18/10/26
Lost Nuggets ( 217 )
09/10/26
Duncan Browne "Jigsaw"
“It’s as if the songs are written already, and they’re in the
air, and i have to be in the right mood to get them. Sometimes the first line i
make up will be the last line. It’s like a jigsaw, really” ( Duncan Browne, 1972 )
Responsável por dois dos mais belos registos do pop barroco
inglês – “Give me take you”, 1968 e “Duncan Browne”, 1973 – o prodigiosamente
talentoso Duncan Browne nunca recebeu em vida o reconhecimento que as suas
criações, julgamos nós, mereciam.
Entre o primeiro álbum na Immediate e a publicação do segundo
na RAK, decorreram cinco anos; uma eternidade na época.
Durante esse período Browne compôs, sabe-se agora, cerca de
uma centena de canções. A maioria foi domesticamente gravada em diversos acetatos:
voz, piano e guitarra, apenas. No fundo, o necessário para que as canções se
perpetuassem.
Localizados junto da família, os referidos acetatos deram agora
origem a “Jigsaw”, uma edição que acomoda catorze demos escolhidas entre as
dezenas de canções que Browne compôs e registou no período acima.
O critério para a escolha dos temas constitui responsabilidade
dos editores: “this album contains fourteen melodic and poignant demos he made throught
that period, as he sought another record deal. They have been transferred from
acetates and are released here for the first time, in the best possible sound
quality.”
Três dos temas – “My Only Son”, “Cast No Shadow” e “My Old
Friends” – foram recuperados e rearranjados por Browne para o álbum da RAK,
enquanto uma versão de “Ressurrection Joe” surge como bónus track na reedição CD
de “Give Me Take You” em 2000.
Não obstante, no conjunto destas catorze demos, quer lírica quer
musicalmente, existe matéria mais do que suficiente para preencher de
sensibilidade e prazer os fins de tarde de outono que se aproximam.
Tentem, por exemplo, escutar “Evangeline”, “Maggie” ou “Dear
Life”.
03/10/26
Jardins do Paraíso ( 93 )
Matthew Katz é, à luz da história, uma personagem.
Figura incontornável ( como é corrente agora dizer-se ) da
cena cultural californiana do final dos 60s, entre várias outras actividades
mais ou menos polémicas, algumas das quais deram origem a processos que se
arrastaram durante décadas nos tribunais ( vidé caso Moby Grape ), fundou a editora
independente San Francisco Sound. E, nem que seja por isso, merece ser recordado.
Originalmente publicada a 15 de Novembro de 68, a compilação “Fifth Pipe Dream
Vol I” foi o primeiro álbum da editora de Katz.
Integrava temas das bandas californianas It’s A Beautiful
Day, Tripsichord Music Box, San Francisco Sound House Band ( vulgo Marcus Uzilevsky
), West Coast Natural Gas e Black Swan, todas agenciadas por Matthew Katz.
Objecto de reedições ilegítimas durante décadas, “Fifth Pipe Dream” conheceu
recentemente a edição oficial que em definitivo lhe faz justiça.
Não apenas porque recupera a edição original, mas também ( ou
sobretudo ) por que lhe acrescenta o “Volume II”, onde para além de disponibilizar
mais títulos inéditos das bandas já referidas, acrescenta dois temas de uma
outra: Phananganang.
A juntar a tudo isto um magnífico encarte de doze páginas, onde a partir da
figura de Katz e do legado das bandas atrás mencionadas, se conta a história de
uma das páginas mais gloriosas da música californiana.
24/09/26
"A Strange Light From The East, Eastern Influenced Western Music 1965-72"
15/09/26
Jardins do Paraíso ( 92 )
04/09/26
Jardins do Paraíso ( 91 )
Orange County, Califórnia, 1970.
Seguramente ofuscada pela projeccão e estatuto de alguns dos
seus colegas singer-songwriters ( Tim
Buckley, Judee Sill, Jackson Browne, Joni Mitchell … ), Kathy Smith não logrou
nunca almejar o patamar de sucesso compatível com o seu talento. E, neste
aspecto, nem uma participação no festival da Ilha de Wight em 1970 logrou
ajudar.
Não obstante gravou para a Stormy Forest de Richie Havens
dois álbuns cuja obscuridade caminha paredes meias com o talento da autora.
O segundo, prosaicamente titulado de “2”, data de Novembro de
1971 e acaba de receber a primeira reedição oficial.
É um disco belíssimo, simultaneamente arrojado e intimista. O
intimismo não espanta, constituía a marca de água dos singer-songwriters; o
arrojo por sua vez, radica numa inovativa fusão entre o folk psicadélico e o
jazz.
As canções são maioritariamente escritas por Kathy Smith. A
par destas, estão também presentes temas de Jimmie Spheeris ( a conferir o seu magnífico
“Isle of View”, onde o tema “Seven Virgins” surge também ), Jackson Browne ( “It’s
taking so long” constitui a única versão oficialmente editada do tema ) e de
Pamela Polland ( que entre muitos outros escreveu “Tulsa County Blue” para os
Byrds de “Ballad of Easy Rider” ).
Alguns dos músicos, parte deles ainda ilustres desconhecidos
na época, davam pelos nomes de Jan Hammer, Tony Levin, Don Alias, Warren
Bernhardt, Jimmie Spheeris ou Jeremy Steig.
Tudo dito, ou quase. Faltará apenas referir que a reedição inclui dois trechos
inéditos: uma demo de “For Emily” da própria Kathy Smith e uma versão frugal de “Hang On To A Dream” de Tim Hardin.
20/07/26
Lost Nuggets ( 216 )
- "Amongst Anenomes"
- "Raven"
-"Fly On Strangewings"
- "Mayfly"
- "Alan's Song"
- "Bad Magic"
- "Clippership"
- "Five Of Us"
- "Reflections On a Harbour Wall"
- "Mrs. Adams"
- "Fly Me To The North"
- "Away From The Family"
Arranjos de Phil Dennys
Design de Jon Miller e Jim Goff
Fotos de Barry Wentzell
14/07/26
Marianne Segal "The Gathering"
Uma das falhas do Atalho, entre muitas outras, prende-se com
o facto de nunca ter feito qualquer menção ao Jade ( ou Silver Jade para o
mercado americano ) um trio de folk rock britânico onde para além de Ron
Edwards ( ex-Picadilly Line e ex-Edwards Hand ) e David Waite pontificava a voz
e o talento de Marianne Segal.
Vem esta introdução a propósito da programada edição de “The
Gathering”, álbum onde Marianne Segal conta com a participação dos vetustos e semi-obscuros
Circulus.
Na verdade, a anunciada publicação da Fruits de Mer mais não
é do que a reedição de um CD lançado em 2007 pela própria e então objecto de uma
edição limitada a 500 exemplares.
Por via disso, voltei a “The Gathering”, quase duas décadas volvidas.
Composto na totalidade por Marianne, o álbum possui aquela
rara beleza que os predestinados frequentemente conferem às suas criações. Concebido
e ancorado neste milénio, e aqui e ali invadindo sonoridades comuns ao rock, “The
Gathering” é no seu todo um disco belíssimo.
A autora não perdeu a antiga sensibilidade rural ( de que as
canções que integram “Fly on Strangewings” dos Jade são disso a melhor evidência
), bucólica por vezes. Só que agora adiciona-lhe a experiência e a sabedoria adquirida
ao longo de quatro décadas.
“September Song”, “Saints of Tapestry”, “Sussex downs”, inclusive o compassado “Root
People”, são canções que facilmente nos ocupam a memória, mesmo a selectiva.
Em suma, regressar a “The Gathering” foi uma experiência
reconfortante. Tal como o foi relembrar um belíssimo “Little Lucy”, o “tema
escondido” do CD.
06/07/26
Lost Nuggets ( 215 )
02/07/26
Leituras
15/06/26
13/06/26
Jardins do Paraíso ( 90 )
06/06/26
Artefactos ( 145 )
20/05/26
Lost Nuggets ( 214 )
Fotos de Marcel Fugère

















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