06/05/19

Jardins do Paraíso ( LIX )




I did have a sense of mission from quite an early stage. It came from finding music and that music made sense to me. It wasn’t particularly driven before that. I could do OK academically, or sports-wise bit I wasn’t particularly dedicated. Of course, I wanted to play cricket for England but I wasn’t dedicated in the way I became with music. It was foolish really because as that time nobody has the slightest clue that anybody’s musical career could go on for longer than five or six years.” ( Peter Hammill )  

Existem várias curiosidades paralelas associadas aos primeiros álbuns dos Genesis ( “From Genesis to Revelation” ) e Van der Graaf Generator ( “The Aerosol Grey Machine” ). Ambos foram gravados e publicados em 1969 ( o último apenas nos Estados Unidos ) ambos resultam da conjugação de talentos de universitários, ambos são dotados de arranjos imaginativos  e letras de qualidade invulgar, ambos mergulham num barroco de inspiração sinfónica e, à época e talvez não por acaso, ambos receberam pouco ou nenhum reconhecimento.

Porém as similitudes terminavam ali.  O colectivo VdGG não integrava um guitarrista, as paisagens sonoras ainda que brilhantes - a bordejar o psicadélico - eram genuinamente complexas, o lirismo de Hammill denso e exigente. A adição de todas estas componentes contribuiu para tornar a música impenetrável a ouvidos mais apressados ou pouco empenhados.   

VdGG tornar-se-ia um grupo de culto com marginal impacto comercial, os Genesis abriram-se a um público mais vasto e heterogéneo.
Projectado como um álbum solo de Peter Hammill ( a banda separou-se após o primeiro single, “People You Were Going To” ) “The Aerosol Grey Machine” apesar de já ter alinhamento e capa concluídos, teve a edição inglesa cancelada para dar lugar a “The Least We Can Do Is Wave To Each Other” aquele que muitos erradamente reputam de primeiro álbum da banda. Anos mais tarde ( 1974 ), acabaria por ser finalmente publicado mas apenas nalguns países da Europa continental.

Cinco décadas volvidas, este álbum tão extraordinário quanto complexo, conhece finalmente uma edição abrangente e definitiva. Detalhando:

- CD incluindo a remasterização dos 11 temas originais

- CD incluindo os lados A e B do single “People You Were Going To”, quatro temas gravados na BBC One Top Gear em 1968 e duas demos datadas de 1967.

- LP em vinil dentro de uma réplica da capa dupla originalmente concebida para o disco

- Réplica em vinil do single  “People You Were Going To / Firebrand”

- Booklet com informação profusa, parte dela até aqui apenas disponível no livro “Van der Graaf Generator, The Book

- Poster concebido por Peter Hammill
Posto isto, faltará apenas referir que “The Aerosol Grey Machine” foi criado por Peter Hammill, Hugh Banton, Keith Ellis e Guy Evans, produzido por John Anthony e,  ainda que não atinja a quase perfeição de alguns dos álbuns posteriores ( “The Least We Can Do Is Wave To Each Other”, “Pawn Hearts” ou “Still Life” ), revela-se um disco absolutamente fora do tempo e do espaço.

Nesse sentido, pode dizer-se que envelheceu de forma perfeita.

16/04/19

Lost Nuggets ( 132 )


Rich Hopkins and The Luminarios "Dirt Town" ( Brake Out Records OUT 118-2 ) CD, USA, 1994


- "Dirt Town"
- "On My Side"
- "Hole"
- "Elizabeth Moy"
- "San Francisco Blvd"
- "Falling Down"
- "When I Was Young" ( Eric Burdon )
- "Trailer Song" ( Hopkins / George )
- "Color of The Day"
- "Tripped"
- "Somewhere Over The Rainbow" ( Tradicional )
- "Last Horchata"
- "She Said"


Rich Hopkins ( canções, voz e guitarras ), com Luminarios: Jeff Kazanov ( baixo, voz e percussão ), Chip Steiner ( bateria ), Craig Schumacher ( voz e trompete ) e Tom Stauffer ( vozes ).

Participações adicionais: Dave Seger ( guitarra ), Mike Glidewell ( baixo ), Jesus Acedo  ( guitarra ), Stefan George ( guitarra slide ), J'Anna Jacoby ( violino ), Maggie Golston ( vozes ), Eric Westfall ( piano ), Linda Winkelman ( flauta ), Bruce Halper ( bateria ) e Mark Perrodin ( baixo ).

Produção de Michael Knuth

Capa: design de Rachel Gutek, fotos de Laura Madden, aguarelas de Rich Hopkins.


10/04/19

Big Front Yard "S/t"



Naturais do Worcestershire e veteranos dos Sundowners e Hard Meat, os irmãos Mick e Steve Dolan encontravam-se no desemprego no inicio dos 70s. Os dois álbuns que gravaram enquanto Hard Meat ( “Hard Meat” e “Through a Window”, respectivamente publicados em Abril e Outubro de 1970  ) apesar do selo de uma major, a  Warner Brothers, e de terem sido razoavelmente apadrinhados pela crítica, não os conduziram ao paraíso.

Dois anos volvidos o duo dá inicio a um novo projecto: Big Front Yard.

Em linha com o tempo, o estilo mudara relativamente ao padrão Hard Meat. Menos inflexões psicadélicas e influências folk-rock, mais soft-country-rock. Algo próximo do explorado na época por bandas como Brinsley Schwarz, Man ou Heads, Hands & Feet.

Entre os anos de 73 e 74 gravam um conjunto de temas não publicados, entre eles um extraordinário “Morning Glory” que traz de volta à memória “When The Eagle Flies” dos Traffic.

Mas é em 1975 que os Big Front Yard atingem o pico da criatividade enquanto grupo. Lançam uma editora privada ( Rampart Records ) onde publicaram um single: “Money-Go-Round / Mad John’s Dream”.

Em simultâneo gravam o seu melhor legado: cinco temas, dos quais se destacam pela extensão e inspiração, “Time it Right”,  “In Your Wagon” e “Godzilla”. Todos com mais de sete minutos e todos suficientemente brilhante para serem incluídos no mesmo  campeonato onde evoluíam bandas hoje ( também ) subestimadas como Bronco, Hookfoot, Help Yourself ou Cochise.

Os três temas, por si só, justificam a audição de “Big Front Yard”, um duplo álbum onde por fim, são disponibilizadas as gravações da banda ( com excepção do lado A do single acima referido ). Porém, de entre os restantes onze títulos há mais, muitas mais excelentes memórias sonoras de um estilo e de uma época que o então emergente pub-rock acabou por abafar.

07/04/19

Artefactos ( 89 )


Postal promocional impresso pela Fábrica Portuguesa de Discos da Rádio Triunfo, Lda, referindo os seis primeiros EPs dos The Byrds publicados em Portugal.
Considerando as referências editoriais dos discos promovidos, o postal deverá ser datado de finais de 1967, inicio de 1968.



05/04/19

Liturgias ( Patti Smith )


"Devoção ( Devotion )", Patti Smith

Edição Quetzal Editores, Abril 2019

Tradução de Hélder Moura Pereira

04/04/19

"Strangers In The Room, A Journey Through The British Folk - Rock Scene 1967 - 73"



Se o Atalho alinhasse - que não alinha - pelo diapasão daqueles que em Janeiro já estão a eleger o melhor disco do ano; diria – embora não o faça – relativamente a “Strangers in the Room” estarmos perante a melhor compilação do ano.


Concentrando-se no período dourado da música popular britânica do século XX, vertente folk-rock, “Strangers In The Room, A Journey Through The British Folk-Rock Scene 1967 – 73” propõe-nos 60 temas de outros tantos nomes, alguns verdadeiramente obscuros, que à época animaram aquela cena.
( Chimera )

Steeleye Span, Trader Horne, Trees, Spirogyra, Pentangle, Prelude, Bridget St. John, Joan Armatrading, C.O.B.,  Shirley Collins, Fairport Convention ( a versão de “Sir Patrick Spens” ainda vocalizada por Sandy Denny não é muito comum, apesar de ter sido já publicada como bonus track na reedição de “Liege and Lief” ) ou Bill Fay ( a demo aqui presente de “Be not so fearful” é pouco menos que sublime ) são nomes reconhecidos e mais ou menos consensuais.

Os Jade de Marian Segal, Alan James Eastwood, Knocker Jungle, Robin Scott, Gary Farr, The Woods Band, Al Jones, , Mike Cooper ou Steve Tilston por exemplo, já não o serão tanto. Os temas recuperados em “Strangers In The Room” poderão funcionar como ponto de partida para a descoberta de obras maiores a que o tempo, generoso,  acrescentou uma significativa camada de patine.
( Lifeblud )

Mas a substância, a verdadeira substância desta compilação, encontramo-la em temas gravados mas não publicados ao tempo. De entre estes o Atalho sublinharia “Sad Song For Winter” ( Chimera ), “Woodstock” ( Matthews Southern Comfort ) numa mistura onde pela primeira vez se podem escutar as guitarras acústicas, “The Man Who Called Himself Jesus” ( Strawbs ) outra mistura inédita, “Pucka-Ri” ( Urban Clearway ), “Riverboat” ( Dando Shaft ), “What I Am” ( Fresh Maggots ), “River of Fortune” ( Heron ), “Beverley market meeting” ( Jude ) ou “Waxing Of The Moon” ( Lifeblud ).

A tudo isto junta-se um booklet elaborado com o rigor cronológico-biográfico a que David Wells já nos habituou, polvilhado aqui e ali por pequenas histórias de ir às lágrimas.


25/03/19

Heroes are hard to find ( 57 )


Scott Walker

( 1943 - 2019 )

18/03/19

Heroes are hard to find ( 56 )


Yuya Uchida

( Flower Travellin' Band )

1939 - 2019

13/03/19

Lost Nuggets ( 133 )


Anne Briggs "Sing a Song for you" ( Fledg'Ling FLED 3008 ) CD, UK, 1996


- "Hills of Greenmor" ( trad arr Anne Briggs )
- "Sing a Song For You"
- "Sovay" ( trad adp A L Lloyd )
- "I Thought I Saw You Again"
- "Summer's In"
- "Travelling's Easy"
- "The Bonambuie" ( trad arr Anne Briggs )
- "Tongue in Cheek"
- "Bird In The Bush" ( trad adt A L Lloud )
- "Sullivan's John" ( trad arr Anne Briggs )


Anne Briggs: canções ( excepto as indicadas ), voz, guitarra acústica e bouzouki, com: Barry Dransfield ( violino ) e os Ragged Robin : Steve Ashley ( voz e harmónica ), Richard Byers ( voz, guitarra e mandolin ), Brian Diprose ( baixo ) e John Thompson ( bateria ).

Gravações efectuadas nos R G Studios, Londres, Março de 1973

Produção de Terry Brown.




05/03/19

Galactic Ramble ( 2019 )


 


"Galactic Ramble"

A critical guide to British popular music of the 1960s and 1970s

Edição privada de Richard Morton Jack, 920 páginas, 500 exemplares.

Face à dimensão e importância histórica deste livro é provável que o Atalho feche o estabelecimento pelo menos até ao verão.

26/02/19

Heroes are hard to find ( 55 )


Mark Hollis

( 1955 - 2019 )


A propósito de "Spirit of Eden" ( in Jornal Blitz 22 de Novembro de 1988 )


20/02/19

Artefactos ( 88 )



É comum entre aqueles que se interessam pela música popular, existir um ano / período preferido.  Por mais que se recorra à dialéctica, trata-se no fundo e apenas de uma questão de âmbito geracional,  onde a identificação cultural e social se sobrepõe a uma eventual atitude nostálgica, prateleira onde de uma forma simplista muitos tendem a arrumar a matéria.

Aqui pelo quartel general do Atalho o ano de eleição é 1971. Podia ser 1967, 68, 70 ou 80. Mas não, 1971 é o ano.

Desde logo porque os Beatles já não existiam enquanto grupo. Depois porque foi o ano de “Sticky Fingers” ( Stones ), “Meddle” (Floyd ), “Blue” ( Mitchell), “Pawn Hearts” ( Van der Graaf Generator ), “No Roses” ( Shirley Collins ) ou “Help Yourself” entre muitos outros como adiante se verá.

Quando em meados de Fevereiro de 1972 dei de caras com a publicação bimensal “A Memória do Elefante”, na qual se fazia o balanço do ano anterior, a identificação foi quase total. À data, com o que se sabia e o que se podia escutar, fazia sentido. Hoje é  evidente que aquele balanço está longe de ser perfeito. Tanto no que respeita a algumas das entradas como nas muitas omissões.

Ainda assim a lista de álbuns inclui cerca de uma dezena dos meus discos para a ilha deserta, com “If I Could Only Remember My Name” à cabeça. A esses juntaria os acima mencionados e uns quantos mais que hoje reputo de fundamentais para perceber o fenómeno da música de então.


Procurem os discos publicados em 71 por Paul Jones, Tom Rapp, Andy Roberts, Sly Stone, Steeleye Span, David Blue, Caravan, John Cale, Sandy Denny, Fairport Convention, Flamin’ Groovies, Anne Briggs, Mighty Baby, Genesis, Bill Fay, Peter Hammill, Gene Clark, Tripsichord, ou Flower Travellin’ Band e estão quase lá.




14/02/19

Mandrake Paddle Steamer "Pandemonium Shadow Show"



Até há pouco, o que se conhecia dos Mandrake Paddle Steamer  resumia-se a  um single lendário ( “Strange Walking man”, Parlophone, 1969 ) e a uns quantos bootlegs de fraca qualidade aúdio que apenas serviam para alimentar um pequeno nicho de indefectíveis do psicadelismo inglês dos 60s, em nada contribuindo para consolidar a boa reputação da banda.

Pandemonium Shadow Show”, compila gravações inéditas e vem finalmente colmatar uma lacuna que  muitos julgavam definitiva.

Nascidos e criados em Londres, naquele período musicalmente rico em que o vento fazia a curva do psicadelismo versus progressivo ( 1968 – 1970 ) os Mandrake Paddle Steamer primeiro, Mandrake simplesmente depois, praticavam um misto dos dois estilos, usando a abusando das guitarras fuzz, complementadas com extensos lençóis sonoros, cortesia do mellotron e do órgão Hammond.

Subiram ao palco do festival da Ilha de Wight, tocaram em eventos dos Pink Floyd, The Nice e Vanilla Fudge ( em 69 viram publicado apenas na Suécia “Sunlight Glide”, um single atípico e melancólico que integrava a banda sonora do filme “Skottet” ), porém a promessa de integrarem o catálogo da Harvest ( editora satélite que o grupo EMI/ Parlophone lançou à época para não perder o comboio do progressivo ) nunca se concretizou.

Dizer contudo que, na sua generalidade, “Pandemonium Shadow Show” é um lugar muito simpático de frequentar, mesmo para aqueles a quem o velho estigma do progressivo provoca algum desconforto.

O tema título é construído por cima de um riff viciante, decorado por coloridas harmonias a fazer recordar os Blossom Toes; “Solitair  Husk” e “The World Whistles By”, crescendo ambas a partir de rítmicas marciais às quais é acrescentado um órgão “Vertigo” ( em espiral, entenda-se ), posicionam-se a meio caminho entre os The Nice, Atomic Rooster e os Floyd de Syd Barrett.

“Stella Mermaid” mantém o tom marcial adicionando-lhe a vertente atmosférica de “More”. Em sentido contrário, “Doris The Piper” e “Simples Song” ( as duas datadas de 1970 ) estão demasiado próximas da auto-indulgência Emerson Lake & Palmer para merecerem a posteridade.

Perspectivando: não é difícil entender por que razão estas canções não foram publicadas. Na época em que foram gravadas, sons e projectos similares pululavam como cogumelos outonais. À distância de cinco décadas adquirem porém uma outra dimensão, quiçá importância. Históricas sobretudo.

06/02/19

Sarah Louise "Nighttime Birds and Morning Stars"



Esperar o inesperado. A atitude mais sensata ante o talento silencioso de Sarah Louise.

Depois de em 2017 ter assinado com Sally Anne Morgan o magnífico “House and Land” e de “Deeper Woods”, o álbum a solo do ano passado, Sarah Louise optou por fazer uma pausa na vertente tradicionalista, colocando as sonoridades inspiradas pelas cordilheiras dos Appalaches em stand by.

Quem chegar a “Nighttime Birds and Morning Stars” sem conhecer os dois discos atrás referidos certamente julgará tratar-se de uma outra artista. A ligação à natureza e as preocupações ecológicas estão presentes, mas a roupagem das canções caracteriza-se por uma sofisticação até aqui inédita na artista.

Desta forma, ainda que lá atrás permaneçam esboços dos sons emergentes das paisagens rurais da Carolina do Norte, “Nighttime Birds and Morning Stars” é um disco predominantemente urbano; simultaneamente arrojado e diversificado.

A habitual 12 cordas acústica foi substituída pela guitarra eléctrica e as sonoridades que cria ao longo dos oito temas do disco bordejam a música ambiente, a improvisação avant-garde ou o jazz contemporâneo.

Alguns dos temas ( “Ancient  Intelligence”, “Rime”, “Chitin Flight” ) muito provavelmente de forma involuntária, ecoam ainda aquele psicadelismo angular e aditivo com que o neo zelandês Roy Montgomery  nos brindou na década de 90 do século passado.

Mera coincidência ou talvez não, a estrutura de certos temas e a forma como as teclas/sintetizadores os envolvem ( “Swarming at the Threshold” , “Late Night Healing Choir” ) reconduzem-nos também até às visionárias paisagens sonoras com que os Tarentel coloriram São Francisco no dealbar do milénio.

Nighttime Birds and Morning Stars” é um trabalho tão desafiante para quem o escuta como seguramente o foi para quem o pensou e lhe conferiu forma. Neste âmbito, não será muito arriscado afirmar estarmos perante um futuro clássico moderno.

01/02/19

"Come Join My Orchestra, The British Baroque Pop Sound 1967 - 1973"



Dirão alguns: faltam aqui Nick Drake, Andy Roberts, Duncan Browne, Danny Kirwan, Mick Softley, Gary Farr, Sunforest, Fuschia, Caravan ou até Peter Hammill. Verdade. Todavia aqui pelo Atalho não se conhece nenhuma compilação que tenha sido capaz de satisfazer todos os potenciais aderentes. Mesmo aquelas que à partida surgiam melhor pensadas e estruturadas.

Come Join My Orchestra, The British Baroque Pop Sound 1967 – 1973” representa uma das colectâneas mais estimulantes com que nos cruzámos nos últimos anos; pelo que nos propõe, pelo aturado e detalhado enquadramento histórico mas, sobretudo, pelas inúmeras sugestões que deixa para futuras investigações.

Consultem aqui (https://www.cherryred.co.uk/product/come-join-my-orchestra-the-british-baroque-pop-sound-1967-73-various-artists-3cd-clamshell-boxset/) a lista dos 60 temas incluídos, imaginem o detalhe e precisão das notas cronológico-biográficas que ilustram cada entrada e ficarão com uma ideia aproximada do que é um trabalho sério de divulgação e preservação de um dos segmentos mais inspiradores da história da música britânica.

16/01/19

The Choir "Artifact: The Unreleased Album"



Mentor, Cleveland / Ohio, 1964. Influenciados pela chamada “British Invasion” um grupo de miúdos forma uma banda. Auto denominam-se The Mods. Gravam dois singles imberbes. Dois anos volvidos decidem mudar o nome para The Choir.

No período compreendido entre 66 e 70 a formação sofreu meia dúzia de alterações. Por lá passaram entre outros Joe Walsh ( futuro guitarrista de James Gang e dos Eagles ) e Eric Carmen ( membro fundador dos Raspberries, mais tarde solo mainstream pop singer ). O resultado foi a publicação de um conjunto de singles de entre os quais um que ficou para memória futura: “It’s Cold Outside”.

Estabilizados na forma de um quinteto:  Phil Giallombardo ( órgão ), Randy Klawon ( guitarra ), Denny Carleton ( baixo ),  Jim Bonfanti ( bateria ) e Kenny Margolis ( piano ), em Fevereiro de 1969 os The Choir gravam um conjunto de canções destinadas à publicação do seu primeiro álbum. Do resultado daquelas sessões não houve noticias durante cerca de 48 anos; até que alguém recentemente escutou as fitas e decidiu avançar para a respectiva publicação.


E a pergunta que hoje se coloca é: what if … ? Sim, o que teria acontecido se  Artifact: The Unreleased Album” tivesse sido dado a conhecer a seu tempo?

Acantonadas entre  clássicas harmonias pop / rock, o vaudeville pop dos Kinks ( não é surpreendente a versão de “David Watts”, um original de Ray Davies para o álbum “Something Else” ), o pop escorreito dos Bee Gees da época e as teclas ( órgão sobretudo ) roubadas aos primeiros discos dos Procol Harum ou The Band, as 10 canções que integram “Artifact” são um puro deleite, qualquer que seja a perspectiva escolhida para a abordagem.

“Anyway I can” ou “If these are men” antecipam o power pop dos Raspberries ( banda que uma parte dos The Choir viria a formar em 1972 ), “Ladybug” é Procol Harum em estado puro, “For Eric” um tema jazz incrustado por óbvia latinidade e, “It’s All Over” um   mini épico que Robin Gibb não se teria importado de assinar.

Tudo somado, “Artifact: The Unreleased Album” é constituído por um conjunto de canções de mão cheia, com as “bridges” e “chorus” no devido sítio, repleto de cativantes melodias, arranjos por vezes complexos mas sempre apelativos.

“What If …?” é de facto uma pergunta pertinente.

13/01/19

Artefactos ( 87 )


"Off The Wall, Psychedelic Rock Posters from San Francisco"

Amélie Gastaut e Jean-Pierre Criqui

Thames & Hudson Ltd, London, 2005


Big Five San Francisco Artists: da esquerda para a direita, Alton Kelley, Victor Moscoso, Rick Griffin, Wes Wilson e Stanley Mouse.
Foto de Bob Seidemann, 1967


( Wes Wilson )  



( Rick Griffin )


( Stanley Mouse )

10/01/19

Lost Nuggets ( 131 )




"5" ( Hux Records ) CD, UK, 2004


- "Light your way"
- "Cowboy Song"
- "Monkey Wrench"
- "Romance In a Tin"
- "Grace"
- "Martha"
- "Monkey Wrench" ( Reprise )
- "The Rock"
- "Willow"
- "Alley cat"
- "Duneburgers"

Help Yourself: Richard Treece ( guitarra ), Ken Whaley ( baixo ), Malcolm Morley ( voz, guitarra e piano ), Dave Charles ( voz e bateria ), Sean Tyla ( guitarra ), Deke Leonard ( guitarra ) e Kevin Spacey ( bateria ).

Todos os temas gravados nos estúdios Chipping Norton, Oxfordshire em 1973, com excepção dos temas 4, 8 e 10 gravados no inverno de 2002/2003.

Capa: ilustração de Rick Griffin, design de Synoptik.


31/12/18

Chris Thompson "Drunken Nights in Dublin"




James M. Cain estava coberto de razão quando em 1934 publicou “The Postman Always Rings Twice”.

O carteiro toca de facto sempre duas vezes. Comprovou-se um destes dias, quando a campainha retiniu duas vezes para que o dito me pudesse entregar uma das encomendas mais esperadas nos últimos tempos aqui no Atalho: “Drunken Nights in Dublin”.

Natural de Hamilton / Nova Zelândia, Chris Thompson é responsável por um dos meus discos para a ilha deserta: “Chris Thompson( Village Thing, UK, 1973 ), um dos melhores álbuns de “acid folk” da década. Antes e sobretudo depois, cultor de um percurso artístico vizinho do irrepreensível,  Thompson é um daqueles raros criadores que só vem a terreiro quando tem algo de importante ou diferente para dizer.


Foi assim quando gravou o álbum de estreia, foi também assim quando partilhou experiências, palcos e estúdios com Julie Felix, Gay and Terry Woods, Davy Graham, Rosemary Hardman, Clem Alford, Quintessence, Horslips, Wizz Jones, Sonny Terry, Mike Heron ou Stevie Ray Vaughan.


A vertente literária foi cúmplice assídua, permanecendo sempre por perto. T. S. Elliot ou Cristina Rossetti são nesta matéria influências patentes.

O referido álbum “Chris Thompson” foi objecto de uma edição limitada, tendo sido pouco ou nada promovido à época. Como consequência conheceu “tanto sucesso” como os três opus gravados um par de anos antes por Nick Drake.

Antes de regressar à Nova Zelândia o autor residiu e trabalhou temporariamente em Dublin e foi aí que nasceu a estrutura do projectado segundo álbum. Na altura a  intenção não passou disso mesmo, todavia deu origem a um conjunto de gravações entretanto vertidas para um acetato.

A história conta-se assim:

The master tapes assembled by Chris for this then proposed release were transferred to a single stereo acetate paid by Chris, by Apple Corps in London in 1974. Chris shipped his collection of first generation master tapes back to New Zealand with him in 1975, but these were sadly lost in a later domestic house fire in 1982. Same master tapes in various forms have survived in other ways, such as those used on his self-titled debut album. Chris left the acetate at the EMI Studios in Middlesex in England with a view to it being produced in to a LP for his second album, just prior to his hasty return home. The acetate remained at EMI for many  years before being moved, reason unknown, to a well-known record shop in Soho, then on to a specialist record shop in London for a further twenty years or so. The artist was identified using Shazam, before the acetate was advertised as a ‘rather mysterious album thought to have connections to George Harrison’ for sale on eBay in March, 2018.”
( Acetato )

O que todos os fãs, investigadores e curiosos têm agora é a possibilidade de finalmente aceder ao projecto inicial de Chris Thompson, tal como o autor o terá imaginado em tempo.

12 temas, 6 dos quais inéditos, sendo que os restantes foram ou usados no álbum de estreia ou posteriormente recuperados para os discos que o compositor publicou já na Nova Zelândia, designadamente “Echoes From The Pit” ( 1976 ) e “Minstrelsy” ( 1977 ).

Do “folk” ao “rock”, passando por géneros como “jug band”, “spoken word”,  “psych folk” ou “ska-rock steady”, “Drunken Nights in Dublin” é, também por inesperado, um manancial de emoções que o tempo não esmoreceu, ao contrário potenciou.

Se o Atalho prefere todo o génio que o álbum estreia de 1973 encerra? Sem dúvida! Mas este “Drunken Nights in Dublin” é seguramente um grande complemento para o retrato de Thompson enquanto jovem artista. Além de que a versão inclusa do clássico “Dead Flowers” dos Stones é um must.
( 12" EP numerado e limitado a 200 cópias )

Ps: a edição, limitada, encontra-se disponível em versões complementares: Box Set, LP, 12” EP numerado, CD e single 7”.