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24/12/18

Jay Bolotin "No One Seems To Notice That It's Raining"




aqui se falou de Jay Bolotin, um dos segredos melhor guardados da música americana da primeira metade dos 70s.

Admirado e elogiado por Ginsberg, Kris Kristofferson, Mickey Newbury, Merle Haggard, Dan Fodelberg ou David Allan Coe ( os dois últimos gravaram inclusivé canções suas ), Bolotin dividiu o seu talento entre a música a arte visual. Ao que se sabe, nunca se sentiu muito à vontade perto dos holofotes do show business, preferindo o contacto com a natureza como leitmotiv das suas criações.

Perfeccionista ( algo que se percebe quando se analisa a estrutura das suas canções ), afirmou em tempos que lhe era mais difícil e penoso escrever uma boa canção que conceber e concluir uma escultura.



O álbum homónimo que publicou em 1970 é uma pérola que coloca Bolotin num patamar próximo de Gordon Lightfoot, David Blue ou Paul Siebel. Canções honestas,  literatas, adornadas por um soft folk-rock modelado pelos grandes espaços do interior,  distante dos padrões vigentes em Los Angeles.

No One Seems To Notice That It’s Raining” disponibiliza um conjunto de canções inéditas ( 13 ), gravadas entre os anos de 70 e 75 em Nova Iorque e Nashville e só recentemente descobertas.

Ao escutá-las retoma-se a certeza de que Bolotin poderia, se o tem querido, ter sido um dos nomes grandes do singer songwriter americano da época.



As gravações de 70 na Hit Factory em Nova Iorque estão próximas do padrão que emerge do álbum desse ano. As gravações posteriores ( 72 a 75 ) levadas a cabo em Nashville quando o autor já habitava no Kentucky revelam uma personalidade mais introspectiva, resultado provável da influência que a  paisagem rural exercia sobre o compositor.

São, quer umas quer outras, absolutamente fantásticas. E é um inesperado privilégio poder escutá-las, ainda por cima servidas por uma irrepreensível qualidade áudio que não é normal encontrar em fitas com cerca de 50 anos.

11/12/09

Jardins do Paraíso XVIII ( Jay Bolotin )


Há apenas um mês, Jay Bolotin era um nome desconhecido para milhões de melómanos, o Atalho incluído. Bastará consultar as diferentes enciclopédias ou outros mais ou menos obscuros estudos de referência sobre o pop, rock ou folk-rock, para se constatar que o nome do homem não surge em lado algum. Uma consulta na net permite descobrir que Jay Bolotin é afinal um artista conhecido e reconhecido…, no campo das artes plásticas. Suspeita-se aliás que grande parte dos que conhecem e celebram as suas esculturas, desenhos ou telas, desconhecem que Bolotin gravou um álbum, há 40 anos. E no entanto, à data e segundo a lenda, Kris Kristofferson referiu-se-lhe como “one of the three best songwriters in the country”.

Natural do Kentucky, Jay terá escrito as primeiras canções aos 17 anos. Só dois anos depois, em 1969 e já em Nova Iorque, teria oportunidade de gravá-las quando lhe foi proposto um acordo com a Commonwealth United Records, uma subsidiária da ABC. Está ainda por apurar se o disco alguma vez chegou às lojas, - mesmo os mais destacados coleccionadores/eruditos afirmam que apenas se cruzaram com cópias promocionais, as chamadas “White Label Promo”. Significativamente, a reedição optou pelo design típico das WLP, com a célebre referência “Not for Sale” .

(Kris Kristofferson, Bolotin e Rita Coolidge)

Estamos afinal perante mais um daqueles lamentáveis episódios de que a história da música está repleta. Tanto mais quanto, depois de ouvir a reedição que a Locust publicou com o acordo do artista, se descobre que “Jay Bolotin” era ( é ) um álbum muito acima da média, mesmo considerando os elevados padrões da época.

Escritas em tom pessoal e familiar, as canções são autênticas. Naturais. A peculiar voz do autor e os arranjos deliberadamente simples, mesclando o folk-psicadélico típico dos songwriters com matrizes do jazz e do vaudeville, tão características da era, contribuem para transformar o álbum numa enorme e agradável surpresa.

“Dear Father”, intimista e confessional, dá o mote e posiciona o cantor no interior daquele jogo de sombras que Cohen e Tom Rapp (Pearls Before Swine) praticavam com reconhecida mestria. Escutando “Jimmy’s got a music box” e o opus country que é “Winter woman” compreende-se o porquê de Kristofferson ter sido tão efusivo quando se referiu a Bolotin.

("Limbus Fatuo'rum", 1992, Jay Bolotin)

“It’s all in that” é o grande tema do disco (tão bom que poderia figurar no primeiro David Ackles, o que não é dizer pouco). Logo a seguir “Pretty Burmah” consegue um inusitado compromisso entre Tom Rush e Tim Buckley, enquanto “Trinketman”, hesitante entre o jazz e o honky tonk, está mais próximo de Tim Hardin.

No final, a única opção é voltar ao inicio. Regressar a um conjunto de canções mais que perfeitas que fazem de “Jay Bolotin” uma grata e inesperada surpresa. O entusiasmo de todos aqueles que apreciam os nomes e as referências atrás citadas ( David Ackles em particular ), faz aqui todo o sentido.