18/02/17

Lost Nuggets ( 112 )


The Fife Reivers "S/t" ( Columbia SCX 6371 ), UK, 1969


- "Spring"
- "Sante Fe Trail"
- "Caravan"
- "Summer's end"
- "51st Division Marches"
- "The Goldfish"
- "Dragonfly"
- "The value of your person"
- "Mason's Apron"
- "The Ballad of the Black Tooth Crow"
- "Dry Leaves"
- "Reverie"
- "Lark in the morning"


The Fife Reivers: Jim Laing ( canções, voz e guitarra ), Maureen Laing ( voz ) e Russell Laing ( guitarra solo, mandolin e banjo )

Produção de Don Paul

Capa: design de Alan Johnson

11/02/17

Leviathan "The Legendary Lost Elektra Album"



Brighton, outono de 1968. A Mike Stuart Span acabara de assinar pela Elektra Records.
Depois da Incredible String Band e dos Eclection, constituiam a terceira aposta da editora americana no Reino Unido. Jac Holzman pretendia vender um produto novo e o nome da banda mudou para Leviathan. Para além disso pouco se alterou; a matriz continuava a balouçar entre o “mod” e o psicadélico, em linha com o seu tempo.
Depois de alguns singles de sucesso mediano, a banda avançou para a gravação de um álbum. No final de 1969, quando se esperava a respectiva edição, Holzman cancelou o projecto e as fitas foram arquivadas.
47 anos volvidos “Leviathan, The Legendary Lost Elektra Album” chegou enfim. Testemunho de uma grande banda de blues-rock psicadélico, o álbum é atravessado pela inspirada guitarra de Brian Bennett e guarda, entre outros, os belíssimos “Second Production”, “Flames” e uma versão lenta do clássico “Evil woman”. Histórico no mínimo.

06/02/17

Heroes are hard to find ( 38 )



Deke Leonard ( Man )

( 1944 - 2017 )

31/01/17

Terry Dolan "S/t"



A terminar 2016, o acaso ou um feliz alinhamento dos astros, permitiram a publicação de um conjunto de gravações inéditas que, em rigor, tinham tudo para o não serem. A mais extraordinária delas, porventura a grande redescoberta do ano - “Terry Dolan” -, esteve guardada nos arquivos da Warner Brothers desde 1972.

Natural do Connecticut, Terry Dolan começou por cantar nos clubes e cafés folk de Washington. Como muitos outros não demorou a mudar-se para São Francisco.  Insistiu no folk, mas as suas composições pediam outros voos. Conheceu a nata dos músicos californianos da época e quase sem dar por isso, os Country Weather eram a sua banda de suporte.

Em 1970 gravou duas demos. Uma delas, “Inlaws and Outlaws”, transformou-se num hit nas principais rádios underground da Califórnia. O público procurava nas lojas, mas não havia disco. Em 1971, a WB decidiu então financiar as primeiras gravações.


Concluído em duas fases, o álbum teve como produtores dois alquimistas – Nicky Hopkins e Pete Sears – curiosamente ambos ingleses, exímios pianistas e donos de invejável curriculum. John Cipollina, Greg Douglass, Neal Schon, Spencer Dryden e as Pointer Sisters juntaram-se-lhes. A edição foi agendada para Janeiro de 1973 mas, inexplicavelmente e sem razão aduzida, a Warner Brothers abortou o projecto.

Devastado, Dolan fundou os Terry & The Pirates, “a mais underground das bandas underground saídas de São Francisco”. Faleceu em 2012 sem nunca ter visto o sua maior criação publicada. Impossível saber o que teria acontecido à carreira deste criador caso o álbum tivesse saído em tempo. Mas o brilhantismo dos temas, a qualidade superlativa das prestações musicais e o talento dos dois mágicos que o produziram, teriam certamente feito dele um dos clássicos da época. Chegou finalmente, 43 anos depois.

23/01/17

Lost Nuggets ( 111 )


"The Peoria Folk Anthology, Volume Three" ( Webster's Last Word Records, WLWs 3825, Stereo ) USA, 1970


- "Pedalling"
- Dan Young "Slow Fade" ( Jendras )
- Jennie Pearl "Maybe in another year" ( Pearl )
- Lou Jendras "Artificial Heart Transplant Blues" ( Jendras )
- Bruce Brown "Trolly Car Song" ( Durham )
- Chuck and Mary Perrin "Help us Jesus" ( Hardin )
- Lou Jendras "I didn't realise that I couldn't harmonize with you" ( Jendras )
- Dan Young "Life is a stream" (Johnson )
- Bruce Brown "Sittin on the curb" ( Durham )
- Jennie Pearl "Bye-gones" ( Pearl )
- Chuck and Mary Perrin "Morning" ( Perrin )
- "Climax"


Compilação; "Recorded Live at Golden Voice Sound Studios, South Pekin, Illinois"

Produção: Chuck Perrin

Capa: direcção e design de Bruce Brown.

13/01/17

09/01/17

Shirley Collins "Lodestar"



Apesar de não ter gravado uma única canção durante mais de 30 anos, Shirley Collins permaneceu sempre a grande Dama do folk inglês. Sandy Denny é passado e June Tabor, embora grande, não atinge aquele patamar.

Nos dias de hoje trata-se de algo quase incompreensível. Mas há coisas que não se explicam, sentem-se apenas. Aparentemente ultrapassados os problemas de saúde que a impediram de cantar durante décadas, “Lodestar”, é o primeiro disco novo desde 1979. Uma perfeição. As canções pairam sobre uma atmosfera mágica.

Um dos grandes talentos de Collins foi saber, no momento certo,  escolher as canções que, observando a tradição, serviam igualmente a sua voz. Esta já não tem a frescura de outrora; está mais grave, profunda, naturalmente envelhecida. Não obstante, o dom interpretativo continua a impressionar, pela convicção e autenticidade.

O resto, depois do talento, é bom gosto, simplicidade e singeleza. Tal qual a tradição ancestral desta música, cujas canções não necessitam de grandes arranjos ou acompanhamentos. Muitas das vezes o “acapella” bastou para sobreviverem à história.

03/01/17

Wolf People "Ruins"



Li há dias na edição que comemora o quinquagésimo aniversário da revista gaulesa ‘Rock & Folk’ que pouco tempo antes de falecer, o seu fundador – Philippe Koechlin -, terá confidenciado à família: “depois de conhecer Jim Morrison e Jimi Hendrix, como poderei interessar-me por uma figura como Robert Smith dos Cure?“.

Compreendo-o em parte. No que respeita à dimensão humana das figuras em causa, terá provavelmente razão, embora o dinamismo dos tempos não se compadeça com estaticismos. Discordo no entanto da tese que parece subjacente à afirmação. Cada geração tem os seus ícones e existem grandes criadores em todas as épocas.

Atente-se nos Wolf People. A banda do Bedfordshire leva já cerca de uma década de existência, período durante o qual publicou um conjunto importante de singles e três álbuns de referência. O quarto “Ruins” acabado de sair, acrescenta solidez e maturidade ao talento já evidenciado.


Na sua verdadeira essência, a música dos Wolf People só poderia ser feita por ingleses. As raízes e o modelo que escolheram recriar são definitivamente britânicos. Uma constatação óbvia, quer a abordagem seja feita pelo lado do folk tradicional, quer pelo do blues rock.

No fundo, embora Jack Sharp continue a sustentar que nunca tinha escutado os primeiros 3, 4 álbuns dos Jethro Tull até fãs e crítica lhe terem mencionado as semelhanças, a verdade é que a música de “Ruins”, ainda que contemporânea, estruturalmente evoca aquele extraordinária “mélange” entre melodias tradicionais britânicas e a visão do blues rock que Ian Anderson confeccionou na discografia dos Tull até 1971 quando publicou o seminal “Aqualung”.

E os ocasionais exercícios da flauta são um mero pormenor no meio de toda a avalanche de guitarras, ora delicadas ora distorcidas, reclamando um lugar no panteão do moderno psych folk-rock. Os impressionantes sete minutos do épico “Kingfisher” não enganam. Ali está condensado tudo o que importa na música de Jack Sharp. Talento, inspiração, virtuosismo e atenção às raízes. Um dos discos do ano.

28/12/16

Lost Nuggets ( 110 )


Lackey & Sweeney "Junk Store Songs for Sale" ( Village Thing VTS 23 ) UK, 1973


- "Rosemary's Market"
- "Nothing to lose"
- "Twenty nine years"
- "Sparrow"
- "Drinking Blues"
- "Good to cry"
- "Yesterday did ride again"
- "Sweet Marie"
- "Comfort"
- "You are my sunshine"

Billy Lackey e Kathleen Sweeney: canções, vozes, guitarras e harmónica; com John Turner ( baixo acústico ), Joe Kucera ( flauta e sax ) e Graham Smith ( harmónica ).

Produção: Ian A. Anderson

Capa: fotos de Dave Mason