06/04/25
"Jingle Jangle Morning, The 1960s U.S. Folk-Rock Explosion"
07/03/25
Turquoise "The return of Captain Speed"
Resultado da junção e reciclagem dos estilhaços de um
conjunto de bandas ( The Corvairs, Jer and The Renegades, Chessmen, English
Sound Project, Captain Speed ), os Turquoise eram originários do sul da
California, designadamente de Santa Barbara e San Luis Obispo.
Contemporêneos dos Strawberry Alarm Clock e dos menos
mediáticos Giant Crab, os Turquoise gravaram dois singles no decorrer de 1967: “Hello
Bill / Steel Glass” e “Sunflower Mama / Beautiful Death Dealer”, ambos objecto
de produção do “maverick” Kim Fowley.
Qualquer dos quatro temas, com particular destaque para “Hello
Bill” e “Beautiful Death Dealer” alinham pelos padrões do psicadelismo
californiano da época. Intencionalmente ou não optam por incluir um órgão “à la”
Ray Manzarek, facto que lhes permite desenvolver uma vertente “Doorsy sound”
que, não sendo propriamente inovadora, demonstra a intenção de manter a sintonia
com o paradigma de sucesso que a banda de Jim Morrison perseguia. O mesmo raciocínio
poderá ser aplicado às vocalizações de Tim Pearson, sendo que os textos deste não
logram atingir o mesmo desiderato.
Ainda assim “The return of Captain Speed” é um artefacto genuíno
que, além de recuperar os títulos acima referidos, lhes soma oito interessantes
temas gravados em 1968, desta vez sob a batuta do produtor Jim Salzer.
Equívocos vários, incorporações de membros do grupo no
exército com destino ao Vietnam, o falecimento de Tim Pearson ao que que se
conhece, fruto de comportamentos erráticos e aditivos, conduziram ao fim de uma
banda que entre outros integrou o futuro Little Feat Bill Payne.
Para memória futura ficaram as músicas disponíveis em “The return of Captain Speed” que a chancela
de qualidade do historiador e arquivista Alec Palao permite a eventuais
curiosos agora avaliar.
17/06/22
"Heroes and Villains, The Sound of Los Angeles 1965-68"
Existem diversas compilações ilustrando a música feita em Los
Angeles no período áureo dos 60s, quando o respectivo paradigma artístico
rivalizava com a mais florida e etérea cena de São Francisco.
Uma das mais aturadas e criteriosas é “Where The Action is!
1965 Los Angeles Nuggets 1968” datada de 2009 e produzida pelos insuspeitos
Andrew Sandoval, Alec Palao e Cheryl Pawelski.
Mas o tema, longe de ser consensual, seja do ponto de vista
musical, histórico ou sociológico, presta-se sempre a revisitações e,
dependendo do curador, umas mais conseguidas que outras.
A mais recente dá pelo nome de “Heroes and Villains, The Sounds of Los Angeles 1965-68” e tem a marca competente e diferenciada do historiador David Wells.
E se “Where the Action is!”, à data incluindo apenas 3 temas
inéditos ( Stephen Stills & Richie Furay, Tim Buckley e Tommy Boyce &
Bobby Hart ), era uma espécie de parente próximo da lendária criação de Lenny
Kaye “Nuggets, Original Artyfacts from
the First Psychedelic Era 1965-1968”, “Heroes and Villains”, longe de descurar
os inéditos ( 16 num total de 90 títulos ) procura enquadrar a criação musical
nos acontecimentos históricos e artísticos que a cidade e arredores ( Laurel
Canyon sobretudo ) viviam na época:
“Before 1969, my memories were nothing but fun and
excitement and shooting to the top of the charts and loving every minute of it.
The Manson murders ruined the LA music scene. That was the nail in the coffin
of the freewheeling, let’s get high, everybody welcome, come on in, sit right
down. Everybody was terrified. I carried a gun in my purse. And i never invited
anybody over to my house again” ( Michelle Phillips, The Mamas and The
Papas ).
Ademais e concretizando: onde será possível encontrar as esquizofrénicas composições de Captain Beefheart e Mothers of Invention? Ou uma versão de “Windy” pela respectiva autora (Ruthann Friedman), um ano após o tema ter resgatado os Association do anonimato? Ou um inédito dylanesco, “The Wind Blows Your Hair por uns insuspeitos The Seeds? Ou um outro inédito e percursor “Computer Girl” gravado em 67 pelos Urban Renewal Project liderados por um jovem Russ Mael que anos mais tarde os Sparks imortalizaram? Ou um “Long time” escrito por Gene Clark e oferecido aos Rose Garden? Ou uma primeira versão de “Why” de David Crosby gravada pelos Byrds nos estúdios de RCA em Sunset Boulevard e cujas fitas foram recusadas pela Columbia, que obrigou a banda a regravar o tema nos seus próprios estúdios? Ou ainda uma versão de “Road to Nowhere” assinada pela dupla Goffin/King e interpretada pelos Hearts & Flowers uma das primeiras bandas de Bernie Leadon?
Poderíamos sempre continuar pois o filão não apenas parece; é verdadeira e compulsivamente inesgotável. “Heroes and Villains” é por isso uma edição marcante. Vai muito para além do tempo que os seus 90 temas demoram a escutar. As enciclopédicas notas que ilustram cada um deles, obrigam-nos a parar e a verificar cada detalhe, cada informação aduzida. Muita da qual, sobranceiramente afinal, julgávamos já conhecer.
Numa palavra: puro serviço público!





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