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08/09/25

David Ackles "Down River, In Search of David Ackles"


"Down River, In Search of David Ackles" 

Mark Brend

Jawbone Press, UK, 2025

248 páginas
 

Tudo, ou quase tudo, o que sabíamos e ainda não sabíamos sobre a personalidade e o legado de David Ackles


Entrevista com o autor aqui

21/03/21

Artefactos ( 110 )

 


“… One thing about that week in LA; I was sharing the bill with David Ackles – I was topping the bill, but that seemed just unbelievable to me -  there was no way anyone could’ve convinced me that I should be above David Ackles, but they explained to me that he was almost unknown there. I was flabberghasted, but during that week I discovered that people like Tom Paxton, and Ackles, and David Blue and so on are disregarded in LA … they’re much better known here.

David Ackles was briliant … I made a point of watching him every night, and he was just brilliant – and I heard that he only earned something like 5.000 dollars in the whole 1970. At the end of the week, he bought me a half bottle of Scotch and told me how much he’d enjoyed working with me … which was utterly incredible, because I’d always been a number one fan of his. To see that audience just chatting away while he was singing those lovely songs just tore me apart … people were there because the buzz had got around that I was the guy to see and they didn’t give a toss about a great person like him.

One thing that did come out of that, however, was the album he’s just put out; Bernie ( Taupin ) worked on the production of it … the songs are amazing …”.

(Elton John, in ZIG ZAG Magazine # 26, Novembro 1972)

16/03/21

Jardins do Paraíso ( LXVI )

 


Quem não tem cão caça com gato.

O álbum homónimo dos Moths gravado em 1970 e fabricado na Deroy Sound Service, numa prensagem sem capa e limitada a cerca de duas dúzias de exemplares, entretanto distribuídos por amigos e familiares dos membros da banda, constitui-se desde então numa das mais raras edições privadas da folk inglesa.

A presente reedição em vinil obteve o acordo / colaboração dos elementos do grupo e permite ao comum dos mortais descobrir e disfrutar de um interessante artefacto de época.

A banda ( John Ellis, John Dunn, Mike Jones, Neil Cawley e John Beazer ), um quinteto de estudantes da Universidade de Hull não tinha à data nem teve posteriormente qualquer experiência de gravação e ou actuação de palco. Formou-se na primavera de 1970 e um par de meses volvidos, no palco do anfiteatro da faculdade, gravou as demos que viriam a dar origem ao álbum.



( prensagem original )

A sonoridade que emana de “Moths” está genericamente em linha com o paradigma folk do seu tempo, ainda que a evidente expertise  e sofisticação dos seus criadores a afaste do ambiente pub, aproximando-a da subtileza e elegância de nomes como Tir Na Nog, Oberon ou Fresh Maggots.

Daí que as guitarras de John Ellis e Mike Jones optem por um registo acústico difícil de compaginar com o eléctrico. Em contrapartida, talvez influenciadas pelo trabalho de Bert Jansch e John Renbourn nos Pentangle, dialogam na perfeição com a flauta, a percussão e o baixo.


Por fim o bom gosto; nas duas composições originais de John Ellis e, sobretudo, nas versões escolhidas: temas de Dylan, Tim Buckley, Clive Palmer, Jansch e David Ackles. Melhor seria quase impossível.

A qualidade aúdio desta reedição está muito para além do que seria expectável, facto que não deixa de ser assinalável tendo em conta a raridade e mais que provável fragilidade das fontes, fossem elas as fitas originais ou um velho exemplar do LP fabricado na Deroy.

03/03/21

Record Files ( 23 )

 


Em 2008, dando sequência a um trabalho de pesquisa e produção levado a cabo por Andy Zax, a Rhino Records propôs-se compilar e reeditar todas as gravações conhecidas de David Ackles para a Elektra Records.

Em concreto: os álbuns “David Ackles”, “Subway to the Country” e “American Gothic”, mais oito temas inéditos e/ou versões diferentes entretanto editadas em single.

“There is a River: The Elektra Recordings” estava pronto. Alinhamento, booklet - incluindo textos de Elvis Costello e Bernie Taupin ( este último produtor de “American Gothic” ), – número de catálogo atribuído ( 8122-74884-2 ) …

No último instante ruiu o acordo com os representantes legais do espólio de David Ackles e a edição abortou.

Ao que se sabe, foram na altura distribuídas algumas cópias promocionais. Andarão por aí, algures …





( Detalhes do booklet  )

27/10/20

David Ackles

Porque existem coisas que nunca são demais ...


Capa Original USA


Label original USA, prensagem "West Coast Monarch"


Capa ( interior )


Capa ( verso )


Variação do original USA, redenominado "The road to Cairo", igualmente com prensagem "Monarch"


Label do original UK, Stereo


Label do original UK, Mono


Single promocional USA


Single, França


Capa EP, Portugal


Etiqueta EP, Portugal


EP Portugal, verso

05/08/18

Lost Nuggets ( 124 )



David Ackles "Five & Dime" ( Columbia KC 32466 ) Lyric inner sleeve, USA, 1973


- "Everybody has a story"
- "I've been loved"
- "Jenna Saves"
- "Surf's down"
- "Berry Tree"
- "One good woman's man"
- "Run Pony Run"
- "Aberfan"
- "House above the strand"
- "A photograph of you"
- "Such a woman"
- "Postcards"


David Ackles: canções, voz e piano; com: Bruce Langhorne ( guitarras e baixo ), Loren Pickford ( guitarra acústica, flauta, sax tenor ), Janice Graham ( guitarra ritmo ), Red Rhodes ( guitarra slide ), Cynthia Cole Daley, Donald Ambroson e Bobby Bruce ( violino ), Lou Anna Neill ( Harpa ), Barbara Thompson ( viola ), Robert L. Adcock ( violoncelo ), Patrick Smith ( baixo acústico ), Colin Bailey ( bateria e percussão ), Georgia Mohammer, Earl Dumler, James Kanter, Gene Cipriano, Todd Miller, Robert Henderson, Russell Kidd, Zigmant Kanstul, John Daley e Edmond Welter ( instrumentos de sopro ).

Produção e Arranjos de David Ackles.

Capa: pintura de Michael Wasp.

09/07/17

"English Weather"



Qualquer idiota, mesmo o mais imbecil, receberá toda a minha atenção; bastará para tal que mencione “Refugees” dos Van der Graaf Generator.


Desde há muito considero que o tema de Peter Hammill - a par por exemplo de “Laughing” de David Crosby, “Spanish Guitar” de Gene Clark, “Keep a close watch” de Cale, “Revolution Blues” de Neil Young, “Late November” de Denny, “Day is done” de Drake ou “Road to Cairo” de Ackles - , constitui um padrão a partir do qual se mede o bom gosto musical ou a ausência deste.

Assim uma compilação que inclua qualquer uma das misturas de  “Refugees” merece destaque.  “English Weather” porém, justifica-o muito para além disso.

Curado pelos Saint Etienne  Bob Stanley e Pete Wiggs, “English Weather” é o chamado “labour of love”. Por outras palavras, não era possível chegar a este resultado caso não se gostasse genuinamente destas músicas

O tema mais antigo ( Caravan ) data de Janeiro de 69 e o mais recente ( Daevid Allen ) de 1976. Entre eles desfilam mais 16 composições do período iluminista da música inglesa. Umas razoavelmente conhecidas no circuito underground, outras nem tanto.

Stanley conta no booklet que um dia, retido numa discoteca devido a uma intempérie, ( daí o título desta colectânea ) escutou pela primeira vez um disco que o cativou de imediato: “Shape of the rain”, o álbum homónimo da banda de Sheffield. Impressionado, o dono da loja deu-lhe a conhecer de seguida Parlour Band, Aadvark e T2. E, como não há amor como o primeiro, estas bandas têm lugar na compilação. Shape of the Rain, ficamos sem saber porquê, não.

Britânicos até à medula, abaixo são descriminados os 18 títulos de uma edição que se reputa de essencial para quem se interessa pela matéria ou para aqueles para fazem do bom gosto uma forma de estar.


Quanto a “Refugees”, a opção aqui incluída, faz a ponte entre as versões do single e do do álbum “The least we can do is wave to each other”; a mistura no entanto retira algum protagonismo ao sax de David Jackson e evidencia as prestações dos instrumentos de sopro e dos arranjos de cordas. Sumptuoso.

- Caravan “Love song with flute”

- The Roger Webb Sound “Moon bird”

- The Parlour Band “Early morning eyes”

- Scotch Mist “Pamela”

- The Orange Bicycle “Last cloud home”

- T2 “JLT”

- Bill Fay “Til the Christ come back”

- Van der Graaf Generator “Refugees”

- Aardvark ”Very nice of you to call”

- John Cale “Big White cloud”

- Belle Gonzalez “Bottles”

- The Way We Live “Watching White Stars”

- Offspring “Windfall”

- Camel “Never let go”

- Daevid Allen “Wise man in your heart”

- Matching Mole “O Caroline”

- Prelude “Edge of the sea”

- Alan Parker and Alan Hawkshaw “Evening Shade”


21/09/16

Artefactos ( 45 )



Davis Ackles integra o último lugar do meu Top 5 de compositores norte-americanos das últimas cinco décadas. Os outros são: Dylan, Tom Waits, Randy Newman e Springsteen; exactamente por esta ordem. Idiossincrasias ...

Durante anos soube que, em meados de 1968, havia sido publicado em Portugal um EP promocional ( edição regular julgo que nunca existiu nenhuma, mas é difícil afirmá-lo com toda a certeza ) que agrupava quatro canções retiradas ao álbum de estreia: "David Ackles".

Também, durante anos, sempre me disseram que a tal edição promocional não tinha capa ou seja, vinha dentro duma capa "genérica", indiferenciada.

Mas, a persistência tem as suas recompensas. A capa existe(iu) de facto e aí fica, gloriosamente laminada, na frente e no verso. 


 



19/02/11

Killers, Angels, Refugees ( 24 )


"The Road to Cairo " ( David Ackles )

"A fella told me this here road leads to Cairo.
I got to get me a ride.
I got to go back, go back to my children.
I got to see my little bride.

I been travelin'.
Gone a long long time.
Don't know what i'll find.
Scared of what i'll find but I just got to see them again.
Hey thanks for stoppin'.
Are you headed down to Cairo?
I wrecked my Lincoln in Saint Jo.
Why to little old Cairo?
No special reason.
Look up some folk I used to know.

Me I travel some.
Have my share of fun.
Now that's a life a man can live.
Sure I've played and lost but who minds the cost?
You gor to take more than you give.

Hey you got another cigar?
Son I sure like this car.
Oh from your daddy as a gift.
Say on second thought there's gifts I haven't bought.
Just drop me here.
Thanks for the lift.

Yes I've traveled some.
Yes I've been a bum.
Never have a dime for gin.
Left to make my way.
Told her I can't stay to see my children poor as sin.

I know this road.
It leads straight into Cairo 22 miles straight ahead.
I can't I can't walk down this road to Cairo.
They're better thinkin' I'm dead.

I been travelin'.
Gone a long long time.
Don't know what I'd find.
Scared of what I'd find.
I can't just can't walk down this road."



Uma muito peculiar "road song" narrada por um "hobo" que apanha uma boleia com a intenção de regressar a casa, mas que vai mudando de opinião à medida que a estrada estreita e a canção evolui, "The road to Cairo" ( no estado americano de West Virginia ) foi publicada pela primeira vez no álbum homónimo de David Ackles ( Elektra EKS 74022 ) em Junho de 1968 ( foto acima ).

Excelente ( um dos mais perfeitos painéis de "crónicas americanas" publicados em disco ) e sobretudo diferente ( as prestações do orgão de Michael Fonfara em "His name is Andrew" e "Be my friend" permanecem enormes ), "David Ackles" passou olimpicamente incógnito até que Julie Driscoll, Brian Auger & Trinity" levaram a sua versão de "The road to Cairo" até aos tops europeus.

Em 1971, depois de Spooky Tooth e Barry Dransfield terem publicado com sucesso as suas interpretações de "Down river" e "Be my friend" respectivamente, a Elektra decidiu-se por uma segunda prensagem do álbum. Para aproveitar a onda, rebaptizou-o de "The road to Cairo" e, numa tentativa de se adequar aoa tempos, substituiu o design pioneiro da capa ( William S. Harvey ) por uma fotografia ( Guy Webster ) mais de acordo com o conceito "singer songwriter" então prevalecente.


22/02/09

Pastiches ( 3 )





( "American Gothic", Grant Wood, 1930 )


No talento e nos motivos que o inspiraram, David Ackles foi dos poucos que esteve perto de Randy Newman.

Depois dos notáveis mas largamente ignorados “David Ackles” ( 1968 ) e “Subway to the country” ( 1969 ), o compositor do Illinois, retribuindo a valorização de que era alvo por parte das elites britânicas, deixou os Estados Unidos e fixou-se na paisagem rural inglesa.

A distância clarificou-lhe a perspectiva que tinha do seu próprio país. “American Gothic”, gravado em Londres em 1972 e produzido por Bernie Taupin ( com a bênção de Elton John ) foi a materialização do novo estado de espírito.

A inspiração e lucidez cinematográficas de “American Gothic” remetem para a arte regionalista do pintor americano Grant Wood, cuja obra mais conhecida, precisamente “American Gothic”, é recriada por David Ackles na contracapa do álbum onde, fotografado por Michael Ross, surge com a mulher Janice Vogel nas traseiras do cottage que à data habitava em Bedfordshire, bem perto do coração de Inglaterra.