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21/02/22

Magic Ladies

"I'd always intended to call the new album 'Music Prince', as it was the first song i'd written for the record, but Sandy's death changed all that. It's impossible to say here how much her music meant to me and still does. Her songs - often so painfully sad, beautiful in their construction and delivery - live on and can never be copied or emulated, although many fine fingers have tried. Sandy's death felt like a tragedy in my own life, and adding the song 'Magic Lady' to the finished album and dedicating it to her seemed the only thing to do."

( Mandy Morton, 2021 )

13/02/22

Mandy Morton & The Spriguns "After The Storm, Complete Recordings"

 


Os anos, décadas, sucedem-se, inexoráveis. E, no entanto, “Time Will Pass” ( curiosamente objecto de uma edição portuguesa em 1977 ), permanece firme e hirto no top ten dos álbuns favoritos aqui pelo Atalho.

Algo de verdadeiramente especial, o terceiro álbum dos Spriguns assegura de forma harmoniosa a ligação entre a tradição e o moderno. Somou ( acrescentou ) o progressivo ao paradigma Fairport Convention / Steeleye Span, sem que tal incomodasse fãs ou puristas do género, o que convenhamos não é coisa pouca.

Foi com “Time Will Pass” que parti à descoberta dos também magníficos “Jack With a Feather”, “Revel Weird and Wild” e “Magic Lady”.

After The Storm, Complete Recordings” é, arrisco a afirmação, obrigatório. Não apenas pela música que reúne, mas pelo facto adicional e nada despiciendo de ser o único artefacto onde – afirmação da própria -, se podem encontrar todas as gravações onde Mandy Morton participou e que foi possível recuperar.

Talvez aqui volte de novo com “After The Storm”, ou talvez não. Tudo irá seguramente depender do tempo necessário para apreciar na plenitude a arquitectura e beleza sonoras que encerra.

13/06/18

Sharron Kraus "Joy's Reflection is Sorrow"



Após mais de 15 anos de carreira, os trabalhos de Sharron Kraus já mereciam uma outra atenção.

Quando as Joannas Newsom deste mundo ainda não tinham decidido o que fazer à vida, já Sharron gravava discos seminais para a Camera Obscura do saudoso Tony Dale ( “Beautiful Twisted” e “Songs of Love and Loss” são, neste âmbito, particularmente impressivos e ajudam a definir o que na altura se convencionou chamar de “weird folk”).

Pelo caminho colaborou com os Iditarod de Jeffrey Alexander, com Christian Kiefer e  United Bible Studies. Em 2007 ao lado de Meg Baird e Helena Espvall publicou o bucólico “Leaves from off the tree”. No ano seguinte, com a colaboração de Greg Weeks e Gillian Chadwick, editaria “Rusalnaia”.

Em “Joy’s Reflection is Sorrow” Sharron experimenta novos caminhos. Distante está a paixão pelos Apalaches ou o ruralismo de inspiração galesa a que os dois discos anteriores davam corpo.   

Este novo álbum projecta um desafio, na justa medida em que busca o compromisso entre as raízes folk de contornos vincadamente espartanos e a sofisticação que a instrumentação electrónica proporciona ( curioso como “Figs and Flowers” faz recordar o “Broken English” de Marianne Faithfull e "The Man who says Goddbye" remete para os Spriguns de Mandy Morton ).

Dito de outra maneira: o paradigma mudou. “Joy’s Reflection is Sorrow” é um disco que necessita de tempo para ser digerido. Porque, ainda que acolha as pequenas pérolas habituais na escrita de Kraus, veste novas roupagens, muito próximas da  interpretação que os Tremblig Bells fazem hoje do folk embora prefira arranjos e formas mais subtis.

Nancy Wallace, outra das favoritas do Atalho, empresta a voz a alguns dos temas.

09/08/17

Jardins do Paraíso ( LV )




No inicio da década de 70 do século passado, no Yorkshire, o casal Bob e Carolanne Pegg criou os Mr. Fox para, junto com os Trees, Steeleye Span ou Forest, integrar a segunda vaga da renascença folk britânica.

Em 1973, emergindo das cinzas dos Mr. Fox, Carolanne gravaria aquele que ainda permanece o seu único disco solo: “Carolanne Pegg”.

Dotada de uma voz sólida, porventura demasiado eclética para os padrões daquele tempo ( Kate Bush teve a sorte de surgir anos mais tarde ), Carolanne escreveu as canções, tocou violino, dulcimer, guitarra acústica e harmonium. O menosprezado Albert Lee fez de Richard Thompson e o álbum no seu conjunto é uma magnífica anomalia de época.

A inspiração radica no passado, mas o folk é quase progressivo, os temas cinzentos e esotéricos. Uma estrutura musical que os Spriguns de Mandy Morton desenvolveriam a seguir com bastante mais sucesso.

No fim de tudo, sobram épicos como “Fair Fortune’s Star” ou canções sem idade como “Man of War” ou “Winter People”.

Uma das reedições do ano.




Folk Review, Dezembro 1972


Folk Review, Junho 1973