16/05/18

Lost Nuggets ( 123 )


Stig Moller "Kaerligheden Let Pa Ta" ( CBS 64986 ) Capa dupla, 1972, UK


- "Gor Noget Nyt"
- "Solen den Skinner"
- "Snakken Gar"
- "Ude I Naturen"
- "Daqud"
- "Nu Er Jeg Naet Til Et Punkt"
- "Hej Du Danske Mand"
- "I Den Gronne Skov"
- "Solen Skinner Laenge"
- "To Sjaele"
- "Ro Ro Ro"
- "God Nat"


Stig Moller ( Canções, voz, guitarras e arranjos ), com Hugo Rasmussen ( baixo ), Lars Togeby ( trompete ), Peter Mandorf e Knud Bjorno ( sax ), Finn Ziegler ( violino  e piano ), Flemming Quist Moller ( congas), Per Frost ( guitarra ).

Produção: Flemming Quist Moller.

Capa: Vibeke Hansson e Stig Moller

05/05/18

Artefactos ( 77 )


"Live at Monterey 1967"

"For what it's worth / Nowadays Clancy can't even sing / A Child's claim to fame / Blue Bird" ( Mono press, 2018 )

Stephen Stills ( guitarra, voz )
Richie Furay ( guitarra, voz )
David Crosby ( guitarra, voz )
Doug Hastings ( guitarra )
Bruce Palmer ( baixo )
Dewey Martin ( bateria )

01/05/18

Neil Young "Roxy, Tonight's The Night Live"



Tonight’s the Night” encerra um extraordinário conjunto de canções.

Escrito e composto em cima dos falecimentos de Danny Whitten e Bruce Berry, sendo por isso frequentemente retratado como um álbum “negro”, 43 anos após a primeira publicação, assume-se a par de “On The Beach”, como um dos discos mais consistentes de Neil Young. Onde “Harvest” era luz, esperança, algum humor  e  ingenuidade quanto baste, “Tonight’s” habita o campo oposto: é sombrio, triste, quase desesperado ... Não obstante, sobreviveu como poucos ao teste do tempo.

A melhor prova do que atrás fica escrito é “Roxy, Tonight’s the Night Live”.

Podia pensar-se - e muitos de nós, os que não estiveram no Roxy nas noites de 20 e 22 de Setembro de 1973 tê-lo-emos seguramente cogitado -, que o formato e personalidade daquelas canções estava traçado; seriam sempre agrestes, angulosas e sombrias. Nada que incomodasse muito, aprendemos a gostar delas assim.

Mas o aparentemente “impossível” aconteceu. As gravações captadas no concerto de West Hollywood naquele princípio de outono trazem-nos “outras” canções. Resgatadas ao estúdio e libertadas em palco, “Tonight’s the Night I e II”, “Albuquerque” ou “Speakin’ out” adquirem uma outra dimensão; menos cinzenta, mais ampla, quase cinematográfica.


Tudo isto, exactamente com os mesmos músicos ( Neil, Ben Keith, Nils Lofgren, Billy Talbot e Ralph Molina ), os mesmos arranjos e praticamente as mesmas deixas trazidas do estúdio. “New Mama” presenteada com um arranjo de maior pendor acústico é talvez a excepção, mas ainda assim uma excepção positiva.

Quando comparado com a edição de estúdio de 1975 ( o álbum ficara retido dois anos, a ponto de “On The Beach” ainda que gravado posteriormente, ter saído no ano anterior ), “Roxy” deixa cair “Borrowed Tune”, “Come on Baby let’s go Downtown” e “Lookout Joe”; em contrapartida acrescenta uma versão “countryficada” de “Walk on” com a pedal steel de Ben Keith a bordejar a mestria de Jerry Garcia no instrumento.

Analisado e ponderado o conjunto, será justo salientar que “Roxy, Tonight’s the Night Live” é tudo menos uma redundância. O esplendor sonoro que transmite ( falamos da versão em vinil ) é algo de “novo” e totalmente inesperado, prova provada que a lendária casmurrice do canadiano no que respeita a edições e, sobretudo, a reedições, acaba por fazer todo o sentido.

Um absoluto deslumbre.

24/04/18

Lost Nuggets ( 122 )


Pat DiNizio with The Pat DiNizio Foursome "Songs and Sounds" ( Velvel VEL 79706-2 ) CD, USA, 1997


- "Where I am Going" ( Bernard Herrmann)
- "Nobody But Me"
- "124 MPH"
- "Running, Jumping, Standing Still"
- "Everyday World"
- "No Lost Love"
- "A World Apart"
- "Today It's You"
- "Somewhere Down The Line"
- "You Should Know"
- "I'd Rather Have The Blues" ( Frank Devol )


Pat DiNizio: Canções, voz e guitarras; com: J.J. Burnel ( voz e baixo ), Sonny Fortune ( saxofone e flauta ), Tony "Thunder" Smith ( bateria e voz ) e Marti Jones ( Voz ).


Produção: Don Dixon


Capa: fotos de Michael Daks, design Leah Sherman/Reiner



13/04/18

Bardo Pond "Volume 8"



Ao longo dos anos, a audição de milhares de álbuns e centenas de milhar de canções, ensinaram-me a poupar nos adjectivos porque, ao contrário do tempo – o mais assertivo crítico musical que conheço – os julgamentos in time são ou tendem a ser influenciados por estados de alma a que frequentemente se juntam factores exógenos que não controlamos.

Há semanas que estou de volta de “Volume 8”, procurando resistir à facilidade da adjectivação, fugir  à tentação da hipérbole, porque aqui, é bom que se diga, só aquela parece fazer sentido.

Tentei mas, admito, foi pura perda de tempo. “Volume 8” é absolutamente SUBLIME. Não existe outro termo.

Ainda que comparativamente a discos anteriores do quinteto de Filadélfia, o patamar tenda a ser alto, este novo opus prossegue e acentua a genial desconstrução sónica de tudo o que são os paradigmas do chamado neo-psicadelismo.

Dinamitando tudo à sua passagem, fundindo o que o possa ser, reinventando novas abordagens para conceitos velhos ( space,  avant–garde, stone, drone, psychedelic- rock ) em “Volume 8” a banda de Isobel Sollenberger e dos irmãos Gibbons constrói uma tapeçaria cósmica que tanto pode seguir os habituais padrões monolíticos -  o demolidor “Kailash” recupera as guitarras viciantes de ”Don’t know about you” em “Bardo Pond” ( 2010 ) – como subtilmente, à boleia das quase imperceptíveis harmonias vocais e flauta de Isobel,  entrar bucolismo adentro  - Power Children” ou “Cud” – em demanda do silêncio e serenidade pós apocalípticos.


Depois, bom depois, chega o monumento: “And I Will”. A convulsão extrema; as guitarras gerando espirais caleidoscópicas, percussão tonitruante, a voz de Isobel como um instrumento mais, soltando harmoniosamente palavras ininteligíveis e um baixo musculado a lutar para manter unidos os restantes elementos. Passaram exactamente 16 minutos e 58 segundos. Não se dá por isso.  

One of underground rock’s most extraordinary enigmas” escreveu a propósito dos Bardo Pond uma publicação da especialidade. Enigma coisa nenhuma. Para além do talento, trata-se apenas e tão só do mais genuíno e apurado bom gosto ( e se o leitor continua a acompanhar este texto e segue este espaço com regularidade tem-no seguramente ).

Com tantos “walking deads” à solta por aí, depois de um quarto de século de vida, os Bardo Pond serão provavelmente a única banda em actividade capaz de me levar de novo a uma sala de concertos.

05/04/18

Heroes are hard to find ( 50 )



Martin Cockerham ( Spirogyra )
( 1950 - 2018 )

02/04/18

Lost Nuggets ( 121 )



Louis Tillett, Chris Cacavas, Hannah Marcus "The Return to Sender Festival Tour" ( Normal Records 175 ) CD, Germany, 1994

- "Daybreak's Reprieve"
- "Parchman farm"
- "Dead End Street in a Lucky Country"
- "Shotgun Blues"

Louis Tillett ( canções, voz e piano )

- "Smolder"
- "Over you"
- "Pale, Blonde Hell"
- "8 ,, 5 to 9"

Chris Cacavas ( canções, voz e guitarra acústica )

- "Weeds & Lilies"
- "Never too Late to Cry"
- "Invisible Bird"

Hannah Marcus ( canções, voz, piano, bateria e guitarra ), com Mark Kozelek ( guitarra ) e Steven Strauss ( baixo )

Capa: Normal Records
Foto: Thomas Steinbrecher

27/03/18

Heroes are hard to find ( 49 )



Mike Harrison
( 1945 - 2018 )



19/03/18

"When the Day is Done, The Orchestrations of Robert Kirby"



  
A college friend of Nick Drake, Robert Kirby’s first commissioned works as an arranger were his unique autumnal orchestrations for Drake’s “Five Leaves Left”. The sound was English and melancholic, closer to Vaughan Williams than Phil Spector. He was soon in demand and by the end of the 70’s had worked with the cream of the British folk rock world.”

Paul Buckmaster e Robert Kirby são dois nomes fundamentais na música popular britânica dos 70s. Num patamar também habitado por Sandy Robertson, Joe Boyd, Peter Eden ou Tony Visconti; ainda que estes num registo diferente: o da produção.

Enquanto orquestrador, Buckmaster ficou para a história fruto do seu monumental trabalho nos primeiros álbuns de Elton John, aqueles que verdadeiramente interessam: “Tumbleweed Connection”, “Elton John”, “Madman Across the Water”, além de “Space Oddity” de Bowie ou “Songs of Love and Hate” de Leonard Cohen, entre outros.


Kirby, colega de Nick Drake em Cambridge, partilhava com este os mesmos gostos musicais e interesse pela poesia, enquanto planeava ser professor de música. Em 1969, quando da gravação do álbum de estreia “Five Leaves Left”, Nick Drake mostrou-se insatisfeito com os arranjos de Richard Hewson  e convenceu Joe Boyd a chamar o antigo colega. O que daí resultou sabemos hoje todos.  Os discos de Nick Drake nunca seriam o que são e Kirby por seu lado nunca teria tido acesso às oportunidades seguintes.

Ao lirismo do referido Paul Buckmaster, Kirby acrescentava um misto de melancolia e “englishness”. Algo que por um lado o distinguia de todos os outros e, por outro, o mantinha perto da tradição, fosse a de Edward Elgar ou a do folk tradicional.

When the Day is Done, The Orchestrations of Robert Kirby” é a primeira colectânea a debruçar-se sobre o trabalho do músico.  Naturalmente opinativa como todas as compilações, agrega uma vintena de títulos oriundos do chamado “underground” britânico dos 70s, folk-rock sobretudo, mas também alguma música de inspiração progressiva.


Melhor ou pior, a grande maioria dos temas era já familiar a todos os que se interessam por estas coisas; não obstante alguns deles não eram imediatamente identificados com Kirby.

Os trabalhos com Nick Drake, Keith Christmas, Andy Roberts, John Cale, Shelagh McDonald, Spriguns, Sandy Denny ou Vashti Bunyan são clássicos perenes, não acrescentam portanto nenhum espanto. Porém, a subtileza dos arranjos nas canções de Tim Hart and Maddy Prior, Gilliam McPherson e Steve Ashley; a vertente celta conferida a “First Light” de Richard and Linda Thompson, ou as credenciais art-rock  (  resultantes muito provavelmente da experiência de Kirby nos Strawbs, quando episodicamente substituiu um Rick Wakeman de saída para os Yes ) patenteadas nos trabalhos com Audience e Illusion são esses sim distintivos.

No mais e concluindo, “When the Day is Done” é um trabalho notável e indispensável, ponto de partida para a descoberta de muitas outras preciosidades que a carreira de Robert Kirby ( 1948 – 2009 ) seguramente encerra.



14/03/18

Bennett Wilson Poole



Muito cá do Atalho

11/03/18

Artefactos ( 76 )



Teresa Paula Brito ( 1944 - 2003 ), ainda que detentora de um obra desigual, permanece uma das cantoras portuguesas mais interessantes e simultaneamente ignoradas.
Nem tudo o que gravou merece a eternidade, mas "Minha Senhora de Mim" o EP que publicou em 1971 no qual canta textos de Maria Teresa Horta musicados por Nuno Filipe é um dos artefactos mais perfeitos da música portuguesa. E "Meu Amor" um dos temas revisitados aqui pelo Atalho.


( Publicações Dom Quixote, Abril 1971 )
 

(Mundo da Canção nr. 18, Maio 1971)

( Mundo da Canção nr. 17, Abril 1971 )