Já aqui se falou de Jay Bolotin, um dos segredos melhor guardados da música americana da primeira metade dos 70s.
24/12/18
Jay Bolotin "No One Seems To Notice That It's Raining"
Já aqui se falou de Jay Bolotin, um dos segredos melhor guardados da música americana da primeira metade dos 70s.
11/12/09
Jardins do Paraíso XVIII ( Jay Bolotin )

Natural do Kentucky, Jay terá escrito as primeiras canções aos 17 anos. Só dois anos depois, em 1969 e já em Nova Iorque, teria oportunidade de gravá-las quando lhe foi proposto um acordo com a Commonwealth United Records, uma subsidiária da ABC. Está ainda por apurar se o disco alguma vez chegou às lojas, - mesmo os mais destacados coleccionadores/eruditos afirmam que apenas se cruzaram com cópias promocionais, as chamadas “White Label Promo”. Significativamente, a reedição optou pelo design típico das WLP, com a célebre referência “Not for Sale” .
(Kris Kristofferson, Bolotin e Rita Coolidge)Estamos afinal perante mais um daqueles lamentáveis episódios de que a história da música está repleta. Tanto mais quanto, depois de ouvir a reedição que a Locust publicou com o acordo do artista, se descobre que “Jay Bolotin” era ( é ) um álbum muito acima da média, mesmo considerando os elevados padrões da época.
Escritas em tom pessoal e familiar, as canções são autênticas. Naturais. A peculiar voz do autor e os arranjos deliberadamente simples, mesclando o folk-psicadélico típico dos songwriters com matrizes do jazz e do vaudeville, tão características da era, contribuem para transformar o álbum numa enorme e agradável surpresa.
“Dear Father”, intimista e confessional, dá o mote e posiciona o cantor no interior daquele jogo de sombras que Cohen e Tom Rapp (Pearls Before Swine) praticavam com reconhecida mestria. Escutando “Jimmy’s got a music box” e o opus country que é “Winter woman” compreende-se o porquê de Kristofferson ter sido tão efusivo quando se referiu a Bolotin.
("Limbus Fatuo'rum", 1992, Jay Bolotin)“It’s all in that” é o grande tema do disco (tão bom que poderia figurar no primeiro David Ackles, o que não é dizer pouco). Logo a seguir “Pretty Burmah” consegue um inusitado compromisso entre Tom Rush e Tim Buckley, enquanto “Trinketman”, hesitante entre o jazz e o honky tonk, está mais próximo de Tim Hardin.
No final, a única opção é voltar ao inicio. Regressar a um conjunto de canções mais que perfeitas que fazem de “Jay Bolotin” uma grata e inesperada surpresa. O entusiasmo de todos aqueles que apreciam os nomes e as referências atrás citadas ( David Ackles em particular ), faz aqui todo o sentido.



