27/08/19

Heroes are hard to find ( 62 )


Neal Casal

( 1968 - 2019 )

26/08/19

Eluvium "Pianoworks"



Há realidades que nunca mudam.

Matthew Robert Cooper, a solo ou sob o ‘nom de plume’ Eluvium faz, e muito provavelmente fará, música que permanecerá muito para além da espuma dos dias.

Sublinhando a ‘bold’ a transparência do tempo, os discos que vai criando são elegias à intemporalidade. E, no caso em apreço, pouco importa se opta pelo classicismo travestido de melancolia ou, se ao contrário, busca na linguagem neo-clássica formas de expressão mais próximas de contemporaneidade.

Quando se escutam os primeiros acordes de “Recital” – logo a abrir o novo “Pianoworks” – tudo pára, automaticamente. Como se, em redor, a vida deixasse de importar e o mundo se quedasse refém daquele momento de singular beleza; um pouco à semelhança da forma como a câmara de Terrence Malick faz parar a marcha do tempo ao decidir “pousar” sobre um detalhe  que sempre lá esteve, mas que só o realizador logrou ver.

Pianoworks” é na essência o repositório de treze espaços silenciosos, mágicos na sua maioria, hipnóticos todos. Um disco de uma beleza invulgar e que antecipa aqueles fins de tarde outonais que convocam a tranquilidade e a introspecção.

Nota: a edição deluxe inclui um segundo CD onde Matthew Cooper reinventa no piano solo, 13 temas já publicados  em álbuns anteriores.

18/08/19

"We have always had JOY", Bruce Langhorne, Peter Fonda




Na partida de Peter Fonda, não irei mencionar o icónico "Easy Rider", filme cuja realização de resto não se deve a Fonda mas a Dennis Hopper.

Ao invés, recupero uma frase do actor que relembro com frequência: "We have always had Joy".

Emocionado, proferiu-a num momento mágico  e de rara sensibilidade quando, também perto do seu fim, visitou o amigo Bruce Langhorne, esse músico tão brilhante e influente quanto deserdado da sorte. "Mr. Tambourine Man" como Dylan o havia imortalizado anos antes.

Langhorge é aliás o autor da banda sonora "The Hired Hand", filme que Peter Fonda escreveu, realizou e protagonizou com Warren Oates em 1971. Algo muito próximo de um anti-western, olimpicamente ignorado na época  e ainda hoje pouco reconhecido.

"We have always had joy!"





29/07/19

Robert Kirby



Recentemente  perguntaram-me qual o real significado de “Englishness” na música. Estranhamente, hesitei. E no entanto convivo há décadas paredes meias com esse sentimento peculiar, onde se compaginam características tão diversas como sentido de humor, respeito pela tradição, inteligência e estoicismo.

Em simultâneo concreto e abstracto é, na sua magnitude e ambivalência, um estado de espírito difícil de definir com exactidão por um latino. Imagino que seja algo de muito parecido como tentar explicar a “saudade” a um inglês.

Socorri-me primeiramente de Edward Elgar para ilustrar a tentativa de explicação. Depois ocorreu-me que talvez Robert Kirby ( 1948 – 2009 ) pudesse ser um exemplo mais próximo da contemporaneidade. Uma parcela significativa dos seus arranjos e orquestrações definem as virtudes daquela identidade cultural na perfeição.

Hoje, vista ao retrovisor, a impressionante lista de músicos com quem colaborou, tem tradução no que de melhor a música inglesa ofereceu entre 1969 e 2009. Nick Drake, Shelagh McDonald, John Cale, Spriguns, Richard Thompson ou Sandy Denny são disso exemplos perenes.


23/07/19

Artefactos ( 93 )




Fotos alternativas para o álbum "Dèjá Vu"

20/07/19

Heroes ara hard to find ( 61 )


Bob Frank

( 1944 - 2019 )

19/07/19

Artefactos ( 92 )


( 1990 )


( 1992 )


( 1993 )


( 1994 )


( 2000 )

Publicadas na década de 90 do passado século pela Borderline Productions, quando não existiam nem internet nem Wikipedia, estas cinco publicações, apesar dos lapsos e omissões, permanecem ainda hoje como um extraordinário manancial de informação para aqueles que como o Atalho se interessam e investigam a música norte americana do último terço daquele século.

Prosaicas e quase artesanais, são fruto do "labour of love" de Hugh MacLean e Vernon Joynson. Nunca reeditadas e impossíveis de encontrar por valores decentes nos dias que correm. 

12/07/19

Lost Nuggets ( 137 )


"Silk "Smooth as Raw" ( ABC records ABCS 694 ) USA, 1969

- "Introduction"
- "Foreign Trip"
- "Long Haired Boy" ( Tim Rose )
- "Not a Whole Lot I Can Do"
- "Custody" ( Steve Karliski / Larry Kolber )
-  "Scottish Thing"
- "Skitzo Blues"
- "Hours"
- "Walk In My Mind"
- "Come On Down Girl"
- "For All Time"

Silk: Courtney Johns ( canções e bateria ), Michael Gee ( canções, voz e baixo ), Chris Johns ( guitarras ) e Randy Sabo ( canções, voz e teclas ).
Metais e cordas: Bert DeCoteaux

Capa: foto de Ellen McNeilly; design: John Spasato e Steve Makas; Pintura: Courtney Johns.
Produção, arranjos e canções: Bill Szymczyk.


08/07/19

Artefactos ( 91 )




Não é um dado curricular particularmente conhecido. Chris Stamey, muito antes de com Peter Holsapple, Gene Holder e Will Rigby ter fundado os seminais dB's, na segunda metade dos 70s, deixou para trás os Sneakers trocando a Carolina do Norte por Nova Iorque, para acompanhar Alex Chilton na demanda de uma carreira a construir a partir do palco do CBGB.

Já na Big Apple e depois de um single a solo para a Ork Records, Stamey cria a Car Records, etiqueta que ganhou a eternidade após de ter lançado "I Am the Cosmos" de Chris Bell.

No entretanto, publicou dois singles também eles históricos e também eles resultado do excitante borbulhar criativo que se vivia na época em Nova Iorque.

O primeiro registo a solo de Peter Holsapple, no caso com os The H-Bombs e a embrionária estreia dos dB's, ambos datados de 1978. De salientar que o lado A do último: "(I Thought) You Wanted To Know" é assinado por Richard Lloyd que entretanto abandonara os Television.




04/07/19

"Lullabies for Catatonics, A Journey Through The British Avant-Pop / Art Rock Scene 1967-74"



In terms of how we amplified our music, we were a rock group, but what we heard in our heads wasn’t pop music. We never looked to other groups for inspiration. Our music didn’t fit into an already existing format. Pop music didn’t offer enough open space for improvisation … and there was no way we were going to play a tune the same way twice.” ( Robert Wyatt, Soft Machine” )

Há quem lhe chame simplesmente “progressivo”, ainda que a designação seja injusta, por redutora, para além de esteticamente incorrecta.

A verdade porém é que o “British Avant-Pop / Art Rock Scene”, para oportunisticamente utilizar a terminologia dos curadores desta compilação, foi uma espécie de saco de gatos, onde se arrumava tudo e o seu contrário.

Ron Geesin teria pouco em comum versus Pretty Things, tal como os Yes versus Mighty Baby, Mick Ronson versus Curved Air, Bachdenkel versus Giles, Giles & Fripp, Spring versus Fuchsia … etc etc.
E no entanto, viviam-se tempos em que todo o tipo de arrojo estético, não só era permitido, como encorajado.

We played Bartok like punks. We murdered Bartok. If you compare our version of Bartok’s “Romanian Folk Dance” with the original, it’s the most tasteless thing you’ve heard. It’s note-for-note the same, but it’s horribly played – not amateurishly played, it’s played with hate and vilification. The bottleneck stuff is enough to make you throw up like you’re seasick; and that stands, that’s part of the Dada approach to art, to disgust and revolt your audience into another state of consciousness. Maybe then they’d enjoy Bartok.” ( Drachen Theaker, Rustic Hinge )

Lullabies for Catatonics, a Journey Through The British Avant-Pop / Art Rock Scene 1967-74”, compilação de excelência note-se, é um espelho quase perfeito do frenesi de fazer diferente - ou em alternativa mais pomposo - que se vivia na época.

E não deixa de ser curioso, ainda que não surpreendente, serem as opções mais amarradas à herança do psicadelismo, aquelas que melhor e mais consistentemente resistiram ao teste do tempo. O único que realmente importa.

The psychedelic era was really an expanding out and a realization that you could, at that point in British music, do whatever you wanted. There didn’t seem to be any boundaries – and if there are, you completely ignored them.” ( Gary Brooker, Procol Harum )

Escrito isto, fica o desafio. Mergulhem nos 49 temas aqui incluídos, 13 dos quais inéditos, e aquilatem dos pontos de intersecção e/ou das diferenças existentes entre bandas como Soft Machine, Zombies, Blonde on Blonde, Mighty Baby, Gnidrolog, Riot Squad ( com Bowie ), Cressida, Comus, Samurai, Renaissance, Nirvana ou Open Road, entre muitas outras.

30/06/19

Heroes are hard to find ( 60 )


Gary Duncan

( 1946 - 2019 )