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22/03/25

Lost Nuggets ( 198 )


Rosemary Hardman "Firebird" ( Trailer LER 2075 ), UK, 1972

- "Firebird"
- "I Can Find You Anywhere (Clive's Song)"
- "The Way It Is"
- "Mistress Of My Time"
- "Who Shall Count For Thee?"
- "Song To The Evening Sky"
- "Horses Of The Sea"
- "King Willima's Bequests"
- "The Fiddler Man"
- "Rondeau" ( Hardman / Axford )

Rosemary Hardman: Canções, voz e guitarra; com: Bob Axford ( voz e guitarra ), Chris Thompson ( voz e guitarra ), Roger Trevitt ( baixo ), Clive Woolf ( voz e guitarra ), June Tabor ( voz ), Alan Eden ( bateria ), Sue Draheim ( violino ), Barry Dransfield ( voz e violino eléctrico ) , Martin Winsor, Carole Pegg, Linda Peters, Howard Bond, Terry Hiscock e Chris George ( vozes ).

Produção de Bill Leader

Capa: Rosemary Hardman e Janet Kerr.

26/07/21

Jardins do Paraíso ( LXVIII )

 


“During those first few formative weeks and months we laboured to find whatever it might be that we all had to offer each other, and whatever it was we could assembler out of the disparate parts. We knew the end product lay somewhere between the smoky folk clubs of the 1960s, the browning pages of a crumpled copy of A. L. Lloyd’s Penguin Book Of English Folk Songs, and the thick cardboard jackets of the import vinyl we’d find at the unique Simon Stable’s record store on Portobello Road. We had to beat a trail through the middle, the dark heart of Albion on one side, mystic and brooding, and the new west coast electric psychedelia on the other, candy coloured and loud.” ( David Costa )


Há uns anos, numa entrevista e em sentido lato, Denzel Washington expressou o seguinte estado de espírito ( cito de memória ): “Ao envelhecermos tornamo-nos conservadores, na exacta medida em que temos mais coisas para conservar.” No caso do Atalho,  não havendo grandes bens materiais a preservar, guardam-se as memórias, as emoções e sobretudo o extremo bom gosto.

Aqui chegados, antecipo a curiosidade do leitor. Por que razão o Atalho tem consistentemente vindo a prestar mais atenção à música dita “antiga” em notório prejuízo de sons e autores contemporâneos?




Entre as várias respostas possíveis ( todas questionáveis naturalmente ), a música incluída na compilação dos The Trees lançada no ano passado poderia ( pode ) perfeitamente constituir uma das respostas àquela inquirição. Quem, detentor de um mínimo de critério e apreciável bom gosto será capaz de trocar aquelas músicas por algo do que se  (re)inventa hoje? E dito isto, sublinho: a velha e polémica questão geracional assume aqui um papel absolutamente irrelevante, pelo menos no que ao Atalho diz respeito.

“Trees”, a compilação, é a tradução material da citação do criador e principal impulsionador do grupo que encima este texto. Os dois únicos álbuns da banda de Londres: “The Garden of Jane Delawney” ( Abril 1970 ) e “On The Shore” ( Janeiro 1971 ) resultam da paixão pela música folk britânica mesclada com a cromaticidade sonora da west coast ( confiram a título de exemplo os primeiros discos a solo de Paul Kantner e toda a constelação de estrelas itinerantes que por ali foram passando ).

“Garden…” é um álbum extraordinário, mas “On the Shore” é superlativo. O pico da criatividade de uma banda que, nascida do acaso, teve a fortuna de a dado momento  alinhar com as estrelas. Num mundo mais justo, Celia Humphris poderia ter competido com Maddy Prior ou June Tabor. Confiram a este propósito “Sally Free and Easy”, a extraordinária versão do tema de Cyril Tawney. Quanto a “On The Shore” compara muito bem com “Unhalfbricking”, “Liege & Lief”, “Hark The Village Wait” ou “Fotheringay”.



A nova digitalização dos dois álbuns supera em qualidade as reedições de 2008 e os CDs extra disponibilizam misturas de temas que ficaram de fora daquelas reedições, bem como várias demos e sessões na BBC datadas de 1969/1970 e prestações de palco captadas no Café Oto em 2018.

A apresentação da box é cuidada e suficientemente elegante para alinhar com a qualidade e sofisticação da música que inclui. Um deleite.

09/01/17

Shirley Collins "Lodestar"



Apesar de não ter gravado uma única canção durante mais de 30 anos, Shirley Collins permaneceu sempre a grande Dama do folk inglês. Sandy Denny é passado e June Tabor, embora grande, não atinge aquele patamar.

Nos dias de hoje trata-se de algo quase incompreensível. Mas há coisas que não se explicam, sentem-se apenas. Aparentemente ultrapassados os problemas de saúde que a impediram de cantar durante décadas, “Lodestar”, é o primeiro disco novo desde 1979. Uma perfeição. As canções pairam sobre uma atmosfera mágica.

Um dos grandes talentos de Collins foi saber, no momento certo,  escolher as canções que, observando a tradição, serviam igualmente a sua voz. Esta já não tem a frescura de outrora; está mais grave, profunda, naturalmente envelhecida. Não obstante, o dom interpretativo continua a impressionar, pela convicção e autenticidade.

O resto, depois do talento, é bom gosto, simplicidade e singeleza. Tal qual a tradição ancestral desta música, cujas canções não necessitam de grandes arranjos ou acompanhamentos. Muitas das vezes o “acapella” bastou para sobreviverem à história.

06/07/16

Jardins do Paraíso ( L )



Porventura a mais talentosa cantora inglesa da sua geração, tal como Nick Drake, Sandy Denny nunca teve em vida o reconhecimento merecido. Quando faleceu em 1978, a sua carreira estava perto do ocaso, fruto de uma série dramas pessoais e equívocos profissionais. 

E, no entanto, a par de Anne Briggs, Shirley Collins e June Tabor, contribuiu para alterar a forma e o conteúdo da música inglesa de inspiração tradicional. Não apenas por emprestar a sua voz a velhas melodias folk, mas sobretudo por ser uma compositora emérita.

Hoje, as compilações abundam, essenciais umas, nem por isso outras. Uma das abordagens que faltava era juntar num único sítio o espólio acústico da cantora. A solo designadamente, Sandy recriou e escreveu canções fabulosas, mas nem sempre o resultado final ( produção incluída ) esteve à altura.

A voz e o talento de Sandy Denny são de tal forma sensitivos que é no meio do silêncio  que melhor se pode aquilatar da sua verdadeira dimensão. “I’ve always kept a Unicorn, The Acoustic Sandy Denny” são 2 cds e 40 temas que nos oferecem uma perspectiva nova para canções que, pensávamos, já não terem segredos.

De um encanto absoluto.

07/10/12

Killers, Angels, Refugees ( 28 )

 

"When routine beats hard,
And ambitions are low.
And resentment rides high,
But emotions won't grow.
And we're changing our ways
Taking different roads.

Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again.

Why is the bedroom so cold?
Turned away on your side.
Is my time that flawed?
Our respect run so dry?
Yet there's still this appeal,
That we've kept through our lives.

Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again.

Do you cry out in your sleep?
All my failings exposed,
Gets a taste in my mouth
As desperation takes old.
Why is it something so good
Just can't function no more?

Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again."



"Love will tear us apart" foi publicada pela primeira vez pela Factory Records em Abril de 1980, num single de 7 polegadas (foto acima). O lado A rodava em 45 rotações, o lado B em 33.
 
Em Junho do mesmo ano conheceu uma nova edição, em formato maxi-single e com um novo grafismo (foto abaixo).




Ao longo do tempo tem sido objecto de várias versões. Em 2011, através de June Tabor & Oysterband, terá conhecido a sua mais bela e porventura definitiva recuperação. Está no álbum "Ragged Kingdom" e é simplesmente notável. 
 
 

22/06/12

Shirley Collins


Do trio de vozes femininas, muito justamente apelidado de "Santissima Trindade do folk inglês"  nas últimas 3 décadas do século passado - Shirley Collins, Sandy Denny e June Tabor -, apenas a última se mantém em actividade.
Sandy deixou-nos em 1977 e Shirley, porventura a voz feminina que mais tocou a alma do Atalho, há muito que deixou de poder cantar (encantar, diria).

Se o culto de Sandy Denny não para de aumentar e o respeito pela carreira idónea de June Tabor, cresce em igual medida, o merecido reconhecimento pelo trabalho de Shirley Collins em prol da canção tradicional inglesa tem tardado em frutificar. E no entanto a sua influência tem sido, é, e continuará a ser enorme. Curiosamente, não são os seus contemporâneos, antes os músicos mais novos a reconhecê-lo.


O mais recente número da revista fRoots dedica-lhe a capa e no interior traça o perfil ( um dos possíveis ) daquela que permanece um dos segredos mais bem guardados da música tradicional inglesa. A revista não é distribuida em Portugal mas pode ser encontrada aqui: (  http://www.frootsmag.com/ ) .

Mais detalhes sobre a carreira de Shirley Collins, aqui:  http://www.shirleycollins.co.uk/