22/05/19

Stumpwater "Motel in Saginaw"



É uma espécie de quadratura do círculo ou, como é bem agora dizer-se, isto anda tudo ligado.

Os Stumpwater foram ( e permanecem ) um trio semi-acústico que emergiu de Aurora / Illinois no inicio da década de 70 do século passado.

No auge da corrente dos “singer-songwriters” a aderência do trio aquele paradigma, não sendo óbvio, foi natural. Contudo havia algumas nuances no som dos Stumpwater; desde logo incursões para-psicadélicas pouco comuns na escola dos singer-songwriters, intimista e confessional por natureza. A isto adicionavam uma atmosfera que hesitava entre a ruralidade do interior e a sofisticação das costas, este e oeste. Algo próximo de um country-folk de filigrana com laivos de psicadelismo.

Ao escutar “Motel in Saginaw” o disco que a banda gravou em 1973 e que só muito recentemente conheceu publicação, percebe-se que Loudon Wainwright III, CSN&Y, Simon & Garfunkel ou David Blue eram influências decisivas, magistralmente casadas com o bucolismo dos grandes espaços rurais.
A este propósito, um exercício curioso será por exemplo escalpelizar o som dos Arrogance de Don Dixon ( Carolina do Norte ) ou Major Arcana ( Wisconsin ) em meados dos 70s e tentar perceber quem influenciou quem.

Motel in Saginaw” são 13 magnificas canções ( mais 2 porque a edição de vinil inclui também um single com gravações de 1976 ) que ora sugerem o Neil Young da época ( “Blind Darkness” ), a sonoridade impar de Simon & Garfunkel ( “Now that he’s  passed away” ), ou o country-rock sofisticado de Arlo Guthrie ( “Tired Man” ).

Acresce ainda “Romantic Courtship Turns Into Boring Marriage Blues”, um tema que seguramente nunca teria existido caso Loudon Wainwright III não tivesse escrito “Motel Blues” para o seu “Album II”.

Perguntarão: mas por que razão um disco assim demorou 46 anos a ser publicado? Pois …

15/05/19

Heroes are hard to find ( 58 )


Mike Wilhelm

( 1942 - 2019 )

14/05/19

Lost Nuggets ( 134 )


Dennis Coulson, Dixie Dean, Hughie Flint & Tom McGuinness "Lo and Behold" ( DJM DJLPS 424 ) UK, 1972


- "Eternal Circle"
- "Lo and Behold"
- "Let me die in my footsteps"
- "Open the door Homer"
- "Lay down your weary tune"
- "Don't ya tell Henry"
- "Get your rocks off"
- "The death of Emmett Till"
- "Odds and ends"
- "Sign of the Cross"


Canções de Bob Dylan ( à data, 1972, todas as canções permaneciam inéditas no catálogo de Dylan ).

Dennis Coulson ( voz ), Dixie Dean ( voz, baixo, harmónica ), Tom McGuinness ( voz, guitarra, acordeão e banjo ), Hughie Flint ( voz, bateria e tabla ); com: Mike Higg ( piano ), Jimmy Jewell ( clarinete e saxofone ), Paul Rutherford e Harold Beckett ( trombone ), Liza Strike, Barry St. John e Judith Powell ( vozes ).

Produção: Manfred Mann

Capa: foto de Geoff Drury; lettering de Tony Huggett; design de Michael Ross




06/05/19

Jardins do Paraíso ( LIX )




I did have a sense of mission from quite an early stage. It came from finding music and that music made sense to me. It wasn’t particularly driven before that. I could do OK academically, or sports-wise bit I wasn’t particularly dedicated. Of course, I wanted to play cricket for England but I wasn’t dedicated in the way I became with music. It was foolish really because as that time nobody has the slightest clue that anybody’s musical career could go on for longer than five or six years.” ( Peter Hammill )  

Existem várias curiosidades paralelas associadas aos primeiros álbuns dos Genesis ( “From Genesis to Revelation” ) e Van der Graaf Generator ( “The Aerosol Grey Machine” ). Ambos foram gravados e publicados em 1969 ( o último apenas nos Estados Unidos ) ambos resultam da conjugação de talentos de universitários, ambos são dotados de arranjos imaginativos  e letras de qualidade invulgar, ambos mergulham num barroco de inspiração sinfónica e, à época e talvez não por acaso, ambos receberam pouco ou nenhum reconhecimento.

Porém as similitudes terminavam ali.  O colectivo VdGG não integrava um guitarrista, as paisagens sonoras ainda que brilhantes - a bordejar o psicadélico - eram genuinamente complexas, o lirismo de Hammill denso e exigente. A adição de todas estas componentes contribuiu para tornar a música impenetrável a ouvidos mais apressados ou pouco empenhados.   

VdGG tornar-se-ia um grupo de culto com marginal impacto comercial, os Genesis abriram-se a um público mais vasto e heterogéneo.
Projectado como um álbum solo de Peter Hammill ( a banda separou-se após o primeiro single, “People You Were Going To” ) “The Aerosol Grey Machine” apesar de já ter alinhamento e capa concluídos, teve a edição inglesa cancelada para dar lugar a “The Least We Can Do Is Wave To Each Other” aquele que muitos erradamente reputam de primeiro álbum da banda. Anos mais tarde ( 1974 ), acabaria por ser finalmente publicado mas apenas nalguns países da Europa continental.

Cinco décadas volvidas, este álbum tão extraordinário quanto complexo, conhece finalmente uma edição abrangente e definitiva. Detalhando:

- CD incluindo a remasterização dos 11 temas originais

- CD incluindo os lados A e B do single “People You Were Going To”, quatro temas gravados na BBC One Top Gear em 1968 e duas demos datadas de 1967.

- LP em vinil dentro de uma réplica da capa dupla originalmente concebida para o disco

- Réplica em vinil do single  “People You Were Going To / Firebrand”

- Booklet com informação profusa, parte dela até aqui apenas disponível no livro “Van der Graaf Generator, The Book

- Poster concebido por Peter Hammill
Posto isto, faltará apenas referir que “The Aerosol Grey Machine” foi criado por Peter Hammill, Hugh Banton, Keith Ellis e Guy Evans, produzido por John Anthony e,  ainda que não atinja a quase perfeição de alguns dos álbuns posteriores ( “The Least We Can Do Is Wave To Each Other”, “Pawn Hearts” ou “Still Life” ), revela-se um disco absolutamente fora do tempo e do espaço.

Nesse sentido, pode dizer-se que envelheceu de forma perfeita.

16/04/19

Lost Nuggets ( 132 )


Rich Hopkins and The Luminarios "Dirt Town" ( Brake Out Records OUT 118-2 ) CD, USA, 1994


- "Dirt Town"
- "On My Side"
- "Hole"
- "Elizabeth Moy"
- "San Francisco Blvd"
- "Falling Down"
- "When I Was Young" ( Eric Burdon )
- "Trailer Song" ( Hopkins / George )
- "Color of The Day"
- "Tripped"
- "Somewhere Over The Rainbow" ( Tradicional )
- "Last Horchata"
- "She Said"


Rich Hopkins ( canções, voz e guitarras ), com Luminarios: Jeff Kazanov ( baixo, voz e percussão ), Chip Steiner ( bateria ), Craig Schumacher ( voz e trompete ) e Tom Stauffer ( vozes ).

Participações adicionais: Dave Seger ( guitarra ), Mike Glidewell ( baixo ), Jesus Acedo  ( guitarra ), Stefan George ( guitarra slide ), J'Anna Jacoby ( violino ), Maggie Golston ( vozes ), Eric Westfall ( piano ), Linda Winkelman ( flauta ), Bruce Halper ( bateria ) e Mark Perrodin ( baixo ).

Produção de Michael Knuth

Capa: design de Rachel Gutek, fotos de Laura Madden, aguarelas de Rich Hopkins.


10/04/19

Big Front Yard "S/t"



Naturais do Worcestershire e veteranos dos Sundowners e Hard Meat, os irmãos Mick e Steve Dolan encontravam-se no desemprego no inicio dos 70s. Os dois álbuns que gravaram enquanto Hard Meat ( “Hard Meat” e “Through a Window”, respectivamente publicados em Abril e Outubro de 1970  ) apesar do selo de uma major, a  Warner Brothers, e de terem sido razoavelmente apadrinhados pela crítica, não os conduziram ao paraíso.

Dois anos volvidos o duo dá inicio a um novo projecto: Big Front Yard.

Em linha com o tempo, o estilo mudara relativamente ao padrão Hard Meat. Menos inflexões psicadélicas e influências folk-rock, mais soft-country-rock. Algo próximo do explorado na época por bandas como Brinsley Schwarz, Man ou Heads, Hands & Feet.

Entre os anos de 73 e 74 gravam um conjunto de temas não publicados, entre eles um extraordinário “Morning Glory” que traz de volta à memória “When The Eagle Flies” dos Traffic.

Mas é em 1975 que os Big Front Yard atingem o pico da criatividade enquanto grupo. Lançam uma editora privada ( Rampart Records ) onde publicaram um single: “Money-Go-Round / Mad John’s Dream”.

Em simultâneo gravam o seu melhor legado: cinco temas, dos quais se destacam pela extensão e inspiração, “Time it Right”,  “In Your Wagon” e “Godzilla”. Todos com mais de sete minutos e todos suficientemente brilhante para serem incluídos no mesmo  campeonato onde evoluíam bandas hoje ( também ) subestimadas como Bronco, Hookfoot, Help Yourself ou Cochise.

Os três temas, por si só, justificam a audição de “Big Front Yard”, um duplo álbum onde por fim, são disponibilizadas as gravações da banda ( com excepção do lado A do single acima referido ). Porém, de entre os restantes onze títulos há mais, muitas mais excelentes memórias sonoras de um estilo e de uma época que o então emergente pub-rock acabou por abafar.

07/04/19

Artefactos ( 89 )


Postal promocional impresso pela Fábrica Portuguesa de Discos da Rádio Triunfo, Lda, referindo os seis primeiros EPs dos The Byrds publicados em Portugal.
Considerando as referências editoriais dos discos promovidos, o postal deverá ser datado de finais de 1967, inicio de 1968.



05/04/19

Liturgias ( Patti Smith )


"Devoção ( Devotion )", Patti Smith

Edição Quetzal Editores, Abril 2019

Tradução de Hélder Moura Pereira

04/04/19

"Strangers In The Room, A Journey Through The British Folk - Rock Scene 1967 - 73"



Se o Atalho alinhasse - que não alinha - pelo diapasão daqueles que em Janeiro já estão a eleger o melhor disco do ano; diria – embora não o faça – relativamente a “Strangers in the Room” estarmos perante a melhor compilação do ano.


Concentrando-se no período dourado da música popular britânica do século XX, vertente folk-rock, “Strangers In The Room, A Journey Through The British Folk-Rock Scene 1967 – 73” propõe-nos 60 temas de outros tantos nomes, alguns verdadeiramente obscuros, que à época animaram aquela cena.
( Chimera )

Steeleye Span, Trader Horne, Trees, Spirogyra, Pentangle, Prelude, Bridget St. John, Joan Armatrading, C.O.B.,  Shirley Collins, Fairport Convention ( a versão de “Sir Patrick Spens” ainda vocalizada por Sandy Denny não é muito comum, apesar de ter sido já publicada como bonus track na reedição de “Liege and Lief” ) ou Bill Fay ( a demo aqui presente de “Be not so fearful” é pouco menos que sublime ) são nomes reconhecidos e mais ou menos consensuais.

Os Jade de Marian Segal, Alan James Eastwood, Knocker Jungle, Robin Scott, Gary Farr, The Woods Band, Al Jones, , Mike Cooper ou Steve Tilston por exemplo, já não o serão tanto. Os temas recuperados em “Strangers In The Room” poderão funcionar como ponto de partida para a descoberta de obras maiores a que o tempo, generoso,  acrescentou uma significativa camada de patine.
( Lifeblud )

Mas a substância, a verdadeira substância desta compilação, encontramo-la em temas gravados mas não publicados ao tempo. De entre estes o Atalho sublinharia “Sad Song For Winter” ( Chimera ), “Woodstock” ( Matthews Southern Comfort ) numa mistura onde pela primeira vez se podem escutar as guitarras acústicas, “The Man Who Called Himself Jesus” ( Strawbs ) outra mistura inédita, “Pucka-Ri” ( Urban Clearway ), “Riverboat” ( Dando Shaft ), “What I Am” ( Fresh Maggots ), “River of Fortune” ( Heron ), “Beverley market meeting” ( Jude ) ou “Waxing Of The Moon” ( Lifeblud ).

A tudo isto junta-se um booklet elaborado com o rigor cronológico-biográfico a que David Wells já nos habituou, polvilhado aqui e ali por pequenas histórias de ir às lágrimas.


25/03/19

Heroes are hard to find ( 57 )


Scott Walker

( 1943 - 2019 )

18/03/19

Heroes are hard to find ( 56 )


Yuya Uchida

( Flower Travellin' Band )

1939 - 2019