30/06/19

Heroes are hard to find ( 60 )


Gary Duncan

( 1946 - 2019 )

23/06/19

Neil Young & Stray Gators "Tuscaloosa"



Quando, instintivamente, começamos a dar mais atenção a sons antigos em detrimento dos novos, e dependendo do grau de conhecimento ou empenhamento, duas coisas podem acontecer: a) fomos capturados pelo síndrome geracional do tipo “o classic rock é que era e  já não se faz música como dantes” ; b) os sons actuais não são apelativos o suficiente. Casos haverá em que estas duas verdades poderão coexistir.

Quem tiver a paciência para ler neste espaço decidirá, mas o Atalho quer acreditar que  mantém toda a abertura para as novas sonoridades e se delas mais não fala é porque na sua opinião não justificam a referência.

Algo de semelhante se passa de resto com artistas cuja obra atravessa o tempo e as gerações. Neil Young por exemplo.

Sabe-se que o canadiano é imune a pressões, movimentando-se apenas em função dos seus impulsos, artísticos, pessoais ou ambos.

O facto da recuperação dos seus arquivos ter vindo a incidir fundamentalmente em material da primeira metade dos 70s não tem por certo apenas a ver com critérios cronológicos ( esses também nunca foram uma barreira para o autor ); talvez Young tenha finalmente aceite e reconhecido que grande parte do seu melhor material está confinada àqueles anos. Uma teoria naturalmente, porque com o canadiano nada é adquirido.

Captado ao vivo a 5 de Fevereiro de 73 na Universidade do Alabama, “Tuscaloosa” mostra-nos um Neil Young no pico da sua forma, acompanhado pela mesma banda que gravou “Harvest” ( Jack Nitzsche no piano, Tim Drummond no baixo, Kenny Buttrey na bateria e Ben Keith na guitarra slide ) e “Time Fades Away” ( aqui com Johnny Barbata no lugar de Buttrey ).



Face ao alinhamento do concerto poderá haver quem, legitimamente, questione: precisávamos mesmo de “Tuscaloosa” quando tínhamos os referidos “Harvest” e “Time Fades Away”? A resposta é afirmativa. Sim, precisávamos.
Porque “Tuscaloosa” é seguramente um dos melhores discos ao vivo de Young. Não apenas pelo extraordinário naipe de canções que integra, mas sobretudo pela forma inspirada e consistente como estas são interpretadas pelos Stray Gators, liderados por esse músico enorme que foi Jack Nitzsche.

“Here we are in the years” e “After the gold rush” são Young a solo; mas logo a seguir,  nas sublimes versões mid-tempo de “Out of the weekend” e “Old man”, locais a guitarra acústica do canadiano nunca soou tão bem,  irrompe todo o talento da banda de suporte. “Lookout Joe” e “New Mama”, versões pujantes mas menos claustrofóbicas que em “Tonight’s The Night” evidenciam toda a mestria de Bill Keith na slide guitar.  “Alabama” por seu lado não ostenta o conforto das vozes de David Crosby e Stephen Stills, mas em contrapartida é uma delicia escutar o piano maestro de Nitzsche.

E no final, depois da enésima audição de “Tuscaloosa”, quase nos esquecemos de quão brilhante é “Roxy, Tonight’s The Night Live” publicado no ano passado.

17/06/19

Lost Nuggets ( 136 )


The Sidewinders "S/t" ( RCA Victor LSP 4696 ) USA 1972


- "Bad Dreams"
- "Superhit"
- "Moonshine"
- "The Bumble Bee" ( Rimsky-Korsakov )
- "Told you so"
- "Rendezvous"
- "O Miss Mary"
- "Slip away (We're gonna try)"
- "Got you down"
- "Reputation"
- "Parade"

The Sidewinders: Andy Paley ( voz, harmónica, percussão e canções ), Leigh Lisowski ( voz, baixo e canções ), Mike Reed ( guitarra ritmo ), Eric Rosenfeld ( voz, guitarra, gongo e canções ) e Henry Stern ( voz, bateria e percussão ).

Produção: Lenny Kaye

Capa: foto de Nick Sangiarno; design de Rich Simpson.

Fotos tiradas no Chelsea Hotel, Nova Iorque





08/06/19

Ugly Things 50


Ugly Things # 50

Saúdam-se as bodas de ouro de uma publicação ímpar. Especialista na investigação e preservação da história das músicas que o Atalho persegue.

Neste número desceu às catacumbas e explica ao detalhe as gravações dos álbuns "Waiting for the sun" ( The Doors ) e "Bob Mosley" ( Bob Mosbey / Moby Grape ).

Recupera "The Abstract Prince" o disco perdido de Mike Tingley ( publicado apenas na Holanda e Alemanha ) e delicia com a primeira parte de uma mega entrevista a Lenny Kaye

05/06/19

Lost Nuggets ( 135 )


The Wooden O "A Handful Of Pleasant Delites" ( Middle Earth MDLS 301 ) UK, 1969

- "The Lesson

1- Toy Tune
2 - Pipe Tune
3 - Sad Tune
4- Dance Tune
5 - Sick Tune
6 - Walking Tune
7 - Concerto

- "A Lover's Progress"

1 - Maypole
2 - Overtunes
3 - Sweet Bedded
4 - Arise
5 - Fayne Would
6 - It Was
7 - Away

The Wooden O: James Harpham ( composição, baixo, sopranino ), Christopher Taylor ( baixo, sopranino ), Arthur Watts ( baixo acústico e eléctrico ), Hugo D'Alton ( mandolim ) e David Snell ( harpa ).

Arranjos de James Harpham

Produção de Austin John Marshall

Capa: fotos de David Cripps e Simon Danby






03/06/19

Heroes are hard to find ( 59 )


Roky Erickson

( 1947 - 2019 )

30/05/19

Artefactos ( 90 )

Rain Parade, 1983

( Foto: Ed Colver )

Matt Piucci, Steven Roback, Will Glenn, David Robback, Eddie Kalva

Gone Fishin, 1986

Matt Piucci e Tim Lee

Fotos promocionais da Enigma e Restless Records


26/05/19

Na Margem, Uma História do Rock


"Na Margem, Uma História do Rock"

Catálogo da Exposição homónima patente no Museu da Cidade de Almada
12 de Janeiro a 14 de Setembro 2019



22/05/19

Stumpwater "Motel in Saginaw"



É uma espécie de quadratura do círculo ou, como é bem agora dizer-se, isto anda tudo ligado.

Os Stumpwater foram ( e permanecem ) um trio semi-acústico que emergiu de Aurora / Illinois no inicio da década de 70 do século passado.

No auge da corrente dos “singer-songwriters” a aderência do trio aquele paradigma, não sendo óbvio, foi natural. Contudo havia algumas nuances no som dos Stumpwater; desde logo incursões para-psicadélicas pouco comuns na escola dos singer-songwriters, intimista e confessional por natureza. A isto adicionavam uma atmosfera que hesitava entre a ruralidade do interior e a sofisticação das costas, este e oeste. Algo próximo de um country-folk de filigrana com laivos de psicadelismo.

Ao escutar “Motel in Saginaw” o disco que a banda gravou em 1973 e que só muito recentemente conheceu publicação, percebe-se que Loudon Wainwright III, CSN&Y, Simon & Garfunkel ou David Blue eram influências decisivas, magistralmente casadas com o bucolismo dos grandes espaços rurais.
A este propósito, um exercício curioso será por exemplo escalpelizar o som dos Arrogance de Don Dixon ( Carolina do Norte ) ou Major Arcana ( Wisconsin ) em meados dos 70s e tentar perceber quem influenciou quem.

Motel in Saginaw” são 13 magnificas canções ( mais 2 porque a edição de vinil inclui também um single com gravações de 1976 ) que ora sugerem o Neil Young da época ( “Blind Darkness” ), a sonoridade impar de Simon & Garfunkel ( “Now that he’s  passed away” ), ou o country-rock sofisticado de Arlo Guthrie ( “Tired Man” ).

Acresce ainda “Romantic Courtship Turns Into Boring Marriage Blues”, um tema que seguramente nunca teria existido caso Loudon Wainwright III não tivesse escrito “Motel Blues” para o seu “Album II”.

Perguntarão: mas por que razão um disco assim demorou 46 anos a ser publicado? Pois …

15/05/19

Heroes are hard to find ( 58 )


Mike Wilhelm

( 1942 - 2019 )

14/05/19

Lost Nuggets ( 134 )


Dennis Coulson, Dixie Dean, Hughie Flint & Tom McGuinness "Lo and Behold" ( DJM DJLPS 424 ) UK, 1972


- "Eternal Circle"
- "Lo and Behold"
- "Let me die in my footsteps"
- "Open the door Homer"
- "Lay down your weary tune"
- "Don't ya tell Henry"
- "Get your rocks off"
- "The death of Emmett Till"
- "Odds and ends"
- "Sign of the Cross"


Canções de Bob Dylan ( à data, 1972, todas as canções permaneciam inéditas no catálogo de Dylan ).

Dennis Coulson ( voz ), Dixie Dean ( voz, baixo, harmónica ), Tom McGuinness ( voz, guitarra, acordeão e banjo ), Hughie Flint ( voz, bateria e tabla ); com: Mike Higg ( piano ), Jimmy Jewell ( clarinete e saxofone ), Paul Rutherford e Harold Beckett ( trombone ), Liza Strike, Barry St. John e Judith Powell ( vozes ).

Produção: Manfred Mann

Capa: foto de Geoff Drury; lettering de Tony Huggett; design de Michael Ross