24/09/26
"A Strange Light From The East, Eastern Influenced Western Music 1965-72"
04/09/26
Jardins do Paraíso ( 91 )
Orange County, Califórnia, 1970.
Seguramente ofuscada pela projeccão e estatuto de alguns dos
seus colegas singer-songwriters ( Tim
Buckley, Judee Sill, Jackson Browne, Joni Mitchell … ), Kathy Smith não logrou
nunca almejar o patamar de sucesso compatível com o seu talento. E, neste
aspecto, nem uma participação no festival da Ilha de Wight em 1970 logrou
ajudar.
Não obstante gravou para a Stormy Forest de Richie Havens
dois álbuns cuja obscuridade caminha paredes meias com o talento da autora.
O segundo, prosaicamente titulado de “2”, data de Novembro de
1971 e acaba de receber a primeira reedição oficial.
É um disco belíssimo, simultaneamente arrojado e intimista. O
intimismo não espanta, constituía a marca de água dos singer-songwriters; o
arrojo por sua vez, radica numa inovativa fusão entre o folk psicadélico e o
jazz.
As canções são maioritariamente escritas por Kathy Smith. A
par destas, estão também presentes temas de Jimmie Spheeris ( a conferir o seu magnífico
“Isle of View”, onde o tema “Seven Virgins” surge também ), Jackson Browne ( “It’s
taking so long” constitui a única versão oficialmente editada do tema ) e de
Pamela Polland ( que entre muitos outros escreveu “Tulsa County Blue” para os
Byrds de “Ballad of Easy Rider” ).
Alguns dos músicos, parte deles ainda ilustres desconhecidos
na época, davam pelos nomes de Jan Hammer, Tony Levin, Don Alias, Warren
Bernhardt, Jimmie Spheeris ou Jeremy Steig.
Tudo dito, ou quase. Faltará apenas referir que a reedição inclui dois trechos
inéditos: uma demo de “For Emily” da própria Kathy Smith e uma versão frugal de “Hang On To A Dream” de Tim Hardin.
30/01/26
Jackie DeShannon "Love Forever Demo Recordings 1966-68"
Abordou as linguagens do folk, folk-rock, country, soul, blues,
gospel, sunshine pop, girl group…, cantou The Band, Margo Guryan, Carole King, Jack
Nitzsche …, colaborou com The Byrds, Randy Newman, Jimmy Page, Leon Russell …,
foi cantada por Marianne Faithful, Searchers, The Ronettes, Delaney &
Bonnie, The Byrds ( de novo ) e por mais de meio mundo…
E no entanto, Jackie DeShannon, a detentora do curriculum acima
apenas parcialmente referido, permanece um esquecimento sempre que se invoca a
história do período da música americana que frequentou.
A relativa indiferença ou, se quiserem, a parcimónia com que
foi recebido “Love Forever Demo Recordings 1966-68” significa mais uma pequena
prova disso mesmo.
Datadas do período compreendido entre 1966 e finais de 1967,
as dezasseis demos que integram “Love Forever” foram gravadas e publicadas em
acetatos que circularam apenas no seio da indústria. A intenção era vender as putativas
canções no mercado.
Comummente conectadas com esboços de canções, as demos presentes
em “Love Forever” são tudo menos isso. Empolgantes e na sua grande maioria
inspirados, estes “projectos” de canções ilustram o tempo em que DeShannon
operou a transição entre o seu período pop / folk rock e o consolidar da matriz
singer-songwriter através do seminal álbum “Laurel Canyon”.
Alguns destes temas surgiram mais tarde em álbuns de Jackie
DeShannon ( “Nicole” em “Me About You” ), outros como “Effervescent Blues” foi
lado B do single “The Weight” e “Children & Flowers” foi usado pelos The
Critters em “Younger Girl”. A maioria no entanto permaneceria inédita até “Love Forever”.
Suspeitamos que uma larga faixa de artistas ambicionaria que
os seus produtos finais ombreassem com a qualidade aqui patenteada por DeShannon.
03/11/25
Trimdon Grange Explosion "Dreams Buried Under The Sea"
Oito anos após um primeiro álbum homónimo e vinte após o fabuloso
trabalho da banda progenitora – The Eighteenth Day Of May – os Trimdon Grange
Explosion regressam com “Dreams Buried Under The Sea”.
Trata-se de uma espécie de espelho sonoro que nos conduz a imagens
de um pretérito quase perfeito onde o eixo The Byrds / Big Star / R.E.M. removia
os destroços do pós-punk e do synth-pop.
Porque “Dreams Buried Under The Sea” é mesmo isso, uma montra
sonora que tendo algo de nostálgico, não se esgota naquela matriz.
Atente-se em “World turning round”, a abrir. No evoluir do
tema é difícil não rever mentalmente “Murmur”, imediatamente antes da canção
explodir num mar de guitarras fuzz.
O jingle-jangle de “September Falls” evoca The Byrds enquanto
“Swim on your back in the water” traz à memória os Wolf People de Jack Sharp e P.G.
Six de Pat Gubler, outros dois expatriados do eixo acima citado.
A fechar “As the world rises to fall”, competente e
obviamente cúmplice do Neil Young de “Harvest”.
“Dreams Buried Under The Sea” está para além deste tempo. Ostenta
um charme muito próprio e, talvez por isso, não é expectável que venha a frequentar
as famigeradas listas dos melhores do ano.
Nada que surpreenda e muito menos incomode o Atalho. Como já
alguém afirmou: "a história está pejada de exemplos de maiorias que não tiveram
razão".
19/09/25
"When Will They Ever Learn? A Story of U.S. Folk Music 1963-1969"
06/04/25
"Jingle Jangle Morning, The 1960s U.S. Folk-Rock Explosion"
31/03/23
Heroes are hard to find ( 96 )
17/06/22
"Heroes and Villains, The Sound of Los Angeles 1965-68"
Existem diversas compilações ilustrando a música feita em Los
Angeles no período áureo dos 60s, quando o respectivo paradigma artístico
rivalizava com a mais florida e etérea cena de São Francisco.
Uma das mais aturadas e criteriosas é “Where The Action is!
1965 Los Angeles Nuggets 1968” datada de 2009 e produzida pelos insuspeitos
Andrew Sandoval, Alec Palao e Cheryl Pawelski.
Mas o tema, longe de ser consensual, seja do ponto de vista
musical, histórico ou sociológico, presta-se sempre a revisitações e,
dependendo do curador, umas mais conseguidas que outras.
A mais recente dá pelo nome de “Heroes and Villains, The Sounds of Los Angeles 1965-68” e tem a marca competente e diferenciada do historiador David Wells.
E se “Where the Action is!”, à data incluindo apenas 3 temas
inéditos ( Stephen Stills & Richie Furay, Tim Buckley e Tommy Boyce &
Bobby Hart ), era uma espécie de parente próximo da lendária criação de Lenny
Kaye “Nuggets, Original Artyfacts from
the First Psychedelic Era 1965-1968”, “Heroes and Villains”, longe de descurar
os inéditos ( 16 num total de 90 títulos ) procura enquadrar a criação musical
nos acontecimentos históricos e artísticos que a cidade e arredores ( Laurel
Canyon sobretudo ) viviam na época:
“Before 1969, my memories were nothing but fun and
excitement and shooting to the top of the charts and loving every minute of it.
The Manson murders ruined the LA music scene. That was the nail in the coffin
of the freewheeling, let’s get high, everybody welcome, come on in, sit right
down. Everybody was terrified. I carried a gun in my purse. And i never invited
anybody over to my house again” ( Michelle Phillips, The Mamas and The
Papas ).
Ademais e concretizando: onde será possível encontrar as esquizofrénicas composições de Captain Beefheart e Mothers of Invention? Ou uma versão de “Windy” pela respectiva autora (Ruthann Friedman), um ano após o tema ter resgatado os Association do anonimato? Ou um inédito dylanesco, “The Wind Blows Your Hair por uns insuspeitos The Seeds? Ou um outro inédito e percursor “Computer Girl” gravado em 67 pelos Urban Renewal Project liderados por um jovem Russ Mael que anos mais tarde os Sparks imortalizaram? Ou um “Long time” escrito por Gene Clark e oferecido aos Rose Garden? Ou uma primeira versão de “Why” de David Crosby gravada pelos Byrds nos estúdios de RCA em Sunset Boulevard e cujas fitas foram recusadas pela Columbia, que obrigou a banda a regravar o tema nos seus próprios estúdios? Ou ainda uma versão de “Road to Nowhere” assinada pela dupla Goffin/King e interpretada pelos Hearts & Flowers uma das primeiras bandas de Bernie Leadon?
Poderíamos sempre continuar pois o filão não apenas parece; é verdadeira e compulsivamente inesgotável. “Heroes and Villains” é por isso uma edição marcante. Vai muito para além do tempo que os seus 90 temas demoram a escutar. As enciclopédicas notas que ilustram cada um deles, obrigam-nos a parar e a verificar cada detalhe, cada informação aduzida. Muita da qual, sobranceiramente afinal, julgávamos já conhecer.
Numa palavra: puro serviço público!
29/05/21
Richard Thompson "Beeswing"
Há muito que o homem é credor da
admiração do Atalho. Mas depois de ler isto:
“In Fairport we loved the
response to the Beatles by bands such as the Byrds, the Left Bank and the Lovin’
Spoonful. The great singer-songwriters, like Dylan, Cohen, Ochs and Mitchell,
were our true inspitation, as were the Band, with their blend of roots styles that
were so familiar to us from records. All around the world, people had grown
cynical about American politics, but they loved american music – especially the
blues and country music of the Southern poor and the tougher, electrified
sounds of the urban disillusioned and disenfranchised.”
Ou, sobretudo, depois disto: “Later that year
( 1968 ), Sandy ( Denny ) and I received invitations in the post to Paul
McCartney’s birthday party. It shows how
much of a musical snob I was at the time that I decided not to go – to me, the
Beatles were a ‘pop’ band and not to take seriously.”
Rapidamente o estatuto passou de
admirado a venerado.
Um pouco mais a sério: “I saw
Bert ( Jansch ), Davey ( Graham ) and Martin ( Carthy ) all play around this
time ( 1968 ). There is nothing like seeing someone live and not quite grasping
what they are doing, If you understand it, you might just try to copy it; not
understanding might lead you to experimente and maybe arrive at something diferente
and original. I’m glad i didn’t just slavishly copy any of them, or I might
never have crawled out from under their influence.”
E, com isto, fica tudo ou
praticamente tudo dito, acerca da personalidade e talento deste verdadeiro tesouro
vivo da música britânica.
“Beeswing, Fairport, Folk Rock and finding my voice 1967-75” escrito com a ajuda de Scott Timberg, é um livro essencial não apenas para os convertidos, mas acima de tudo para aqueles outros que conhecem menos bem um dos períodos mais fulcrais e estimulantes da música das ilhas britânicas.
Época renascentista, quase arriscaria
a escrever. Acrescentando sem grande risco de falhar que, depois de “Whyte Bicycles”
de Joe Boyd e do que se espera vir a ser a biografia definitiva de Nick Drake (
a ser preparada por Richard Morton-Jack ), este é um dos mais completos e
coerentes testemunhos da época.
Todas as pedras são reviradas e
nada fica por contar. Como nasceram, cresceram, viveram e “morreram” os
Fairport Convention ( e os Fotheringay já agora ); a forma como foram escritos
e gravados os grandes temas; a personalidade
e carácter dos vários talentos que foram passando pela banda; os inevitáveis
choques de egos; as amizades e cumplicidades que perduraram independentemente dos
caminhos futuros.
Por último a fase da conversão ao sufismo, a ligação familiar e profissional a Linda Peters ( Thompson ), os discos que enquanto Richard & Linda Thompson gravaram entre 1974 e 1979 …
Um testemunho absorvente a que a
plenitude e rigor cronológico dos detalhes não são seguramente alheios.
Nota: Aconselha-se vivamente
manter por perto todos os álbuns. Com cansativa regularidade, torna-se
necessário interromper a leitura para ir escutar ( conferir ) muito do que é referido.
07/04/19
Artefactos ( 89 )
03/12/18
Artefactos ( 85 )
09/09/18
Fairport Convention & Friends "A Tree with Roots, The Songs of Bob Dylan"
13/08/18
Gene Clark "Sings for You"
14/03/18
11/03/17
Gene Clark "The Lost Studio Sessions 1964-1982"
23/05/16
"Wayfaring Strangers: Cosmic American Music"
07/04/16
Gene Clark "The Lost Studio Sessions"
No entretanto o carteiro tocou, uma vez ( nunca toca duas ), e deixou na caixa do correio um pacote com um belíssimo CD-EP ( Bonus Acoustic CD ) que integra: "The Virgin", "She's the kind of girl", "1975" e "One in a hundred".
Se o que "The Lost Studio Sessions" trouxer for pelo menos tão bom como estas quatro maquetas originais, vale a pena a espera. Qualquer espera.
E fica sempre bem receber um "Official Acknowledgement of Receipt" da editora que está a tratar do assunto. Ou, como diz frequentemente um velho amigo: "a eles não lhes custa nada e a mim sabe-me bem".











































