26/08/18

Artefactos ( 83 )


Jornal "Musicalíssimo" nº 100

27 de Setembro 1974

21/08/18

Lost Nuggets ( 125 )



B. J. Cole "The New Hovering Dog" ( United Artists UAS 29418 ) UK, 1972


- "The Regal Progression"
- "Now You See Them, Now You Don't"
- "The Cold Mountain Mariner"
- "Up On The Hill Where They Do The Boogie" ( J. Hartford )
- "You're Probably Lost"
- "Five Pieces For Steal Guitar And Percussion"
- "I Know Now"
- "The East Winchley Tango"


B. J. Cole: Canções, voz, guitarra slide, dobro, sintetizador; com: Robert Kirby ( piano ), Graham Preskett ( violino ), Keith Baker ( baixo ), Laurie Jellyman e Mike Giles ( bateria ), Mick Audsley ( voz e guitarra acústica ), Francis Monkman ( cravo ), Danny Thompson ( baixo acústico ), Tristan Fry ( percussão ), Crispian Steel-Perkins, Roy Gillard, Andy Babynchuk, Brian Hawkins e Sue Shepherd ( instrumentos vários ). 

Produção: B. J. Cole

Arranjos: Robert Kirby

Capa: design ( Drusilla Cole ), foto ( Elliott Erwitt )

13/08/18

Gene Clark "Sings for You"



Gene wrote so damn many songs we just couldn’t even tape them all. He would come in with a notebook full of songs. And if you didn’t tape them quickly, he would forget what tune he wrote them to.” ( Jim Dickson, manager ).


É inevitável. Sempre que o Atalho regressa a Gene Clark, abre-se aquela gaveta da memória que dá acesso directo a Tim Buckley. Não que, para além de um desmesurado talento e de carreiras que lhes foram madrastas, os dois tenham muito mais em comum; não obstante a associação persiste. Buckley intitulou o seu terceiro álbum “Happy Sad” e, “triste / contente”, é quase sempre o estado de espírito presente, durante e após a audição das canções de Gene.

He was a very sultry, perplexed man. Very introspective. And he had this gloom around him – although I must say that he had a very sweet and charming side to him. But you never knew which side of him you were dealing with. He would be fine for a while, then he would get deeply, deeply depressed.” ( Michelle Phillips, The Mamas and The Papas ).

As canções, notáveis na esmagadora maioria, reflectem naturalmente a personalidade do autor. Aqui e ali são habitadas pelos demónios que atormentavam Gene desde que havia sido “expulso” dos Byrds, banda onde até então fora o principal e mais bem sucedido compositor.


Gene Clark with The Gosdin Brothers” o primeiro álbum a solo ( publicado em Fevereiro de 67 ), não foi o êxito que o compositor e a editora ( Columbia ) desejavam. Basicamente uma “anomalia” – onde o folk rock de Sunset Strip se cruzava com Buck Owens, doses parcimoniosas de Beatles e algum barroco - só muitos anos volvidos seria devidamente avaliado / valorizado. Hoje a história considera-o pouco menos que essencial.

Após mais uma falsa partida – o projecto de single “The French Girl / Only Colombe” -, a Columbia entendeu que Gene Clark a solo era inviável e deixou cair o contrato.

No entretanto Clark escrevia canções: “I was writing just to write during that period of time. There were two or three unrecorded songs I wrote over that period, there’s a whole drawer full of them, so I have no idea what I was thinking about, just images. I used to like to lock myself in my house and just work for days on songs. I had a little recording setup in one room, and I would go in and put them on tape.”

Os temas publicados em “Gene Clark Sings for you” datam daquele período, e foram até agora uma espécie de “holy grail”, insanamente procurado pelos fãs durante décadas a fio.

Na prática, demos gravados com o propósito de prospectar um contrato, os oito temas recuperados do acetato original, são exactamente aquilo que se esperaria de Gene, sobretudo do Gene da época: inspirados, sensíveis, líricos, ainda que enquanto demos, naturalmente inacabados.


A informação sobrevivente é todavia escassa. Sabe-se apenas que o piano Wurlitzer é da responsabilidade de Alex del Zoppo, então teclista dos californianos Sweetwater. Quanto aos demais componentes ( bateria, baixo, cordas ) não foi disponibilizada informação.

Adicionalmente e de não menor relevância, “Sings for you” inclui as seis demos que Clark gravou em acetato e ofereceu aos Rose Garden, uma jovem banda de Los Angeles a quem o compositor terá confidenciado: “You do Byrds better than we ever did”. Duas delas, “Long Time” e “Till today” acabariam por integrar o primeiro e único álbum do quinteto. As restantes podem escutar-se agora através da interpretação espartana mas inimitável do seu criador.

Nota: todas as citações acima incluídas foram retiradas do booklet que acompanha a edição de “Sings for you”.

05/08/18

Lost Nuggets ( 124 )



David Ackles "Five & Dime" ( Columbia KC 32466 ) Lyric inner sleeve, USA, 1973


- "Everybody has a story"
- "I've been loved"
- "Jenna Saves"
- "Surf's down"
- "Berry Tree"
- "One good woman's man"
- "Run Pony Run"
- "Aberfan"
- "House above the strand"
- "A photograph of you"
- "Such a woman"
- "Postcards"


David Ackles: canções, voz e piano; com: Bruce Langhorne ( guitarras e baixo ), Loren Pickford ( guitarra acústica, flauta, sax tenor ), Janice Graham ( guitarra ritmo ), Red Rhodes ( guitarra slide ), Cynthia Cole Daley, Donald Ambroson e Bobby Bruce ( violino ), Lou Anna Neill ( Harpa ), Barbara Thompson ( viola ), Robert L. Adcock ( violoncelo ), Patrick Smith ( baixo acústico ), Colin Bailey ( bateria e percussão ), Georgia Mohammer, Earl Dumler, James Kanter, Gene Cipriano, Todd Miller, Robert Henderson, Russell Kidd, Zigmant Kanstul, John Daley e Edmond Welter ( instrumentos de sopro ).

Produção e Arranjos de David Ackles.

Capa: pintura de Michael Wasp.

31/07/18

Rob Sharples, "The Exception Proves The Rule"




Quase oito anos sem notícias e de repente ... "a excepção que confirma a regra"...

Inexorável, o tempo fez o seu caminho, o novo fez-se antigo, mas Rob Sharples teima em permanecer o mais secreto dos segredos.

"The Exception Proves The Rule" é grande, ao ponto de remeter para "Sylvia Plath" de Ryan Adams ou para aquela beleza dorida do Peter Hammill de "Over".

27/07/18

Artefactos ( 82 )


Nos dias que correm a tecnologia torna tudo mais fácil.
Bastará curiosidade, iniciativa, bom gosto, inteligência q.b. e um simples click resolve o problema.
Mas nem sempre foi assim.
Houve um tempo ( e não foi assim há tanto ) em que o prazer de manusear e escutar um disco era habitualmente precedido por semanas de espera ansiosa e desfecho pouco previsível.
Se ou quando alguém se propunha trabalhar sobre algo relacionado com o tema, aí as angústias cresciam exponencialmente.



"Ian Curtis / Joy Division"

Colecção Rei Lagarto 4, Edição Assírio & Alvim

Tradução de Paulo da Costa Domingos e Pedro S. Costa

Fevereiro de 1983, 3000 exemplares


22/07/18

Nico "Evening of Light"



Cicatrizes Interiores

19/07/18

Record Files ( 15 )


( capa da edição USA )

No rescaldo do sucesso indie que "Murmur" - a estreia dos R.E.M. - Mitch Easter, um dos co-produtores ( o outro foi Don Dixon ) avançou para a formação dos Let's Active. A matriz era semelhante o possível, já que a inspiração partia dos dB's e não tanto dos Byrds; ao contrário do que sucedia com a banda de Michael Stipe e Peter Buck.

O mini-LP "Afoot" ( 1983 ) foi uma espécie de ensaio para o que viria a seguir. "Cypress" publicado no ano seguinte era tudo ou quase tudo aquilo que interessava na música norte-americana da época.
Mat Snow referiu-se-lhe assim no New Musical Express: " Too tongue in check to sing in the voices of angels, perhaps, but 'Cypress' still sounds one of the best American pop records of the year.


( etiqueta edição USA )

Para os fãs do projecto, existem algumas diferenças entre as prensagem norte-americana e inglesa que poderão ser interessar. Desde logo a intensidade e cores do lettering. Mas fundamentalmente as divergências que residem no alinhamento dos temas.

12 títulos na edição USA, apenas 11 na prensagem UK. "Ornamental" e "Counting Down" integram a primeira e falham a segunda. Por seu turno "Grey Scale" surge na segunda e está ausente na primeira.

 

( capa da edição UK )


( New Musical Express, 22 Setembro 1984 )

15/07/18

The Myrrors "Lunar Halo"



Oriundos de Tucson no Arizona, os The Myrrors têm na tradição regional do  “desert rock” uma inspiração óbvia. Porém, a música que com invulgar tenacidade perseguem e o desafio que lançam ao ouvinte, encontram-se envoltos em roupagens muito mais sofisticadas e radicais.

Tucson repito. Todavia depois de escutar o hipnótico “Lunar Halo”, poderiam muito bem ser outros locais como por exemplo Dusseldorf, Hamburgo, a Factory de Andy Warhol ou Estocolmo nos idos 60 / 70s do século anterior.   

Lunar Halo”: 28 minutos e 55 segundos densamente preenchidos por um drone que ora o é, como logo a seguir se metamorfoseia num absorvente raga, cúmplice do rock cósmico e da improvisação psicadélica. Pelt, Velvet Underground, Parson Sound e Swans são alguns dos nomes que saltam imediatamente das prateleiras da memória.


Exigente e visceral, “Lunar Halo”, publicado em formato cassete no final de 2017, conhece agora uma edição limitada em vinil. À data deu seguimento ao álbum “Hasta la Victoria” ( Junho 2017 ), agora antecipa o próximo “Borderlands” ( Agosto 2018 ).

Uma audição obrigatória para todos aqueles que apreciam as músicas e os nomes atrás referidos.

10/07/18

Artefactos ( 81 )


Jornal "Musicalíssimo" # 47
21 de Setembro de 1973

04/07/18

Trappist Afterland "SE(VII)EN"



I worked on this album exclusively with my great buddy and engineer Anthony Cornish. Anthony and I have played together on and off for twenty years. We recorded ‘Se(VII)en’ on  2 tape in his studio over about 6 months and it is my favourite Trappist album yet. Working with Anthony is just so easy and enjoyable and he is a fantastic musician. Anthony played harmonium, violin and mellotron and he is a now full-time member of the live band.” ( Adam Geoffrey Cole )

Desde 2011, mais coisa menos coisa, que a partir de Melbourne ( Australia ), Adam Cole começou a enviar as suas mensagens ao mundo. Sob a forma de canções, bem entendido. No inicio tratavam-se “apenas” de CDRs artesanais; depois, com o decorrer do tempo e da procura, o formato passou a vinil, limitado.

Se(VII)en” é, se a memória não me falha, o sétimo capítulo desta extraordinária saga. E dele se poderá dizer sem grande margem de risco, que se trata do melhor de todos eles.

Na verdade, é virtualmente impossível escutar a musica de Trappist Afterland sem estabelecer um quase instantâneo paralelo com o legado dos persistentemente  ignorados  Timothy Renner ( Stone Breath ) ou  Prydwyn ( a conferir em “Song for Sundog”, “The Blood in the Wood” ou “Trace your Root”).


Nos últimos vinte anos, quer estes, quer agora Adam Cole, captaram como poucos a essência emocional e espiritual do folk e do folk-rock dos finais dos 60s, princípio dos 70s. Na altura catalogavam aquela vertente musical de iconoclasta, experimental, esotérica, pagã … hoje chamam-lhe “weird folk”. Espuma dos tempos, apenas e só.

Atente-se ainda na melodia estratosférica e intensidade dramática que a intervenção do violino confere a “Burning Bushes” e facilmente se poderá concluir  estarmos perante um caso raríssimo de talento e sensibilidade artística. Se John Cale e Nico pudessem regressar ao passado, é provável que, juntos, parissem algo de não muito diverso.

No que concerne ao Atalho, este é um disco sem mácula. De e para muitos anos.

Nota: para aqueles a quem o detalhe possa interessar, a edição em vinil é absolutamente fabulosa.