01/10/17

Lost Nuggets ( 117 )


Danny Kirwan "Second Chapter" ( DJM DJLPS 454 ) UK, 1975


- "Ram Jam City"
- "Odds and Ends"
- "Hot Summers Day"
- "Mary Jane"
- "Skip a Dee Doo"
- "Love can always bring you hapiness"
- "Second Chapter"
- "Lovely days"
- "Falling in love with you"
- "Silver streams"
- "Best girl in the world"
- "Cascades"

Danny Kirwan: canções, voz, guitarras e produção; com Geoff Britton  e Jim Russell ( bateria e percussão ), Andy Sylvester ( baixo ) e Paul Raymond ( piano ).

Arranjos: Gerry Shury.

Capa: design ( Mckinley Howell & J. M. Heale ), fotos ( Clifford Davis ).

26/09/17

Tomara "Favourite Ghost"



Existem discos que se escutam uma vez e que se arrumam na esperança de um dia, por uma razão ou por outra, serem de novo procurados. Há no entanto outro tipo de registos, aqueles que pedem para serem cuidados, curados, em permanência.  Não inventam a roda nem tão pouco irão mudar o curso da história, mas são perfeitos na sua função de entretenimento e cultivo de emoções. O que nos dias que correm, não é coisa pouca.

Favourite ghost” de Filipe C. Monteiro ( aka Tomara ) é um desses artefactos. Viajando com e por entre sombras, espaços intimistas vizinhos da melancolia e silêncios perfeitos, o álbum – curto e conciso como todos os grandes discos devem ser -, manobra todos os botões certos, deixando cativo o ouvinte, mesmo aquele que tem perfeita consciência de não estar perante nada de substancialmente novo.


Com os três temas de maior impacto ( “Hallow”, “Coffee and Toast” e a canção título ) estrategicamente colocados a abrir, “Favourite Ghost” revela-se um mar de inteligência e bom gosto a que não será estranha uma relevante cultura musical.

Feita para ser tocada no recato dos pequenos espaços  a música de Tomara apela aos fãs de Ida, Madrugada, Richmond Fontaine, Tindersticks, Mono ou mesmo Silver Scooter, os quais encontrarão aqui razões mais do que suficientes para se sentirem confortáveis.

Perfeito para ocupar os serenos fins de tarde de outono.
 

23/09/17

Artefactos ( 70 )





Programa e Foto / Postal promocional do concerto dos IF no Cinema Monumental, no dia 23 de maio de 1972.
A primeira parte foi assegurada pelos Mini Pop.

18/09/17

Behind the Shadows Drops "Harmonic"



Quando não se encontra na estrada com os MONO,  Takaakira Goto, o pequeno génio de Tóquio, mata o tempo com projectos alternativos.
Foi assim com os The Left ( álbum “I could stand here” em 2005 ), com o disco solo “Classical Punk and Echoes Under  the Beauty” uma década depois e é também assim com “Harmonic” dos Behind the Shadow Drops.
Takaakira Goto é um experimentalista que há muito ultrapassou as fronteiras estéticas do pós-rock de que os MONO são um dos maiores expoentes. Aqui, promove incursões no minimalismo, no clássico moderno, na música ambiente e, quase como uma consequência natural, nas paisagens inóspitas do kraut-rock.
Os espaços são tão amplos e inspiradores que apetece percorrê-los sem a interferência do tempo. John McEntire, veterano dos Tortoise e dos Sea & Cake, é o produtor que esta música solicitava; ainda que teria sido muito curioso verificar como outro experimentalista moderno,  Matthew Cooper ( Eluvium ) se comportaria na tarefa.
Um disco aditivo que ficará bem nos fins de tarde do próximo outono.

14/09/17

Artefactos ( 69 )


"Les Pochettes Pop, des 45 tours deux titles parus en France de 1962 à 1972"

Stéphane Cahon,

Edição Privada, 360 páginas ilustradas, Novembro 2009

Heroes are hard to find ( 43 )


Grant Hart

( 1961 - 2017 )

10/09/17

"Milk of the Tree, an Anthology of Female Folk and Singer-Songwriters 1966-73"



Tradicionalmente, a indústria da música tem sido um espaço de prevalência masculina. Nos intervenientes e, sobretudo, nos decisores. Hoje o estado de coisas aparenta maior equilíbrio, mas na infância do pop e do rock a desproporção era avassaladora.

Porém, sobretudo a partir do final dos 60s, fruto da renascença folk no Reino Unido e do dealbar dos singer songwriters nos EUA e Canadá, o talento feminino iniciou a caminhada para o merecido reconhecimento.

Milk of the Tree, an Anthology of Female Folk and Singer-Songwriters 1966-73” procura ser o reflexo dessa realidade histórica. Numa edição de três cds que compilam exemplos do que de melhor se escutou naquelas áreas no período em apreço.

Contextualizadas pelas habitualmente enciclopédicas notas de David Wells, são-nos propostas 60 canções assinadas e / ou vocalizadas por nomes tão diversos como Margo Guryan, Bashti Bunyan, Mary-Anne, Nico, Judee Sill, Joan Armatrading, Anne Briggs, Marianne Faithfull, Mimi Fariña, Jaki Whitren, Laura Nyro, Bridget St. John, Carolanne Pegg, Baez, Denny ou Melanie, entre muitas outras obscuras e agradáveis surpresas.

Um pedagógico festim de talento e inspiração.

03/09/17

Heroes are hard to find ( 42 )



Mick Softley
( 1941 - 2017 )

31/08/17

Jardins do Paraíso ( LVI )



Durante décadas olhado como uma espécie de “Holy Grail” do folk britânico “Bright Phoebus” permanece um dos mais contundentes legados de Lal e Mike Waterson, os membros mais novos do clã Waterson ( Norma, Mike e Lal ).

Gravado em 1972 na Cecil Sharp House, sob a supervisão de Martin Carthy e Ashley Hutchings ( à época membros dos Steeleye Span ) o álbum, concluído numa semana, foi aplaudido pela crítica e repudiado pela maioria do público folk.

Dos Watersons era suposto esperar canções tradicionais, de preferência “a capella”, mas “Bright Phoebus” do alto da sua estranha genialidade fugia daquela ortodoxia. A inspiração é naturalmente folk, mas as canções escritas e interpretadas pelos irmãos Lal e Mike habitam uma penumbra moldada pelas vivências / memórias de uma infância marcada pela orfandade. Talvez por isso não seja um disco fácil. Catalogado de “folk noir”, ostenta aquele tipo de inspiração que só tempo permite reconhecer ( a saga de Nick Drake é outro exemplo maior deste fado ).


Ashley Hutchings e, especialmente Martin Carthy, contam ter ficado tão impressionados com as canções dos dois irmãos que partiram de imediato para as gravações. Convocaram Richard Thompson, Dave Mattacks, Maddy Prior e Tim Hart e, com a colaboração avulsa de Norma Waterson, nasceu ali uma liturgia que se manteve até hoje.

A canção mais conhecida será porventura “Fine Horseman” que Anne Briggs já havia incluído no seu álbum “The time has come” no ano anterior, mas “The scarecrow”, “Magical man”, “Never the same” ou o tema título, são outras das pequenas pérolas que ajudam a fazer deste um grande disco.

A reedição da Domino inclui uma opção que adiciona onze demos não constantes na prensagem original.

28/08/17

Lost Nuggets ( 116 )


Tramp "Put a record on" ( Spark SRLP 112 ) UK, 1974

- "Too late for that now" ( Bob Hall )
- "Now I aint a junkie anymore" ( Hall / Dennis Cotton / Dave Kelly )
- "What you gonna do" ( Hall / Bob Brunning / Cotton )
- "Like you used to do" ( Hall / Cotton )
- "You gotta move" ( Hall / Kelly )
- "Put a record on" ( Hall / Cotton )
- "Funky Money" ( Hall / Cotton / Kelly )
- "Beggar by your side" ( Hall / Cotton )
- "Maternity orders" ( Hall / Cotton )
- "It's over" ( Hall )

Tramp: Jo-Ann Kelly ( voz ), Danny Kirwan ( guitarra ), Bob Hall ( piano ), Bob Brunning ( baixo ), Mick Fleetwood ( bateria ), Ian Morton ( percussão ), Dave Kelly ( Voz ), Dave Brooks ( saxofone ).

Produção: Barry Kingston

Capa: foto de Vic Savage, design de Norman Batley

23/08/17

Artefactos ( 68 )


É sempre um prazer enorme abrir a caixa do correio e encontrar lá dentro um pequeno envelope expedido em Swindon / UK, por um tal de Mr. McMullen. A satisfação ( quase como uma sensação de se fazer parte de um clube restrito, cujos membros possuem um irrepreensível bom gosto ) traduz-se no facto de ter acabado de aterrar mais uma edição da inimitável Terrascopaedia. 

No caso, o número 8, impresso manualmente ( donde que muito dificilmente será possível encontrar dois exemplares iguais ) numa edição limitada de 100 exemplares.

A capa foi desenhada por Timothy Renner, o editor e artesão foi, como habitualmente, Phil McMullen.

Desta vez não há críticas de discos, mas as 24 páginas são preenchidas com um pequeno editorial e entrevistas a Piano Magic, aos suecos The Greek Theatre e aos Stereocilia do guitarrista e compositor John Scott.

E, como facilmente se induz, o Atalho ficará incontactável durante um bom par de horas.