07/05/17
Brinsley Schwarz "It's all over now"
Em 1975 o pub-rock precipitava-se na queda, muito por culpa
dos Dr. Feelgood que tendo dado
origem a dezenas de clones, contribuíram para baixar a qualidade.
Os Brinsley Schwarz que,
uns anos antes, com o produtor Dave
Edmunds haviam criado um muito interessante roots-rock “made in England”,
evoluíram para o pub-rock e tentaram dar o salto para o mercado americano. O
momento todavia tinha passado; a coisa correu mal e nem em casa nem na América.
Gravado no final de 1974, “It’s all over now” foi
parar às prateleiras da editora. Percebe-se o porquê, agora que foi resgatado
pelo guitarrista Ian Gomm.
O álbum revela-se um trabalho equívoco, hesitante entre o pub-rock,
o power-pop e até o reggae. Integra a primeira versão de “Cruel to be kind” que
Nick Lowe recuperaria em 79 com grande sucesso no álbum
solo “Labour of lust” e um
“Everybody” que, se tratado pelos Flamin
Groovies, teria sido galáctico. O restante material interessará sobretudo
aos historiadores.
01/05/17
Bruce Langhorne "The Hired Hands: A Tribute to Bruce Langhorne"
Bruce Langhorne, ou “Mr. Tambourine Man” como Dylan
o imortalizou, possui um curriculum extraordinário.
Artesão da música, tocou em muitos discos emblemáticos da chamada aristocracia folk americana ( Bob Dylan,
Carolyn Hester, Richard e Mimi Farina, Joan Baez, Fred Neil, Pat Kilroy,
Ritchie Havens, Odetta ).
Para além disso, inventou uma das mais fantásticas bandas
sonoras do cinema independente: “The Hired Hand”, realizado e
protagonizado por Peter Fonda, na sequela do enorme sucesso de “Easy
Rider”.
Nos últimos tempos, doente e carenciado, Bruce Langhorne foi
apoiado / homenageado por fãs e admiradores. Para o alinhamento da compilação “The Hired Hands: A Tribute to Bruce
Langhorne”, publicada pouco tempo antes do seu falecimento, existia apenas uma condição: todos as
contribuições ( versões ou não ) teriam de ser inspiradas na banda sonora “The
Hired Hand”.
O resultado é uma espécie de opus. 32 temas, construídos e
desconstruídos em redor das composições de Bruce por artífices como Lee
Ranaldo, Steve Gunn, Loren Connors, Nathan Bowles, Tom Carter, Chris Corsano,
Elliott Sharp, Boxhead Ensemble, John Fahey e Daniel Bachman, entre outros.
O conjunto é naturalmente majestoso e celebra a incrível
influência que Langhorne exerceu nas várias gerações de músicos americanos.
23/04/17
20/04/17
"Bob Dylan Worldwide - The First Twenty Years"
" Bob Dylan - The First Twenty years" is an analogue book,. It tells the fascinating story of how Bob Dylan's original vinyl album, singles & EPs releases were issued and distributed throughout the world in more than 50 countries, from Argentina to Zoimbabwe, during the turbulent first years of his career. Extensively researched with more than 3000 colour images of record covers and labels on 445 pages."
Publicado por Maus of Music, 2016 ( http://bobdylan-worldwide.com/ )
Coisas que qualquer dylanófilo entende ...
Publicado por Maus of Music, 2016 ( http://bobdylan-worldwide.com/ )
Coisas que qualquer dylanófilo entende ...
17/04/17
05/04/17
"Let's go down, Blow our minds, The British Psychedelic Sounds of 1967"
O maior “problema” das compilações efectuadas por David Wells consiste no facto aparentemente
comezinho, da nossa carteira raramente ter capacidade para acompanhar a curiosidade que as mesmas despertam.
O homem é, pode dizer-se, insanamente enciclopédico. Não existe banda, segredo
ou detalhe, por mais obscuros que possam
ser, que não conheça.
Acresce o facto de habitualmente tocar nos botões certos, deixando qualquer
fã do folk / rock / psicadélico britânicos em perfeito estado de sítio.
“Let’s go down, Blow our minds, The British Psychedelic Sounds of 1967”
é mais uma dessas colectâneas. 3 Cds, 80 temas apresentados e comentados num
booklet de 40 páginas e, entretenimento garantido para várias horas.
Dizer que por aqui passam nomes conhecidos – Attack, Episode
Six, Sorrows, Tintern Abbey, Pretty Things, John’s Children, Dave Davies,
Procol Harum, Artwoods, Move, Honeybus ou Marmalade -, é curto, pois a maioria
dos temas são, ou inéditos ou versões nunca publicadas.
Mas, sobretudo o que importa salientar são as expedições
espeleológicas como os Mirage ( o embrião da futura banda de apoio a Elton John
), The Good Thing Brigade ( mais tarde Jason Crest ), Louise ( Chris Cutler
antes dos Henry Cow ), Cliff Ward ( viria a ser conhecido como Clifford T. Ward
), Hat and Tie ( pré Nirvana ), Ice ( pré Affinity )… etc etc.
Correm por
aí rumores que Wells estará a preparar uma colectânea comemorativa do 50º aniversário do “summer of love”. A confirmar-se, o Atalho mal pode esperar.
31/03/17
Jardins do Paraíso ( LII )
De regresso ao mundo maravilhoso das prensagens privadas.
Reino Unido inicio dos 70s, departamento Folk ( Psych ).
Datada de 2013, "Cornufolkia, A Hidden History of Psychedelic-Folk from the British & Emerald Isles" é, como o nome refere uma "hidden history". E a pergunta hoje é: como foi possível que tesouros como os aqui se divulgam puderam passar à margem do conhecimento geral.
Em matéria de folk psicadélico, o período foi riquíssimo e como esta compilação semi-obscura amplamente o demonstra ainda estamos só a arranhar a superfície.
Ainda que porventura pouco adiante, deixo alguns dos muitos nomes que tornam este artefacto obrigatório para os apreciadores.
- Courtyard Music Group
- MacMurrough
- Pendragon
- Celebrated Ratliffe Stout Band
- Miles Martin Folk Group
- Savanna
- The Troubadors
- Peregrine
- Faraway Folk
- Golden Dawn
- Marie Celeste
- Finn Mac Cuill
- Madrigal
- Havenstreet
26/03/17
Michael Chapman "50"
Após uma extensa carreira de cinco décadas, o veterano e
dificilmente catalogável guitarrista britânico Michael Chapman decidiu-se finalmente por fazer o seu “disco
americano”. “50” é o tipo de trabalho que há muito se esperava do autor.
Desde que começou a ser falado no circuito folk britânico de
Cornish, Chapman assinou um extraordinário conjunto de álbuns a solo e tocou
com artistas tão díspares como Mick
Ronson, Elton John, Rick Kemp, Thurston Moore, Bill Callahan, Jack Rose ou Ryley
Walker.
Partindo das raízes folk, abraçou o ecletismo e os limites
deixaram de ser possíveis. Inovou, desconstruiu, raramente imitou. Daí que os seus álbuns sejam
hoje tão referenciados quanto os de outras lendas como Roy Harper, Wizz
Jones, Mike Cooper, Richard Thompson ou
Bert Jansch.
Comemorando os 50 anos de carreira, “50” é a reinvenção do
próprio autor. À excepção de três originais, os restantes temas foram
recuperados ao seu cancioneiro. Steve Gunn ( que toca guitarra e produz ),
Nathan Bowles, James Elkington e Bidget St. John são as âncoras que permitem a
Chapman libertar-se de “tarefas administrativas” e concentrar-se apenas na
cromaticidade de sons que a sua guitarra propicia.
Sonoridades americanas, parentes próximas das detectadas nas
obras de Steve Gunn, Black Twig Pickers, William Tyler ou Jack Rose. Uma
pintura sonora.
22/03/17
Lost Nuggets ( 113 )
Mick Softley "Sunrise" ( CBS 64098 ) Gatefold sleeve, UK, 1970
- "Can you hear me now?"
- "Waterfall"
- "Eagle"
- "Julie Argoyne"
- "Caravan"
- "If you're not part of the solution, you must be part of the problema"
- "Ship"
- "You go your way, i'll go mine"
- "Birdie, birdie"
- "Time Machine"
- "On the raod again"
- "Love Colours"
Mick Softley: canções, voz e guitarra acústica, com: Jerry Donahue e Barry Clarke ( guitarra eléctrica ), Pat Donaldson e Chris Lawrence ( baixo ), Tony Cox ( piano ), Gerry Conway ( bateria ), Lyn Dobson ( sax, flauta, harmónica e sitar ), Ned Balen ( tablas ), Mike Vickers ( sintetizador ) e Sue Wheatman, Sunny Wheatman e Leslie Duncan ( vozes ).
Produção de Tony Cox
Produção de Tony Cox
Capa: foto e design de Campbell McCallum
16/03/17
Artefactos ( 48 )
Lisboa. Inverno de 1985. Um grupo de fãs dos Joy Division ( Musiconovistas de Portugal ) concebem, paginam e publicam em tiragem limitada a presente fanzine.
Pinturas originais e recolha de imagens: Paulo Veríssimo e Fernando Santos Marques.
Textos: António Manuel Oliveira, António Júlio Vilarinho, Fernando Santos Marques, Jaime Palha, João Carlos Inácio Reis e Paulo Veríssimo.
Outras contribuições: Luís Barata, Miguel Esteves Cardoso e Ricardo Nobre.11/03/17
Gene Clark "The Lost Studio Sessions 1964-1982"
“Muito poucos músicos tiveram tanta influência na criação de novos
estilos de música como Gene Clark. Folk-Rock, Psychedelic acid-rock, Country-Rock,
Alt-Country, Gene esteve no nascimento de todos estes géneros.”, pode
ler-se no booklet que acompanha “The Lost Studio Sessions 1964-1982”.
Mais detalhe menos detalhe, a verdade não anda longe.
Gene Clark foi um dos mais brilhantes
songwriters americanos da segunda metade do século passado. A solo, com Byrds, Dillards, Gosdin Bros, Flying Burrito Brothers, McGuinn, Clark & Hillman ou Carla Olson, criou uma obra superlativa
que em grande medida permanece por descobrir.
Ao talento como autor de canções acrescentava uma voz
barítono que, em matéria de interpretação vocal, o colocava de imediato num
patamar acima de outros talentos como Dylan, Parsons ou Newman.
Porém a ausência de sorte e as oportunidades falhadas ficaram na sombra do seu talento. E hoje,
quando se escutam clássicos como “Eight miles high”, “Here without you”, “Feel
awhole lot better”, “One in a hundred”, “Tried so hard” ou “Full circle”, são
poucos aqueles que os associam ao trovador do Kansas.
“The Lost Studio Sessions” são gravações recuperadas à poeira dos
arquivos dos produtores Leon Russell,
Jim Dickson e Terry Melcher. Versões algumas, inéditas outras, são 24 canções de
corpo inteiro que nenhum apreciador da arte de Gene Clark deverá ignorar.
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