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24/10/16

Nudity "Is God's Creation"



Originários de Washington, em 2008 os Nudity publicaram “The Nightfeeders”. Um  disco extraordinário em devido tempo aqui referido no Atalho e que mutava géneros tão diversos como o krautrock, o heavy militante dos MC5, a “guerrilha urbana” dos Hawkwind, os sit-ins psicadélicos de São Francisco ou o cinzento de Manchester tal como Ian Curtis o pintou.

“Is God’s Creation” não é exactamente um alinhamento de novidades, antes uma compilação que agrega temas retirados das primeiras gravações em CDr, canções inéditas e registos dispersos de palco.

Mente aberta precisa-se, pois a paleta de géneros e influências cresceu consideravelmente. A saber:  New York Dolls, Comets on Fire, Buzzcocks, Sonic’s Rendez-Vous, Blue Cheer… são alguns dos nomes que nos chegam da memória.

Um desafio amplo e exigente, como facilmente se percebe, “Is God’s Creation” não será para todas as horas, mas é seguramente um disco para muitos anos.

19/04/16

Dead Sea Apes "Spectral Domain" / Mugstar "Magnetic Seasons"


 

Do eixo Manchester / Liverpool acabam de chegar os novos Dead Sea Apes e Mugstar: “Spectral Domain” e “Magnetic Seasons” respectivamente.
Do trio mancuniano espera-se o “drone”, suportado por uma secção rítmica de betão, sobre a qual evoluem as espirais da guitarra de Brett Savage. Desde 2011 que os Dead Sea Apes vêm colecionando trabalhos importantes, através de uma linguagem aparentemente monolítica mas de janelas abertas para o pós-rock. A tudo isto adicionam um experimentalismo que os diferencia de todos os outros.
“Spectral Domain”, como era previsível, transporta toda aquela tensão que emerge do confronto da guitarra com o baixo teutónico, deixando à bateria o ónus de colar os cacos. A novidade são porém os sintetizadores. Presença até aqui pouco habitual, surgem na peça de abertura “Universal Interrogator”, conferindo uma ainda maior textura a uma sonoridade já em si densa. Em crescendo e já vão no terceiro álbum.


Mais próximos da kosmische musik e da “urban guerrilla” inventado pelos Hawkwind, os Mugstar utilizam a fórmula para criar paisagens sonoras que oscilam entre o épico e o contemplativo. Umas e outras, cada uma a seu modo, são absolutamente aditivas. Ao quinto lp de originais – “Magnetic Seasons” - começa a não ser fácil inovar, mas as tão peculiares densidade e intensidade, permanecem aqui tão presentes como recomendáveis.