07/04/19

Artefactos ( 89 )


Postal promocional impresso pela Fábrica Portuguesa de Discos da Rádio Triunfo, Lda, referindo os seis primeiros EPs dos The Byrds publicados em Portugal.
Considerando as referências editoriais dos discos promovidos, o postal deverá ser datado de finais de 1967, inicio de 1968.



05/04/19

Liturgias ( Patti Smith )


"Devoção ( Devotion )", Patti Smith

Edição Quetzal Editores, Abril 2019

Tradução de Hélder Moura Pereira

04/04/19

"Strangers In The Room, A Journey Through The British Folk - Rock Scene 1967 - 73"



Se o Atalho alinhasse - que não alinha - pelo diapasão daqueles que em Janeiro já estão a eleger o melhor disco do ano; diria – embora não o faça – relativamente a “Strangers in the Room” estarmos perante a melhor compilação do ano.


Concentrando-se no período dourado da música popular britânica do século XX, vertente folk-rock, “Strangers In The Room, A Journey Through The British Folk-Rock Scene 1967 – 73” propõe-nos 60 temas de outros tantos nomes, alguns verdadeiramente obscuros, que à época animaram aquela cena.
( Chimera )

Steeleye Span, Trader Horne, Trees, Spirogyra, Pentangle, Prelude, Bridget St. John, Joan Armatrading, C.O.B.,  Shirley Collins, Fairport Convention ( a versão de “Sir Patrick Spens” ainda vocalizada por Sandy Denny não é muito comum, apesar de ter sido já publicada como bonus track na reedição de “Liege and Lief” ) ou Bill Fay ( a demo aqui presente de “Be not so fearful” é pouco menos que sublime ) são nomes reconhecidos e mais ou menos consensuais.

Os Jade de Marian Segal, Alan James Eastwood, Knocker Jungle, Robin Scott, Gary Farr, The Woods Band, Al Jones, , Mike Cooper ou Steve Tilston por exemplo, já não o serão tanto. Os temas recuperados em “Strangers In The Room” poderão funcionar como ponto de partida para a descoberta de obras maiores a que o tempo, generoso,  acrescentou uma significativa camada de patine.
( Lifeblud )

Mas a substância, a verdadeira substância desta compilação, encontramo-la em temas gravados mas não publicados ao tempo. De entre estes o Atalho sublinharia “Sad Song For Winter” ( Chimera ), “Woodstock” ( Matthews Southern Comfort ) numa mistura onde pela primeira vez se podem escutar as guitarras acústicas, “The Man Who Called Himself Jesus” ( Strawbs ) outra mistura inédita, “Pucka-Ri” ( Urban Clearway ), “Riverboat” ( Dando Shaft ), “What I Am” ( Fresh Maggots ), “River of Fortune” ( Heron ), “Beverley market meeting” ( Jude ) ou “Waxing Of The Moon” ( Lifeblud ).

A tudo isto junta-se um booklet elaborado com o rigor cronológico-biográfico a que David Wells já nos habituou, polvilhado aqui e ali por pequenas histórias de ir às lágrimas.


25/03/19

Heroes are hard to find ( 57 )


Scott Walker

( 1943 - 2019 )

18/03/19

Heroes are hard to find ( 56 )


Yuya Uchida

( Flower Travellin' Band )

1939 - 2019

13/03/19

Lost Nuggets ( 133 )


Anne Briggs "Sing a Song for you" ( Fledg'Ling FLED 3008 ) CD, UK, 1996


- "Hills of Greenmor" ( trad arr Anne Briggs )
- "Sing a Song For You"
- "Sovay" ( trad adp A L Lloyd )
- "I Thought I Saw You Again"
- "Summer's In"
- "Travelling's Easy"
- "The Bonambuie" ( trad arr Anne Briggs )
- "Tongue in Cheek"
- "Bird In The Bush" ( trad adt A L Lloud )
- "Sullivan's John" ( trad arr Anne Briggs )


Anne Briggs: canções ( excepto as indicadas ), voz, guitarra acústica e bouzouki, com: Barry Dransfield ( violino ) e os Ragged Robin : Steve Ashley ( voz e harmónica ), Richard Byers ( voz, guitarra e mandolin ), Brian Diprose ( baixo ) e John Thompson ( bateria ).

Gravações efectuadas nos R G Studios, Londres, Março de 1973

Produção de Terry Brown.




05/03/19

Galactic Ramble ( 2019 )


 


"Galactic Ramble"

A critical guide to British popular music of the 1960s and 1970s

Edição privada de Richard Morton Jack, 920 páginas, 500 exemplares.

Face à dimensão e importância histórica deste livro é provável que o Atalho feche o estabelecimento pelo menos até ao verão.

26/02/19

Heroes are hard to find ( 55 )


Mark Hollis

( 1955 - 2019 )


A propósito de "Spirit of Eden" ( in Jornal Blitz 22 de Novembro de 1988 )


20/02/19

Artefactos ( 88 )



É comum entre aqueles que se interessam pela música popular, existir um ano / período preferido.  Por mais que se recorra à dialéctica, trata-se no fundo e apenas de uma questão de âmbito geracional,  onde a identificação cultural e social se sobrepõe a uma eventual atitude nostálgica, prateleira onde de uma forma simplista muitos tendem a arrumar a matéria.

Aqui pelo quartel general do Atalho o ano de eleição é 1971. Podia ser 1967, 68, 70 ou 80. Mas não, 1971 é o ano.

Desde logo porque os Beatles já não existiam enquanto grupo. Depois porque foi o ano de “Sticky Fingers” ( Stones ), “Meddle” (Floyd ), “Blue” ( Mitchell), “Pawn Hearts” ( Van der Graaf Generator ), “No Roses” ( Shirley Collins ) ou “Help Yourself” entre muitos outros como adiante se verá.

Quando em meados de Fevereiro de 1972 dei de caras com a publicação bimensal “A Memória do Elefante”, na qual se fazia o balanço do ano anterior, a identificação foi quase total. À data, com o que se sabia e o que se podia escutar, fazia sentido. Hoje é  evidente que aquele balanço está longe de ser perfeito. Tanto no que respeita a algumas das entradas como nas muitas omissões.

Ainda assim a lista de álbuns inclui cerca de uma dezena dos meus discos para a ilha deserta, com “If I Could Only Remember My Name” à cabeça. A esses juntaria os acima mencionados e uns quantos mais que hoje reputo de fundamentais para perceber o fenómeno da música de então.


Procurem os discos publicados em 71 por Paul Jones, Tom Rapp, Andy Roberts, Sly Stone, Steeleye Span, David Blue, Caravan, John Cale, Sandy Denny, Fairport Convention, Flamin’ Groovies, Anne Briggs, Mighty Baby, Genesis, Bill Fay, Peter Hammill, Gene Clark, Tripsichord, ou Flower Travellin’ Band e estão quase lá.




14/02/19

Mandrake Paddle Steamer "Pandemonium Shadow Show"



Até há pouco, o que se conhecia dos Mandrake Paddle Steamer  resumia-se a  um single lendário ( “Strange Walking man”, Parlophone, 1969 ) e a uns quantos bootlegs de fraca qualidade aúdio que apenas serviam para alimentar um pequeno nicho de indefectíveis do psicadelismo inglês dos 60s, em nada contribuindo para consolidar a boa reputação da banda.

Pandemonium Shadow Show”, compila gravações inéditas e vem finalmente colmatar uma lacuna que  muitos julgavam definitiva.

Nascidos e criados em Londres, naquele período musicalmente rico em que o vento fazia a curva do psicadelismo versus progressivo ( 1968 – 1970 ) os Mandrake Paddle Steamer primeiro, Mandrake simplesmente depois, praticavam um misto dos dois estilos, usando a abusando das guitarras fuzz, complementadas com extensos lençóis sonoros, cortesia do mellotron e do órgão Hammond.

Subiram ao palco do festival da Ilha de Wight, tocaram em eventos dos Pink Floyd, The Nice e Vanilla Fudge ( em 69 viram publicado apenas na Suécia “Sunlight Glide”, um single atípico e melancólico que integrava a banda sonora do filme “Skottet” ), porém a promessa de integrarem o catálogo da Harvest ( editora satélite que o grupo EMI/ Parlophone lançou à época para não perder o comboio do progressivo ) nunca se concretizou.

Dizer contudo que, na sua generalidade, “Pandemonium Shadow Show” é um lugar muito simpático de frequentar, mesmo para aqueles a quem o velho estigma do progressivo provoca algum desconforto.

O tema título é construído por cima de um riff viciante, decorado por coloridas harmonias a fazer recordar os Blossom Toes; “Solitair  Husk” e “The World Whistles By”, crescendo ambas a partir de rítmicas marciais às quais é acrescentado um órgão “Vertigo” ( em espiral, entenda-se ), posicionam-se a meio caminho entre os The Nice, Atomic Rooster e os Floyd de Syd Barrett.

“Stella Mermaid” mantém o tom marcial adicionando-lhe a vertente atmosférica de “More”. Em sentido contrário, “Doris The Piper” e “Simples Song” ( as duas datadas de 1970 ) estão demasiado próximas da auto-indulgência Emerson Lake & Palmer para merecerem a posteridade.

Perspectivando: não é difícil entender por que razão estas canções não foram publicadas. Na época em que foram gravadas, sons e projectos similares pululavam como cogumelos outonais. À distância de cinco décadas adquirem porém uma outra dimensão, quiçá importância. Históricas sobretudo.

06/02/19

Sarah Louise "Nighttime Birds and Morning Stars"



Esperar o inesperado. A atitude mais sensata ante o talento silencioso de Sarah Louise.

Depois de em 2017 ter assinado com Sally Anne Morgan o magnífico “House and Land” e de “Deeper Woods”, o álbum a solo do ano passado, Sarah Louise optou por fazer uma pausa na vertente tradicionalista, colocando as sonoridades inspiradas pelas cordilheiras dos Appalaches em stand by.

Quem chegar a “Nighttime Birds and Morning Stars” sem conhecer os dois discos atrás referidos certamente julgará tratar-se de uma outra artista. A ligação à natureza e as preocupações ecológicas estão presentes, mas a roupagem das canções caracteriza-se por uma sofisticação até aqui inédita na artista.

Desta forma, ainda que lá atrás permaneçam esboços dos sons emergentes das paisagens rurais da Carolina do Norte, “Nighttime Birds and Morning Stars” é um disco predominantemente urbano; simultaneamente arrojado e diversificado.

A habitual 12 cordas acústica foi substituída pela guitarra eléctrica e as sonoridades que cria ao longo dos oito temas do disco bordejam a música ambiente, a improvisação avant-garde ou o jazz contemporâneo.

Alguns dos temas ( “Ancient  Intelligence”, “Rime”, “Chitin Flight” ) muito provavelmente de forma involuntária, ecoam ainda aquele psicadelismo angular e aditivo com que o neo zelandês Roy Montgomery  nos brindou na década de 90 do século passado.

Mera coincidência ou talvez não, a estrutura de certos temas e a forma como as teclas/sintetizadores os envolvem ( “Swarming at the Threshold” , “Late Night Healing Choir” ) reconduzem-nos também até às visionárias paisagens sonoras com que os Tarentel coloriram São Francisco no dealbar do milénio.

Nighttime Birds and Morning Stars” é um trabalho tão desafiante para quem o escuta como seguramente o foi para quem o pensou e lhe conferiu forma. Neste âmbito, não será muito arriscado afirmar estarmos perante um futuro clássico moderno.

01/02/19

"Come Join My Orchestra, The British Baroque Pop Sound 1967 - 1973"



Dirão alguns: faltam aqui Nick Drake, Andy Roberts, Duncan Browne, Danny Kirwan, Mick Softley, Gary Farr, Sunforest, Fuschia, Caravan ou até Peter Hammill. Verdade. Todavia aqui pelo Atalho não se conhece nenhuma compilação que tenha sido capaz de satisfazer todos os potenciais aderentes. Mesmo aquelas que à partida surgiam melhor pensadas e estruturadas.

Come Join My Orchestra, The British Baroque Pop Sound 1967 – 1973” representa uma das colectâneas mais estimulantes com que nos cruzámos nos últimos anos; pelo que nos propõe, pelo aturado e detalhado enquadramento histórico mas, sobretudo, pelas inúmeras sugestões que deixa para futuras investigações.

Consultem aqui (https://www.cherryred.co.uk/product/come-join-my-orchestra-the-british-baroque-pop-sound-1967-73-various-artists-3cd-clamshell-boxset/) a lista dos 60 temas incluídos, imaginem o detalhe e precisão das notas cronológico-biográficas que ilustram cada entrada e ficarão com uma ideia aproximada do que é um trabalho sério de divulgação e preservação de um dos segmentos mais inspiradores da história da música britânica.