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15/05/20

Heroes are hard to find ( 77 )


Phil May

( The Pretty Things )

( 1944 - 2020 )

04/07/19

"Lullabies for Catatonics, A Journey Through The British Avant-Pop / Art Rock Scene 1967-74"



“In terms of how we amplified our music, we were a rock group, but what we heard in our heads wasn’t pop music. We never looked to other groups for inspiration. Our music didn’t fit into an already existing format. Pop music didn’t offer enough open space for improvisation … and there was no way we were going to play a tune the same way twice.” ( Robert Wyatt, Soft Machine” )

Há quem lhe chame simplesmente “progressivo”, ainda que a designação seja injusta, por redutora, para além de esteticamente incorrecta.

A verdade porém é que o “British Avant-Pop / Art Rock Scene”, para oportunisticamente utilizar a terminologia dos curadores desta compilação, foi uma espécie de saco de gatos, onde se arrumava tudo e o seu contrário.

Ron Geesin teria pouco em comum versus Pretty Things, tal como os Yes versus Mighty Baby, Mick Ronson versus Curved Air, Bachdenkel versus Giles, Giles & Fripp, Spring versus Fuchsia … etc etc.
E no entanto, viviam-se tempos em que todo o tipo de arrojo estético, não só era permitido, como encorajado.

“We played Bartok like punks. We murdered Bartok. If you compare our version of Bartok’s “Romanian Folk Dance” with the original, it’s the most tasteless thing you’ve heard. It’s note-for-note the same, but it’s horribly played – not amateurishly played, it’s played with hate and vilification. The bottleneck stuff is enough to make you throw up like you’re seasick; and that stands, that’s part of the Dada approach to art, to disgust and revolt your audience into another state of consciousness. Maybe then they’d enjoy Bartok.” ( Drachen Theaker, Rustic Hinge )

“Lullabies for Catatonics, a Journey Through The British Avant-Pop / Art Rock Scene 1967-74”, compilação de excelência note-se, é um espelho quase perfeito do frenesi de fazer diferente - ou em alternativa mais pomposo - que se vivia na época.

E não deixa de ser curioso, ainda que não surpreendente, serem as opções mais amarradas à herança do psicadelismo, aquelas que melhor e mais consistentemente resistiram ao teste do tempo. O único que realmente importa.

“The psychedelic era was really an expanding out and a realization that you could, at that point in British music, do whatever you wanted. There didn’t seem to be any boundaries – and if there are, you completely ignored them.” ( Gary Brooker, Procol Harum )

Escrito isto, fica o desafio. Mergulhem nos 49 temas aqui incluídos, 13 dos quais inéditos, e aquilatem dos pontos de intersecção e/ou das diferenças existentes entre bandas como Soft Machine, Zombies, Blonde on Blonde, Mighty Baby, Gnidrolog, Riot Squad ( com Bowie ), Cressida, Comus, Samurai, Renaissance, Nirvana ou Open Road, entre muitas outras.

14/08/12

Psycholândia 3


Ainda The Pretty Things. E de novo via Fruits de Mer.
Saídos do seminal “S.F. Sorrow”: “S.F. Sorrow is born”, “She says good morning”, “Baron Saturday”  e  captados numa actuação ao vivo no The 100 Club em Dezembro de 2010, são três magníficas recriações dos originais de 1968.

Tocante a autenticidade com que a banda de Phil May e Dick Taylor continua a revisitar os seus próprios clássicos como se o tempo nunca tivesse existido. Um caso único de longevidade num mundo onde se envelhece precocemente.
A cereja no bolo deste EP é uma incendiária versão do clássico dos Byrds, “Renaissance Fair”, registada ao vivo em Amsterdão em 1969.

A edição é como habitualmente colectável, vinilo colorido e limitado a 1200 exemplares.

08/03/12

"SORROW'S CHILDREN, The Songs of S.F. Sorrow"


Por uma questão meramente geracional, cheguei tarde aos Pretty Things e, confesso, “S.F. Sorrow” ( 1968) nunca me impressionou por aí além. Depois aquela velha disputa sobre qual seria o primeiro “concept album”, se “S.F. Sorrow” se “Tommy”, sempre me pareceu estéril e desprovida de sentido. Neste contexto, o mais badalado álbum dos Pretties era um assunto mais ou menos encerrado para mim. Até há dias!

Um amigo teve a gentileza de me fazer chegar um cópia promocional de “Sorrow’s Children”, um projecto da ( www.fruitsdemerrecords.com ) o qual pretende ser um tributo ao lendário disco dos Pretty Things. Após uma, duas, três audições, o cepticismo dissipou-se e a empatia cresceu. Voltei ao original.
Encontrei-o algo datado, mas as canções, a grande maioria delas, estão lá na sua adequada dimensão, quer no tempo quer no modo.

E “Sorrow’s Childen”?


Bom, com tal matéria prima de base e acolhendo versões inventadas por algumas das melhores bandas do underground neo-psicadélico, como The Luck of Eden Hall, The Seventh Ring of Saturn, Hi-Fiction Science, Earthling Society, Sky Picnic, Langor, Sidewalk Society, King Penguin ou The Loons entre outras, o difícil seria “Sorrow’s Children, The Songs of S.F. Sorrow” não ser uma aposta ganha.

(The Seventh Ring of Saturn)

Mais de 4 décadas volvidas sobre a sua criação, fruto do talento de quem as recria e beneficiando das novas tecnologias de estúdio, canções como “SF Sorrow is Born”, “Private Sorrow”, “I see you”, “She says good morning” e, sobretudo, a encerrar o álbum, a enorme “Old man going” e a cativante “Loneliest Person” ( respectivamente versionadas por King Penguin e The Loons ) adquirem para o Atalho uma dimensão que provavelmente sempre tiveram, mas a que por uma razão ou por outra nunca prestei a devida atenção ou avaliei correctamente.

Arrumada a questão das canções, permito-me sublinhar a qualidade do projecto ( uma edição em vinil colorido, servida numa capa dupla com um artwork absolutamente fabuloso e limitada a 700 exemplares ), muito por culpa também da mestria e do talento dos novos grupos aqui presentes.

Os chamados “tribute albuns” são normalmente uma seca. “Sorrow’s Children” é uma gloriosa excepção. Ao nível de outras como os tributos a Tom Rapp ( “For the dead in space” ) , Byrds (“Time between” ), Gene Clark ( “Full circle” ) ou Syd Barrett ( “Asyd Vinyl”), por exemplo.

700 exemplares, com publicação agendada para o inicio de Abril. Depois não digam que ninguém os avisou …