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06/04/25

"Jingle Jangle Morning, The 1960s U.S. Folk-Rock Explosion"

When folk guitarrist-singers Roger ( then Jim ) McGuinn, Gene Clark, and David Crosby started to make music together around mid-1964, they’d barely begun to play electric instruments. With newly recruited bassist Chris Hillman and drummer Michael Clarke, they devised a full electric arrangement of this then-unreleased Bob Dylan composition that combined the best of Dylan and the Beatles, with ringing electric 12-string guitar and heavenly harmonies. Although only McGuinn played on the single, the result was a #1 hit in both US and UK as summer 1965 dawned, and the dawn of folk-rock itself.”

Não sendo a única, a versão de “Mr. Tambourine Man” inventada pelos Byrds e acima comentada por Ritchie Unterberger, é uma das razões da existência deste blog. O folk-rock ( sobretudo o americano ) é uma outra. 

Caldo perfeito para, com evidente satisfação, receber “Jingle Jangle Morning, The 1960s US Folk-Rock Explosion”; selecção, compilação e notas de Ritchie Unterberger, assistência aúdio de Alec Palao.
A larga maioria dos primeiros arautos do folk-rock provinham do folk e do folk revival do inicio dos 60s. A então deriva eléctrica de Dylan primeiro e dos The Byrds no imediato, funcionou como catalisador para um movimento que cavalgando a onda de British Invasion acabou a competir com esta. 

Yet folk-rock wasn’t merely a matter of mixing the Beatles and Bob Dylan, or folk songwriters trading their acoustic guitars for electric axes. In the five or so years after The Byrds hit #1 on both sides of the Atlantic with their rocked-up reinvention of Dylan’s ‘Mr. Tambourine Man’, dozens of American acts took the best of both rock and folk to not only create something wholly new.” 

De um ponto de vista histórico e documental “Jingle Jangle Morning” é uma das abordagens possíveis. Haverá certamente outras, muito embora esta, balizada entre os anos de 1965 e 1970, seja susceptível de criar adição.
Os 76 temas que compõem a compilação abordam um largo espectro do género. Do óbvio ao surpreendente, passando pelo inesperado. 

Dylan, Byrds, Phil Ochs, Great Society, Buffalo Springfield, Gene Clark, Tim Buckley, Beau Brummels, Simon & Garfunkel, Fred Neil, Youngbloods, Judy Collins, David Blue, Jefferson Airplane, Tom Rush, Gordon Lightfoot, Love, Tom Paxton ou Tim Hardin entre outros, cabem no campo do óbvio. 

Com maior ou menor grau de surpresa, são aparentemente inesperados os nomes de Nico, Dion, Poco, Lamb, Johnny Winter, Linda Ronstadt, Fugs, Fapardokly ou Holy Modal Rounders por exemplo. Opções do curador que nos convidam a questionar clichés e colocar de novo em perspectiva verdades entretanto adquiridas.
A tudo isto acrescem algumas cerejas colocadas no topo: Blackburn & Snow com “Stranger in a strange land”, um tema que David Crosby escreveu e produziu em 1966 sob o pseudónimo Samuel F. Omar; “Is there anything I can do” dos The Ashes ( pré Peanut Butter Conspiracy ); “2:10 Train” dos The Rising Sons ( com Ry Cooder e Taj Mahal ); “Guinevere” dos The Lemon Drops; “All night long” de Tom Paxton; o inédito “Watch me walk away” dos obscuros Stourbridge Lion, ou o espectacular “Woman don’t you weep” escrito por Steve Young para o único álbum dos Stone Country

Seguramente uma das compilações do ano.
 

07/03/25

Turquoise "The return of Captain Speed"

 


Resultado da junção e reciclagem dos estilhaços de um conjunto de bandas ( The Corvairs, Jer and The Renegades, Chessmen, English Sound Project, Captain Speed ), os Turquoise eram originários do sul da California, designadamente de Santa Barbara e San Luis Obispo.

Contemporêneos dos Strawberry Alarm Clock e dos menos mediáticos Giant Crab, os Turquoise gravaram dois singles no decorrer de 1967: “Hello Bill / Steel Glass” e “Sunflower Mama / Beautiful Death Dealer”, ambos objecto de produção do “maverick” Kim Fowley.

Qualquer dos quatro temas, com particular destaque para “Hello Bill” e “Beautiful Death Dealer” alinham pelos padrões do psicadelismo californiano da época. Intencionalmente ou não optam por incluir um órgão “à la” Ray Manzarek, facto que lhes permite desenvolver uma vertente “Doorsy sound” que, não sendo propriamente inovadora, demonstra a intenção de manter a sintonia com o paradigma de sucesso que a banda de Jim Morrison perseguia. O mesmo raciocínio poderá ser aplicado às vocalizações de Tim Pearson, sendo que os textos deste não logram atingir o mesmo desiderato.


Ainda assim “The return of Captain Speed” é um artefacto genuíno que, além de recuperar os títulos acima referidos, lhes soma oito interessantes temas gravados em 1968, desta vez sob a batuta do produtor Jim Salzer.

Equívocos vários, incorporações de membros do grupo no exército com destino ao Vietnam, o falecimento de Tim Pearson ao que que se conhece, fruto de comportamentos erráticos e aditivos, conduziram ao fim de uma banda que entre outros integrou o futuro Little Feat Bill Payne.

Para memória futura ficaram as músicas disponíveis em “The return of Captain Speed” que a chancela de qualidade do historiador e arquivista Alec Palao permite a eventuais curiosos agora avaliar.

17/06/22

"Heroes and Villains, The Sound of Los Angeles 1965-68"

 


Existem diversas compilações ilustrando a música feita em Los Angeles no período áureo dos 60s, quando o respectivo paradigma artístico rivalizava com a mais florida e etérea cena de São Francisco.

Uma das mais aturadas e criteriosas é “Where The Action is! 1965 Los Angeles Nuggets 1968” datada de 2009 e produzida pelos insuspeitos Andrew Sandoval, Alec Palao e Cheryl Pawelski.

Mas o tema, longe de ser consensual, seja do ponto de vista musical, histórico ou sociológico, presta-se sempre a revisitações e, dependendo do curador, umas mais conseguidas que outras.

A mais recente dá pelo nome de “Heroes and Villains, The Sounds of Los Angeles 1965-68” e tem a marca competente e diferenciada do historiador David Wells.

 


E se “Where the Action is!”, à data incluindo apenas 3 temas inéditos ( Stephen Stills & Richie Furay, Tim Buckley e Tommy Boyce & Bobby Hart ), era uma espécie de parente próximo da lendária criação de Lenny Kaye Nuggets, Original Artyfacts from the First Psychedelic Era 1965-1968”, “Heroes and Villains”, longe de descurar os inéditos ( 16 num total de 90 títulos ) procura enquadrar a criação musical nos acontecimentos históricos e artísticos que a cidade e arredores ( Laurel Canyon sobretudo ) viviam na época:

Before 1969, my memories were nothing but fun and excitement and shooting to the top of the charts and loving every minute of it. The Manson murders ruined the LA music scene. That was the nail in the coffin of the freewheeling, let’s get high, everybody welcome, come on in, sit right down. Everybody was terrified. I carried a gun in my purse. And i never invited anybody over to my house again” ( Michelle Phillips, The Mamas and The Papas ).



Ademais e concretizando: onde será possível encontrar as esquizofrénicas composições de Captain Beefheart e Mothers of Invention? Ou uma versão de “Windy” pela respectiva autora  (Ruthann Friedman), um ano após o tema ter resgatado os Association do anonimato? Ou um inédito dylanesco, “The Wind Blows Your Hair por uns insuspeitos The Seeds? Ou um outro inédito e percursor “Computer Girl” gravado em 67 pelos Urban Renewal Project liderados por um jovem Russ Mael que anos mais tarde os Sparks imortalizaram? Ou um “Long time” escrito por Gene Clark e oferecido aos Rose Garden? Ou uma primeira versão de “Why” de David Crosby gravada pelos Byrds nos estúdios de RCA em Sunset Boulevard e cujas fitas foram recusadas pela Columbia, que obrigou a banda a regravar o tema nos seus próprios estúdios? Ou ainda uma versão de “Road to Nowhere” assinada pela dupla Goffin/King e interpretada pelos Hearts & Flowers uma das primeiras bandas de Bernie Leadon?

Poderíamos sempre continuar pois o filão não apenas parece; é verdadeira e compulsivamente inesgotável. “Heroes and Villains” é por isso uma edição marcante. Vai muito para além do tempo que os seus 90 temas demoram a escutar. As enciclopédicas notas que ilustram cada um deles, obrigam-nos a parar e a verificar cada detalhe, cada informação aduzida. Muita da qual, sobranceiramente afinal, julgávamos já conhecer.

 

Numa palavra: puro serviço público!

03/04/20

Artefactos ( 98 )



"Historically, the Bay Area’s tolerant, artistic atmosphere fostered a vibrant community that nurtured jazz – both hot and cool – folk and blues, and, lest we Forget, readily embraced the arrival of rock in the mid 1950s. True to the city’s nonconformist history, the artistry and success of San Francisco’s popular music exports, from Dave Brubeck to Johnny Mathis to The Kingston Trio, were predictable. In addition, psychedelia found its spiritual home in the Bay Area, supported by an environment and collective philosophy that nurtured it.  It was this beacon of freedom that focused the eyes and ears of the world upon San Francisco in the the 60s, and it’s why the music  collected here still thrills to this day.”

( Alec Palao, 2007, das notas introdutórias a “Love Is The Song We Sing, San Francisco Nuggets 1965 – 1970” )

Do ponto de vista histórico e cultural é uma síntese possível; sendo que haveria mais a acrescentar ( ou detalhar ) designadamente a literatura beat ou as experiências  pioneiras com recurso a substâncias de cariz lisérgico.

Na vertente estritamente musical, o trabalho de Palao é digno de realce. “Love is the song we sing” é um artefacto notável. Desde logo na forma como se apresenta, sob forma de um livro de mesa profusamente ilustrado por posters da época, fotos das bandas compiladas - cerca de 70 – e textos biográficos tema a tema.

Estão aqui como seria expectável os nomes emblemáticos da música de Frisco ( Airplane, Grateful Dead, Quicksilver, Mad River, Country Joe, Janis, Santana, Moby Grape ) mas é acima de tudo na plêiade de nomes menos conhecidos que reside o interesse maior deste artefacto.

Entre muitos outros e com a informação de que dispomos hoje: The Mystery Trend, The Family Tree, The Wildflower, Blackburn & Snow, The Hrabinger Complex, The New Breed, Country Weather, Public Nuisance, The Ace of Cups, The Otherside, The Oxford Circle, The Front Line … , merecem ser escutados com atenção.  Não será difícil concluir o quão brilhantes ( nalguns casos geniais ) foram grande parte destas criações e destes sons.