpYourself, Man ou Bees Make Honey.
“Lost and found” publicado em 2002, resgatava temas inéditos
escritos por volta de 1976 ( pouco tempo após o termo da aventura Help Yourself
) e é porventura um dos melhores discos canções que quase ninguém escutou.
O recente “Raw” tem o formato de EP e inclui
quatro temas. Canções, voz, guitarra acústica e um violino ocasional. Não
necessita de mais para ser belíssimo.
“East Virginia/Dark Hollow”, um tradicional que os Grateful
Dead perfilharam, tem aqui a elegância que só a “englishness” de Morley pode
conferir. Escrito por Frank Proffitt, “Poor man” é um lamento apalachiano envolto
numa melodia em tom sépia. Os originais “Summerlands” e “Where the river bends”
são exactamente o que se pode esperar de Morley; canções tão simples que
parecem impossíveis, de uma rara sensibilidade, e feitas daquela beleza serena
que lhes permitirá resistir ao tempo, como de resto sucede com a maioria das
canções do autor.
A única má noticia consiste na edição, limitada a apenas 300
exemplares.
“We are buried beneath the weight of information, which is being confused with knowledge; quantity is being confused with abundance and wealth with happiness. We are monkeys with money and guns.” ( Tom Waits )
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Livraria
Patti Smith "Pão de Anjos, Memórias", Quetzal, 316 páginas, Abril 2026
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Marconi Notaro "No Sub Reino Dos Metazoários" ( Rosenblit LPLCP 009 ) Brasil, 1973
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Don Rendell / Ian Carr Quintet "Mirage" ( Landsdowne LP 001 ) UK, 2026