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09/05/25

Richard, Cam & Bert "Somewhere in the stars"

 


1968, Greenwich Village, Nova Iorque. Richard Tucker, Campbell Bruce e Bert Lee, formam uma banda a qual titulam Richard, Cam & Bert.

Cantores veteranos do Central Park e das ruas MacDougal e Bleecker, colaboraram regularmente com Fred Neil, Tim Hardin e Karen Dalton ( à época casada com Tucker), tendo actuado amiúde nos conhecidos Gaslight Cafe, Village Underground ou Olive Tree Cafe.

Daí até gravarem para a Trilogy Records o hoje esquecido e menosprezado álbum “Private Pressing ( 1970 ) foi um pequeno passo.

Previamente, meados de 1969, o trio frequentara os Peer-Southern Studios gravando um conjunto de demos exploratórias cujo objectivo, entre outros, seria produzir material/canções passíveis de serem vendidas a outros artistas. Alguns desses temas acabaria regravados para “Private Pressing”; a maioria porém permaneceu inédita.



Somewhere in the stars”  recupera o resultado daquelas sessões, permitindo o contacto com as primeiras gravações do grupo.

A atmosfera é rústica e descontraída. No conjunto, os 13 títulos soam  francamente agradáveis e, a espaços, inspiradores.

As raízes e influências estão todas lá: “Sweet Mama”, uma versão do tema de Fred Neil; “Sleeping in the garden” escrita a meias entre Tucker e Karen Dalton; “Are you leaving for the country” outra canção de Tucker repescada em 1971 por Karen Dalton para o seu álbum “In my own time”.

Para além destas, refiram-se ainda os coloquiais “Sitting in the kitchen” e “My health is failing me Baby” mas, sobretudo, o tocante “One of these first nights”, um título de Campbell Bruce a merecer ser resgatado da penumbra que o reteve mais de meio século.



( Richard Tucker e Karen Dalton )

Os incondicionais de Tim Hardin detectarão em “Somewhere in the stars” ecos que lhes parecerão familiares. Faz todo o sentido; enquanto juntos Tucker e Dalton formaram um trio com o compositor originário do Oregan, tendo realizado diversas actuações.

Tudo somado, uma muito interessante curiosidade histórica.

11/08/15

"Remembering Mountains, Unheard Songs by Karen Dalton"




Poderia ter sido a Billie Holiday do folk-blues. Porém, uma série de equívocos e más opções deitaram tudo a perder.

Quando faleceu em 1993, Karen Dalton encontrava-se só e doente, apoiada apenas por alguns amigos e colegas. A sua voz nunca foi consensual mas a consistência do canto denunciava um talento inato que se expressaria nos dois álbuns ( “It’s so hard to tell who’s goung to love you the best” e “In my own town” ) que gravou no inicio dos 70s. Frágeis, melancólicas e sensíveis, as interpretações de Dalton brotavam-lhe da alma, mas nunca atingiram o coração do público.

Ficou o culto, que não tem parado de crescer. “Remembering Mountains, Unheard Songs by Karen Dalton  é o tributo que nasceu a partir da descoberta de um conjunto de letras escritas mas nunca musicadas pela autora. O projecto foi, tudo aponta nesse sentido, desenhado em função do paradigma Karen Dalton.

Sharon Van Etten, Lucinda Williams, Julia Holter, Isobel Campbell, Marissa Nadler, Larkin Grimm ou Tara Jane O’Neil, desde as melodias que escreveram para os textos de Dalton até à forma como os interpretam, tudo fazem para alcançar aquele desiderato.

O tema título, tratado por Van Etten, é brilhante; Williams, Nadler e O’Neil estão iguais a si próprias, seguras e inspiradas.

A homenagem fica-lhe bem, mas Karen Dalton tinha mais qualquer  coisa. Algo que só  encontramos nas profundezas do seu canto.