04/07/19

"Lullabies for Catatonics, A Journey Through The British Avant-Pop / Art Rock Scene 1967-74"



In terms of how we amplified our music, we were a rock group, but what we heard in our heads wasn’t pop music. We never looked to other groups for inspiration. Our music didn’t fit into an already existing format. Pop music didn’t offer enough open space for improvisation … and there was no way we were going to play a tune the same way twice.” ( Robert Wyatt, Soft Machine” )

Há quem lhe chame simplesmente “progressivo”, ainda que a designação seja injusta, por redutora, para além de esteticamente incorrecta.

A verdade porém é que o “British Avant-Pop / Art Rock Scene”, para oportunisticamente utilizar a terminologia dos curadores desta compilação, foi uma espécie de saco de gatos, onde se arrumava tudo e o seu contrário.

Ron Geesin teria pouco em comum versus Pretty Things, tal como os Yes versus Mighty Baby, Mick Ronson versus Curved Air, Bachdenkel versus Giles, Giles & Fripp, Spring versus Fuchsia … etc etc.
E no entanto, viviam-se tempos em que todo o tipo de arrojo estético, não só era permitido, como encorajado.

We played Bartok like punks. We murdered Bartok. If you compare our version of Bartok’s “Romanian Folk Dance” with the original, it’s the most tasteless thing you’ve heard. It’s note-for-note the same, but it’s horribly played – not amateurishly played, it’s played with hate and vilification. The bottleneck stuff is enough to make you throw up like you’re seasick; and that stands, that’s part of the Dada approach to art, to disgust and revolt your audience into another state of consciousness. Maybe then they’d enjoy Bartok.” ( Drachen Theaker, Rustic Hinge )

Lullabies for Catatonics, a Journey Through The British Avant-Pop / Art Rock Scene 1967-74”, compilação de excelência note-se, é um espelho quase perfeito do frenesi de fazer diferente - ou em alternativa mais pomposo - que se vivia na época.

E não deixa de ser curioso, ainda que não surpreendente, serem as opções mais amarradas à herança do psicadelismo, aquelas que melhor e mais consistentemente resistiram ao teste do tempo. O único que realmente importa.

The psychedelic era was really an expanding out and a realization that you could, at that point in British music, do whatever you wanted. There didn’t seem to be any boundaries – and if there are, you completely ignored them.” ( Gary Brooker, Procol Harum )

Escrito isto, fica o desafio. Mergulhem nos 49 temas aqui incluídos, 13 dos quais inéditos, e aquilatem dos pontos de intersecção e/ou das diferenças existentes entre bandas como Soft Machine, Zombies, Blonde on Blonde, Mighty Baby, Gnidrolog, Riot Squad ( com Bowie ), Cressida, Comus, Samurai, Renaissance, Nirvana ou Open Road, entre muitas outras.

30/06/19

Heroes are hard to find ( 60 )


Gary Duncan

( 1946 - 2019 )

23/06/19

Neil Young & Stray Gators "Tuscaloosa"



Quando, instintivamente, começamos a dar mais atenção a sons antigos em detrimento dos novos, e dependendo do grau de conhecimento ou empenhamento, duas coisas podem acontecer: a) fomos capturados pelo síndrome geracional do tipo “o classic rock é que era e  já não se faz música como dantes” ; b) os sons actuais não são apelativos o suficiente. Casos haverá em que estas duas verdades poderão coexistir.

Quem tiver a paciência para ler neste espaço decidirá, mas o Atalho quer acreditar que  mantém toda a abertura para as novas sonoridades e se delas mais não fala é porque na sua opinião não justificam a referência.

Algo de semelhante se passa de resto com artistas cuja obra atravessa o tempo e as gerações. Neil Young por exemplo.

Sabe-se que o canadiano é imune a pressões, movimentando-se apenas em função dos seus impulsos, artísticos, pessoais ou ambos.

O facto da recuperação dos seus arquivos ter vindo a incidir fundamentalmente em material da primeira metade dos 70s não tem por certo apenas a ver com critérios cronológicos ( esses também nunca foram uma barreira para o autor ); talvez Young tenha finalmente aceite e reconhecido que grande parte do seu melhor material está confinada àqueles anos. Uma teoria naturalmente, porque com o canadiano nada é adquirido.

Captado ao vivo a 5 de Fevereiro de 73 na Universidade do Alabama, “Tuscaloosa” mostra-nos um Neil Young no pico da sua forma, acompanhado pela mesma banda que gravou “Harvest” ( Jack Nitzsche no piano, Tim Drummond no baixo, Kenny Buttrey na bateria e Ben Keith na guitarra slide ) e “Time Fades Away” ( aqui com Johnny Barbata no lugar de Buttrey ).



Face ao alinhamento do concerto poderá haver quem, legitimamente, questione: precisávamos mesmo de “Tuscaloosa” quando tínhamos os referidos “Harvest” e “Time Fades Away”? A resposta é afirmativa. Sim, precisávamos.
Porque “Tuscaloosa” é seguramente um dos melhores discos ao vivo de Young. Não apenas pelo extraordinário naipe de canções que integra, mas sobretudo pela forma inspirada e consistente como estas são interpretadas pelos Stray Gators, liderados por esse músico enorme que foi Jack Nitzsche.

“Here we are in the years” e “After the gold rush” são Young a solo; mas logo a seguir,  nas sublimes versões mid-tempo de “Out of the weekend” e “Old man”, locais a guitarra acústica do canadiano nunca soou tão bem,  irrompe todo o talento da banda de suporte. “Lookout Joe” e “New Mama”, versões pujantes mas menos claustrofóbicas que em “Tonight’s The Night” evidenciam toda a mestria de Bill Keith na slide guitar.  “Alabama” por seu lado não ostenta o conforto das vozes de David Crosby e Stephen Stills, mas em contrapartida é uma delicia escutar o piano maestro de Nitzsche.

E no final, depois da enésima audição de “Tuscaloosa”, quase nos esquecemos de quão brilhante é “Roxy, Tonight’s The Night Live” publicado no ano passado.

17/06/19

Lost Nuggets ( 136 )


The Sidewinders "S/t" ( RCA Victor LSP 4696 ) USA 1972


- "Bad Dreams"
- "Superhit"
- "Moonshine"
- "The Bumble Bee" ( Rimsky-Korsakov )
- "Told you so"
- "Rendezvous"
- "O Miss Mary"
- "Slip away (We're gonna try)"
- "Got you down"
- "Reputation"
- "Parade"

The Sidewinders: Andy Paley ( voz, harmónica, percussão e canções ), Leigh Lisowski ( voz, baixo e canções ), Mike Reed ( guitarra ritmo ), Eric Rosenfeld ( voz, guitarra, gongo e canções ) e Henry Stern ( voz, bateria e percussão ).

Produção: Lenny Kaye

Capa: foto de Nick Sangiarno; design de Rich Simpson.

Fotos tiradas no Chelsea Hotel, Nova Iorque





08/06/19

Ugly Things 50


Ugly Things # 50

Saúdam-se as bodas de ouro de uma publicação ímpar. Especialista na investigação e preservação da história das músicas que o Atalho persegue.

Neste número desceu às catacumbas e explica ao detalhe as gravações dos álbuns "Waiting for the sun" ( The Doors ) e "Bob Mosley" ( Bob Mosbey / Moby Grape ).

Recupera "The Abstract Prince" o disco perdido de Mike Tingley ( publicado apenas na Holanda e Alemanha ) e delicia com a primeira parte de uma mega entrevista a Lenny Kaye

05/06/19

Lost Nuggets ( 135 )


The Wooden O "A Handful Of Pleasant Delites" ( Middle Earth MDLS 301 ) UK, 1969

- "The Lesson

1- Toy Tune
2 - Pipe Tune
3 - Sad Tune
4- Dance Tune
5 - Sick Tune
6 - Walking Tune
7 - Concerto

- "A Lover's Progress"

1 - Maypole
2 - Overtunes
3 - Sweet Bedded
4 - Arise
5 - Fayne Would
6 - It Was
7 - Away

The Wooden O: James Harpham ( composição, baixo, sopranino ), Christopher Taylor ( baixo, sopranino ), Arthur Watts ( baixo acústico e eléctrico ), Hugo D'Alton ( mandolim ) e David Snell ( harpa ).

Arranjos de James Harpham

Produção de Austin John Marshall

Capa: fotos de David Cripps e Simon Danby






03/06/19

Heroes are hard to find ( 59 )


Roky Erickson

( 1947 - 2019 )

30/05/19

Artefactos ( 90 )

Rain Parade, 1983

( Foto: Ed Colver )

Matt Piucci, Steven Roback, Will Glenn, David Robback, Eddie Kalva

Gone Fishin, 1986

Matt Piucci e Tim Lee

Fotos promocionais da Enigma e Restless Records


26/05/19

Na Margem, Uma História do Rock


"Na Margem, Uma História do Rock"

Catálogo da Exposição homónima patente no Museu da Cidade de Almada
12 de Janeiro a 14 de Setembro 2019



22/05/19

Stumpwater "Motel in Saginaw"



É uma espécie de quadratura do círculo ou, como é bem agora dizer-se, isto anda tudo ligado.

Os Stumpwater foram ( e permanecem ) um trio semi-acústico que emergiu de Aurora / Illinois no inicio da década de 70 do século passado.

No auge da corrente dos “singer-songwriters” a aderência do trio aquele paradigma, não sendo óbvio, foi natural. Contudo havia algumas nuances no som dos Stumpwater; desde logo incursões para-psicadélicas pouco comuns na escola dos singer-songwriters, intimista e confessional por natureza. A isto adicionavam uma atmosfera que hesitava entre a ruralidade do interior e a sofisticação das costas, este e oeste. Algo próximo de um country-folk de filigrana com laivos de psicadelismo.

Ao escutar “Motel in Saginaw” o disco que a banda gravou em 1973 e que só muito recentemente conheceu publicação, percebe-se que Loudon Wainwright III, CSN&Y, Simon & Garfunkel ou David Blue eram influências decisivas, magistralmente casadas com o bucolismo dos grandes espaços rurais.
A este propósito, um exercício curioso será por exemplo escalpelizar o som dos Arrogance de Don Dixon ( Carolina do Norte ) ou Major Arcana ( Wisconsin ) em meados dos 70s e tentar perceber quem influenciou quem.

Motel in Saginaw” são 13 magnificas canções ( mais 2 porque a edição de vinil inclui também um single com gravações de 1976 ) que ora sugerem o Neil Young da época ( “Blind Darkness” ), a sonoridade impar de Simon & Garfunkel ( “Now that he’s  passed away” ), ou o country-rock sofisticado de Arlo Guthrie ( “Tired Man” ).

Acresce ainda “Romantic Courtship Turns Into Boring Marriage Blues”, um tema que seguramente nunca teria existido caso Loudon Wainwright III não tivesse escrito “Motel Blues” para o seu “Album II”.

Perguntarão: mas por que razão um disco assim demorou 46 anos a ser publicado? Pois …

15/05/19

Heroes are hard to find ( 58 )


Mike Wilhelm

( 1942 - 2019 )