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22/06/14

Ryley Walker "All kinds of you"


Oriundo da mesma fornada de “jovens turcos” da guitarra que nos trouxe Steve Gunn, William Tyler, Cian Nugent ou Daniel Bachman, Ryley Walker publicou recentemente um promissor  EP: “The West Wind”. A expectativa que envolvia a chegada o cd de estreia “All kinds of you” era pois justificadamente alta.

Aos 24 anos, Ryley Walker é um veterano da cena noise e experimental de Chicago. Na dependência de heróis antigos ( Tim Buckley, Bert Jansch, John Martyn, John Renbourn ou Tim Hardin ), reciclou-se, abraçando a linguagem do folk tradicional e, ao lado de Daniel Bachman, praticou disciplinadamente o “finger picking” até à exaustão.

Escutando o álbum percebe-se a importância de tal aprendizagem, mas “All kinds of you” vai já um pouco mais além. O formato instrumental  influenciado por John Fahey, Bert Jansch e Leo Kottke, divide agora o espaço com canções construídas sobre uma matriz tradicional, aqui e ali mescladas por atmosferas jazzy.


Bert Jansch ainda lá está,  servindo de âncora ( “On the Rise” não deixa a menor das dúvidas ), mas o Tim Buckley de “Happy Sad” ou o John Martyn de “Solid air” são  agora omnipresentes. “The West Wind” e “Clear the Sky” por exemplo, são nesta matéria,  verdadeiros espelhos retrovisores.

“All kinds of you”  não dispensa o conhecimento das suas influências efectivas; não obstante, as capacidades criativas e técnicas do seu autor não devem ser negligenciadas nem por um só momento. A seguir.


11/02/14

Cian Nugent & The Cosmos "Born with the Caul"


Cian Nugent vem de Dublin, transparece da sua música, mas integra sem esforço a cena musical que se norteia pela herança musical da Takoma Records e que nos anos mais recentes  teve como principal guru o saudoso e excessivo Jack Rose.
“Born with the Caul” o cd que Nugent acaba de publicar com The Cosmos é pouco menos que uma delicia. Formalmente integra apenas três temas ( o mais curto com 6m e 30s ), mas é um daqueles discos que quando se escutam, fazem parar os ponteiros do relógio.

A abrir,  “Grass above my head” é um espaço solitário. A guitarra introspectiva de Cian aguarda pelos restantes Cosmonautas; estes uma vez chegados, transformam o tema num folk-blues o qual, percebe-se, está ali apenas para aquecer os motores, preparando o que vem a seguir.
“Double Horse” principia acústico, mas a guitarra de Nugent  rapidamente abandona o finger picking para se mirar no espelho reflector dos acordes iniciais de “The End”. E por entre o serpentear de uma guitarra Robbie Krieger em silencioso crescendo, damos por nós à espera que a voz de Jim Morrison irrompa das colunas e a ferocidade das palavras nos venha de novo inquietar. Soberbo.

Mas não tanto quanto os 23m e 20s que dura “The Houses of Parliament”. Dir-se-ia que as guitarras angulosas de Richard Lloyd e Tom Verlaine decidem aqui conflituar com os sons caleidoscópicos arquivados no tempo por Bob Weir e Jerry Garcia. Television cruza-se com Grateful Dead. E “Dark Star” como que regressa elegante, abrasivo e psicadélico até às entranhas. Como sempre foi.