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02/04/13

Arbouretum "Coming out of the fog"


 
Depois de um álbum desiquilibrado, “The Gathering”,    que esteve longe de impressionar e de “Aureola”, uma  interessante colaboração com  Hush Arbors, os Arbouretum  regressam à matriz que os tornou populares por aqui: a linguagem Americana polvilhada pela tradição e o lado abrasivo retirado ao rock and roll dos bares anónimos e indiferenciados.
Ao contrário das bandas exclusivamente revivalistas em actividade o quarteto de Dave Heumann acrescenta valor às raízes musicais da América profunda “Coming out of the fog”  poderá muito bem ser o seu melhor registo desde “Rites of uncovering”.

 As canções impressionam. Concisas e convictas, mergulham no interior anónimo, acrescentam lirismo onde antes só o deserto parecia importar e são tudo menos vulgares. Tal como um bom vinho, precisam de algum tempo para respirar e degustar. Após isso, revestem um porte simultaneamente novo e antigo, tornam-se quase indispensáveis.
Tudo menos vulgares, transportam-nos para lugares mágicos outrora habitados por Neil Young uns, outros onde é possível cruzar-nos com Rich Hopkins ou Will Oldham.  E nunca a guitarra e as canções de Dave Heumann se confundiram tanto com o sol do deserto.  

24/07/12

Hush Arbors / Arbouretum "Aureola"


Na música como na vida, para compreender o presente é necessário conhecer o passado.

 Hush Arbors e Arbouretum, são duas das bandas norte-americanas que hoje melhor resolvem esta equação. Um exercício tudo menos fácil, pois o risco de se deslizar para o “retro” é enorme, conforme  abundantes exemplos que por aí circulam e que o Atalho se vai dispensar de elencar.

O que aproxima  Keith Wood ( Hush Arbors ) e Dave Heumann ( Arbouretum ) é a paixão pela tradição musical, seja o country ou do rock psicadélico. E, registe-se, praticam-na com notável eficácia, deixando os tiques do passado sempre do lado de fora da porta.

“Aureola”, foi a oportunidade que a editora de ambos encontrou para publicar um split cd que junta cinco temas Hush Arbors e três épicos Arbouretum. Maioritariamente acústicos os primeiros, deliberadamente eléctricos os últimos, a verdade é que a ”mélange” é quase perfeita e, quaisquer que sejam as razões que estão ou estiveram na origem do projecto ( podem até ser meramente comerciais, pouco importa face ao resultado ), a verdade é que estamos perante algo de genuíno, cuidadosamente despretensioso e simples. Por isso nos tocam fundo. Coisa rara portanto.

Escutar estes oito temas, a harmonia nas guitarras acústicas de Keith Wood e a electricidade  épica de  Arbouretum, é uma experiência  a colocar em modo “repeat”, tão cedo quanto possível.

29/12/08

Hush Arbors "Hush Arbors"


Se desenharmos um arco, colocando numa das extremidades MV & EE, prosseguindo com Six Organs of Admittance, Current 93, Skygreen Leopards e terminarmos na outra ponta com Damon & Naomi, em qualquer destes pontos encontraremos sempre os Hush Arbors, o projecto de Keith Wood.

Com Matt Valentine e Erica Elder, Wood partilha o colectivo editorial da Ecstatic Peace de Thurston Moore, um dos refúgios secretos do riff. Ben Chasney é um amigo e colaborador de longa data e em “Hush Arbors” está de novo presente. Current 93 e David Tibet acolheram recentemente Wood no seu seio; este por seu lado, partilha com Glenn Donaldson dos extintos Skygreen Leopards uma tonalidade vocal a meio caminho entre o falsetto e o campfire. Por fim, Hush Arbors, não sendo tão perfeito em matéria de detalhes e consistente nos conteúdos, reparte com Damon & Naomi as elegias a um romantismo sereno e quase pastoral.



A abertura de “Hush Arbors”, pirotécnica, através das guitarras drone de “Water” não nos prepara para o que vem a seguir. 31 minutos e alguns segundos preenchidos por um riquíssimo menu, ancorado nas guitarras de Keith Wood/Leon Duffiny e, a espaços, como em “Follow closely”, de Ben Chasny.

No fundo este registo é constituído por um conjunto de aguarelas, esboçadas pelas guitarras em cascata ( como em “Sand” ou “Follow closely” ), em fingerpicking ( “Rue Hollow” ou “Bless you” ), em sólida barragem (“Gone” e “Water II” ) ou num misto de todas elas como em “The light”.

Longe dos estereótipos do free-folk, Keith Wood esteve em “Hush Arbors” suficientemente inspirado e inspirador para nos cativar a atenção para uma música simples e elegante que, num momento em que muitos egos se entretêm a elaborar os arrepiantes balanços do ano, quase corria o risco de passar despercebida.