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12/10/23

"All God's Children, Songs from The British Jesus Rock Revolution 1967-1974"

 


I got really fed up with going to concerts where 95 per cent of the audience were Christians. I felt I was preaching to the converted. I felt as if they were saying that Christian musicians couldn’t compete with their secular counterparts” ( Judy MacKenzie )

 

Não conhecendo embora a projecção e a importância da sua congénere norte-americana, a música britânica de inspiração cristã dos finais dos 60s inicio dos 70s do século XX, teve os seus momentos, episódios marcantes, editoras  e nomes a reter.

Muito para além e anos antes das performances teatrais de “Jesus Christ Superstar” ou “Godspell” já os artistas cristãos tinham ganho o seu espaço no Reino Unido e não apenas via música folk ( aparentemente a opção mais fácil e óbvia ). Imbuídos do espírito que presidia às iniciativas do Salvation Army, versões litúrgicas do gospel, do blues e até do rock, preencheram o epicentro do movimento.

É neste borbulhante caldeirão que se movimentam militantes como Judy MacKenzie, John Pantry, Out Of Darkness, Parchment, Whispers of Truth, All Things New, The Pilgrims ou Roger & Jan. Espiritualistas “à la carte” e passageiros ocasionais também os houve como o comprovam as incursões de nomes como Alan Hull ( Lindisfarne ), Quintessence, Magna Carta, The Johnstons,  Kevin Coyne, Bill Fay, Jethro Tull, Strawbs, Nirvana, ou Mellow Candle entre muitos outros.




As motivações essas naturalmente divergiam. Não é crível por exemplo que as intenções de Ian Anderson quando escreveu “My God” para “Aqualung” fossem passíveis de encontrar paralelo nos Out Of Darkness quando criaram “On Solid Rock” ou nos Quintessence quando gravaram “Jesus my life”.

All God’s Children, Songs from The British Jesus Rock Revolution 1967-1974” – cujo título se inspira no conhecido tema dos Kinks “God’s Children”, o qual verdade seja dita tinha pouco de evangélico e muito de metafórico  - procura ilustrar o movimento e a época. E é importante não apenas na vertente estritamente musical, mas também no enquadramento social que a originou.

Como todas as compilações pensadas e “desenhadas” por David Wells é brilhante, ainda que no caso concreto o advérbio “quase” persista em reivindicar a sua presença.

“Prelude” dos Salamander é a abertura celestial, impossível de ignorar; a fórmula Cream dos Out Of Darkness é convincente para além de eloquente; “The man who called himself Jesus” era impossível de ignorar; o mesmo sucede com “To be a Pilgrim”, “Jesus” “Stories of Jesus”, “Three Crosses”, “New Song”, “Son of God”, ou “Jesus come back”,  respectivamente de Gerald Moore, Wil Malone, Clive Palmer, Roger & Jan, Judy MacKenzie, Parchment e Ramases.




Com estes coexistem Cavalos de Tróia, como a versão de “Jesus is just alright” dos Bourbon Street Mission ( um colectivo criado pelo produtor Sandy Roberton e cuja memória ainda hoje deve causar pesadelos à cantora escocesa Shelagh McDonald por ter participado no coisa ), “Prayer” dos Manfred Mann’s Earth Band  ou a inenarrável versão de “Jesus Cristo” ( Roberto Carlos lembram-se? ) pelos Fickle Pickle.

Contas feitas, “All God’s Children” é, para além de recuperar e retratar um movimento e uma época historicamente importante, um verdadeiro entretenimento.

16/01/19

The Choir "Artifact: The Unreleased Album"



Mentor, Cleveland / Ohio, 1964. Influenciados pela chamada “British Invasion” um grupo de miúdos forma uma banda. Auto denominam-se The Mods. Gravam dois singles imberbes. Dois anos volvidos decidem mudar o nome para The Choir.

No período compreendido entre 66 e 70 a formação sofreu meia dúzia de alterações. Por lá passaram entre outros Joe Walsh ( futuro guitarrista de James Gang e dos Eagles ) e Eric Carmen ( membro fundador dos Raspberries, mais tarde solo mainstream pop singer ). O resultado foi a publicação de um conjunto de singles de entre os quais um que ficou para memória futura: “It’s Cold Outside”.

Estabilizados na forma de um quinteto:  Phil Giallombardo ( órgão ), Randy Klawon ( guitarra ), Denny Carleton ( baixo ),  Jim Bonfanti ( bateria ) e Kenny Margolis ( piano ), em Fevereiro de 1969 os The Choir gravam um conjunto de canções destinadas à publicação do seu primeiro álbum. Do resultado daquelas sessões não houve noticias durante cerca de 48 anos; até que alguém recentemente escutou as fitas e decidiu avançar para a respectiva publicação.


E a pergunta que hoje se coloca é: what if … ? Sim, o que teria acontecido se  Artifact: The Unreleased Album” tivesse sido dado a conhecer a seu tempo?

Acantonadas entre  clássicas harmonias pop / rock, o vaudeville pop dos Kinks ( não é surpreendente a versão de “David Watts”, um original de Ray Davies para o álbum “Something Else” ), o pop escorreito dos Bee Gees da época e as teclas ( órgão sobretudo ) roubadas aos primeiros discos dos Procol Harum ou The Band, as 10 canções que integram “Artifact” são um puro deleite, qualquer que seja a perspectiva escolhida para a abordagem.

“Anyway I can” ou “If these are men” antecipam o power pop dos Raspberries ( banda que uma parte dos The Choir viria a formar em 1972 ), “Ladybug” é Procol Harum em estado puro, “For Eric” um tema jazz incrustado por óbvia latinidade e, “It’s All Over” um   mini épico que Robin Gibb não se teria importado de assinar.

Tudo somado, “Artifact: The Unreleased Album” é constituído por um conjunto de canções de mão cheia, com as “bridges” e “chorus” no devido sítio, repleto de cativantes melodias, arranjos por vezes complexos mas sempre apelativos.

“What If …?” é de facto uma pergunta pertinente.

01/03/18

Killers Angels Refugees ( 31 )


Agora que Ray Davies foi designado "Cavaleiro" e é por inerência um "Sir", seria interessante saber o que pensa hoje do texto de "20th Century Man" ( álbum "Muswell Hillbillies", 1971 ) ou, talvez melhor ainda, como seria o texto de um eventual "21th Century Man".


This is the age of machinery,
A mechanical nightmare,
The wonderful world of technology,
Napalm hydrogen bombs biological warfare,
 
This is the twentieth century,
But too much aggravation
It's the age of insanity,
What has become of the green pleasant fields of Jerusalem.

Ain't got no ambition, I'm just disillusioned
I'm a twentieth century man but I don't want to be here.
My mama said she can't understand me
She can't see my motivation
Just give me some security,
I'm a paranoid schizoid product of the twentieth century.

You keep all your smart modern writers
Give me William Shakespeare
You keep all your smart modern painters
I'll take Rembrandt, Titian, Da Vinci and Gainsborough,

Girl we gotta get out of here
We gotta find a solution
I'm a twentieth century man but I don't want to die here.

I was born in a welfare state
Ruled by bureaucracy
Controlled by civil servants
And people dressed in grey
Got no privacy got no liberty
'cause the twentieth century people
Took it all away from me.

Don't want to get myself shot down
By some trigger happy policeman,
Gotta keep a hold on my sanity
I'm a twentieth century man but I don't want to die here.

My mama says she can't understand me
She can't see my motivation
Ain't got no security,
I'm a twentieth century man but I don't want to be here.

This is the twentieth century
But too much aggravation
This is the edge of insanity
I'm a twentieth century man but I don't want to be



Capa do álbum "Muswell Hillbillies"


Capa do Single português de "20th Century Man", muito provavelmente a única edição mundial que apresenta "Alcohol" no lado B.