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08/11/25

Lost Nuggets ( 209 )



The Eighteenth Day Of May "S/t" ( Hannibal/Transistor HNCD 1496 ) UK, CD, 2005

- "Eighteen Day"
- "Sir Casey Jones"
- "The Highest Tree"
- "Deed I Do" ( Bert Jansch )
- "Hide + Seek"
- "Twig Folly Close"
- "Lady Margaret" ( Tradicional )
- "Cold Early Morning"
- "Monday Morning's No Good Coming Down"
- "The Waterman's Song To His Daughter"
- "Flowers of the Forest" ( Tradicional )
- "The Mandrake Screams"

The Eighteenth Day Of May: Allison Brice ( voz, flauta, dulcimer ), Ben Phillipson ( voz, guitarra e bandolim ), Mark Nichols ( guitarras baixo e solo ), Richard Olson ( cítara, harmónica e guitarra ), Karl Sabino ( bateria e percussão ) e Allison Cotton ( viola )

Canções: The Eighteenth Day Of May, excpeto as indicadas

Produção de Andy Dragazis e The Eighteenth Day Of May

Capa: design de Jimmy Young, foto de Brian Stevens 

03/11/25

Trimdon Grange Explosion "Dreams Buried Under The Sea"

 


Oito anos após um primeiro álbum homónimo e vinte após o fabuloso trabalho da banda progenitora – The Eighteenth Day Of May – os Trimdon Grange Explosion regressam com “Dreams Buried Under The Sea”.

Trata-se de uma espécie de espelho sonoro que nos conduz a imagens de um pretérito quase perfeito onde o eixo The Byrds / Big Star / R.E.M. removia os destroços do pós-punk e do synth-pop.

Porque “Dreams Buried Under The Sea” é mesmo isso, uma montra sonora que tendo algo de nostálgico, não se esgota naquela matriz.

Atente-se em “World turning round”, a abrir. No evoluir do tema é difícil não rever mentalmente “Murmur”, imediatamente antes da canção explodir num mar de guitarras fuzz.

O jingle-jangle de “September Falls” evoca The Byrds enquanto “Swim on your back in the water” traz à memória os Wolf People de Jack Sharp e P.G. Six de Pat Gubler, outros dois expatriados do eixo acima citado.


“Breaking the wheel”, um mini épico irresistível, é talvez o título âncora do álbum. Byrdsiano na essência surpreende quando é introduzida a viola de Alison Cotton; o efeito é hipnótico, como se a viola de arco de John Cale regressasse das catacumbas do Velvet Underground para nos encantar uma vez mais.

A fechar “As the world rises to fall”, competente e obviamente cúmplice do Neil Young de “Harvest”.

“Dreams Buried Under The Sea” está para além deste tempo. Ostenta um charme muito próprio e, talvez por isso, não é expectável que venha a frequentar as famigeradas listas dos melhores do ano.

Nada que surpreenda e muito menos incomode o Atalho. Como já alguém afirmou: "a história está pejada de exemplos de maiorias que não tiveram razão".

11/01/18

The Left Outsides "There is a place"



Alison Cotton e Mark Nichols são dois velhos aficionados do “dark folk” inglês. Oriundos dos Eighteenth Day of May, repartem o tempo entre Trimdon Grange Explosion e os Left Outsides.
Estes últimos acabam de lançar um novo álbum: “There is a place”. Como nos dois anteriores, o disco percorre os caminhos do folk pastoral, entre o psicadélico e o esotérico. Nada de especialmente novo portanto. Destaque para uma significativa  versão de “Civil War Lament”, um original de Grant McLennan ( Go-Betweens ) e Steve Kilbey ( The Church ) para os Jack Frost em 1990.

03/06/17

Trimdon Grange Explosion "S/t"


 
Em 2005 pouca gente terá prestado atenção ao excelente álbum dos The Eighteenth Day of May, uma banda transnacional que percorria os caminhos do folk-rock britânico.

Mais de uma década volvida, expurgado das componentes norte-americana e nórdica, o colectivo reteve os elementos ingleses e passou a denominar-se Trimdon Grange Explosion ( uma referência histórica ao acidente ocorrido em 1882 numa mina de Durham e que vitimou 69 trabalhadores ).

Agora liderada pelo guitarrista Ben Phillipson, a banda acaba de publicar o homónimo “Trimdon Grange Explosion”. A fonte de inspiração  permanece, as raízes estão ainda mais presentes e a pastoral tradição inglesa, mesclada com a melancolia, paira sobre as melodias.


Alison Cotton, para além da viola, ganha maior protagonismo nas vocalizações e o projecto só lucrou com isso. A versão do tradicional “Poor Wayfaring Stranger” por exemplo,  arrasta consigo uma elegância pouco comum, através da qual facilmente chegará à eternidade.
Os restantes tradicionais, “The Bonnie Banks of Fordie” e “Glass and Sand”, ostentam uma tensão quase marcial que lhes é conferida pelo intrigante diálogo que o violino e a viola, respectivamente, travam com a secção rítmica. De uma beleza extrema, os dois só por si justificam a audição do álbum.

No género, tão cedo vai ser difícil encontrar melhor.

19/03/09

The See See "Keep your head"




Em 2005 e 2006 a imprensa estava tão ocupada em excitar-se e em procurar excitar-nos com o folk de capelista de Joanna Newsom, a costela sul-americana de Devendra, a harpa balzaquiana de Josephine Foster ou os Legos das CocoRosie, que não reparou nem fez reparar no único e extraordinário disco - nos dias que correm – de uma banda de Londres: The Eighteenth Day of May.

O Cd homónimo é composto por 12 temas quase perfeitos, no seio dos quais as guitarras de Ben Phillipson e Richard Olson competem para apurar qual deles melhor estudou a técnica de Richard Thompson. Allison Brice, a vocalista, nem se dá ao trabalho de disfarçar a admiração que nutre por Shirley Collins. Factores que adicionados a um songwriting inspirado fazem um disco notável . Facto que, todavia, não seria suficiente para assegurar a continuidade do grupo.


( The Eighteenth Day of May )

Tendo ficado momentaneamente a perder, acabámos a ganhar pois, das cinzas dos Eighteenth Day of May e até hoje, já nasceram duas novas bandas: The Left Outsides ( já anteriormente abordados no Atalho ) e The See See.

Dinamizados por Richard Olson, os últimos publicaram em 2008 o EP “Up the hill” onde deixavam perceber que o epicentro das suas influências se transferira de Inglaterra ( onde os Left Outsides se mantêm ) para a costa oeste dos EU; facto a que por certo não é estranha a presença no grupo dos americanos Kevin Peyok ( The Waxwings ) e Ben Swank ( Soledad Brothers ). O tema “Up the hill” possui vincada matriz byrdsiana. “Late morning light” por seu lado é algo que se poderá definir como “Richard Buckner meets Son Volt” .



O recente single “Keep your head” ( uma edição em vinil da Great Pop Supplement ) vem consolidar o discurso e acabar com as dúvidas. The See See é em definitivo uma banda folk-rock de inspiração californiana. “Keep your head” possui as cores, as vozes e as guitarras de Cali enquanto as melodias vacilam entre Byrds e Buffalo Springfield. O flipside “Clap your hands and shake a chain” ostenta os “vibratos” e “hooks” que os Plimsouls usaram nos seus álbuns. Identificar melhores pontos cardeais seria difícil.

O álbum só está prometido para o final do ano. Entretanto “Keep your head” está a deixar incandescente a agulha do meu gira discos.