Mostrar mensagens com a etiqueta Stone Angel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stone Angel. Mostrar todas as mensagens

17/02/21

"Sumer Is Icumen In, The Pagan Sound of British and Irish Folk 1966-75"


 

“We are reaching for something that doesn´t just sound modern but timeless … “

( Robin Williamson, 1967 )

Parceiro e complemento de “Dust on the nettles, a journey through the British underground folk scene 1967-72”, “Sumer is Icumen in, The pagan sound of British and Irish folk 1966-75” é uma estimulante e didáctica viagem através dos sons mais recônditos e, bastas vezes iconoclastas,  emergentes dessa música ancestral que a tradição tende a proteger enquanto a cultura vigente faz por ignorar.

E no entanto para que se recorde e celebre esta música ainda tão profundamente enraizada no tecido rural da Grã-Bretanha ( é uma evidência que apesar das “urgências” mediáticas e das efémeras futilidades, não são poucos os que persistem no caminho da sua preservação ) não é necessário descer apenas  ao underground ( escute-se o delicioso “On Horseback” de Mike Oldfield publicado em “Ommadawn”,  “Cruel Sister” dos Pentangle ou a versão dos Traffic para “John Barleycorn”) ainda que seja nesse espaço que são recuperados a maioria dos 60 temas que integram esta compilação.

“Sumer is Icumen in”, é na origem, uma melodia inglesa datada do século XIII. Os artistas e as canções de maior ou menor pendor tradicional que nela se inspiraram e aqui lhe prestam homenagem – desde a mítica banda sonora de “The Wicker Man”, passando por Vulcan´s Hammer, The Celebrated Ratliffe Stout Band, Amber, Mighty Baby, Lal Waterson, Dave & Toni Arthur, Oberon, Stone Angel, Archie Fisher ou Anne Briggs -, assumem todos eles o papel de cicerone numa excitante viagem de regresso a um tempo que tem tanto de fantástico quanto de sombrio.

Como já é hábito, as notas explicativas de David Wells para cada um dos temas, enciclopédicas e repletas de humor, ajudam a justificar o investimento. Algo ainda mais valorizado pela inclusão de 15 títulos ( ou versões ) inéditos até agora.

07/12/15

Jardins do Paraíso ( XXXXVII )


 

Nos anos idos de 1974, quando no Reino Unido o consumo da electricidade era racionado, o IRA  fazia explodir bombas nos pubs de Guilford e Birmingham e os tops eram dominados por Gary Glitter ou David Essex , os Courtyard Music Group, um colectivo estudantil escocês sediado na Kilquhanity House School de Galloway, gravou e publicou aquele a que já chamaram “The rarest of the rare of Acid Folk”:“Chan Eíl Ann Seo Ach Cuíd Dha’r Du Rachd Dhuít” ou, como é mais usualmente referido, “Just our way of saying hello”.
Colocando de lado o folclore associado à raridade – de acordo com o booklet que acompanha a reedição, na origem foram apenas manufacturadas 100 cópias das quais hoje só se conhecem 4 -, e no que à música diz respeito, importa dizer que o álbum, compara bem com outros discos míticos dos circuitos privados da folk da época como “Caedmon” ou “Stone Angel”.

A excelência da composição / interpretação é regra geral transversal a todo o álbum. Aqui e ali os arranjos surgem frágeis ( pueris ), mas a incontornável jam psicadélica “Jam and Gipsy Cream (Magician)” é seguramente algo que a Incredible String Band não se importaria de ter gravado ou que o lendário filme “The Wicker Man” gostaria de ter acolhido na respectiva banda sonora.
Levada a cabo pelos próprios, “Just our way of saying hello” é uma das reedições do ano. Pela história que lhe está subjacente, pelo simbolismo que reveste, mas sobretudo pela música que encerra, afinal a razão de todas estas coisas.