31/03/17

Jardins do Paraíso ( LII )


De regresso ao mundo maravilhoso das prensagens privadas.

Reino Unido inicio dos 70s, departamento Folk ( Psych ).

Datada de 2013,  "Cornufolkia, A Hidden History of Psychedelic-Folk from the British & Emerald Isles" é, como o nome refere uma "hidden history". E a pergunta hoje é: como foi possível que tesouros como os aqui se divulgam puderam passar à margem do conhecimento geral.

Em matéria de folk psicadélico, o período foi riquíssimo e como esta compilação semi-obscura amplamente o demonstra ainda estamos só a arranhar a superfície.

Ainda que porventura pouco adiante, deixo alguns dos muitos nomes que tornam este artefacto obrigatório para os apreciadores.

- Courtyard Music Group
- MacMurrough
- Pendragon
- Celebrated Ratliffe Stout Band
- Miles Martin Folk Group
- Savanna
- The Troubadors
- Peregrine
- Faraway Folk
- Golden Dawn
- Marie Celeste
- Finn Mac Cuill
- Madrigal
- Havenstreet
 

26/03/17

Michael Chapman "50"



Após uma extensa carreira de cinco décadas, o veterano e dificilmente catalogável guitarrista britânico Michael Chapman decidiu-se finalmente por fazer o seu “disco americano”. “50” é o tipo de trabalho que há muito se esperava do autor.
Desde que começou a ser falado no circuito folk britânico de Cornish, Chapman assinou um extraordinário conjunto de álbuns a solo e tocou com artistas tão díspares como  Mick Ronson, Elton John, Rick Kemp, Thurston Moore, Bill Callahan, Jack Rose ou Ryley Walker.
Partindo das raízes folk, abraçou o ecletismo e os limites deixaram de ser possíveis. Inovou, desconstruiu,  raramente imitou. Daí que os seus álbuns sejam hoje tão referenciados quanto os de outras lendas como Roy Harper, Wizz Jones,  Mike Cooper, Richard Thompson ou Bert Jansch.
Comemorando os 50 anos de carreira, “50” é a reinvenção do próprio autor. À excepção de três originais, os restantes temas foram recuperados ao seu cancioneiro. Steve Gunn ( que toca guitarra e produz ), Nathan Bowles, James Elkington e Bidget St. John são as âncoras que permitem a Chapman libertar-se de “tarefas administrativas” e concentrar-se apenas na cromaticidade de sons que a sua guitarra propicia.
Sonoridades americanas, parentes próximas das detectadas nas obras de Steve Gunn, Black Twig Pickers, William Tyler ou Jack Rose. Uma pintura sonora.

22/03/17

Lost Nuggets ( 113 )


Mick Softley "Sunrise" ( CBS 64098 ) Gatefold sleeve, UK, 1970


- "Can you hear me now?"
- "Waterfall"
- "Eagle"
- "Julie Argoyne"
- "Caravan"
- "If you're not part of the solution, you must be part of the problema"
- "Ship"
- "You go your way, i'll go mine"
- "Birdie, birdie"
- "Time Machine"
- "On the raod again"
- "Love Colours"

Mick Softley: canções, voz e guitarra acústica, com: Jerry Donahue e Barry Clarke ( guitarra eléctrica ), Pat Donaldson e Chris Lawrence ( baixo ), Tony Cox ( piano ), Gerry Conway ( bateria ), Lyn Dobson ( sax, flauta, harmónica e sitar ), Ned Balen ( tablas ), Mike Vickers ( sintetizador ) e Sue Wheatman, Sunny Wheatman e Leslie Duncan ( vozes ).

Produção de Tony Cox

Capa: foto e design de Campbell McCallum






16/03/17

Artefactos ( 48 )


Lisboa. Inverno de 1985. Um grupo de fãs dos Joy Division ( Musiconovistas de Portugal ) concebem, paginam e publicam em tiragem limitada a presente fanzine.


Pinturas originais e recolha de imagens: Paulo Veríssimo e Fernando Santos Marques.
Textos: António Manuel Oliveira, António Júlio Vilarinho, Fernando Santos Marques, Jaime Palha, João Carlos Inácio Reis e Paulo Veríssimo.
Outras contribuições: Luís Barata, Miguel Esteves Cardoso e Ricardo Nobre.



Brochura de 24 páginas, imprimidas em Offset repro 2000. Preço Unitário: 80$00.



11/03/17

Gene Clark "The Lost Studio Sessions 1964-1982"


 

Muito poucos músicos tiveram tanta influência na criação de novos estilos de música como Gene Clark. Folk-Rock, Psychedelic acid-rock, Country-Rock, Alt-Country, Gene esteve no nascimento de todos estes géneros.”, pode ler-se no booklet que acompanha “The Lost Studio Sessions 1964-1982”. Mais detalhe menos detalhe, a verdade não anda longe.
Gene Clark foi um dos mais brilhantes songwriters americanos da segunda metade do século passado. A solo, com Byrds, Dillards, Gosdin Bros, Flying Burrito Brothers, McGuinn, Clark & Hillman ou Carla Olson, criou uma obra superlativa que em grande medida permanece por descobrir.
Ao talento como autor de canções acrescentava uma voz barítono que, em matéria de interpretação vocal, o colocava de imediato num patamar acima de outros talentos como Dylan, Parsons ou Newman.

Porém a ausência de sorte e as oportunidades falhadas  ficaram na sombra do seu talento. E hoje, quando se escutam clássicos como “Eight miles high”, “Here without you”, “Feel awhole lot better”, “One in a hundred”, “Tried so hard” ou “Full circle”, são poucos aqueles que os associam ao trovador do Kansas. 
The Lost Studio Sessions” são gravações recuperadas à poeira dos arquivos dos produtores Leon Russell, Jim Dickson e Terry Melcher. Versões algumas, inéditas outras, são 24 canções de corpo inteiro que nenhum apreciador da arte de Gene Clark deverá ignorar.

04/03/17

Karen Zanes "Of lovers and tribes"



A coberto dos The Freeways, Ghost Machine Noise, Violet Nox, Second Day Venom, ou a solo, Karen Zanes tem vindo a ganhar o seu espaço na comunidade  underground de Boston, Cambridge em particular.

O recente “Of Lovers and Tribes constitui um passo mais nesse sentido.

Inspirada no psicadelismo americano dos 60s e, mais recentemente, no secular folk pastoral britânico, Karen Zanes utiliza as suas ferramentas académicas ( a fotografia e o  cinema ) para criar uma linguagem musical simples nos meios e forma mas, ao mesmo tempo, colorida por amplas paisagens cinemáticas.

Que tudo isto seja organicamente conseguido no recanto de um estúdio privado, torna o resultado final ainda mais meritório. “Of Lovers and Tribes” são oito temas que balançam entre o psicadélico e o folk, aqui e ali robotizados pelo drone, como é evidente em “Drowning” ou no tema título. Destaque final para o belíssimo “Ghosting”, exemplo do muito que se pode fazer com muito pouco.

28/02/17

It's Psychedelic Baby!


Edição #2/2 do magazine publicado por Kleman Brezinar. O foco principal deste número incide sobre o "British Psychedelic Folk".

Entre outros, fala-se aqui de Incredible String Band, Spirogyra, Comus, Magna Carta, C.O.B., Stonefield Tramp, Magic Carpet, Fairport Convention, Courtyard Music Group, Sunforest, Oberon, Dawnwind, Mellow Candle e Trees.

Como facilmente se percebe, algo a não perder.

23/02/17

Tim Buckley "Lady, give me your key"






Num registo tão intimista quanto surpreendente, “Lady, Give me your Key” agrega um conjunto de gravações inéditas de Tim Buckley.

1967. Após um primeiro álbum homónimo, Buckley e o produtor Jerry Yester procuravam canções para o disco seguinte: “Goodbye and Hello”. Uma “demo tape” com sete temas e um acetato com seis, foram o resultado material dessa demanda.

Parte destas maquetas foram trabalhadas e rearranjadas para o novo álbum ( “Once I was”, “I never asked to be your mountain”, “Pleasant Street”, “Carnival Song”, “No man can find the war” ). As restantes foram entretanto abandonadas. De entre estas, “Lady, Give me your Key”, esteve na calha para lado B do single “Once upon a time”.

Apesar deste ser uma “psych pop song” perfeitamente enquadrada na época a Elektra nunca o editou e por arrasto, o extraordinário “Lady, give me your key” permaneceu inédito até hoje.

Não só por ele, mas também muito por causa dele, as gravações agora publicadas são obrigatórias para todos os que se interessam pela música deste trovador.

18/02/17

Lost Nuggets ( 112 )


The Fife Reivers "S/t" ( Columbia SCX 6371 ), UK, 1969


- "Spring"
- "Sante Fe Trail"
- "Caravan"
- "Summer's end"
- "51st Division Marches"
- "The Goldfish"
- "Dragonfly"
- "The value of your person"
- "Mason's Apron"
- "The Ballad of the Black Tooth Crow"
- "Dry Leaves"
- "Reverie"
- "Lark in the morning"


The Fife Reivers: Jim Laing ( canções, voz e guitarra ), Maureen Laing ( voz ) e Russell Laing ( guitarra solo, mandolin e banjo )

Produção de Don Paul

Capa: design de Alan Johnson

11/02/17

Leviathan "The Legendary Lost Elektra Album"



Brighton, outono de 1968. A Mike Stuart Span acabara de assinar pela Elektra Records.
Depois da Incredible String Band e dos Eclection, constituiam a terceira aposta da editora americana no Reino Unido. Jac Holzman pretendia vender um produto novo e o nome da banda mudou para Leviathan. Para além disso pouco se alterou; a matriz continuava a balouçar entre o “mod” e o psicadélico, em linha com o seu tempo.
Depois de alguns singles de sucesso mediano, a banda avançou para a gravação de um álbum. No final de 1969, quando se esperava a respectiva edição, Holzman cancelou o projecto e as fitas foram arquivadas.
47 anos volvidos “Leviathan, The Legendary Lost Elektra Album” chegou enfim. Testemunho de uma grande banda de blues-rock psicadélico, o álbum é atravessado pela inspirada guitarra de Brian Bennett e guarda, entre outros, os belíssimos “Second Production”, “Flames” e uma versão lenta do clássico “Evil woman”. Histórico no mínimo.

06/02/17

Heroes are hard to find ( 38 )



Deke Leonard ( Man )

( 1944 - 2017 )

31/01/17

Terry Dolan "S/t"



A terminar 2016, o acaso ou um feliz alinhamento dos astros, permitiram a publicação de um conjunto de gravações inéditas que, em rigor, tinham tudo para o não serem. A mais extraordinária delas, porventura a grande redescoberta do ano - “Terry Dolan” -, esteve guardada nos arquivos da Warner Brothers desde 1972.

Natural do Connecticut, Terry Dolan começou por cantar nos clubes e cafés folk de Washington. Como muitos outros não demorou a mudar-se para São Francisco.  Insistiu no folk, mas as suas composições pediam outros voos. Conheceu a nata dos músicos californianos da época e quase sem dar por isso, os Country Weather eram a sua banda de suporte.

Em 1970 gravou duas demos. Uma delas, “Inlaws and Outlaws”, transformou-se num hit nas principais rádios underground da Califórnia. O público procurava nas lojas, mas não havia disco. Em 1971, a WB decidiu então financiar as primeiras gravações.


Concluído em duas fases, o álbum teve como produtores dois alquimistas – Nicky Hopkins e Pete Sears – curiosamente ambos ingleses, exímios pianistas e donos de invejável curriculum. John Cipollina, Greg Douglass, Neal Schon, Spencer Dryden e as Pointer Sisters juntaram-se-lhes. A edição foi agendada para Janeiro de 1973 mas, inexplicavelmente e sem razão aduzida, a Warner Brothers abortou o projecto.

Devastado, Dolan fundou os Terry & The Pirates, “a mais underground das bandas underground saídas de São Francisco”. Faleceu em 2012 sem nunca ter visto o sua maior criação publicada. Impossível saber o que teria acontecido à carreira deste criador caso o álbum tivesse saído em tempo. Mas o brilhantismo dos temas, a qualidade superlativa das prestações musicais e o talento dos dois mágicos que o produziram, teriam certamente feito dele um dos clássicos da época. Chegou finalmente, 43 anos depois.