26/02/19

Heroes are hard to find ( 55 )


Mark Hollis

( 1955 - 2019 )


A propósito de "Spirit of Eden" ( in Jornal Blitz 22 de Novembro de 1988 )


20/02/19

Artefactos ( 88 )



É comum entre aqueles que se interessam pela música popular, existir um ano / período preferido.  Por mais que se recorra à dialéctica, trata-se no fundo e apenas de uma questão de âmbito geracional,  onde a identificação cultural e social se sobrepõe a uma eventual atitude nostálgica, prateleira onde de uma forma simplista muitos tendem a arrumar a matéria.

Aqui pelo quartel general do Atalho o ano de eleição é 1971. Podia ser 1967, 68, 70 ou 80. Mas não, 1971 é o ano.

Desde logo porque os Beatles já não existiam enquanto grupo. Depois porque foi o ano de “Sticky Fingers” ( Stones ), “Meddle” (Floyd ), “Blue” ( Mitchell), “Pawn Hearts” ( Van der Graaf Generator ), “No Roses” ( Shirley Collins ) ou “Help Yourself” entre muitos outros como adiante se verá.

Quando em meados de Fevereiro de 1972 dei de caras com a publicação bimensal “A Memória do Elefante”, na qual se fazia o balanço do ano anterior, a identificação foi quase total. À data, com o que se sabia e o que se podia escutar, fazia sentido. Hoje é  evidente que aquele balanço está longe de ser perfeito. Tanto no que respeita a algumas das entradas como nas muitas omissões.

Ainda assim a lista de álbuns inclui cerca de uma dezena dos meus discos para a ilha deserta, com “If I Could Only Remember My Name” à cabeça. A esses juntaria os acima mencionados e uns quantos mais que hoje reputo de fundamentais para perceber o fenómeno da música de então.


Procurem os discos publicados em 71 por Paul Jones, Tom Rapp, Andy Roberts, Sly Stone, Steeleye Span, David Blue, Caravan, John Cale, Sandy Denny, Fairport Convention, Flamin’ Groovies, Anne Briggs, Mighty Baby, Genesis, Bill Fay, Peter Hammill, Gene Clark, Tripsichord, ou Flower Travellin’ Band e estão quase lá.




14/02/19

Mandrake Paddle Steamer "Pandemonium Shadow Show"



Até há pouco, o que se conhecia dos Mandrake Paddle Steamer  resumia-se a  um single lendário ( “Strange Walking man”, Parlophone, 1969 ) e a uns quantos bootlegs de fraca qualidade aúdio que apenas serviam para alimentar um pequeno nicho de indefectíveis do psicadelismo inglês dos 60s, em nada contribuindo para consolidar a boa reputação da banda.

Pandemonium Shadow Show”, compila gravações inéditas e vem finalmente colmatar uma lacuna que  muitos julgavam definitiva.

Nascidos e criados em Londres, naquele período musicalmente rico em que o vento fazia a curva do psicadelismo versus progressivo ( 1968 – 1970 ) os Mandrake Paddle Steamer primeiro, Mandrake simplesmente depois, praticavam um misto dos dois estilos, usando a abusando das guitarras fuzz, complementadas com extensos lençóis sonoros, cortesia do mellotron e do órgão Hammond.

Subiram ao palco do festival da Ilha de Wight, tocaram em eventos dos Pink Floyd, The Nice e Vanilla Fudge ( em 69 viram publicado apenas na Suécia “Sunlight Glide”, um single atípico e melancólico que integrava a banda sonora do filme “Skottet” ), porém a promessa de integrarem o catálogo da Harvest ( editora satélite que o grupo EMI/ Parlophone lançou à época para não perder o comboio do progressivo ) nunca se concretizou.

Dizer contudo que, na sua generalidade, “Pandemonium Shadow Show” é um lugar muito simpático de frequentar, mesmo para aqueles a quem o velho estigma do progressivo provoca algum desconforto.

O tema título é construído por cima de um riff viciante, decorado por coloridas harmonias a fazer recordar os Blossom Toes; “Solitair  Husk” e “The World Whistles By”, crescendo ambas a partir de rítmicas marciais às quais é acrescentado um órgão “Vertigo” ( em espiral, entenda-se ), posicionam-se a meio caminho entre os The Nice, Atomic Rooster e os Floyd de Syd Barrett.

“Stella Mermaid” mantém o tom marcial adicionando-lhe a vertente atmosférica de “More”. Em sentido contrário, “Doris The Piper” e “Simples Song” ( as duas datadas de 1970 ) estão demasiado próximas da auto-indulgência Emerson Lake & Palmer para merecerem a posteridade.

Perspectivando: não é difícil entender por que razão estas canções não foram publicadas. Na época em que foram gravadas, sons e projectos similares pululavam como cogumelos outonais. À distância de cinco décadas adquirem porém uma outra dimensão, quiçá importância. Históricas sobretudo.

06/02/19

Sarah Louise "Nighttime Birds and Morning Stars"



Esperar o inesperado. A atitude mais sensata ante o talento silencioso de Sarah Louise.

Depois de em 2017 ter assinado com Sally Anne Morgan o magnífico “House and Land” e de “Deeper Woods”, o álbum a solo do ano passado, Sarah Louise optou por fazer uma pausa na vertente tradicionalista, colocando as sonoridades inspiradas pelas cordilheiras dos Appalaches em stand by.

Quem chegar a “Nighttime Birds and Morning Stars” sem conhecer os dois discos atrás referidos certamente julgará tratar-se de uma outra artista. A ligação à natureza e as preocupações ecológicas estão presentes, mas a roupagem das canções caracteriza-se por uma sofisticação até aqui inédita na artista.

Desta forma, ainda que lá atrás permaneçam esboços dos sons emergentes das paisagens rurais da Carolina do Norte, “Nighttime Birds and Morning Stars” é um disco predominantemente urbano; simultaneamente arrojado e diversificado.

A habitual 12 cordas acústica foi substituída pela guitarra eléctrica e as sonoridades que cria ao longo dos oito temas do disco bordejam a música ambiente, a improvisação avant-garde ou o jazz contemporâneo.

Alguns dos temas ( “Ancient  Intelligence”, “Rime”, “Chitin Flight” ) muito provavelmente de forma involuntária, ecoam ainda aquele psicadelismo angular e aditivo com que o neo zelandês Roy Montgomery  nos brindou na década de 90 do século passado.

Mera coincidência ou talvez não, a estrutura de certos temas e a forma como as teclas/sintetizadores os envolvem ( “Swarming at the Threshold” , “Late Night Healing Choir” ) reconduzem-nos também até às visionárias paisagens sonoras com que os Tarentel coloriram São Francisco no dealbar do milénio.

Nighttime Birds and Morning Stars” é um trabalho tão desafiante para quem o escuta como seguramente o foi para quem o pensou e lhe conferiu forma. Neste âmbito, não será muito arriscado afirmar estarmos perante um futuro clássico moderno.

01/02/19

"Come Join My Orchestra, The British Baroque Pop Sound 1967 - 1973"



Dirão alguns: faltam aqui Nick Drake, Andy Roberts, Duncan Browne, Danny Kirwan, Mick Softley, Gary Farr, Sunforest, Fuschia, Caravan ou até Peter Hammill. Verdade. Todavia aqui pelo Atalho não se conhece nenhuma compilação que tenha sido capaz de satisfazer todos os potenciais aderentes. Mesmo aquelas que à partida surgiam melhor pensadas e estruturadas.

Come Join My Orchestra, The British Baroque Pop Sound 1967 – 1973” representa uma das colectâneas mais estimulantes com que nos cruzámos nos últimos anos; pelo que nos propõe, pelo aturado e detalhado enquadramento histórico mas, sobretudo, pelas inúmeras sugestões que deixa para futuras investigações.

Consultem aqui (https://www.cherryred.co.uk/product/come-join-my-orchestra-the-british-baroque-pop-sound-1967-73-various-artists-3cd-clamshell-boxset/) a lista dos 60 temas incluídos, imaginem o detalhe e precisão das notas cronológico-biográficas que ilustram cada entrada e ficarão com uma ideia aproximada do que é um trabalho sério de divulgação e preservação de um dos segmentos mais inspiradores da história da música britânica.

16/01/19

The Choir "Artifact: The Unreleased Album"



Mentor, Cleveland / Ohio, 1964. Influenciados pela chamada “British Invasion” um grupo de miúdos forma uma banda. Auto denominam-se The Mods. Gravam dois singles imberbes. Dois anos volvidos decidem mudar o nome para The Choir.

No período compreendido entre 66 e 70 a formação sofreu meia dúzia de alterações. Por lá passaram entre outros Joe Walsh ( futuro guitarrista de James Gang e dos Eagles ) e Eric Carmen ( membro fundador dos Raspberries, mais tarde solo mainstream pop singer ). O resultado foi a publicação de um conjunto de singles de entre os quais um que ficou para memória futura: “It’s Cold Outside”.

Estabilizados na forma de um quinteto:  Phil Giallombardo ( órgão ), Randy Klawon ( guitarra ), Denny Carleton ( baixo ),  Jim Bonfanti ( bateria ) e Kenny Margolis ( piano ), em Fevereiro de 1969 os The Choir gravam um conjunto de canções destinadas à publicação do seu primeiro álbum. Do resultado daquelas sessões não houve noticias durante cerca de 48 anos; até que alguém recentemente escutou as fitas e decidiu avançar para a respectiva publicação.


E a pergunta que hoje se coloca é: what if … ? Sim, o que teria acontecido se  Artifact: The Unreleased Album” tivesse sido dado a conhecer a seu tempo?

Acantonadas entre  clássicas harmonias pop / rock, o vaudeville pop dos Kinks ( não é surpreendente a versão de “David Watts”, um original de Ray Davies para o álbum “Something Else” ), o pop escorreito dos Bee Gees da época e as teclas ( órgão sobretudo ) roubadas aos primeiros discos dos Procol Harum ou The Band, as 10 canções que integram “Artifact” são um puro deleite, qualquer que seja a perspectiva escolhida para a abordagem.

“Anyway I can” ou “If these are men” antecipam o power pop dos Raspberries ( banda que uma parte dos The Choir viria a formar em 1972 ), “Ladybug” é Procol Harum em estado puro, “For Eric” um tema jazz incrustado por óbvia latinidade e, “It’s All Over” um   mini épico que Robin Gibb não se teria importado de assinar.

Tudo somado, “Artifact: The Unreleased Album” é constituído por um conjunto de canções de mão cheia, com as “bridges” e “chorus” no devido sítio, repleto de cativantes melodias, arranjos por vezes complexos mas sempre apelativos.

“What If …?” é de facto uma pergunta pertinente.

13/01/19

Artefactos ( 87 )


"Off The Wall, Psychedelic Rock Posters from San Francisco"

Amélie Gastaut e Jean-Pierre Criqui

Thames & Hudson Ltd, London, 2005


Big Five San Francisco Artists: da esquerda para a direita, Alton Kelley, Victor Moscoso, Rick Griffin, Wes Wilson e Stanley Mouse.
Foto de Bob Seidemann, 1967


( Wes Wilson )  



( Rick Griffin )


( Stanley Mouse )

10/01/19

Lost Nuggets ( 131 )




"5" ( Hux Records ) CD, UK, 2004


- "Light your way"
- "Cowboy Song"
- "Monkey Wrench"
- "Romance In a Tin"
- "Grace"
- "Martha"
- "Monkey Wrench" ( Reprise )
- "The Rock"
- "Willow"
- "Alley cat"
- "Duneburgers"

Help Yourself: Richard Treece ( guitarra ), Ken Whaley ( baixo ), Malcolm Morley ( voz, guitarra e piano ), Dave Charles ( voz e bateria ), Sean Tyla ( guitarra ), Deke Leonard ( guitarra ) e Kevin Spacey ( bateria ).

Todos os temas gravados nos estúdios Chipping Norton, Oxfordshire em 1973, com excepção dos temas 4, 8 e 10 gravados no inverno de 2002/2003.

Capa: ilustração de Rick Griffin, design de Synoptik.


31/12/18

Chris Thompson "Drunken Nights in Dublin"




James M. Cain estava coberto de razão quando em 1934 publicou “The Postman Always Rings Twice”.

O carteiro toca de facto sempre duas vezes. Comprovou-se um destes dias, quando a campainha retiniu duas vezes para que o dito me pudesse entregar uma das encomendas mais esperadas nos últimos tempos aqui no Atalho: “Drunken Nights in Dublin”.

Natural de Hamilton / Nova Zelândia, Chris Thompson é responsável por um dos meus discos para a ilha deserta: “Chris Thompson( Village Thing, UK, 1973 ), um dos melhores álbuns de “acid folk” da década. Antes e sobretudo depois, cultor de um percurso artístico vizinho do irrepreensível,  Thompson é um daqueles raros criadores que só vem a terreiro quando tem algo de importante ou diferente para dizer.


Foi assim quando gravou o álbum de estreia, foi também assim quando partilhou experiências, palcos e estúdios com Julie Felix, Gay and Terry Woods, Davy Graham, Rosemary Hardman, Clem Alford, Quintessence, Horslips, Wizz Jones, Sonny Terry, Mike Heron ou Stevie Ray Vaughan.


A vertente literária foi cúmplice assídua, permanecendo sempre por perto. T. S. Elliot ou Cristina Rossetti são nesta matéria influências patentes.

O referido álbum “Chris Thompson” foi objecto de uma edição limitada, tendo sido pouco ou nada promovido à época. Como consequência conheceu “tanto sucesso” como os três opus gravados um par de anos antes por Nick Drake.

Antes de regressar à Nova Zelândia o autor residiu e trabalhou temporariamente em Dublin e foi aí que nasceu a estrutura do projectado segundo álbum. Na altura a  intenção não passou disso mesmo, todavia deu origem a um conjunto de gravações entretanto vertidas para um acetato.

A história conta-se assim:

The master tapes assembled by Chris for this then proposed release were transferred to a single stereo acetate paid by Chris, by Apple Corps in London in 1974. Chris shipped his collection of first generation master tapes back to New Zealand with him in 1975, but these were sadly lost in a later domestic house fire in 1982. Same master tapes in various forms have survived in other ways, such as those used on his self-titled debut album. Chris left the acetate at the EMI Studios in Middlesex in England with a view to it being produced in to a LP for his second album, just prior to his hasty return home. The acetate remained at EMI for many  years before being moved, reason unknown, to a well-known record shop in Soho, then on to a specialist record shop in London for a further twenty years or so. The artist was identified using Shazam, before the acetate was advertised as a ‘rather mysterious album thought to have connections to George Harrison’ for sale on eBay in March, 2018.”
( Acetato )

O que todos os fãs, investigadores e curiosos têm agora é a possibilidade de finalmente aceder ao projecto inicial de Chris Thompson, tal como o autor o terá imaginado em tempo.

12 temas, 6 dos quais inéditos, sendo que os restantes foram ou usados no álbum de estreia ou posteriormente recuperados para os discos que o compositor publicou já na Nova Zelândia, designadamente “Echoes From The Pit” ( 1976 ) e “Minstrelsy” ( 1977 ).

Do “folk” ao “rock”, passando por géneros como “jug band”, “spoken word”,  “psych folk” ou “ska-rock steady”, “Drunken Nights in Dublin” é, também por inesperado, um manancial de emoções que o tempo não esmoreceu, ao contrário potenciou.

Se o Atalho prefere todo o génio que o álbum estreia de 1973 encerra? Sem dúvida! Mas este “Drunken Nights in Dublin” é seguramente um grande complemento para o retrato de Thompson enquanto jovem artista. Além de que a versão inclusa do clássico “Dead Flowers” dos Stones é um must.
( 12" EP numerado e limitado a 200 cópias )

Ps: a edição, limitada, encontra-se disponível em versões complementares: Box Set, LP, 12” EP numerado, CD e single 7”.

24/12/18

Jay Bolotin "No One Seems To Notice That It's Raining"




aqui se falou de Jay Bolotin, um dos segredos melhor guardados da música americana da primeira metade dos 70s.

Admirado e elogiado por Ginsberg, Kris Kristofferson, Mickey Newbury, Merle Haggard, Dan Fodelberg ou David Allan Coe ( os dois últimos gravaram inclusivé canções suas ), Bolotin dividiu o seu talento entre a música a arte visual. Ao que se sabe, nunca se sentiu muito à vontade perto dos holofotes do show business, preferindo o contacto com a natureza como leitmotiv das suas criações.

Perfeccionista ( algo que se percebe quando se analisa a estrutura das suas canções ), afirmou em tempos que lhe era mais difícil e penoso escrever uma boa canção que conceber e concluir uma escultura.



O álbum homónimo que publicou em 1970 é uma pérola que coloca Bolotin num patamar próximo de Gordon Lightfoot, David Blue ou Paul Siebel. Canções honestas,  literatas, adornadas por um soft folk-rock modelado pelos grandes espaços do interior,  distante dos padrões vigentes em Los Angeles.

No One Seems To Notice That It’s Raining” disponibiliza um conjunto de canções inéditas ( 13 ), gravadas entre os anos de 70 e 75 em Nova Iorque e Nashville e só recentemente descobertas.

Ao escutá-las retoma-se a certeza de que Bolotin poderia, se o tem querido, ter sido um dos nomes grandes do singer songwriter americano da época.



As gravações de 70 na Hit Factory em Nova Iorque estão próximas do padrão que emerge do álbum desse ano. As gravações posteriores ( 72 a 75 ) levadas a cabo em Nashville quando o autor já habitava no Kentucky revelam uma personalidade mais introspectiva, resultado provável da influência que a  paisagem rural exercia sobre o compositor.

São, quer umas quer outras, absolutamente fantásticas. E é um inesperado privilégio poder escutá-las, ainda por cima servidas por uma irrepreensível qualidade áudio que não é normal encontrar em fitas com cerca de 50 anos.

17/12/18

Record Files ( 16 )


Natural de Coleraine / Irlanda do Norte, Jackie McAuley cresceu em Belfast, tendo rumado a Dublin anos mais tarde.
Integrou os Them, Belfast Gypsies, Freaks of Nature e Trader Horne.
O álbum homónimo com que fez a sua estreia a solo foi publicado em 1971.
A edição inglesa na Dawn Records vinha embalada numa capa dupla desenhada por Gael Scott.
Apesar de belíssima e a pedir meças às mais imaginativas capas da Vertigo Records de então, não ajudou no processo de vendas.
Nos Estados Unidos, a PYE Records  acompanhou o alinhamento dos temas mas tentou corrigir o tiro, editando o disco numa capa simples, apresentando um design mais próximo do estereótipo "singer songwriter".
Ao que se sabe hoje também não terá resultado.
O disco, esse é uma delícia de época.


13/12/18

Artefactos ( 86 )




Revista "Mundo Moderno" nº 17

Edição Portugal

1 de Agosto de 1969