Mostrar mensagens com a etiqueta Julian Cope. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Julian Cope. Mostrar todas as mensagens

20/07/21

Artefactos ( 113 )


"Japrocksampler, How The Post-War Japanese Blew Their Minds on Rock 'n' Roll"

Julian Cope 

( Bloomsbury Publishing, 2007, 304 páginas )

14/01/13

Julian Cope "Copendium"

 


 
Durante anos, na página digital "Head Heritage" ( http://www.headheritage.co.uk/ ), Julian Cope foi-nos dando a conhecer os seus discos de cabeceira. Conhecedor, criativo e excêntrico na mesma proporção, ao londo de uma década, o fundador dos Teardrop Explodes abordou o psicadélico, o hard/heavy-metal, o krautrock, o rock industrial, japonês, francês, italiano, sueco ... etc.
 
Recentemente, os textos  relativos ao chamados "Álbuns do Mês" foram compilados e publicados em "Copendium, An Expedition into the Rock'n'Roll Underwerld", numa edição cuidada e muito bonita da Faber & Faber.

Os textos estão naturalmente de acordo com a postura do autor e são tudo menos fáceis. Esotéricos, polémicos e dificeis. Ainda assim complementam bem "Krautrocksampler" e "Japrocksampler" os dois outros livros de referência do autor.
 
E, ao longo das mais de 600 páginas, será dificil não tropeçar num ou em vários álbuns historicamente relevantes e cuja existência desconhecíamos. Atente-se nas secções: Detroitrocksampler, Hardrocksampler, Glamrocksampler, Dansrocksampler ou Postpunksampler. 

28/11/09

"Krautrock, Cosmic Rock and its Legacy"


(1ª Edição, Black Dog Publishing, London, UK, 2009)

"KrautrockSampler”, o ensaio que Julian Cope publicou em 1995, permanece uma referência incontornável no campo dos textos dedicados à música moderna alemã pós 1967. Está lá tudo, ou quase tudo, o que qualquer fã gostaria de ter escrito sobre o tema.

Quinze anos passados, embora naturalmente sem o mesmo impacto, a mais valia de “Krautrock, Cosmic Rock and its legacy” reside no facto de concretizar uma abordagem mais profissional e estruturada ao assunto. Sendo que, o aumento da distância relativamente ao tempo e aos acontecimentos retratados, também ajuda.

A Introdução, da responsabilidade de David Stubbs (um dos vários jornalistas/experts que contribuem para o livro), é o enquadramento sócio-político que faltava no livro de Julian Cope. Stockhausen foi sem dúvida importante, mas Stubbs chama a atenção para outros factores históricos que não podem ser negligenciados.

("KrautrockSampler" 1ª edição Head Heritage, UK, 1995)


A contribuição de Erik Davis é igualmente importante para finalmente se perceber que Krautrock e Kosmische Musik não são exactamente sinónimos em matéria de forma e conteúdo.

Ainda que num registo demasiado conciso, alguns dos artistas mais importantes do período (não necessariamente os mais conhecidos), têm aqui o perfil talhado. Mais interessante e inovador é o trabalho sobre os produtores e editoras discográficas. Destaque merece também a introdução de uma “timeline” que, de 1967 a 1975, recorda o que de mais importante sucedeu na Alemanha: na politica, no cinema e na música.

Se juntarmos “Krautrock, Cosmic Rock and its legacy” a “KrautrockSampler” ficaremos a saber tudo o que realmente interessa sobre uma das linguagens musicais mais radicais da segunda metade do século XX. De caminho, convirá também regressar aos discos…

08/10/09

Jardins do Paraiso XVI ( Julian Cope )


Há anos que paira sobre Julian Cope um anátema insidioso, preconceituoso. Em síntese, afirma-se que estamos na presença de uma personagem consumida pela droga, um excêntrico que se interessa e dedica a causas marginais e sem janela para o sucesso.

Substâncias, cada qual escolhe as suas e quanto a causas, no estado de letargia colectiva em que vivemos, qualquer uma é bem-vinda. Por mim, para além de polémicas laterais, Julian Cope será sempre recordado como o criador de dois dos mais perfeitos álbuns que a música britânica conheceu nos anos 80: “World shut up your mouth” e “Fried”. Para além disso, o que já não seria pouco, o compositor galês é um dos grandes responsáveis pela divulgação de fenómenos artísticos como o “krautrock” alemão ou o “psych rock” nipónico. Os seus livros “KrautrockSampler” (1995) e “JaprockSampler” (2007) são dos melhores ensaios que se escreveram sobre aqueles temas.

Tanto crédito gerou naturalmente uma considerável margem de tolerância. Aos meus olhos Cope podia falhar. Fê-lo algumas vezes. Mas no grosso das situações esteve para além do expectável, como em “Saint Julian” ou no recentemente reeditado “Peggy Suicide”.

Espécie de Manifesto onde os principais tópicos são a ecologia, a política e os costumes, “Peggy Suicide” ( alegoria inventada por Cope para retratar a natureza ) é uma obra panfletária que reage sobretudo aos anos de chumbo do Tatcherismo. Libertário nos temas, o álbum (originariamente duplo) mantinha intacta a veia psicadélica do autor, mas surpreendeu ao abrir janelas para o “soul” e para o “funk”.



Logo a abrir, “Peggy Suicide” diz ao que vem, através de um “Pristeen” singular, uma cápsula perfeita de “psych” e “drone”. Adiante, após o mini road movie ecológico que é “East Easy Rider”, “Promised Land” é o retrato de um passeio pelos trilhos interiores da Inglaterra de Tatcher; musicalmente os parâmetros situam-se entre Springsteen e os The Sound. O resultado é sublime.

“Hanging out & Hung up on the line” é, segundo o autor, uma “psychic driving song”; outros recordarão os Teardrop Explodes abrasivos e em altíssima rotação. Colocados no inicio do lado B do disco original, os 8 minutos de “Safesurfer” constituem uma obra-prima. O leitmotiv é o vírus do HIV mas, apesar de toda a carga dramática associada, o tema ostenta aquela velha elegância ostentada por Ian Hunter, sempre que se sentava ao piano e tocava as baladas que escreveu para os primeiros Mott the Hoople.

Mais adiante “Drive, she said” é puro Velvet Underground num texto acutilante (“driving is cool, if you want to be uncool, walk or use public transports”). “Soldier Blue” e “Western Front 1992 CE” alinham por parâmetros similares. Por sua vez e a terminar “las Vegas Basement” será o “When the music’s over” segundo Julian Cope; a tal ponto que a certa altura damos por nós à espera de ouvir a voz teatral de Jim Morrison vociferar “… What have we done to the Earth?...” ou, no caso vertente, “What have we done to Peggy Suicide?”.



A cada um a sua obra-prima. Para o Atalho “World shut up your mouth” e, em menor grau “Fried”, são inultrapassáveis. “Peggy Suicide” não é uma obra uniforme, porém integra peças notáveis. Oportunos retratos de época da sociedade inglesa, nada despiciendos quando encarados numa perspectiva histórica. Daí a convicta e consistente adesão dos fãs.

Quanto aos extras da reedição ( todo o CD 2), um desabafo: “não havia necessidade”. A remasterização dos cerca de 76 minutos de duração do duplo álbum original era mais do que suficiente.