“It’s as if the songs are written already, and they’re in the
air, and i have to be in the right mood to get them. Sometimes the first line i
make up will be the last line. It’s like a jigsaw, really” ( Duncan Browne, 1972 )
Responsável por dois dos mais belos registos do pop barroco
inglês – “Give me take you”, 1968 e “Duncan Browne”, 1973 – o prodigiosamente
talentoso Duncan Browne nunca recebeu em vida o reconhecimento que as suas
criações, julgamos nós, mereciam.
Entre o primeiro álbum na Immediate e a publicação do segundo
na RAK, decorreram cinco anos; uma eternidade na época.
Durante esse período Browne compôs, sabe-se agora, cerca de
uma centena de canções. A maioria foi domesticamente gravada em diversos acetatos:
voz, piano e guitarra, apenas. No fundo, o necessário para que as canções se
perpetuassem.
Localizados junto da família, os referidos acetatos deram agora
origem a “Jigsaw”, uma edição que acomoda catorze demos escolhidas entre as
dezenas de canções que Browne compôs e registou no período acima.
O critério para a escolha dos temas constitui responsabilidade
dos editores: “this album contains fourteen melodic and poignant demos he made throught
that period, as he sought another record deal. They have been transferred from
acetates and are released here for the first time, in the best possible sound
quality.”
Três dos temas – “My Only Son”, “Cast No Shadow” e “My Old
Friends” – foram recuperados e rearranjados por Browne para o álbum da RAK,
enquanto uma versão de “Ressurrection Joe” surge como bónus track na reedição CD
de “Give Me Take You” em 2000.
Não obstante, no conjunto destas catorze demos, quer lírica quer
musicalmente, existe matéria mais do que suficiente para preencher de
sensibilidade e prazer os fins de tarde de outono que se aproximam.
Tentem, por exemplo, escutar “Evangeline”, “Maggie” ou “Dear
Life”.
















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