Mostrar mensagens com a etiqueta Alison O' Donnell. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alison O' Donnell. Mostrar todas as mensagens

21/07/17

Alison O' Donnell "Climb Sheer the Fields of Peace"



Uma “dubliner” de gema, Alison O’Donnell  não carece de apresentações.
Desde 1972 que “Swaddling Songs”, com os Mellow Candle constitui o seu eterno cartão de visita. Recentemente, emprestou a voz e acrescentou carisma a projectos alternativos como United Bible Studies ou Owl Service.
Acabado de publicar “Climb Sheer the Fields of Peace” é o regresso aos álbuns solo, um espaço que a cantora não frequenta amiúde.
Construído a meias com David Colohan ( United Bible Studies, Agitated Radio Pilot, Raising Holy Sparks ), o disco, como seria de prever face aos intervenientes, casa o folk com a electrónica e de caminho lança desafios novos. A quem o fez e a quem o escuta. Não inventa a roda, mas também não desilude. E a voz de O’Donnell posiciona-se bem, por cima dos subtis arranjos electrónicos de Coloham.

29/12/15

United Bible Studies "The Ale's what cures ye - Traditional songs from the British Isles"



Há anos que o colectivo mutante United Bible Studies percorre os roteiros ancestrais da música das ilhas  britânicas. Com um pé na Irlanda natal outro na Inglaterra rural, David Colohan, Michael Tanner e Richard Moult deambulam pela tradição, estudam-na criteriosamente e em seguida adicionam-lhe uma perspectiva moderna.

 “The Ale’s what cures ye – Traditional Songs from the British Isles” é mais um delicioso entalhe numa obra que principiou a ser esculpida em 2001. Contando entre outros com a colaboração de Sharron Kraus, Alison O’Donnell e Alison Cotton, neste novo álbum, os UBS ficam a um pequeno passo de atingir a perfeição.

“The Ale´s what cures ye” é um disco de rara, dilacerante, beleza. Resultado de uma escolha tudo menos óbvia, as canções projectam-se numa tela pintada por silêncios cúmplices. Décadas, séculos de melodias antigas, desfilam envoltos em sons do presente, estimulando a curiosidade e potenciando o exercício da comparação.

“Farewell Nancy”, “Sullivan’s John”, “The sweet streams of Nancy”, “The recruited collier”, “Twa Corbies”, “Waiting for another day”… Martin Carthy, Sweeney’s Men, Anne Briggs, Nic Jones, Tim Hart & Maddy Prior já passaram por elas em tempo, porém o que os United Bible Studies agora lhes aportam é algo de quase definitivo. Um dos álbuns mais bonitos do ano.

12/11/08

Alison O' Donnell "Day is done/Frozen warnings"


Muita água correu debaixo das pontes desde que a adolescente Alison Bools deixou o Holy Child Convent School em Dublin para integrar os Mellow Candle com os quais, já em Londres, gravou “Swaddling Songs”. Ancorado na mitologia irlandesa, trata-se de um álbum de folk progressivo do qual não sou particular entusiasta mas que inegavelmente possui o seu charme e, mais importante, uma legião de apreciadores; designadamente coleccionadores que confrontados com a ultra raridade do disco original, depressa o transformaram numa espécie de Santo Graal.

Por razões várias Mellow Candle não vingou. Alison partiu para a África do Sul onde formou os Fibbertigibbet com os quais gravou alguns álbuns. Mais tarde, já nos anos 90, voltaria à Europa, envolvendo-se em projectos de inspiração celta (Eishtlinn), jazz (Earthlings) ou exclusivamente vocal (Oeda), opções interessantes mas quase sempre inconsequentes.



( Mellow Candle, 1972 )

Recentemente, os mais jovens artesãos do neo-folk britânico, na impossibilidade de trazerem Shirley Collins - a sua musa inspiradora -, de volta às gravações (anos atrás, Collins perdeu as extraordinárias capacidades vocais que fizeram dela um mito e uma figura de culto), voltaram-se para Alison, agora O’Donnell, que utilizam como uma elo de ligação entre o glorioso passado do folk britânico que pretendem recuperar e o presente.

Só no último ano, Alison já cantou em projectos de Steven Collins/The Owl Service (“The Fabric of Folk” foi já aqui comentado no Atalho ), Agitated Radio Pilot, United Bible Studies e Greg Weeks, de quem o novo “Sheer Cliff off Elka Park” se anuncia para breve.

Na vertente solo, Alison O’Donnell aceitou o convite da Fruits de Mer para gravar um single que a editora americana acaba de publicar numa edição limitada e em vinil colorido. Os dois temas são versões de “Day is done” e “Frozen warnings”.



“Frozen warnings” constituiu uma escolha arriscada e resulta num tiro completamente falhado. Temo que ainda estejam para nascer aqueles que serão capazes de suplantar a intensidade dramática e a beleza glacial que emergem da voz de Nico e dos arranjos de John Cale no original de “The marble index”. Quando comparada com a cantora alemã, a estrutura vocal de Alison O’Donnell ganha em cor e afectividade; logo, sente-se desconfortável num tema tão espartano e gélido como é “Frozen warnings”.

Ao contrário, “Day is done” revela-se um aposta sensata. A voz move-se francamente mais à vontade nos labirintos líricos e espaços melancólicos habitados por Nick Drake no original de “Five leaves left” . “Day is done” terá aqui uma das interpretações mais optimistas e luminosas que a canção de Drake permite.

16/09/08

The Owl Service "The bitter Night EP" e The Owl Service and Allison O' Donnell "The Fabric of Folk"

Um dos projectos favoritos do Atalho no campo do neo-folk britânico, os Owl Service de Steve Collins têm tido um excelente ano em 2008. As datas avançadas para concertos são cada vez mais frequentes e as edições musicais , particularmente as de carácter semi-privado, escoam ainda antes da respectiva publicação.

De há muito esgotada, a primeira e limitada edição de “A garland of song” ( já aqui abordada ) conheceu muito recentemente a sua primeira reedição. Foi objecto de reavaliação áudio, tendo também a capa recebido um novo grafismo.


Por seu turno, “The bitter night”, uma incursão no vinil, acaba de ser publicado. Revestindo a forma de um velho EP com capa de cartolina, o registo propõe três temas novos e uma recuperação.

As razões que conduziram a que, por exemplo, “A lyke wake dirge” ficasse de fora de “A garland of song” são óbvias: o tema soa como se os Velvet Underground procurassem reproduzir a sonoridade Pentangle; um desafio que não casava de todo com a atmosfera bucólica do primeiro CD. “The stone bequest” e “The church grim” são por seu lado, duas pequenas peças instrumentais que se encaixam nas atmosferas negras e esotéricas herdeiras da tradição folk pagã. Finalmente “Fine Horseman”, a recuperação, experimenta aqui uma nova abordagem de Steven Collins, depois de uma primeira versão no single “Wake the vaulted echo”. Um original de Lal Waterson, “Fine Horseman” foi oferecido a Anne Briggs que o cantou em “The time has come” e, mais adiante, recuperado por Lal & Mike Waterson em “Bright Phoebus”, um dos discos lendários do folk inglês.


Neste EP Steven Collins revê a sua própria versão. Retira-lhe as cordas, alguma contemporaneidade, ao mesmo tempo que utiliza a magnífica voz de Nancy Wallace para se aproximar da paisagem e atmosfera perfeitas que resultavam da interpretação de Briggs em 1971.

Mas, como se o que está para trás não fosse já suficiente, existe ainda “The Fabric of Folk”, uma colaboração com Alison O’ Donnell (co-vocalista dos irlandeses Mellow Candle, cujo álbum “Swaddling Songs” de 1972 foi objecto de recente reedição).


Integrando cinco temas, dois tradicionais, dois originais e um pequeno interlúdio assinado por Collins, “The Fabric of Folk” afasta-se do até aqui habitual acid-folk estruturante em Owl Service, coloca em stand-by as influências inglesas (Fairport, Shirley Collins, Albion Band) e estabelece novas pontes musicais e temáticas com a herança irlandesa ( ao escutar os tradicionais “William & Earl Richard’s daughter” ou “Flodden field”, regressa à memória “Backwoods” de Gay & Terry Woods ou as canções épicas dos dublinners Sweeney’s Men ), o que apesar de constituir uma variante surpreendente, não é uma má notícia.

Aos ambientes sépia típicos em Collins, são agora adicionados: o colorido que emerge da voz calorosa de Alison e o mistério associado aos temas que se inspiram nas lendas e mitologias da Irlanda. Por tudo isto, “The Fabric of Folk” é francamente recomendável e pode muito bem vir a significar um marco nos percursos até aqui díspares de Alison O’ Donnell e Steven Collins.