10/11/18

Lost Nuggets ( 129 )


Mick Wills "The Magic Garden" ( Woronzow WOO 30 CD ) UK, 1997


- "Out of the Blue"
- "Ursa Major"
- "Waterfall"
- "Morning in Cantref"
- "The Magic Garden"
- "Indian Summer"
- "Carillon"
- "Lost in The Maze"
- "After the Storm"
- "Full Circle"
- "Seemingly Backwards"
- "The Dead of the Night"


Mick Wills: música, guitarra acústica e violino, com: Rachel Unsworth ( violino ) e Craig Adrienne ( percussão ).

Capa: design de R. M. Bancroft e foto de Thomas Wills

06/11/18

Patti Smith



Patti Smith, entrevista de 24 páginas no magazine "America".
"Devotion", o livro novo, acaba de ser publicado.

31/10/18

Heroes are hard to find ( 53 )



Al Simones

( 1958 - 2018 )

28/10/18

Jack Ellister "Telegraph Hill"



Por vezes sucede.

Inesperadamente e sem que nada o faça esperar aterra na caixa do correio um grande disco. Na circunstância “Telegraph Hill”.

Jack Ellister navega nas águas do neo-psicadelismo vertente pop e é comummente associado ao padrão Fruits de Mer, editora para a qual gravou um significativo conjunto de discos.

De “essencial” a “bizarra”, passando por “weird” ou “poetically psychedelic” a sua música tem sido comentada amiúde sem que no entanto Ellister tenha conseguido o reconhecimento de que é já credor. “Telegraph Hill”, com o selo da You Are The Cosmos Records, será porventura a sua tentativa mais consistente para atingir aquele desiderato.


Maioritariamente acústico ( Ellister é responsável por todos os instrumentos exceptuando a bateria ) “Telegraph Hill” foi projectado para o formato EP. Acabou no entanto por se transformar num álbum, cujo foco principal reside na voz  e numa guitarra acústica ( brilhante nesse particular ).

Porém quando as canções se “enchem” de guitarras eléctricas, flautas, sintetizadores e baterias ( conferir “Fill Another Glass” ou “Condor” ), torna-se quase inevitável regressar, ora às paisagens pastorais dos Floyd ( seguramente uma das maiores influências de Ellister ) período 69-72, ora ao pop cromático que James Mastro e Richard Barone inventaram para os Bongos.

Face ao que atrás fica escrito, não será difícil concluir ser “Telegraph Hill” um dos Jack Ellister preferidos aqui no Atalho.

21/10/18

Lost Nuggets ( 128 )


Run On "No Way" ( Matador Records, Ole 229-2 ) CD, 1997, USA

-  "Something Sweet"
-  "Lab Rats"
-  "As Good As New"
-  "Look"
-  "Bring Her Blues"
-  "Half of Half"
-  "Anything You Say"
-  "Road" ( Nick Drake )
-  "Days Away"
-  "Out For a Walk"
-  "Ropa Vieja"
-  "Sinnerman"


Run On: Sue Garner ( Voz, Guitarra, Baixo e Piano ), Alan Litch ( Voz, Guitarra, Orgão ), Rick Brown ( Voz, Bateria, Marimba e Sintetizador ) e Katie Gentile ( Vozes, Orgão, Violino ).

Canções: Run On

Produção. Casey Rice

Capa: Pintura de High Hamrick; Design de Sue Garner

08/10/18

Jardins do Paraíso ( LVIII )



I fell in love with the guitar in 1955 when I first  heard Big Bill Broonzy … Made my  first guitar  in 1968  and it  earned my living room from 71 until 78  ( Dave Evans )

Natural de Devon, Evans mudou-se para Bristol no final de 1970 correspondendo a um convite de Steve Tilston para que participasse no seu álbum “An acoustic confusion”. O impacto provocado pela sua colaboração impressionou Ian Anderson, o mentor da Village Thing Records e, quatro meses volvidos, em Julho de 71, Evans estava a gravar o seu próprio álbum.

Num período em que John Martyn, Ian Steward, Ralph McTell e Roy Harper ( sobretudo este ) se encontravam no auge da respectiva popularidade, um disco de “finger picking”, matizado pela melancolia e discrição tinha poucas hipóteses de vingar. Se a isto acrescentarmos o facto de ter sido gravado e publicado por uma editora de autor, é fácil explicar a ausência de visibilidade e, consequentemente, de sucesso.

The Words in Between” é todavia um disco excepcional. Minimalista – apenas Dave Evans ( voz, guitarra e harmónica ) com Adrianne Webber ( harmonias vocais ), Pete Airey e Keith Warmington –, é um daqueles registos que poderia perfeitamente habitar as memórias de Greenwich Village, não fora a comunhão estilística que partilha com John Fahey e Robbie Basho.

Evans viria ainda a gravar mais três álbuns. Porém nenhum deles logrou aproximar-se do grau de absorção hipnótica que “The Words in Between” provoca naqueles que o escutam; sobretudo agora, 47 anos volvidos depois da sua publicação e sabendo-se o que se sabe hoje.

A reedição está disponível em formato cd e vinil; este último acrescenta novas fotos e um folheto onde toda a história se encontra plasmada.

29/09/18

Heroes are hard to find ( 52 )


Marty Balin

( 1942 - 2018 )

24/09/18

Lost Nuggets ( 127 )


Maripol "Femme de Sable et d'Eau" ( Chant du Monde LDX 74671 ) França, 1978

- "Prison Rouge"
- "C'était Strange"
- "Avec l'Homme aux Chevaux Verts"
- "Femme de Sable et d'Eau (Chanson pour Claire)"
- "Le Chemin des Montagnes Sacrées"
- "Vers Bantry Bay"
- "La Nuit de Samian"
- "Le Château de Comper"
- "Ou Sont nos Oiseaux"

Maripol: Voz e textos, Jean-Paul Graffard ( música, guitarra, teclas, flauta, mandolim, harmónica ), Thierry Decloud ( baixo ), Hervé Le Grignou ( guitarra ) e Thierry Jeffroy ( guitarra e violino ).

Produção: Georges la Coz

Capa: Anne-Marie Dufour ( design ), Jean-Pierre Subié ( desenhos ), Maripol ( fotos )


Texto de Jacques Vassal
"Rock & Folk" nº 144
Janeiro 1979

17/09/18

Artefactos ( 84 )



Em tempos já aqui contei  o meu episódio com Jacques Vassal.

Há dias, ao escutar o  álbum “Femme de Sable et D’eau” da cantora bretã Maripol,  voltei a lembrar-me dele.

Muita da melhor música tradicional feita em França nos anos 70 e 80 foi por ele escrutinada, comentada e divulgada. Alan Stivell, por exemplo, saberá disso melhor do que ninguém.

Français Si Vous Chantiez foi publicado em 1976. Não o folheava há décadas. Permanece um delicioso manancial de informação. Parte da “chanson” e do Maio de 68 e termina com uma longa abordagem ao enorme colectivo de artistas expatriados  que, por motivos políticos ou meramente culturais, procuraram refúgio na França da época.

Pelo meio fala-se ainda da “longa marcha” do folk, dos festivais do género, do declínio da “rive gauche”, de Catherine Ribeiro e de um certo rock francês elaborado com vista para o underground. 

 
( Vassal, Alan e Marie-Jo Stivell, Le Printemps de Bourges, 1977 )

09/09/18

Fairport Convention & Friends "A Tree with Roots, The Songs of Bob Dylan"



Cheguei primeiro a Sandy Denny, só depois aos Fairport Convention. Aparentemente,  uma bizarria cronológica mas as fontes de conhecimento eram sobretudo as rádios, e na época, as portuguesas    manifestavam as suas idiossincrasias.

Ao escutar pela primeira vez “John The Gun” e “Late November”, ambos retirados ao álbum “The North Star Grassman and The Ravens”,  concluí que aquele talento e aquela voz não podiam ser deste mundo. Como tal mereciam atenção e investigação condicentes.

Na Lisboa de 1972, a metrópole discográfica girava sobretudo em torno do eixo Rua do Carmo / Rua Nova do Almada, com réplicas muito interessantes para os lados da Avenida de Roma e bairro de Campo de Ourique. Porém, na Rua da Victória, no quarteirão situado entre as ruas da Prata e dos Correeiros, existia uma discreta loja de electrodomésticos … em cuja sub-cave se escondia uma extraordinária discoteca. Um espaço tranquilo e acolhedor que visitava com frequência, sempre que a curiosidade ordenava e a bolsa permitia.


Numa dessas incursões de final de tarde, já com o “trabalho de casa” feito, fui directo ao separador do F, em demanda dos Fairport Convention. E lá estava “The History of Fairport Convention”, embrulhado naquela magnífica capa dupla concebida por Fabio Nicoli  ( a árvore genealógica da banda representada por caracteres antigos, a faixa de seda e o selo colados  na frente e um belíssimo booklet de 12 páginas agrafado ao interior ) que logo me encantou. Havia no entanto uma pequena contrariedade, tratava-se de um duplo álbum; como tal bastante mais caro que o normal.

Optei então por fazer aquilo que os miúdos sem pais ricos faziam em circunstâncias semelhantes. Esperando melhores dias, mudei o disco de bancada, intercalando-o no S, algures entre os Slade e os Sweet. Imaginei que ali não corresse grande perigo de procura, a menos que alguém detectasse a marosca. Tive sorte. Quando voltei no final do mês ainda lá estava, no mesmo sítio ( as fotos aqui mostradas são dessa cópia, que ainda conservo ).

Toda esta conversa a propósito de “A Tree With Roots, Fairport Convention and Friends, and The Songs of Bob Dylan”. É que esta compilação abre com “Si Tu Dois Partir”( no original “If you gotta go, go now”, escrito em 1965 mas só publicado por Dylan em 1991 nos Volumes 1-3 das Bootleg Series ) exactamente uma das performances que mais me impressionou quando a escutei pela primeira vez em 1972.

The story goes that Fairport Convention was playing a gig at the Middle Earth and thought it would be amusing to do Dylan's song in French cajun style, so the band called for volunteers from the audience to help with the translation. Richard Thompson: “About three people turned up, so it was really written by committee, and consequently ended up not very cajun, French or Dylan.” This version was first released as a single Si Tu Dois Partir / Genesis Hall with Dave Swarbrick playing fiddle, Trevor Lucas triangle and Richard accordion. The “percussion” break towards the end of the song is the sound of a pile of chairs falling over.’ ( in Mainly Norfolk ).

Embora dezenas o tenham feito, ninguém canta Dylan como Dylan. Considerando apenas dois critérios: um objectivo ( a história ) outro subjectivo ( o gosto pessoal ),  e retirando os Byrds da equação, os Fairport Convention nas suas diferentes  metamorfoses compreendidas entre os anos de 1967 e 1975, foram os que mais e melhor se aproximaram do espírito do bardo.

Ao longo do tempo, Ashley Hutchings, Richard Thompson, Sandy Denny, Simon Nicol e mesmo Trevor Lucas, admitiram a influência que Dylan e as suas canções tiveram no despoletar das respectivas carreiras.

Ashley por exemplo não poupa nos adjectivos quando recorda a audição em 1968 de um acetato das The Basement Tapes ( só publicadas por Dylan em 1975 ): “The honour of being allowed to hear these recordings. Of course, they were incredibly rough, but this mattered not a jot. In fact, it added to the mystery. You must remember the legend that surrounded the whole Big Pink experience only took root much latter. We had only our imaginations to guide us. I think we would have covered practically all the songs if it was solely up to us.

Dylan ‘himself’ devolveria a cortesia uns anos volvidos: “Ashley Hutchings is the single most important figure in English folk-rock. Before that his group Fairport Convention recorded some of the best versions of my unreleased songs. Listen to his bass playing on ‘Percy’s Song’ to hear how great he is.”

E de facto “Percy’s Song” parece ter sido escrita para os Fairport, em particular para a voz de Sandy Denny. It needs a voice like Sandy’s to get the shades of emotion across, from moodiness to compassion to outright fury. There’s not many singers can do that”. ( Simon Nicol ).

Mas para além de “Percy’s Song” ( aqui  com Rick Grech no órgão, numa performance gravada para o John Peel’s Top Gear de 6 Abril de 1969 ), “A Tree with Roots” acolhe um conjunto de 17 versões, parte captada em palco e, por via disso, de qualidade áudio desigual; todavia portentosas todas. Parte já publicadas, outras inéditas.

E é um prazer escutar de novo Ian Matthews e Judy Dyble em “Jack O’Diamonds” e “Lay down your weary tune”, uma Sandy sublime em “I’ll keep it with mine” ou “It ain’t me Babe”, um Trevor Lucas surpreendente em “George Jackson e “Days of 49”, recordar a competência de músicos como Richard Thompson, Jerry Donahue ou Dave Mattacks.

Ter tantos clássicos reunidos num único registo revela-se um luxo e um privilégio a que não se pode ou deve ficar indiferente.

 

06/09/18

Lost Nuggets ( 126 )


Steve Atkinson "Small Boats" ( Ellie Jay Records EJSP 9779 ) UK, 1981


- "Starry Eyed"
- "Carried Away"
- "Overboard"
- "Runner"
- "Somehow"
- "Strange Streets"
- "Superman"
- "Wheel of Fortune"
- "Gymnast"
- "Girl Next Door"
- "Torn into two"
- "Lottery"
- "Commandoes"

Steve Atkinson: Canções, voz e guitarras; com: Alison Lawrence e Helen Speed ( violoncelo ), Colin Baldry ( baixo ), Sandra Burton ( clarinete ).

Gravação: John Williamson

Capa: autor desconhecido