Orange County, Califórnia, 1970.
Seguramente ofuscada pela projeccão e estatuto de alguns dos
seus colegas singer-songwriters ( Tim
Buckley, Judee Sill, Jackson Browne, Joni Mitchell … ), Kathy Smith não logrou
nunca almejar o patamar de sucesso compatível com o seu talento. E, neste
aspecto, nem uma participação no festival da Ilha de Wight em 1970 logrou
ajudar.
Não obstante gravou para a Stormy Forest de Richie Havens
dois álbuns cuja obscuridade caminha paredes meias com o talento da autora.
O segundo, prosaicamente titulado de “2”, data de Novembro de
1971 e acaba de receber a primeira reedição oficial.
É um disco belíssimo, simultaneamente arrojado e intimista. O
intimismo não espanta, constituía a marca de água dos singer-songwriters; o
arrojo por sua vez, radica numa inovativa fusão entre o folk psicadélico e o
jazz.
As canções são maioritariamente escritas por Kathy Smith. A
par destas, estão também presentes temas de Jimmie Spheeris ( a conferir o seu magnífico
“Isle of View”, onde o tema “Seven Virgins” surge também ), Jackson Browne ( “It’s
taking so long” constitui a única versão oficialmente editada do tema ) e de
Pamela Polland ( que entre muitos outros escreveu “Tulsa County Blue” para os
Byrds de “Ballad of Easy Rider” ).
Alguns dos músicos, parte deles ainda ilustres desconhecidos
na época, davam pelos nomes de Jan Hammer, Tony Levin, Don Alias, Warren
Bernhardt, Jimmie Spheeris ou Jeremy Steig.
Tudo dito, ou quase. Faltará apenas referir que a reedição inclui dois trechos
inéditos: uma demo de “For Emily” da própria Kathy Smith e uma versão frugal de “Hang On To A Dream” de Tim Hardin.

