06/05/19

Jardins do Paraíso ( LIX )




I did have a sense of mission from quite an early stage. It came from finding music and that music made sense to me. It wasn’t particularly driven before that. I could do OK academically, or sports-wise bit I wasn’t particularly dedicated. Of course, I wanted to play cricket for England but I wasn’t dedicated in the way I became with music. It was foolish really because as that time nobody has the slightest clue that anybody’s musical career could go on for longer than five or six years.” ( Peter Hammill )  

Existem várias curiosidades paralelas associadas aos primeiros álbuns dos Genesis ( “From Genesis to Revelation” ) e Van der Graaf Generator ( “The Aerosol Grey Machine” ). Ambos foram gravados e publicados em 1969 ( o último apenas nos Estados Unidos ) ambos resultam da conjugação de talentos de universitários, ambos são dotados de arranjos imaginativos  e letras de qualidade invulgar, ambos mergulham num barroco de inspiração sinfónica e, à época e talvez não por acaso, ambos receberam pouco ou nenhum reconhecimento.

Porém as similitudes terminavam ali.  O colectivo VdGG não integrava um guitarrista, as paisagens sonoras ainda que brilhantes - a bordejar o psicadélico - eram genuinamente complexas, o lirismo de Hammill denso e exigente. A adição de todas estas componentes contribuiu para tornar a música impenetrável a ouvidos mais apressados ou pouco empenhados.   

VdGG tornar-se-ia um grupo de culto com marginal impacto comercial, os Genesis abriram-se a um público mais vasto e heterogéneo.
Projectado como um álbum solo de Peter Hammill ( a banda separou-se após o primeiro single, “People You Were Going To” ) “The Aerosol Grey Machine” apesar de já ter alinhamento e capa concluídos, teve a edição inglesa cancelada para dar lugar a “The Least We Can Do Is Wave To Each Other” aquele que muitos erradamente reputam de primeiro álbum da banda. Anos mais tarde ( 1974 ), acabaria por ser finalmente publicado mas apenas nalguns países da Europa continental.

Cinco décadas volvidas, este álbum tão extraordinário quanto complexo, conhece finalmente uma edição abrangente e definitiva. Detalhando:

- CD incluindo a remasterização dos 11 temas originais

- CD incluindo os lados A e B do single “People You Were Going To”, quatro temas gravados na BBC One Top Gear em 1968 e duas demos datadas de 1967.

- LP em vinil dentro de uma réplica da capa dupla originalmente concebida para o disco

- Réplica em vinil do single  “People You Were Going To / Firebrand”

- Booklet com informação profusa, parte dela até aqui apenas disponível no livro “Van der Graaf Generator, The Book

- Poster concebido por Peter Hammill
Posto isto, faltará apenas referir que “The Aerosol Grey Machine” foi criado por Peter Hammill, Hugh Banton, Keith Ellis e Guy Evans, produzido por John Anthony e,  ainda que não atinja a quase perfeição de alguns dos álbuns posteriores ( “The Least We Can Do Is Wave To Each Other”, “Pawn Hearts” ou “Still Life” ), revela-se um disco absolutamente fora do tempo e do espaço.

Nesse sentido, pode dizer-se que envelheceu de forma perfeita.

16/04/19

Lost Nuggets ( 132 )


Rich Hopkins and The Luminarios "Dirt Town" ( Brake Out Records OUT 118-2 ) CD, USA, 1994


- "Dirt Town"
- "On My Side"
- "Hole"
- "Elizabeth Moy"
- "San Francisco Blvd"
- "Falling Down"
- "When I Was Young" ( Eric Burdon )
- "Trailer Song" ( Hopkins / George )
- "Color of The Day"
- "Tripped"
- "Somewhere Over The Rainbow" ( Tradicional )
- "Last Horchata"
- "She Said"


Rich Hopkins ( canções, voz e guitarras ), com Luminarios: Jeff Kazanov ( baixo, voz e percussão ), Chip Steiner ( bateria ), Craig Schumacher ( voz e trompete ) e Tom Stauffer ( vozes ).

Participações adicionais: Dave Seger ( guitarra ), Mike Glidewell ( baixo ), Jesus Acedo  ( guitarra ), Stefan George ( guitarra slide ), J'Anna Jacoby ( violino ), Maggie Golston ( vozes ), Eric Westfall ( piano ), Linda Winkelman ( flauta ), Bruce Halper ( bateria ) e Mark Perrodin ( baixo ).

Produção de Michael Knuth

Capa: design de Rachel Gutek, fotos de Laura Madden, aguarelas de Rich Hopkins.


10/04/19

Big Front Yard "S/t"



Naturais do Worcestershire e veteranos dos Sundowners e Hard Meat, os irmãos Mick e Steve Dolan encontravam-se no desemprego no inicio dos 70s. Os dois álbuns que gravaram enquanto Hard Meat ( “Hard Meat” e “Through a Window”, respectivamente publicados em Abril e Outubro de 1970  ) apesar do selo de uma major, a  Warner Brothers, e de terem sido razoavelmente apadrinhados pela crítica, não os conduziram ao paraíso.

Dois anos volvidos o duo dá inicio a um novo projecto: Big Front Yard.

Em linha com o tempo, o estilo mudara relativamente ao padrão Hard Meat. Menos inflexões psicadélicas e influências folk-rock, mais soft-country-rock. Algo próximo do explorado na época por bandas como Brinsley Schwarz, Man ou Heads, Hands & Feet.

Entre os anos de 73 e 74 gravam um conjunto de temas não publicados, entre eles um extraordinário “Morning Glory” que traz de volta à memória “When The Eagle Flies” dos Traffic.

Mas é em 1975 que os Big Front Yard atingem o pico da criatividade enquanto grupo. Lançam uma editora privada ( Rampart Records ) onde publicaram um single: “Money-Go-Round / Mad John’s Dream”.

Em simultâneo gravam o seu melhor legado: cinco temas, dos quais se destacam pela extensão e inspiração, “Time it Right”,  “In Your Wagon” e “Godzilla”. Todos com mais de sete minutos e todos suficientemente brilhante para serem incluídos no mesmo  campeonato onde evoluíam bandas hoje ( também ) subestimadas como Bronco, Hookfoot, Help Yourself ou Cochise.

Os três temas, por si só, justificam a audição de “Big Front Yard”, um duplo álbum onde por fim, são disponibilizadas as gravações da banda ( com excepção do lado A do single acima referido ). Porém, de entre os restantes onze títulos há mais, muitas mais excelentes memórias sonoras de um estilo e de uma época que o então emergente pub-rock acabou por abafar.

07/04/19

Artefactos ( 89 )


Postal promocional impresso pela Fábrica Portuguesa de Discos da Rádio Triunfo, Lda, referindo os seis primeiros EPs dos The Byrds publicados em Portugal.
Considerando as referências editoriais dos discos promovidos, o postal deverá ser datado de finais de 1967, inicio de 1968.



05/04/19

Liturgias ( Patti Smith )


"Devoção ( Devotion )", Patti Smith

Edição Quetzal Editores, Abril 2019

Tradução de Hélder Moura Pereira

04/04/19

"Strangers In The Room, A Journey Through The British Folk - Rock Scene 1967 - 73"



Se o Atalho alinhasse - que não alinha - pelo diapasão daqueles que em Janeiro já estão a eleger o melhor disco do ano; diria – embora não o faça – relativamente a “Strangers in the Room” estarmos perante a melhor compilação do ano.


Concentrando-se no período dourado da música popular britânica do século XX, vertente folk-rock, “Strangers In The Room, A Journey Through The British Folk-Rock Scene 1967 – 73” propõe-nos 60 temas de outros tantos nomes, alguns verdadeiramente obscuros, que à época animaram aquela cena.
( Chimera )

Steeleye Span, Trader Horne, Trees, Spirogyra, Pentangle, Prelude, Bridget St. John, Joan Armatrading, C.O.B.,  Shirley Collins, Fairport Convention ( a versão de “Sir Patrick Spens” ainda vocalizada por Sandy Denny não é muito comum, apesar de ter sido já publicada como bonus track na reedição de “Liege and Lief” ) ou Bill Fay ( a demo aqui presente de “Be not so fearful” é pouco menos que sublime ) são nomes reconhecidos e mais ou menos consensuais.

Os Jade de Marian Segal, Alan James Eastwood, Knocker Jungle, Robin Scott, Gary Farr, The Woods Band, Al Jones, , Mike Cooper ou Steve Tilston por exemplo, já não o serão tanto. Os temas recuperados em “Strangers In The Room” poderão funcionar como ponto de partida para a descoberta de obras maiores a que o tempo, generoso,  acrescentou uma significativa camada de patine.
( Lifeblud )

Mas a substância, a verdadeira substância desta compilação, encontramo-la em temas gravados mas não publicados ao tempo. De entre estes o Atalho sublinharia “Sad Song For Winter” ( Chimera ), “Woodstock” ( Matthews Southern Comfort ) numa mistura onde pela primeira vez se podem escutar as guitarras acústicas, “The Man Who Called Himself Jesus” ( Strawbs ) outra mistura inédita, “Pucka-Ri” ( Urban Clearway ), “Riverboat” ( Dando Shaft ), “What I Am” ( Fresh Maggots ), “River of Fortune” ( Heron ), “Beverley market meeting” ( Jude ) ou “Waxing Of The Moon” ( Lifeblud ).

A tudo isto junta-se um booklet elaborado com o rigor cronológico-biográfico a que David Wells já nos habituou, polvilhado aqui e ali por pequenas histórias de ir às lágrimas.


25/03/19

Heroes are hard to find ( 57 )


Scott Walker

( 1943 - 2019 )

18/03/19

Heroes are hard to find ( 56 )


Yuya Uchida

( Flower Travellin' Band )

1939 - 2019

13/03/19

Lost Nuggets ( 133 )


Anne Briggs "Sing a Song for you" ( Fledg'Ling FLED 3008 ) CD, UK, 1996


- "Hills of Greenmor" ( trad arr Anne Briggs )
- "Sing a Song For You"
- "Sovay" ( trad adp A L Lloyd )
- "I Thought I Saw You Again"
- "Summer's In"
- "Travelling's Easy"
- "The Bonambuie" ( trad arr Anne Briggs )
- "Tongue in Cheek"
- "Bird In The Bush" ( trad adt A L Lloud )
- "Sullivan's John" ( trad arr Anne Briggs )


Anne Briggs: canções ( excepto as indicadas ), voz, guitarra acústica e bouzouki, com: Barry Dransfield ( violino ) e os Ragged Robin : Steve Ashley ( voz e harmónica ), Richard Byers ( voz, guitarra e mandolin ), Brian Diprose ( baixo ) e John Thompson ( bateria ).

Gravações efectuadas nos R G Studios, Londres, Março de 1973

Produção de Terry Brown.




05/03/19

Galactic Ramble ( 2019 )


 


"Galactic Ramble"

A critical guide to British popular music of the 1960s and 1970s

Edição privada de Richard Morton Jack, 920 páginas, 500 exemplares.

Face à dimensão e importância histórica deste livro é provável que o Atalho feche o estabelecimento pelo menos até ao verão.

26/02/19

Heroes are hard to find ( 55 )


Mark Hollis

( 1955 - 2019 )


A propósito de "Spirit of Eden" ( in Jornal Blitz 22 de Novembro de 1988 )


20/02/19

Artefactos ( 88 )



É comum entre aqueles que se interessam pela música popular, existir um ano / período preferido.  Por mais que se recorra à dialéctica, trata-se no fundo e apenas de uma questão de âmbito geracional,  onde a identificação cultural e social se sobrepõe a uma eventual atitude nostálgica, prateleira onde de uma forma simplista muitos tendem a arrumar a matéria.

Aqui pelo quartel general do Atalho o ano de eleição é 1971. Podia ser 1967, 68, 70 ou 80. Mas não, 1971 é o ano.

Desde logo porque os Beatles já não existiam enquanto grupo. Depois porque foi o ano de “Sticky Fingers” ( Stones ), “Meddle” (Floyd ), “Blue” ( Mitchell), “Pawn Hearts” ( Van der Graaf Generator ), “No Roses” ( Shirley Collins ) ou “Help Yourself” entre muitos outros como adiante se verá.

Quando em meados de Fevereiro de 1972 dei de caras com a publicação bimensal “A Memória do Elefante”, na qual se fazia o balanço do ano anterior, a identificação foi quase total. À data, com o que se sabia e o que se podia escutar, fazia sentido. Hoje é  evidente que aquele balanço está longe de ser perfeito. Tanto no que respeita a algumas das entradas como nas muitas omissões.

Ainda assim a lista de álbuns inclui cerca de uma dezena dos meus discos para a ilha deserta, com “If I Could Only Remember My Name” à cabeça. A esses juntaria os acima mencionados e uns quantos mais que hoje reputo de fundamentais para perceber o fenómeno da música de então.


Procurem os discos publicados em 71 por Paul Jones, Tom Rapp, Andy Roberts, Sly Stone, Steeleye Span, David Blue, Caravan, John Cale, Sandy Denny, Fairport Convention, Flamin’ Groovies, Anne Briggs, Mighty Baby, Genesis, Bill Fay, Peter Hammill, Gene Clark, Tripsichord, ou Flower Travellin’ Band e estão quase lá.