06/01/15
A Winged Victory for the Sullen "Atomos"
18/09/14
A Winged Victory for the Sullen "Atomos VII"
04/04/12
Dustin O'Halloran "Lumière"

A par da banda sonora de “Sarah’s Key” da autoria de Max Richter, o cd homónimo dos A Winged Victory for the Sullen terá sido um dos melhores momentos de 2011. De facto, o opus do duo Adam Wiltzie ( Stars of the Lid ) / Dustin O’Halloran constitui um dos registos mais belos e arrojados que a música experimental / ambiente ( vamos chamar-lhe assim para simplificar ) produziu no ano transacto.
E de tal forma assim foi que um outro extraordinário registo “Lumière” , assinado a solo precisamente por Dustin O’Halloran quase, repito quase, passou para um plano secundário. Escrito, arranjado e produzido pelo próprio, “Lumière” segue por uma via que mescla o clássico, a vanguarda e o ambiente, sempre bordejado por uma tonalidade sépia que se nos cola à pele e à mente, numa leitura quase perfeita de muitos dos sentimentos e estados de espírito de que são feitos hoje os nossos quotidianos . A tristeza e a melancolia têm por vezes facetas belíssimas e os 9 temas deste cd são a melhor prova disso mesmo. “Bonjour Tristesse”, diria com toda a propriedade Françoise Sagan.
Destacar peças seria desapropriado e porventura subjectivo ( cada um de vós irá lê-las de acordo com o momento e sensibilidade respectivos ), pelo que a opção é sugerir o conjunto, se possível o objecto físico, o artefacto. Um conjunto harmonioso onde significativamente também constam entre outros, os nomes de outros tantos visionários como Nils Frahm, Adam Wiltzie e Peter Broderick.
20/09/11
A Winged Victory for the Sullen "S/t"

A chamada “ambient music” funciona como uma espécie de albergue espanhol que serve para tudo acomodar. O que se sente, o que não se sente, e tudo o resto: o que não se sabe muito bem onde guardar. Trate-se da “music for airports” de Brian Eno, da “kosmische musik” germânica, da “lounge music”, da “elevator music”, de algumas das franjas da música de vanguarda …, whatever.
O Atalho tem um fraquinho pela música feita de grandes paisagens cósmicas ( “kosmische musik” se quiserem, e apenas para afastar o chavão “ambient” ) e respectivos sucedâneos onde, salvo melhor opinião, os norte-americanos Stars of the Lid se enquadram.
Em licença sabática dos Stars, Adam Wiltzie reuniu-se com o compositor Dustin O’Halloran e em conjunto deram corpo ao projecto A Winged Victory for the Sullen ( o nome em si mesmo é já peculiar), cujo CD de estreia circula já por aí.

De uma beleza indescritível, embrulhado em delicados mantos de lirismo, o álbum homónimo da dupla Wiltzie/O’Halloran alimenta-nos o espírito, transporta-nos para paisagens inóspitas e a mim, particularmente , convocou-me as mais gratas memórias de Brian Eno , Klaus Schulze, Pink Floyd ( período 1968 / 1971 bem entendido), Windy & Carl, Hammock, Eluvium e, naturalmente, Stars of the Lid. Constituído por sete peças instrumentais, “A Winged Victory for the Sullen” é um daqueles projectos onde é difícil colocar as palavras certas, sendo que cada um “de per si”, de acordo com a respectiva sensibilidade, experiência e/ou memória, o sentirá de outra forma. “Beleza sensorial” será porventura a mais consensual das imagens que me ocorre neste momento. Quem sabe amanhã ou depois, a emoção despoletada não seria de índole diversa. Não deixem de procurar escutar … Em silêncio!



