18/12/16

Eluvium "False readings on"




Em matéria de música ambiente, minimalista, electrónica e / ou de vanguarda, Matthew Robert Cooper aka Eluvium é uma referência cada vez mais consolidada.

No seu álbum mais recente, “False readings on”, o experimentalista do Oregon afirma ter-se inspirado na teoria das dissonâncias cognitivas e sua manifestação no quotidiano das sociedades modernas.

O fosso entre crença e realidade, crê-se,  existirá desde sempre. Hoje, eventualmente, mostrar-se-á envolto numa maior sofisticação. Como a música de Cooper.


De registo para registo tem vindo a ganhar uma identidade própria, a ponto das influências antigas ( Brian Eno, Max Richter, Terry Riley, Cluster ou Labradford ) serem agora pequeninos pontos num horizonte passado.

Isto dito, “False readings on” é mais um registo de escuta obrigatória. Fácil? Longe disso. A um tempo denso, celestial, contemplativo e triste, estimula esse desafio gigantesco de encontrar o ponto de equilíbrio entre o optimismo e o pessimismo.

12/12/16

Marvin Gardens "1968"



Ao que parece o baú psicadélico da São Francisco dos 60s permanece em efervescência.
A mais recente (re)descoberta dá pelo nome de Marvin Gardens, uma banda que perseguia os padrões psych vigentes na época e que, liderada pela vocalista Carol Duke, tinha naturalmente em Big Brother & The Holding Company, Jefferson Airplane ou Peanut Butter Conspiracy as suas maiores influências.
Agora publicados pela primeira vez, os Marvin Gardens têm em “1968” uma antologia que não sendo propriamente um modelo de equilíbrio, permite conhecer mais um projecto artístico soterrado no tempo.

À boleia da voz jopliniana de Carol Duke, a música do quinteto bordejava o folk eléctrico e o garage num cocktail psicadélico por vezes respaldado no pioneirismo dos conterrâneos The Charlatans.
Vários demos gravados para a Warner Bros, um EP auto produzido e um conjunto de gravações captadas em 1968 no palco do lendário Matrix fazem deste disco um momento de saudável nostalgia e uma das recuperações mais interessantes do ano.

09/12/16

"Lindo Sonho Delirante - 100 Psychedelic Records from Brazil ( 1968-1975 )"


Não se trata exactamente de inventar a roda - muitos dos discos aqui listados estavam já profusamente referenciados -, mas é muito agradável ter toda a informação reunida num único livro.

Numa edição bilingue ( português/inglês ), graficamente muito apelativa, este trabalho do jornalista / colecionador  Bento de Araújo é uma óptima ferramenta para todos os que se interessam pela matéria.


06/12/16

Glenn Phillips "At the Rainbow"



Que conste, Glenn Phillips nunca integrou as listas dos “melhores guitarristas” do rock e periferias. Não obstante é responsável por dois discos enormes: “Music to eat”, no colectivo da Hampton Grease Band ( 1971 ) e, a solo, “Lost at sea” ( 1975 ).

O americano nunca procurou ser um instrumentista “convencional” – e dizendo isto, estamos a pensar em nomes como Lowell George, Clapton, Mike Bloomfield ou mesmo Ry Cooder. Phillips é, como estes, tecnicamente dotado, mas entra por territórios exploratórios adentro;  como Roy Buchanan, Robert Fripp, Jerry Garcia ou John McLaughlin.

Glenn Phillips, At The Rainbow”, resulta da recuperação de gravações efectuadas no palco do londrino Rainbow em Novembro de 1977. Com excepção do inédito “Drive on”, os oito temas são recriações de títulos incluídos nos dois primeiros álbuns: o já citado “Lost at sea” e o acabado de publicar, “Swim in the wind”. Na contracapa do álbum, o texto refere que os membros do trio que acompanha Phillips nestas actuações pouco tinha tocado junto enquanto grupo. Algo que custa a acreditar quando se escuta a prestação do conjunto nestas gravações.

Logo no inicio, através de “The Flu” ficamos a saber ao que vêm. A abertura do tema relembra de imediato “Birds of fire”, esse monumento erigido pela Mahavishnu Orchestra um par de anos antes. Depois, a  partir daí e até ao fim é toda uma incandescente sequência de solos de guitarra que se cruzam com os  silêncios, evocações e urgência das melodias, sempre com a guitarra funcionando como instrumento de liderança e coesão.

E quando  se escutam as versões de  “Dogs” ou do épico “Phoebe”, é difícil compreender como foi possível estas fitas terem permanecido tantos anos na gaveta. E sim , Phillips é definitivamente um dos grandes guitarristas da sua geração.

01/12/16

Heroes are hard to find ( 37 )


Jaki Whitren

( 1954 - 2016 )

25/11/16

"Madman Across the Water", Elton John e Mick Ronson




Apenas para recordar aos mais esquecidos e a todos aqueles que porventura ainda por aqui não andavam que, em tempos, existiu um artista chamado Reginald Dwight - aka Elton John.

A demo acima, resultante das sessões que conduziram a "Tumbleweed Connection", acabou por ficar de fora do alinhamento deste.

Meses mais tarde, seria o tema título de "Madman across the water". A guitarra de Mick Ronson foi entretanto substituída pela de Chris Spedding e os arranjos de cordas de Paul Buckmaster requisitados para ocupar o espaço que ficara vazio.

Pessoalmente prefiro a versão longa com Mick Ronson.


21/11/16

"I'm a freak Baby ... A Journey Through The British Heavy Psych and Hard Rock Underground Scene 1968-1972"



Acima de tudo, o que o hard-rock do final dos 60s inicio dos 70s procurava era provocar um impacto visceral em lugar do cerebral, como até ali. Enquanto o psicadelismo e o hippie folk encorajavam o ouvinte a aproximar-se de Hobbit, contemplando com solenidade o umbigo do universo, ao mesmo tempo que consultava o I Ching, o protótipo do hard-rock constituía uma experiência física, um soco no estômago, um violento ataque aos tímpanos mais do que aos lóbulos frontais”.
O texto acime pode ler-se no folheto que acompanha “I’m a freak Baby… A Journey Through The British Heavy Psych and Hard Rock Underground Scene 1968-72”,  uma compilação que irá deliciar fãs do género e da época.
O critério seguido pelo curador David Wells, foi proporcionar uma visão ampla da era, incorporando de tudo: desde os grandes nomes ( Deep Purple, Uriah Heep ), os pioneiros ( Yardbirds, Move, Sam Gopal )  experiências mais radicais ( Deviants, Pink Fairies, Third World War ), até aos paladinos do blues rock ( Fleetwood Mac, Chicken Shack, Groundhogs, Taste ), sem menosprezar alguns temas inéditos de bandas que na altura percorreram “muita estrada”, mas que nunca chegaram a editar qualquer disco ( Kult, Egor, Phoenix, Bare Sole, Velvet Frogs ).
Três CDs e quatro horas de pura aprendizagem, para consumir no momento adequado e na dose certa.

16/11/16

Artefactos ( 47 )



Sandy Denny faleceu a 21 de Abril de 1978. Já na Austrália, Trevor Lucas morreria a 4 de Fevereiro de 1989. Sobreviveram-lhes duas crianças: Georgia e Clancy Lucas.

Para fazer face às dificuldades, a viúva de Trevor - Elizabeth Hurtt-Lucas -, com o apoio de alguns amigos, publicou em 1994 um conjunto de cassetes que incluíam canções recuperadas do arquivo do músico.

"Sandy Denny and friends"  reúne demos de 1966-67 e uma performance registada no palco do Royalty Theatre a 27 de Novembro de 1977.

"Trevor and Sandy, together again" incorpora 26 outakes de ambos, algumas das quais, por iniciativa da Raven Records, surgiriam em 1995 no excelente "The Attic Tracks 1972-1984".

Ainda dentro do mesmo espírito filantrópico, dois anos mais tarde, em Inglaterra, a Deep Sea Records publicou "Georgia on our mind". 

Ralph McTell, David Suff e Danny Thompson organizaram a compilação. Dave Cousins, Albion Band, Fairport Convention, Richard Thompson, Martin Carthy, Robin Williamson e John Martyn, entre outros, ofereçam os temas/versões. 







14/11/16

Heroes are hard to find ( 36 )


Leon Russell

( 1942 - 2016 )

12/11/16

Lost Nuggets ( 109 )


David Elliott "S/t" ( Atlantic K 40374 ) Lyric insert, UK, 1972


- "Kid's Stuff"
- "If I were you"
- "Lover"
- "The love you put on yesterday"
- "You better love"
- "Dear Mary"
- "Down to my last dime"
- "The invisible man"
- "The rich man's love story"
- "Some"
- "Open the door"


David Elliott: canções, voz, guitarra e harmónica; com: Caleb Quaye, Albert Lee e Mick Grabham ( guitarra ), Dee Murray e Rick Wills ( baixo ), Dave Mattacks, Roy O Temro, Nigel Olsson e Chris Karam ( bateria ), B. J. Cole ( guitarra slide ), Francis Monkman ( piano ).

Produção de Mick Grabham

Capa: Hipgnosis

09/11/16

Heroes are hard to find ( 35 )


Martin Stone ( Mighty Baby )
1946-2016

05/11/16

"Imaginational Anthem Vol. 8, The Private Press"



Quando elaboradas com critério, por alguém com propósito e sabendo o que faz, as compilações podem ser fonte de prazer, informação e, simultaneamente, caminhos para o conhecimento.

Sob a sugestiva designação de Imaginational Anthem, a Tompkins Square tem vindo a editar um sólido conjunto de colectâneas das quais “Imaginational Anthem vol. 8, The Private Press” é a  mais recente.

Tal como o nome indicia, debruça-se sobre prensagens privadas - esse universo extraordinário onde as surpresas surgem a cada esquina -, em concreto sobre obras em tempo editadas por obscuros artesãos da guitarra acústica norte americana.

14 temas, balizados entre os anos de 1968 e 1995,  praticamente impossíveis de localizar noutro local, fruto das limitadas prensagens originais. E quando, arrogantes, julgávamos já ter escutado todo o finger-picking que interessava através dos Fahey, Kaukonen, Garcia, Kottke, Basho, Lang, Rose, Jones ou mesmo Bachman sem esquecer Jansch e Renbourn, eis que se apresentam alguns mais “professores” e discípulos para tornarem o assunto uma espécie de “never ending story”.  

Através da brochura de 24 páginas que acompanha a edição ficamos a saber entre outras coisas que estes 14 feiticeiros da guitarra criaram música de uma outra dimensão a que muito poucos tiveram acesso, uma vez que o número de exemplares das prensagens dos discos que gravaram raramente ultrapassou as três centenas.

E, com o “finger style” como veículo, cruzamo-nos com ragas, música oriental, jazz, blues, acid-folk ou até com melodias de inspiração hispânica. Nomes como Perry Lederman, Lee Murdock, Joe Bethancourt, Herb Moore, Nancy Tucker ou Russell Potter são por esta via colocados no radar e isso só pode constituir motivo de enriquecimento para quem se der ao trabalho de os escutar.