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25/11/21

Bob Dylan "Bob Dylan 1970"


“The journey is my home”, wrote 17th century Japanese haiku master Basho, pointing out that process is as important destination. How an artist arrives at a finished work tells us as much about that work as the end result. Bob Dylan released “Self Portrait” and “New Morning” in 1970, two albuns from an artistic evolution that continues to this day. “Bob Dylan – 1970” ( with special guest George Harrison ) chronicles the road that led to their completion.” ( Michael Simmons )

“Bob Dylan 1970”, não me passou pela cabeça acrescentar uma única palavra.



12/04/16

Jardins do Paraíso ( XXXXIX )



Por cada disco que trepa os tops, existem algures três ou quatro pérolas que passam ao lado da história. A história da música popular está repleta de casos destes.

Um exemplo:  “Parable” dos White Light.

Publicado em 1974 através de uma edição privada, o álbum é uma preciosidade e um dos grandes discos saídos da Escócia na primeira metade dos 70s. Catalogada de ‘christian rock’, a música deste quarteto de Glasgow, ainda que faça amplo uso do órgão ( tal como os contemporâneos e compatriotas Beggar’s Opera ) tinha mais pontos de contacto com o universo de Pete Townshend ou Ray Davies.

Transversal a todo o álbum, a vertente espiritual é caldeada pelas guitarras em fuzz, pela sonoridade blues garage e por um psicadelismo que à época, no auge do progressivo, terá sido sinónimo de anacronismo.

Por essa razão ou não, “Parable” não descolou. Injustamente, pois é um tremendo disco. O longo épico “Prodigal” terá encontrado inspiração em “Tommy”, “Where did I belong” tem tudo o que John Mayall costumava aportar ao blues e a versão de “Awaiting on you all” remete para esse monumento que é “All things must pass” de George Harrison.

No final, estamos aqui a falar de uma urgência com mais de quatro décadas.

31/01/10

Killers, Angels, Refugees ( 9 )


"Bangla Desh" ( George Harrison )


Numa altura em que os concertos e as iniciativas de solidariedade se banalizaram e as participações nesses eventos são cientificamente preparadas por forma a que os benefícios para a carreira e imagem dos “famosos” ( um conceito horripilante ), compensem o incómodo - atente-se no ridículo da cena haitiana de John Travolta, mulher de Travolta, jacto de Travolta e religião de Travolta -, convirá recordar um dos pioneiros, talvez O Pioneiro, das causas de solidariedade.

George Harrison escreveu, gravou e fez publicar “Bangla Desh” a 28 (UK) e 30 (USA) de Julho de 1971. No dia 1 de Agosto estava em cima do palco do Madison Square Garden com Dylan, Clapton, Ravi Shankar, Klaus Voorman, Badfinger, Leon Russell e Ringo Star, para um concerto que as câmaras de Saul Swimmer guardaram para memória futura.

A crise política com o Paquistão terminou pouco tempo depois, mas o Bangla Desh permanece um dos países mais pobres do mundo. O idealismo altruísta de Harrison teria seguidores como é sabido. Mas também aproveitou a muita gente.


"Bangla Desh", edições originais: UK (em cima), USA (em baixo)