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13/01/14

Asteroid # 4 "The Asteroid nº 4"



Cósmica. Será talvez a melhor forma de definir a música dos Asteroid # 4. Posicionada algures entre os Rain Parade e Spacemen 3, com um ouvido em Popol Vuh e outro nos Grip Weeds, a matriz sonora da banda californiana adiciona à estrutura melódica uma  componente lisérgica e “The Asteroid nº 4”  opta por não questionar aquela realidade.

Depois de em 2012, com “The Journey”, ter ensaiado uma insuspeita colaboração com Peter Daltrey - força criativa dos Kaleidoscope  (UK)-, o colectivo de Los Angeles fecha 2013 com uma edição de antologia. “The Asteroid nº 4” tem tudo o que fez de “These Flowers of ours” um dos mais fascinantes registos da década transacta, acrescentando-lhe a sabedoria entretanto acumulada.

Atente-se na hipnótica melancolia  de “The Windmill of the Autumn Sky”. Para além da beleza esfusiante do tema, comprova que as linguagens  musicais não cabem em espartilhos e que Rain Parade é compatível com Opal, Kaleidoscope ou Quarter After.

E se mais exemplos são necessários, então escute-se  “Monte Meru” ou “Ode to Cosmo” para constatar como “Lord Krishna von Goloka” ( 1974 ) de Sergius Golowin,  permanece um dos discos mais marcantes que a “kosmische musik” produziu.

 Persistentes e contagiantes os Asteroid nº 4 sugerem uma nova  “journey to the center of our mind”.

06/04/11

The Asteroid nº 4 "Hail to the clear figurines"



“These flowers of ours” é, desde 2009, um favorito aqui pelo Atalho. As pontes que estabeleceu entre Byrds, Buffalo Springfield e Grip Weeds ( nesta matéria, as combinações serão aleatórias e dependerão do gosto de cada um ), fazem dele uma etapa relevante no novo psicadelismo americano.


Dois anos volvidos, os cinco Asteroides regressam com “Hail to the clear figurines” e, mantendo o anterior painel sonoro, acrescentam-lhe agora os Crazy Horse. A luminosidade folk rock do colectivo de Filadélfia permanece intacta mas, o discurso “imperfeito” e distorcido da banda de suporte de Neil Young, está agora presente em temas chave como o fugaz “Wicked wire” a abrir ou “The unknown” estrategicamente colocado a meio.



“Be yourself, by yourself” surge como uma manobra de diversão pós-punk, enquanto “Sunny day ( One Afternoon )” poderia ter sido criado por Syd Barrett numa tarde de sol primaveril em 1970. A terminar, “Ignition slated for eight” representa o regresso a uma sonoridade texturada onde as guitarras fuzz ornamentam a melodia e empurram o tema de “Fifth Dimension” para “Rust never sleeps”.


É verdade que “Hail to the clear figurines” não é completamente homogéneo, encontrando-se inclusive uns furos abaixo de “These flowers of ours”. Nele há no entanto muita coisa que os aficionados do folk-rock não deixarão de apreciar.

02/03/09

The Asteroid nº 4 "These flowers of ours"



Ainda que oriundos de Filadélfia os Asteroid Nº 4 estão estética e espiritualmente ligados à cena musical da “west-coast”, quer presente, quer sobretudo passada.

As tournées conjuntas com os Quarter After reflectem a mesma visão e a quase total sintonia relativamente à análise e formas de reinterpretar o psicadelismo californiano que, no caso do grupo de Los Angeles são maioritariamente orientadas pelo padrão Byrds.



Relativamente aos Asteroid Nº4, atente-se na descrição de Joey Sweeney feita na capa do CD sobre o ambiente que envolvia o local da concepção de “These flowers of ours”: “stacks of books and records made the lab itself impossible to navigate, but nevertheless deeply inhabitable, not unlike an opium den or a space capsule. In one corner, an entire wall full of pedals, tapes and tomes devoted to the archaeology of shoegaze; in another, a tapestry depicting Gram Parsons’ last night in the desert; in still another, a photograph of Lee Hazelwood and Sonny Bono playing golf. On the old console TV set, a decaying VHS tape of Rain Parade in some paisley underground dive. Real work was getting done here at some point, but right now the bass player was rolling one on a Teenage Fanclub album cover.”

Será tudo isto mas não só. A luminosidade preguiçosa do Paisley está lá. Mas com ela coabitam “Rickenbakers” efusivas, a urgência frenética dos Jefferson Airplane, os riffs sinuosos de Spacemen 3 e o colorido vocal das velhas bandas “west-coast”.



("These flowers of ours" segundo Kate 'Masonic Boom' St. Clair )

Constituído por onze temas “These flowers of ours” abre (“My love”) e fecha (“Empty like a little child”) com duas canções de inspiração quase folk. As guitarras acústicas introduzem um órgão hipnótico por cima do qual irão serpentear congéneres eléctricas e deslizar vozes elípticas.
Pelo meio desfilam ecos de Rain Parade ( a versão do tema “I look around” é convicta ), heranças perdidas do psicadelismo sixties (“Let it go”, “War” ), actualizações do mesmo mas com o perfume House of Love (“All fall down”) e My Bloody Valentine (“She’s all I need”), ou improváveis cumplicidades entre Mamas & Papas e Big Star (“Flowers of ours”).

“These flowers of ours” preenche todos os necessários requisitos sensoriais para que o Atalho o recomende sem hesitações. Como tal desfrutem e, se puderem, não deixem de ouvir os originais.