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09/07/25

Peach & Lee "Not For Sale 1965 - 1975"

 


“Hold on / It’s Better” um single promocional gravado para a RCA em 1971, constituía até há uns meses a única publicação oficial de Peach & Lee  ( Arlis Peach e Larry Pee ) uma dupla originária do Iowa.

“Not for Sale 1965 – 1975” corporiza a primeira edição das canções que a dupla foi gravando aqui e ali ao longo da década em apreço.

Sequelas dos Beatles, Merry-Go-Round ou Badfinger e prequelas notórias de Big Star, Raspberries ou Dwight Twilley Band as canções que integram este duplo álbum são do mais genuíno e empolgante que o power pop americano produziu, designadamente na época.

Inverosímil o facto de terem ficado por descobrir durante cinco décadas.

16/03/25

Jardins do Paraíso ( 87 )

 


Antes de integrarem o catálogo da Warner Brothers, nele publicando “Hard Meat” e “Through a Window” ( ambos em 1970 ), os Hard Meat dos irmãos Mick e Steve Dolan mantiveram fugaz ligação à Island Records de Chris Blackwell, selo onde a 9 de Agosto de 1969 lançaram o single “Rain”, uma interessante  versão do título dos Beatles.

O 45 rotações, em cujo lado B constava “Burning up years”, antecipava o lançamento de um álbum entretanto gravado nos estúdios Tridend no Soho. Não é clara a razão pela qual o disco não foi publicado à época. O produtor ( Sandy Roberton ) era um dos mais conceituados do seu tempo, Blackwell, consta, estava entusiasmado, um sentimento que se supõe não ser partilhado pelo A&R Guy Stevens.

Ao escutar “Rain”, a primeira edição em vinil daquele conjunto de gravações, é hoje evidente  o erro colossal que foi o veto à respectiva publicação. 


A abrir, a versão do tema de Lennon e McCartney diz-nos ao que vêm os Hard Meat. Inventivo, magnificamente suportado na doze cordas  de Mick Dolan, “Rain” conduz-nos até “Most Likely You’ll Go Your Way, I’ll Go Mine”; isso, Dylan, o qual por seu turno nos leva até ao acústico “Strange Fruit” ( mais tarde publicado na compilação “49 Greek Street” sob o pseudónimo Tin Angel ) e a “Liquid Boats”, um tema que numa escuta cega poderia sugestionar uma demo de Pete Townshend, período “Tommy / Who’s next”.

“Walking Down Up Street” é um rock hipnotizante que torna legítimo  especular se Randy California e os Spirit não fariam parte da dieta musical dos Hard Meat. Idem para “Burning Up Years”. Por fim “Run Shaker Life”, uma fantástica recriação rítmica do título que Richie Havens incluiu no duplo álbum “Richard P. Havens, 1983” de 1969.

Duas destas canções ( “Run Shaker Life” e “Most Likely You’ll Go Your Way, I’ll Go Mine” ) viriam a fazer parte do alinhamento do primeiro álbum do grupo para a Warner Brothers. As restantes, com excepção das publicadas no single, manter-se-iam inéditas cerca de cinco décadas.

Após o fim dos Hard Meat, os irmãos Dolan alavancaram os Big Front Yard, uma banda de inspiração West Coast a que o Atalho já aqui dedicou a sua atenção.

24/07/22

Livros

 


Leituras …

“Silêncio Aflito” ( “E as vozes embarcam / Num silêncio aflito / Quanto mais se apartam / Mais se ouve o seu grito”, cantava José Afonso em “Que o amor não me engana” no álbum “Venham mais cinco” ) de Luis Trindade é, como o subtítulo indica, um retrato da sociedade portuguesa no período compreendido entre os anos 40 e 70 do século passado.

A música, as canções, os artistas, a indústria e os processos são o “motivo condutor” da edição. Não há contudo grande volta a dar, “Silêncio Aflito” é um livro sobre Portugal, os portugueses e todas as suas idiossincrasias.

Académico e porventura demasiado formal, torna-se a espaços entediante, mas significa uma leitura obrigatória para se perceber como viviam a música e a sociedade portuguesas nas últimas três décadas do Estado Novo.



“Os Beatles, Aventuras Pop Portuguesas” de Abel Soares Rosa, mais ligeiro, será talvez o mais completo guia da “Beatlemania” lusa. Predominantemente informativo ( elenca a discografia portuguesa, angolana e moçambicana do grupo e dos seus membros a solo ), recupera memorabilia e, de certa forma cruza-se com a estrutura do livro anterior, ao recuperar extractos de revistas e jornais da época.

Um trabalho de ourives, graficamente muito apelativo e que fará as delicias de todos os Beatlemaníacos ( portugueses ou não ) que a ele recorrerem.