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17/12/23

Lost Nuggets ( 178 )

Nic Jones "Penguin Eggs" ( Topic 12TS411 ) UK, 1980


- "Canadee-I-O"

- "The Drowned Lovers"

- "The Humpback Whale"

- "The Little Pot Stove"

- "Courting is a pleasure"

- "Barrack Street"

- "Planxty Davis"

- "The Flandyke Shore"

- "Farewell to the gold"

Nic Jones: arranjos tradicionais, voz, guitarra acústica e violino, com Tony Hall ( melodeon ), Bridget Danby ( voz ) e Dave Burland ( voz ).

Produção: Tony Engle

Capa: design Tony Engle, foto Dave Peabody.

30/06/20

Jack Sharp "Good Times Older"



33 escassos minutos. Porém momentos de uma beleza extrema que cativa pelo inesperado. Oito tradicionais, dois originais e uma versão ( “God Dog” ) de Robin Williamson para a Incredible String Band.

Após ter colocado os Wolf People no mapa do moderno folk-rock, Jack Sharp reemerge com um álbum de uma simplicidade desarmante, como que saído de um outro tempo. Antigo, identificado com as memórias que restaram de Nic Jones ou Michael Blount nos idos de 70, deliberadamente afastado das urgências inconsequentes e superficiais do presente.

“Good Times Older” enquanto título, diz tudo ou quase. A guitarra acústica de Sharp, o violoncelo de Edwin Ireland e, ocasionalmente, a concertina de Laura Smyth, dizem-nos o resto.

A atmosfera é nostálgica. Bela todavia, como quase sempre sucede com a música que resulta daquele sentimento. A voz de Sharp não se enquadra no paradigma do folk-rock britânico ( por vezes lembra o Dave Heumann dos Arbouretum ), mas o critério e o talento com os quais aborda estas canções, constituem para o ouvinte um desafio que as sucessivas audições ajudam a normalizar.

“Good Times Older” e “May Morning Dew”, estratégicamente colocadas a abrir e a fechar, são canções ( versões ) memoráveis. Pelo meio encontramos os originais “Soldier Song” e “Treecreeper” e a interpretação cirúrgica de “God Dog” do já referido Williamson e à qual a divina Shirley Collins já dedicou a sua atenção em tempo próprio.

Não fora a atmosfera predominantemente trad-folk e quase se podia afirmar que “Good Times Older” constituía um dos melhores álbuns de um “singer songwriter” britânico desde a época em que os ditos proliferavam.

29/12/15

United Bible Studies "The Ale's what cures ye - Traditional songs from the British Isles"



Há anos que o colectivo mutante United Bible Studies percorre os roteiros ancestrais da música das ilhas  britânicas. Com um pé na Irlanda natal outro na Inglaterra rural, David Colohan, Michael Tanner e Richard Moult deambulam pela tradição, estudam-na criteriosamente e em seguida adicionam-lhe uma perspectiva moderna.

 “The Ale’s what cures ye – Traditional Songs from the British Isles” é mais um delicioso entalhe numa obra que principiou a ser esculpida em 2001. Contando entre outros com a colaboração de Sharron Kraus, Alison O’Donnell e Alison Cotton, neste novo álbum, os UBS ficam a um pequeno passo de atingir a perfeição.

“The Ale´s what cures ye” é um disco de rara, dilacerante, beleza. Resultado de uma escolha tudo menos óbvia, as canções projectam-se numa tela pintada por silêncios cúmplices. Décadas, séculos de melodias antigas, desfilam envoltos em sons do presente, estimulando a curiosidade e potenciando o exercício da comparação.

“Farewell Nancy”, “Sullivan’s John”, “The sweet streams of Nancy”, “The recruited collier”, “Twa Corbies”, “Waiting for another day”… Martin Carthy, Sweeney’s Men, Anne Briggs, Nic Jones, Tim Hart & Maddy Prior já passaram por elas em tempo, porém o que os United Bible Studies agora lhes aportam é algo de quase definitivo. Um dos álbuns mais bonitos do ano.