Mostrar mensagens com a etiqueta Jack Sharp. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jack Sharp. Mostrar todas as mensagens

03/11/25

Trimdon Grange Explosion "Dreams Buried Under The Sea"

 


Oito anos após um primeiro álbum homónimo e vinte após o fabuloso trabalho da banda progenitora – The Eighteenth Day Of May – os Trimdon Grange Explosion regressam com “Dreams Buried Under The Sea”.

Trata-se de uma espécie de espelho sonoro que nos conduz a imagens de um pretérito quase perfeito onde o eixo The Byrds / Big Star / R.E.M. removia os destroços do pós-punk e do synth-pop.

Porque “Dreams Buried Under The Sea” é mesmo isso, uma montra sonora que tendo algo de nostálgico, não se esgota naquela matriz.

Atente-se em “World turning round”, a abrir. No evoluir do tema é difícil não rever mentalmente “Murmur”, imediatamente antes da canção explodir num mar de guitarras fuzz.

O jingle-jangle de “September Falls” evoca The Byrds enquanto “Swim on your back in the water” traz à memória os Wolf People de Jack Sharp e P.G. Six de Pat Gubler, outros dois expatriados do eixo acima citado.


“Breaking the wheel”, um mini épico irresistível, é talvez o título âncora do álbum. Byrdsiano na essência surpreende quando é introduzida a viola de Alison Cotton; o efeito é hipnótico, como se a viola de arco de John Cale regressasse das catacumbas do Velvet Underground para nos encantar uma vez mais.

A fechar “As the world rises to fall”, competente e obviamente cúmplice do Neil Young de “Harvest”.

“Dreams Buried Under The Sea” está para além deste tempo. Ostenta um charme muito próprio e, talvez por isso, não é expectável que venha a frequentar as famigeradas listas dos melhores do ano.

Nada que surpreenda e muito menos incomode o Atalho. Como já alguém afirmou: "a história está pejada de exemplos de maiorias que não tiveram razão".

04/01/24

Large Plants "The Thorn"

Hoje, seja qual for o ângulo de abordagem, não é mais possível ignorar o trabalho de Jack Sharp.

Dito isto, o Atalho apreciava-o muito mais quando Richard Thompson constituía a principal referência.

Foi assim quando liderou os Wolf People e foi assim quando, de forma mais ténue é verdade, assinou o primeiro trabalho a solo, “Good times older”.

A revisão de “La Isla Bonita” da Sôdona Madonna não foi um bom augúrio, fosse qual fosse a perspectiva do ouvinte e o álbum “The carrier”, já sob o non de plume Large Plants, ter-se-à ressentido disso mesmo. Vale o que vale, mas é a opinião do Atalho.


“The Thorn” tricota uma larga paleta de ritmos frenéticos e melodias amedrontadas. Aquilo que os cimenta são guitarras encavalitadas numa secção rítmica propulsiva. A anos luz o mais progressivo dos trabalhos do autor.

Face aos parâmetros em vigor nem se trata de um mau disco e as preocupações ecológicas são sempre bem recebidas.  Está contudo mais perto de Wishbone Ash, Uriah Heep e Black Sabbath que de Fairport Convention ou Trembling Bells. O que em si mesmo não tem nada de especialmente negativo. Simplesmente não foi nada disto que o dealbar da carreira do autor nos tinha prometido.

Adiante …

27/07/22

Artefactos ( 125 )

Há dias em que o acto, tantas vezes mecânico, de abrir a caixa do correio se transforma num enorme prazer.







Handmade, 145 exemplares, número 7 da série.

25/01/22

Jardins do Paraíso ( LXXIII )

 


Remexer no passado constitui sempre um risco e é seguramente algo que deve ser abordado com o rigor e parcimónia possíveis, aparte o talento envolvido, naturalmente.

Num tempo em que artistas aqui citados com alguma frequência como Jack Sharp ( ex-Wolf People ) se mostram dispostos a prescindir dos mínimos olímpicos em matéria de exigência e bom gosto ( a versão supostamente psych de “La Isla Bonita” da Sôdona Madonna pelo novo projecto Large Plants é no mínimo discutível, face histórico do guitarrista e compositor britânico ), a ideia dos dB’s regressarem ao seu passado mais remoto, criou expectativa primeiro, desencanto em seguida.

É certo que a compilação da Rhino  Records “Ride the Wild TomTom” ( 1993 ), publicada presume-se com o beneplácito da banda ou pelo menos parte dela, uma vez que Peter Holsapple assina o texto introdutório, não tocava em todos os pontos chave. Porém “I Thought You Wanted To Know 1978-1981” não parece justificar-se apenas ou quase pela inclusão da versão original do emblemático “(I Tought) You Wanted To Know” um título pré-dB’s composto por Richard Lloyd ( futuro membro dos Television ) e aqui ainda com o autor na guitarra e harmonias vocais. A composição acabaria por ser editada em 1978 constituindo-se então no primeiro single de Chris Stamey and The dB’s.

É certo que também há “Black and White” e “Soul Kiss”, ambos incluídos no segundo single, misturado por Don Dixon e já com Holsapple a bordo, contudo a maioria do restante alinhamento é redundante e em determinados casos pouco motivador. Menção especial para as chamadas NY Rocker Sessions ou para as versões ao vivo de “Tomorrow Never Knows” / Beatles e “My Back Pages" / Dylan por exemplo. Ao invés, a versão de palco de “Let’s Live for Today” dos Grass Roots surge enxuta e pouco ou nada datada.

No geral, uma edição que se aceita como prova de vida e que se recordará pela belíssima prestação de Richard Lloyd na versão original do tema título.

Em jeito de compensação, e como nada se compara a um artefacto original, ficam fotos de alguns dos primeiros singles dos mentores deste globalmente interessante projecto.

 

Sneakers ( pré-dB's ) EP, Carnivorous, 1976


Chris Stamey, Single ORK records, produção de Alex Chilton, versão de capa branca, 1977


Peter Holsapple, Single Car Records, produção de Chris Stamey, 1978


Chris Stamey and The dB's, Single Car Records, 1978

30/06/20

Jack Sharp "Good Times Older"



33 escassos minutos. Porém momentos de uma beleza extrema que cativa pelo inesperado. Oito tradicionais, dois originais e uma versão ( “God Dog” ) de Robin Williamson para a Incredible String Band.

Após ter colocado os Wolf People no mapa do moderno folk-rock, Jack Sharp reemerge com um álbum de uma simplicidade desarmante, como que saído de um outro tempo. Antigo, identificado com as memórias que restaram de Nic Jones ou Michael Blount nos idos de 70, deliberadamente afastado das urgências inconsequentes e superficiais do presente.

“Good Times Older” enquanto título, diz tudo ou quase. A guitarra acústica de Sharp, o violoncelo de Edwin Ireland e, ocasionalmente, a concertina de Laura Smyth, dizem-nos o resto.

A atmosfera é nostálgica. Bela todavia, como quase sempre sucede com a música que resulta daquele sentimento. A voz de Sharp não se enquadra no paradigma do folk-rock britânico ( por vezes lembra o Dave Heumann dos Arbouretum ), mas o critério e o talento com os quais aborda estas canções, constituem para o ouvinte um desafio que as sucessivas audições ajudam a normalizar.

“Good Times Older” e “May Morning Dew”, estratégicamente colocadas a abrir e a fechar, são canções ( versões ) memoráveis. Pelo meio encontramos os originais “Soldier Song” e “Treecreeper” e a interpretação cirúrgica de “God Dog” do já referido Williamson e à qual a divina Shirley Collins já dedicou a sua atenção em tempo próprio.

Não fora a atmosfera predominantemente trad-folk e quase se podia afirmar que “Good Times Older” constituía um dos melhores álbuns de um “singer songwriter” britânico desde a época em que os ditos proliferavam.