15/01/26
"I Shall Be Released, covers of Bob Dylan 1963-1970"
19/09/25
"When Will They Ever Learn? A Story of U.S. Folk Music 1963-1969"
06/04/25
"Jingle Jangle Morning, The 1960s U.S. Folk-Rock Explosion"
16/03/25
Jardins do Paraíso ( 87 )
Antes de integrarem o catálogo da Warner Brothers, nele
publicando “Hard Meat” e “Through a Window” ( ambos em 1970 ), os Hard Meat dos
irmãos Mick e Steve Dolan mantiveram fugaz ligação à Island Records de Chris
Blackwell, selo onde a 9 de Agosto de 1969 lançaram o single “Rain”, uma interessante versão do título dos Beatles.
O 45 rotações, em cujo lado B constava “Burning up years”,
antecipava o lançamento de um álbum entretanto gravado nos estúdios Tridend no
Soho. Não é clara a razão pela qual o disco não foi publicado à época. O
produtor ( Sandy Roberton ) era um dos mais conceituados do seu tempo,
Blackwell, consta, estava entusiasmado, um sentimento que se supõe não ser partilhado
pelo A&R Guy Stevens.
Ao escutar “Rain”, a primeira edição em vinil daquele
conjunto de gravações, é hoje evidente o
erro colossal que foi o veto à respectiva publicação.
“Walking Down Up Street” é um rock hipnotizante que torna
legítimo especular se Randy California e
os Spirit não fariam parte da dieta musical dos Hard Meat. Idem para “Burning
Up Years”. Por fim “Run Shaker Life”, uma fantástica recriação rítmica do
título que Richie Havens incluiu no duplo álbum “Richard P. Havens, 1983” de
1969.
Duas destas canções ( “Run Shaker Life” e “Most Likely You’ll
Go Your Way, I’ll Go Mine” ) viriam a fazer parte do alinhamento do primeiro
álbum do grupo para a Warner Brothers. As restantes, com excepção das
publicadas no single, manter-se-iam inéditas cerca de cinco décadas.
Após o fim dos Hard Meat, os irmãos Dolan alavancaram os Big Front Yard, uma
banda de inspiração West Coast a que o Atalho já aqui dedicou a sua atenção.
02/05/24
Artefactos ( 132 )
13/12/23
Jardins do Paraíso ( 82 )
Poderia e deveria ter acontecido de outra forma.
A pungente versão pop barroca de “The French Girl”, um
original de Ian Tyson e Sylvia Fricker, pede meças a uma também extraordinária
versão do tema responsabilidade de Gene Clark; a revisão em modo psych do
clássico de Dylan “Queen Jane Approximately” captada no palco do Whiskey a Go
Go em Setembro de 1966; o fuzz original de “Jack of Diamonds”; a variação
“Scottish sea shanty” de “The Bonny Ship The Diamond” ou a aproximação
angelical a “If I were a Carpenter” de Tim Hardin, permitem concluir sem
qualquer ponta de exagero e nenhuma margem de erro que os Daily Flash deveriam
ter sido reconhecidos como uma das grandes bandas a operar na Califórnia no
decorrer da primeira era do psicadelismo ( 1965 – 1969 ).
Oriundo de Seattle, o quarteto constituído por Don
MacAllister, Doug Hastings, Jon Keliehor e Steve Lalor era, um pouco à imagem
do que sucedia com os Byrds, maior do que a soma das partes. Simplificando: reunia
todas as condições para ser muito mais que uma mera nota de rodapé.
Não obstante, por vicissitudes várias comuns a muitas outras
bandas igualmente talentosas, concedamos, foi daquela forma que o tempo os
colocou nas prateleiras da história.
Em actividade os Daily Flash partilharam estúdios e palcos
com os nomes mais sonantes da época: Byrds, Buffalo Springfield, Quicksilver,
Grateful Dead, Jefferson Airplane, Rhinoceros, Moby Grape, Charlatans, Big
Brother & The Holding Company, Rising Sons , Sopwith Camel, Beau Brummels…
contudo enquanto activos vida publicaram apenas dois singles e quatro temas: “Queen
Jane Aproximately”, “Jack of Diamonds”, “French Girl” e “Green Rocky Road”.
Em perspectiva e sabendo o que sabemos hoje, qualquer uma destas
quatro gravações merecia a maior das atenções mas a sorte e o reconhecimento
não passaram por ali e a imortalidade só
chegaria décadas depois.
“The Daily Flash” reúne todas as gravações que foi possível
resgatar nos arquivos dos diversos intervenientes. Aos títulos atrás
mencionados juntam-se dez gravações de estúdio, entre elas “When I was a cowboy”, “The girl from North
Alberta”, “CC Rider”, “Violets of Dawn” ( Ian Anderson ), “Again and again”,
“Grizzly Bear”, “Let me die in my footsteps” ( Dylan ) e “Birdses” ( Dino
Valenti ).
O que se escuta em “The Daily Flash” justifica e é motivo para que se proceda à revisão da história. Porém se tal não for considerado suficiente ou pertinente, atente-se assessoriamente no álbum homónimo que os Bodine ( com Steve Lalor e Jon Keliehor a bordo ) publicaram na MGM em Setembro de 1969.
19/11/23
Leituras
30/05/23
David Blue "The Lost 1967 Elektra Recordings & More"
“… He has lots of friends, most of them dead…” (
David Blue, in “The Street” )
E no entanto, apesar de em vida ter publicado sete álbuns, Stuart David Cohen permanece um semi desconhecido. Contemporâneo e “compagnon de route” de Dylan na Greenwich Village dos mid 60s, Blue gravou as suas primeiras três canções para a Elektra, publicadas em 1965 no álbum “Singer Songwriter Project”, uma edição com formato pioneiro e que além daquelas integrava também temas de Richard Farina, Patrick Sky e Bruce Murdoch.
Convidado a prosseguir, no ano seguinte o autor gravaria “David
Blue” um disco icónico e muito interessante. Embora retratasse (
musical e socialmente ) o espírito da Greenwich, não logrou à época obter
grande adesão em matéria de vendas.
No decorrer de 1967, David Blue grava um derradeiro álbum
para a Elektra. Por vicissitudes várias as
fitas nunca veriam a luz do dia. Até agora.
Colocando de lado o lirismo, quase sempre soberbo e
inspirador, do ponto de vista estritamente musical estas canções poderiam ser
primas direitas daquelas outras que Dylan gravava quase simultaneamente em
Woodstock; e sim é de “Basement Tapes” que falamos.
“Vaudeville Blues”, “King of Spain” ou “Dr. Smith’s
Electrical Light Machine”, estilisticamente a anos luz do álbum de estreia,
poderiam ter sido compostas e gravadas na casa “Big Pink” em West Saugerties
com a trupe da The Band.
“You need a change”, “23 Days in September”, “Anna” e “Scales
for a window thief” por seu turno definem o estilo futuro do autor e não foi
certamente por mero acaso que as quatro, embora objecto de versões diversas, integraram
“These 23 Days in September” ( 1968 ) o primeiro álbum para a
Reprise e que é a par de “Stories” ( 1971 ) um dos grandes discos
de David Blue.
10/10/22
Lost Nuggets ( 163 )
- “The times they are a-changin”
- “Dylan’s dream”
- “When the ship comes in”
- “Boots of Spanish leather”
- “Blowin in the wind”
- “Long time gone”
- “It ain’t me babe”
- “Tomorrow is a long time”
- “Black crow blues”
- “Love minus Zero/No Limit”
- “Girl from the North Country”
- “Mr. Tambourine man”
The Silkie: Silvia Tatler ( voz ), Mike Ramsden ( voz e guitarra ), Ivor Aylesbury ( voz e guitarra ) e Kevin Cunningham ( baixo acústico ).
Canções: Bob Dylan
Texto da contracapa: Alistair Taylor.
01/01/22
Ian A. Anderson "Please Re-adjust Your Time, The Early Blues & Psych-Folk Years 1967-72"
“Issued in March 1969, Island’s celebrated label sampler ‘You Can All Join In’ featured an iconic front cover photo of their various acts, shivering in Hyde Park on a cold winter’s morning. One of the musicians pictured on the cover, however, wouldn’t be allowed to join in. Recorded in November 1968, West Country-based country blues performer Ian Anderson’s album ‘Stereo Death Breakdown’ was scheduled to be issued by Island, but Jethro Tull’s management complained that having two Ian Andersons on the label would be confusing.”
( David Wells in “Separate
Paths Together, an Anthology of British Singer/Songwriters 1965-1975” )
Recordei o texto acima ao constatar
que “Stereo Death Breakdown” é um dos trabalhos que integra a
compilação “Please Re-adjust your time, The Early Blues & Psych-Folk
Years 1967-72”.
Titulado pela Anderson’s Country
Blues Band, o álbum acabaria por ser publicado pela Liberty em Junho de
1969, sendo agora recuperado na sua totalidade, acrescido de temas entretanto
publicados em EPs onde Anderson partilhou o talento e o country blues com Al
Jones, Elliott Jackson, Mike Cooper e Jo-Ann Kelly entre outros.
Só que nove meses é muito tempo e, na época,
as coisas mudavam mais depressa que a duração normal de uma gestação humana.
A cena de Bristol mudara e a inspiração deixou de ser Alexis Korner, os
blues man americanos ou o trio Koerner, Ray & Glover e com a
emergência de Keith Christmas ou Michael Chapman as referências
mudaram rapidamente para o neo-folk britânico protagonizado por nomes como Shirley
Collins, Incredible String Band ou Dr. Strangely Strange.
Em Abril de 1970 Anderson, apoiado em
Al Jones e Keith Christmas publicou “Book of Changes”
na Fontana ( infelizmente não licenciado para esta compilação e como tal irá permanecer
sem reedição oficial ) mas o projecto de lançamento de uma editora independente
já estava em marcha, a participação no primeiro Glastonbury Festival e a cada
vez maior inflexão em direcção à tradição folk britânica era já irreversível,
donde que a publicação de “Royal York Crescent” em Novembro de 70
na acabada de nascer Village Thing Records não surpreenda minimamente.
No inicio, “Royal York Crescent”
ainda parece querer manter a ligação à sonoridade bluesy americana através de
“No Way To Get Along”, mas conteúdo e
forma rapidamente se encaminham para uma maior englishness, suportada pela
voz e incomum técnica de Anderson na guitarra acústica ( em tempos alguém
definiu o som como “heavy folk” ) sempre coadjuvado por um nada despiciendo Ian
Hunt na segunda acústica.
Um ano após, Dezembro de 1972, nova
inflexão estilística com “Singer Sleeps on as Blaze Rages”.
A habitual segunda guitarra Ian Hunt está ausente ( entretanto a gravar com
John Turner o excelente “Magic Landscape” também para a Village
Thing ) e está de regresso a colaboração com Mike Cooper com quem
Anderson não gravava desde 67. Eclético será o termo apropriado para
caracterizar este último álbum de Ian Anderson para sua própria editora. O
country blues está de novo presente, o picking também, obviamente e por aquela
via. A espaços, muitos, paira a sensação de que Leo Kottke e a sua genial técnica de bootleneck passaram
por ali, intermitentemente. Trata-se de mera ilusão naturalmente. Kottke está
para além de qualquer imitação, por mais competente que possa ser ser.
Num dos discos menos equilibrados de
autor, sobram os excelentes “Maria Celeste on Down”, “Sign of the Times” e “Shirley
Temple Meets Hawkwind”, os quais deixam a milhas uma versão incaracterística de
“Paint it, Black” dos Stones. Os quatro temas extra fazem parte do
espólio dos Hot Vultures, um duo que Anderson experimentaria nos anos seguintes
ao lado da baixista Maggie Holland, mas que a história não registou com empenho
significativo.
Tudo resumido, e tendo em conta que
os discos originais se transacionam hoje como se barras de ouro se tratassem, regista-se
o facto de poder escutar numa única edição a quase totalidade da globalmente
interessante obra do autor. Lamentando uma vez mais o facto de “Book of
Changes” ter ficado maioritariamente de fora ( Fausto afinal não
está só na sua recusa em permitir a reedição do seu álbum estreia para a
Philips ).
25/11/21
Bob Dylan "Bob Dylan 1970"
“The journey is my home”, wrote 17th century Japanese
haiku master Basho, pointing out that process is as important destination. How an
artist arrives at a finished work tells us as much about that work as the end
result. Bob Dylan released “Self Portrait” and “New
Morning” in 1970, two albuns from an artistic evolution that continues
to this day. “Bob Dylan – 1970” ( with special guest George
Harrison ) chronicles the road that led to their completion.” ( Michael
Simmons )
“Bob Dylan 1970”, não me passou pela cabeça acrescentar uma única
palavra.
25/09/21
Neil Young "Archives Vol. II ( 1972 - 1976 )"
Grande parte da produção musical de Neil Young permanece
interessante, nalguns casos muito interessante. As mais recentes opções
comerciais do canadiano mostram-se todavia bastante questionáveis, para dizer
não dizer duvidosas.
Atente-se por exemplo em “Archives Vol II ( 1972 – 1976 )” e
apenas para não ir mais longe.
Não parece aceitável que numa edição de 10 cds ( que à partida se pretendia única e
ilustrativa de gravações que, na sequência de decisões de enquadramento
editorial ou outras de carácter mais pessoal, não foram objecto de publicação à
época ), um terço seja constituído por discos já publicados individualmente na
série Arquivos. Em concreto “Homegrown”, “Tuscaloosa” e “Roxy, Tonight’s the
night” ( este último com uma “ligeira” nuance na inclusão de “Losing End” ).
Ademais, dos 132 temas que integram “Archives Vol II”, 46 são
versões diferentes de canções já publicadas e apenas 12 constituem verdadeiros
inéditos. Donde que, como se infere, o balanço poderá ser francamente questionável,
sobretudo por aqueles que legitimamente esperavam a anunciada profusão de
inéditos ( veja-se por comparação a série “Bootlegs” de Bob Dylan ).
Dito isto, “Archives Vol II” valerá a pena? Para os fãs, para
os quais estes “pequenos” detalhes têm pouca relevância, claramente. Para os
indefectíveis de Joni Mitchell também tendo em conta o inédito “Sweet Joni”,
captado no Bakersfield Civic Auditorium a 11 de Março de 1973 e a curiosa
versão de “Raised On Robbery”, suportada pela banda que acompanhou o canadiano
em “Tonight’s the night”, além de Joni Mitchell herself.
Quanto à esmagadora maioria, e tendo em conta o preço a que a
box é comercializada, talvez seja de considerar a opção de esperar pela publicação
isolada de “The Old Homestead”, agrupando gravações datadas de 1974 e que inclui 4 inéditos e 12 versões não
publicadas, entre estas duas longas prestações de palco com Crosby Stills Nash
& Young: “Pushed it over the end” e “On the Beach”.
11/08/21
Jardins do Paraíso ( LXIX )
“Halfway through the session I called my friend Brent Titcomb and asked him to lend me his guitar because I had broken a couple of strings on my guitar and couldn’t afford new strings! I was penniless and hungry at the time of the Bunkhouse recording.” ( David Wiffen )
Na origem o álbum “At The Bunkhouse” foi pensado no formato “sampler”
e a David Wiffen estavam destinadas apenas duas canções. Porém na noite das
gravações, desencadeou-se forte tempestade na cidade de Vancouver e os
restantes artistas não compareceram no estúdio da West Broadway. Wiffen, numa
curta sessão de três horas, gravou um álbum inteiro. Do dito foram prensadas em
1965 apenas 100 cópias com o selo da International Records New York, facto que
faz dele uma das maiores e mais dispendiosas raridades da época.
A recente, legítima e cuidada reedição em vinil permite
finalmente apreciar a “infância artística” do autor. É verdade que os dois
álbuns a solo posteriores – “David Wiffen” ( 1971 ) e “Coast to Coast Fever” (
1973 ) – possuem os seus momentos, desde logo a sua criação mais conhecida “Driving
Wheel”, sendo por essa razão altamente recomendados, mas “At The Bunkhouse
Coffeehouse” é, com a sua vertente low-fi e algo naif, um retrato quase perfeito
do jovem Wiffen ( “the songs on the album formed part of my working
repertoire at the time” ).
Pelo meio “Don’t Think Twice, It’s All Right”, numa interpretação que em partes iguais remete para Phil Ochs e Gordon Lightfoot muito mais que para Dylan. Os detalhes vocais são, como facilmente se infere, factor determinante para a ousada similitude.
O lado B é composto por tradicionais, um blues ( “You don’t
know my mind” ) uma cortesia de Leadbelly. Termina com o esplendoroso “Four in
the morning”, um lugar onde em tons pungentes, a guitarra e sobretudo a voz,
sublinham uma canção de excepção.
“At The Bunkhouse Coffehouse” é um disco de um outro tempo. Não colherá a aprovação de todos e haverá quem o apelide de datado. Mas a candura e a ainda que forçada economia de meios, ajudam a potenciar o talento então emergente de David Wiffen, um expatriado que aos 16 anos trocou Surrey na Inglaterra natal pelo Canadá.
30/06/21
The Fallen Angels "Paradise Lost"
A pandemia para além de
desestruturar e colocar no fio da navalha a vida de milhões, vá-se lá saber
porque, ajudou também a dinamitar as rotinas do Atalho. “Paradise Lost” – constato-o
agora -, um extraordinário disco duplo de uma das bandas favoritas deste
espaço, esteve encostado / selado mais de um ano, sem nenhuma razão aparente, à
espera de uma oportunidade para ser escutado e devidamente apreciado.
Numa limitada e luxuosa edição da
Sunbeam que inclui booklet explicativo, poster e folheto com as letras,
“Paradise Lost” expõe pública e pela primeira vez prestações ao vivo e as demos
que tinham como destino o abortado terceiro álbum dos Fallen Angels.
O primeiro LP revela a prestação
da banda de Washington DC num concerto organizado pelo jornal underground
“Washington Free Press”. Evento cujo objectivo era apoiar a luta pelos direitos
civis, das mulheres e o movimento anti-guerra ( Vietnam, entenda-se ). Data de
1969, na ressaca do comercialmente falhado “It’s a Long Way Down”.
Inicia-se com dois temas ( mantras
diria ) interpretados a solo por Jack Bryant. Seguem-se uma versão imaculada do
clássico “A Horn Playing On My Thin Wall”, “Look at the Wind” e, àquela data, o
inédito “Everything Would be Find”. No lado B estão plasmadas versões notoriamente
criativas de originais de Dylan, Donovan e Love. O áudio é excelente, a
competência dos músicos e o lirismo que emana quer dos textos de Bryant quer
das melodias, não sofre do habitual síndrome de palco.
O segundo LP inclui sobretudo demos. No lado A, uma versão sofrível de “Who do you love” provando que o talento e a sensibilidade do colectivo não era compaginável com o blues/rock praticado na época, e um conjunto de temas que foram ou viriam a ser publicados em formato single, entre eles “Everytime I Fall in Love” e “Hello Girl”.
Para o fim, no lado B, a
surpresa. Nove demos gravadas a solo por Jack Bryant em 1969, as tais que
tinham como destino o tal terceiro álbum cuja gravação a Roulette optou por não
patrocinar.
Aqueles que como o Atalho avaliam
“It’s a Long Way Down” como uma das grandes “anomalias” do psicadelismo americano do final dos 60s ( e
é nestas alturas que “A Gift From Euphoria” vem à memória ), ao escutar estas demos, irão
inevitavelmente ser tentados a imaginar como teriam soado, caso tivessem beneficiado
de arranjos apropriados e da magia criativa que emergia do quarteto.
29/05/21
Richard Thompson "Beeswing"
Há muito que o homem é credor da
admiração do Atalho. Mas depois de ler isto:
“In Fairport we loved the
response to the Beatles by bands such as the Byrds, the Left Bank and the Lovin’
Spoonful. The great singer-songwriters, like Dylan, Cohen, Ochs and Mitchell,
were our true inspitation, as were the Band, with their blend of roots styles that
were so familiar to us from records. All around the world, people had grown
cynical about American politics, but they loved american music – especially the
blues and country music of the Southern poor and the tougher, electrified
sounds of the urban disillusioned and disenfranchised.”
Ou, sobretudo, depois disto: “Later that year
( 1968 ), Sandy ( Denny ) and I received invitations in the post to Paul
McCartney’s birthday party. It shows how
much of a musical snob I was at the time that I decided not to go – to me, the
Beatles were a ‘pop’ band and not to take seriously.”
Rapidamente o estatuto passou de
admirado a venerado.
Um pouco mais a sério: “I saw
Bert ( Jansch ), Davey ( Graham ) and Martin ( Carthy ) all play around this
time ( 1968 ). There is nothing like seeing someone live and not quite grasping
what they are doing, If you understand it, you might just try to copy it; not
understanding might lead you to experimente and maybe arrive at something diferente
and original. I’m glad i didn’t just slavishly copy any of them, or I might
never have crawled out from under their influence.”
E, com isto, fica tudo ou
praticamente tudo dito, acerca da personalidade e talento deste verdadeiro tesouro
vivo da música britânica.
“Beeswing, Fairport, Folk Rock and finding my voice 1967-75” escrito com a ajuda de Scott Timberg, é um livro essencial não apenas para os convertidos, mas acima de tudo para aqueles outros que conhecem menos bem um dos períodos mais fulcrais e estimulantes da música das ilhas britânicas.
Época renascentista, quase arriscaria
a escrever. Acrescentando sem grande risco de falhar que, depois de “Whyte Bicycles”
de Joe Boyd e do que se espera vir a ser a biografia definitiva de Nick Drake (
a ser preparada por Richard Morton-Jack ), este é um dos mais completos e
coerentes testemunhos da época.
Todas as pedras são reviradas e
nada fica por contar. Como nasceram, cresceram, viveram e “morreram” os
Fairport Convention ( e os Fotheringay já agora ); a forma como foram escritos
e gravados os grandes temas; a personalidade
e carácter dos vários talentos que foram passando pela banda; os inevitáveis
choques de egos; as amizades e cumplicidades que perduraram independentemente dos
caminhos futuros.
Por último a fase da conversão ao sufismo, a ligação familiar e profissional a Linda Peters ( Thompson ), os discos que enquanto Richard & Linda Thompson gravaram entre 1974 e 1979 …
Um testemunho absorvente a que a
plenitude e rigor cronológico dos detalhes não são seguramente alheios.
Nota: Aconselha-se vivamente
manter por perto todos os álbuns. Com cansativa regularidade, torna-se
necessário interromper a leitura para ir escutar ( conferir ) muito do que é referido.
16/03/21
Jardins do Paraíso ( LXVI )
Quem não tem cão caça com gato.
O álbum homónimo dos Moths gravado em 1970 e fabricado na
Deroy Sound Service, numa prensagem sem
capa e limitada a cerca de duas dúzias de exemplares, entretanto distribuídos
por amigos e familiares dos membros da banda, constitui-se desde então numa das
mais raras edições privadas da folk inglesa.
A presente reedição em vinil obteve o acordo / colaboração
dos elementos do grupo e permite ao comum dos mortais descobrir e disfrutar de um
interessante artefacto de época.
A banda ( John Ellis, John Dunn, Mike Jones, Neil Cawley e John Beazer ), um quinteto de estudantes da Universidade de Hull não tinha à data nem teve posteriormente qualquer experiência de gravação e ou actuação de palco. Formou-se na primavera de 1970 e um par de meses volvidos, no palco do anfiteatro da faculdade, gravou as demos que viriam a dar origem ao álbum.
A sonoridade que emana de “Moths” está genericamente em linha
com o paradigma folk do seu tempo, ainda que a evidente expertise e sofisticação dos seus criadores a afaste do
ambiente pub, aproximando-a da subtileza e elegância de nomes como Tir Na Nog,
Oberon ou Fresh Maggots.
Daí que as guitarras de John Ellis e Mike Jones optem por um
registo acústico difícil de compaginar com o eléctrico. Em contrapartida, talvez
influenciadas pelo trabalho de Bert Jansch e John Renbourn nos Pentangle, dialogam
na perfeição com a flauta, a percussão e o baixo.
Por fim o bom gosto; nas duas composições originais de John Ellis e, sobretudo, nas versões escolhidas: temas de Dylan, Tim Buckley, Clive Palmer, Jansch e David Ackles. Melhor seria quase impossível.
A qualidade aúdio desta reedição está muito para além do que
seria expectável, facto que não deixa de ser assinalável tendo em conta a
raridade e mais que provável fragilidade das fontes, fossem elas as fitas
originais ou um velho exemplar do LP fabricado na Deroy.








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