12/11/17

Pegasus / Neon


Contemporâneas ( estiveram activas nos anos de 1971 e 1972 ) a Pegasus e a Neon são duas das mais interessantes e colectáveis editoras independentes inglesas da época.

A Pegasus ( mais adiante apenas PEG ), uma side company da B and C Records, nasceu especificamente para publicar artistas sobre os quais existiam dúvidas acerca da respectiva viabilidade comercial.

Mas as coisas são o que são e alguns dos lançamentos da Pegasus ( no mínimo do ponto de vista histórico ) ultrapassaram largamente as apostas da casa mãe.

Exemplos: Atomic Rooster, Three Man Army, Andy Roberts, Martin Carthy, Shirley Collins/Albion Country Band, Fuchsia, Steeleye Span, Nazareth...
  

A Neon ( ou RCA / Neon  como é vulgarmente conhecida ) foi criada pela RCA com objectivos muito semelhantes, com uma pequena nuance; em lugar do folk ou folk/rock que a Pegasus privilegiava, a Neon apostou em projectos esotéricos, a meio caminho entre o jazz, o avant garde e o progressivo.

Exemplos: Chris McGregor, Indian Summer, Tonton Macoute, Spring, Raw Material, Centipede ou Mike Westbrook.

Dito isto, os aficionados dos dois selos encontram nestas brochuras de Neil Priddey, toda a história das duas casas bem assim como fotos e profusa informação sobre todos os discos publicados. Álbuns, singles e edições promocionais.  

07/11/17

John Fahey


A importância de John Fahey na música americana não tem parado de crescer. Uma herança quase inesgotável que tem influenciado transversalmente diferentes gerações de músicos desde há décadas.

A conferir apenas alguns dos muitos exemplos Part 1, Part 2 e Part 3 .

05/11/17

Elkhorn "The Black River"



A chegada do outono convida à audição de música mais de acordo com o espírito do tempo, contemplativa e vizinha do intimismo.
Oriundo de Seattle, Jesse Sheppard tem tudo para integrar o pelotão dos novos porta estandarte da chamada “american primitive guitar music”. Como videógrafo trabalhou com Glenn Jones, Jack Rose, Daniel Bachman, Chris Forsyth e Steve Gunn. Enquanto músico tem desenvolvido a sua acção a solo ou com Drew Gardner.
O mais recente projecto do duo chama-se Elkhorn e “The Black River constitui um passo mais no consolidar da reputação de ambos.


Sheppard trabalha a guitarra acústica com o detalhe e perfeição de um artesão, desenha as melodias que mais à frente a guitarra eléctrica de Gardner vai colorir, preenchendo com invulgar mestria os espaços vazios.
O tema título – “The Black River” – é disso um exemplo óbvio, mas quase tudo o que lhe vem a seguir demonstra que o talento não se confina a meras fronteiras escolásticas. O “finger picking” permanece a trave mestra, mas a inspiração catapulta esta música para além do tempo, de qualquer tempo.
Para escutar como se contempla uma pintura ou se devora uma obra literária.

29/10/17

The Weather Station "S/t"



Tradicional viveiro de talentos, o Canadá produz com uma regularidade quase científica autores de canções de qualidade excepcional.

Relembrar alguns dos nomes mais proeminentes seria despiciendo, pelo que importa salientar desde já a mais recente jóia da coroa: Tamara Lindeman.

Ao quarto álbum, sob o “nom de plume” The Weather Station, a canadense ultrapassa o paradigma Aimee Mann que muitos se apressaram a atribuí-lhe e parte em direcção a outros patamares ilustres: Joni Mitchell e Raymond Carver, por exemplo. A primeira pelos detalhes vocais, estilísticos e emocionais; o segundo pela concisão e minimalismo na expressão dos estados de alma.

Dito isto, “The Weather Station” são 37 minutos de puro deleite; 11 canções enxutas que serpenteiam por entre sentimentos de amor e perda, fragmentos de memórias que recusam o esquecimento.

Para ir saboreando, como acontece com todos os grandes discos.

27/10/17

24/10/17

Artefactos ( 71 )



Les Inrockuptibles nº 5

Primeira série, Março/Abril, 1987

17/10/17

Lost Nuggets ( 118 )


Funky Kings "S/t" ( Arista AL 4078 ) USA, 1976


- "Singing in the streets" ( Jack Tempchin )
- "My old pals" ( Richard Stekol )
- "So long" ( Richard Stekol )
- "Highway song" ( Jack Tempchin )
- "Nothing was exchanged" ( Jules Shear )
- "Slow dancing" ( Jack Tempchin )
- "Let me go" ( Jules Shear )
- "So easy to begin" ( Jules Shear )
- "Help to guide me" ( Richard Stekol )
- "Mattress on the roof" ( Jack Tempchin )
- "Anywhere but Jimmie's" ( Richard Stekol )

Funky Kings: Frank Cotinola ( bateria e percussão ), Richard Stekol ( voz, guitarras e piano ), Bill Bodine ( voz e baixo ), Jules Shear ( voz e guitarra ), Greg Leisz ( guitarras ) e Jack Tempchin ( voz, guitarra e harmónica ); com Mike Finnigan ( voz e órgão ), Barry Beckett ( piano ), Geoff Muldaur ( arranjo de cordas ) e Katy Moffatt ( voz ).

Produção: Paul A. Rothchild

Misturas: Val Garay

Capa: foto de Benno Friedman, concepção de Dennis Pohl, design de Bob Heimall.

03/10/17

Heroes are hard to find ( 44 )



Tom Petty
( 1950 - 2017 )

Uma "rock star" que não se comportava como tal.
Cada uma das suas canções apela ao imaginário colectivo e é por norma uma peça de joalharia musical.
Grato pelos milhares de kms que, durante décadas, fez ao volante do meu carro.

Nota: a foto acima não foi escolhida por acaso. A Rickenbacker foi a razão.

01/10/17

Lost Nuggets ( 117 )


Danny Kirwan "Second Chapter" ( DJM DJLPS 454 ) UK, 1975


- "Ram Jam City"
- "Odds and Ends"
- "Hot Summers Day"
- "Mary Jane"
- "Skip a Dee Doo"
- "Love can always bring you hapiness"
- "Second Chapter"
- "Lovely days"
- "Falling in love with you"
- "Silver streams"
- "Best girl in the world"
- "Cascades"

Danny Kirwan: canções, voz, guitarras e produção; com Geoff Britton  e Jim Russell ( bateria e percussão ), Andy Sylvester ( baixo ) e Paul Raymond ( piano ).

Arranjos: Gerry Shury.

Capa: design ( Mckinley Howell & J. M. Heale ), fotos ( Clifford Davis ).

26/09/17

Tomara "Favourite Ghost"



Existem discos que se escutam uma vez e que se arrumam na esperança de um dia, por uma razão ou por outra, serem de novo procurados. Há no entanto outro tipo de registos, aqueles que pedem para serem cuidados, curados, em permanência.  Não inventam a roda nem tão pouco irão mudar o curso da história, mas são perfeitos na sua função de entretenimento e cultivo de emoções. O que nos dias que correm, não é coisa pouca.

Favourite ghost” de Filipe C. Monteiro ( aka Tomara ) é um desses artefactos. Viajando com e por entre sombras, espaços intimistas vizinhos da melancolia e silêncios perfeitos, o álbum – curto e conciso como todos os grandes discos devem ser -, manobra todos os botões certos, deixando cativo o ouvinte, mesmo aquele que tem perfeita consciência de não estar perante nada de substancialmente novo.


Com os três temas de maior impacto ( “Hallow”, “Coffee and Toast” e a canção título ) estrategicamente colocados a abrir, “Favourite Ghost” revela-se um mar de inteligência e bom gosto a que não será estranha uma relevante cultura musical.

Feita para ser tocada no recato dos pequenos espaços  a música de Tomara apela aos fãs de Ida, Madrugada, Richmond Fontaine, Tindersticks, Mono ou mesmo Silver Scooter, os quais encontrarão aqui razões mais do que suficientes para se sentirem confortáveis.

Perfeito para ocupar os serenos fins de tarde de outono.
 

23/09/17

Artefactos ( 70 )





Programa e Foto / Postal promocional do concerto dos IF no Cinema Monumental, no dia 23 de maio de 1972.
A primeira parte foi assegurada pelos Mini Pop.

18/09/17

Behind the Shadows Drops "Harmonic"



Quando não se encontra na estrada com os MONO,  Takaakira Goto, o pequeno génio de Tóquio, mata o tempo com projectos alternativos.
Foi assim com os The Left ( álbum “I could stand here” em 2005 ), com o disco solo “Classical Punk and Echoes Under  the Beauty” uma década depois e é também assim com “Harmonic” dos Behind the Shadow Drops.
Takaakira Goto é um experimentalista que há muito ultrapassou as fronteiras estéticas do pós-rock de que os MONO são um dos maiores expoentes. Aqui, promove incursões no minimalismo, no clássico moderno, na música ambiente e, quase como uma consequência natural, nas paisagens inóspitas do kraut-rock.
Os espaços são tão amplos e inspiradores que apetece percorrê-los sem a interferência do tempo. John McEntire, veterano dos Tortoise e dos Sea & Cake, é o produtor que esta música solicitava; ainda que teria sido muito curioso verificar como outro experimentalista moderno,  Matthew Cooper ( Eluvium ) se comportaria na tarefa.
Um disco aditivo que ficará bem nos fins de tarde do próximo outono.