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15/02/16

Black Static Line "Enlil"



Natural de Nashville, Cole Street dedica  o seu tempo livre à prossecução de projectos musicais ligados ao pós-rock, drone e kosmische musik.
Depois dos Hollow Ox com quem publicou três álbuns, a plataforma actual chama-se Black Static Line.  “Enlil”  retoma o trilho onde o anterior “Every vibrating body” se quedara. Como em Explosions in the Sky ou Hammock, as guitarras e a percussão são puxadas à frente ( “Feels broken”, “Rising” ),  o manto sonoro dos Windy and Carl é usado para cobrir “Vendue” e “Meigs”, enquanto o tema título e “Sweet Tooth” tentam colar-se ao paradigma Klaus Schulze.
Curioso, ainda que inovador não seja o adjectivo que melhor se lhe adequa

06/07/12

Hammock, Steve Kilbey, timEbandit Powles "Asleep in the downlights"


No admirável mundo da música acontecem por vezes os factos mais improváveis.   “Asleep in the downlights” uma inesperada colaboração entre os norte-americanos Hammock e alguns membros dos The Church é um desses momentos.

Todos os registos anteriores do duo de Nashville ( Marc Byrd/Andrew Thompson ) apontavam na direcção de uma música de inspiração cósmica ( vertente germânica ) sendo que o opus “Maybe they will sing for us tomorrow”, já datado de 2008,  permanece um dos melhores exemplos daquela matriz.

Os australianos The Church andam por aí desde que me lembro, a solo ou em grupo, ora em alta ora em  baixa, contudo sempre activos e disponíveis para experiências laboratoriais. “Asleep in the downlights”, há que reconhecê-lo, resulta melhor do que seria expectável.  As concessões são mútuas. A sonoridade planante dos americanos aproximou-me do campo melódico. Incorporou uma bateria, instrumento até aqui quase banido. As letras deixaram de ser um “objecto decorativo”, passando a  instrumentais no projecto.

Steve Kilbey e TimEbandit Powles, escrevem e vocalizam 2 das 4 letras. “No agenda” poderia figurar em qualquer colectânea dos Church; guitarra acústica definindo os contornos da melodia e a voz de Kilbey a condizer com o paradigma.  “Sinking inside yourself” é outro dos temas a reter; um épico que paira no espaço e na memória muito tempo depois de os últimos acordes se desvanecerem. Em resumo, uma agradável surpresa.

20/01/11

Hammock "Longest year"

A foto de Thomas Petillo que acompanha o CD diz quase tudo. “Longest year” é um registo talhado pelas paisagens do inverno. Belo, sempre. Embora não necessariamente frio.

Cúmplice do lirismo ambiental e experimentalista de “Maybe they will sing for us tomorrow” ( 2008 ), bem mais afastado da matriz islandesa Sigur Rós patente no anterior “Chasing after shadows … living with the ghosts” ( 2010 ), este novo CD-EP do trio de Nashville possui uma característica rara: é caloroso.

Exorciza os fantasmas de um ano que de todo não correu bem ao grupo ( muito provavelmente daí o título “Longest year” ) e retorna a espaços onde a “kosmische musik” é instrumental no potenciar de afectos e cumplicidades.



E este pequeno opus é isso mesmo. Um óptimo “compagnon de route” para estes dias mais frios, quando o brilho da luz solar esmorece mais cedo e a vontade de ficar conflitua com o desejo de partir.

Os temas “Dark beyond the blue” ou “Lonely, some quietly wander in the hall of stars”, bem como o já citado “Longest year” são por si só títulos que não enganam. Para além de cósmica, esta música está carregada de cores, tonalidades românticas e sensações líricas. Algo que a escola ambiental nem sempre consegue proporcionar.

08/06/10

Hammock "Chasing after shadows ... living with the ghosts"


A música de Hammock possui uma sonoridade espiritual que quase roça o religioso. Constitui terapêutica perfeita para lidar com um dia mais agreste e quezilento. Sei do que falo, pois já fiz o teste.

Mas para além disso, as estruturas musicais do duo de Nashville espelham ainda uma vertente lúdica, bem como cenários optimistas e positivos. Tornam-se por isso amigáveis e acolhedoras.

O anterior “Maybe they will sing for us tomorrow” é um disco de enorme inspiração, um dos melhores no seu género. Com “Chasing after shadows … living with the ghosts” nota-se uma ligeira deriva e o terreno que se pisa, sente-se, não é absolutamente original. Integrando os detalhes característicos do drone, da “kosmische musik” e do pós-rock, o novo Hammock, ainda que globalmente honre o ADN do grupo, denota ténues derrapagens em direcção a standards da moda os quais, em lugar de enriquecerem a paleta musical do projecto, ao contrário, banalizam-na.



Concretizando: a abrir, “The backward step” e “Tristia” não descolam, reféns de uma bateria que não estou certo constitua aqui uma mais valia. À frente “Little fly/Mouchette”, envolta em mantos de electrónica cerzidos por guitarras planantes, é sumptuosa. “Breathturn” por seu lado, tem tudo para ser um pastiche de um grupo islandês muito apreciado pela tribo indie-chique.

Diferente é “In the nothing of a night”. Numa audição cega a respectiva autoria poderia ser atribuída a Matthew Robert Cooper ( Eluvium ) , um facto que aqui pelo Atalho é sempre motivo para celebração. “Andalusia” e “The world we knew as children” são os Explosions in the Sky em modo ZEN, convenientemente dissimulados por coloridos biombos de violoncelos e “radiotronics”. Quanto a “The whole catastrophe” e “How can I make you remember me?” representam magníficos exemplos do “songbook” Hammock.

Em suma, mantendo embora a confiança no projecto, o Atalho teria preferido mais Tarentel, Windy & Carl ou Stars of Lid e menos, muito menos, Sigur Rós. Ainda assim e caso tivesse de atribuir notas, “Chasing after shadows…” receberia um meritório 13.

02/12/08

Hammock "Maybe they will sing for us tomorrow"


Para dar corpo ao quarto álbum, Hammock, um duo de Nashville constituído por Marc Byrd e Andrew Thompson, decidiu publicar a música que compôs para uma exposição de arte visual dos Riceboy Sleeps ( Jonsi Birgisson dos Sigur Ros e Alex Sommers dos Parachute ).

Algo diverso dos anteriores, “Maybe they will sing for us tomorrow” protagoniza a mais minimalista, subtil e melancólica das propostas de Hammock. Relaxante e inspirador, apela em primeiro lugar aos seguidores do período ambiental de Brian Eno ou ao mosaico modernista de Popol Vuh, ao mesmo tempo que concorre directamente com sonoridades mais recentes como as que emergem de Stars of Lid ou Windy & Carl.

Quase uma revelação espiritual, “Maybe they will…” promove o diálogo entre o espaço e a beleza, captando e reproduzindo a essência da paisagem que quer Byrd quer Thompson afirmam ser a sua principal fonte de inspiração: o Sul rural.



“… The scenery of the South can be idyllic and picturesque, but also desolate at the same time. There are stretches everywhere that are nothing but miles of shacks and burned-out barns overrun with kudzu. So we were expressing the melancholy of the South as well…” .

“Maybe they will sing…” percorre onze temas poderosos e emotivos. Vastos e invariavelmente belos, para serem escutados muito mais do que simplesmente ouvidos. De preferência num espaço onde só caiba o silêncio.

Pouco mais haverá a dizer. Excepto que, depois, talvez vos apeteça voltar a “Hosianna Mantra” ( Popol Vuh ) ou a “Apollo” ( Brian Eno ). Notável.