Uma das falhas do Atalho, entre muitas outras, prende-se com
o facto de nunca ter feito qualquer menção ao Jade ( ou Silver Jade para o
mercado americano ) um trio de folk rock britânico onde para além de Ron
Edwards ( ex-Picadilly Line e ex-Edwards Hand ) e David Waite pontificava a voz
e o talento de Marianne Segal.
Vem esta introdução a propósito da programada edição de “The
Gathering”, álbum onde Marianne Segal conta com a participação dos vetustos e semi-obscuros
Circulus.
Na verdade, a anunciada publicação da Fruits de Mer mais não
é do que a reedição de um CD lançado em 2007 pela própria e então objecto de uma
edição limitada a 500 exemplares.
Por via disso, voltei a “The Gathering”, quase duas décadas volvidas.
Composto na totalidade por Marianne, o álbum possui aquela
rara beleza que os predestinados frequentemente conferem às suas criações. Concebido
e ancorado neste milénio, e aqui e ali invadindo sonoridades comuns ao rock, “The
Gathering” é no seu todo um disco belíssimo.
A autora não perdeu a antiga sensibilidade rural ( de que as
canções que integram “Fly on Strangewings” dos Jade são disso a melhor evidência
), bucólica por vezes. Só que agora adiciona-lhe a experiência e a sabedoria adquirida
ao longo de quatro décadas.
“September Song”, “Saints of Tapestry”, “Sussex downs”, inclusive o compassado “Root
People”, são canções que facilmente nos ocupam a memória, mesmo a selectiva.
Em suma, regressar a “The Gathering” foi uma experiência
reconfortante. Tal como o foi relembrar um belíssimo “Little Lucy”, o “tema
escondido” do CD.

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