01/12/16

Heroes are hard to find ( 37 )


Jaki Whitren

( 1954 - 2016 )

25/11/16

"Madman Across the Water", Elton John e Mick Ronson




Apenas para recordar aos mais esquecidos e a todos aqueles que porventura ainda por aqui não andavam que, em tempos, existiu um artista chamado Reginald Dwight - aka Elton John.

A demo acima, resultante das sessões que conduziram a "Tumbleweed Connection", acabou por ficar de fora do alinhamento deste.

Meses mais tarde, seria o tema título de "Madman across the water". A guitarra de Mick Ronson foi entretanto substituída pela de Chris Spedding e os arranjos de cordas de Paul Buckmaster requisitados para ocupar o espaço que ficara vazio.

Pessoalmente prefiro a versão longa com Mick Ronson.


21/11/16

"I'm a freak Baby ... A Journey Through The British Heavy Psych and Hard Rock Underground Scene 1968-1972"



Acima de tudo, o que o hard-rock do final dos 60s inicio dos 70s procurava era provocar um impacto visceral em lugar do cerebral, como até ali. Enquanto o psicadelismo e o hippie folk encorajavam o ouvinte a aproximar-se de Hobbit, contemplando com solenidade o umbigo do universo, ao mesmo tempo que consultava o I Ching, o protótipo do hard-rock constituía uma experiência física, um soco no estômago, um violento ataque aos tímpanos mais do que aos lóbulos frontais”.
O texto acime pode ler-se no folheto que acompanha “I’m a freak Baby… A Journey Through The British Heavy Psych and Hard Rock Underground Scene 1968-72”,  uma compilação que irá deliciar fãs do género e da época.
O critério seguido pelo curador David Wells, foi proporcionar uma visão ampla da era, incorporando de tudo: desde os grandes nomes ( Deep Purple, Uriah Heep ), os pioneiros ( Yardbirds, Move, Sam Gopal )  experiências mais radicais ( Deviants, Pink Fairies, Third World War ), até aos paladinos do blues rock ( Fleetwood Mac, Chicken Shack, Groundhogs, Taste ), sem menosprezar alguns temas inéditos de bandas que na altura percorreram “muita estrada”, mas que nunca chegaram a editar qualquer disco ( Kult, Egor, Phoenix, Bare Sole, Velvet Frogs ).
Três CDs e quatro horas de pura aprendizagem, para consumir no momento adequado e na dose certa.

16/11/16

Artefactos ( 47 )



Sandy Denny faleceu a 21 de Abril de 1978. Já na Austrália, Trevor Lucas morreria a 4 de Fevereiro de 1989. Sobreviveram-lhes duas crianças: Georgia e Clancy Lucas.

Para fazer face às dificuldades, a viúva de Trevor - Elizabeth Hurtt-Lucas -, com o apoio de alguns amigos, publicou em 1994 um conjunto de cassetes que incluíam canções recuperadas do arquivo do músico.

"Sandy Denny and friends"  reúne demos de 1966-67 e uma performance registada no palco do Royalty Theatre a 27 de Novembro de 1977.

"Trevor and Sandy, together again" incorpora 26 outakes de ambos, algumas das quais, por iniciativa da Raven Records, surgiriam em 1995 no excelente "The Attic Tracks 1972-1984".

Ainda dentro do mesmo espírito filantrópico, dois anos mais tarde, em Inglaterra, a Deep Sea Records publicou "Georgia on our mind". 

Ralph McTell, David Suff e Danny Thompson organizaram a compilação. Dave Cousins, Albion Band, Fairport Convention, Richard Thompson, Martin Carthy, Robin Williamson e John Martyn, entre outros, ofereçam os temas/versões. 







14/11/16

Heroes are hard to find ( 36 )


Leon Russell

( 1942 - 2016 )

12/11/16

Lost Nuggets ( 109 )


David Elliott "S/t" ( Atlantic K 40374 ) Lyric insert, UK, 1972


- "Kid's Stuff"
- "If I were you"
- "Lover"
- "The love you put on yesterday"
- "You better love"
- "Dear Mary"
- "Down to my last dime"
- "The invisible man"
- "The rich man's love story"
- "Some"
- "Open the door"


David Elliott: canções, voz, guitarra e harmónica; com: Caleb Quaye, Albert Lee e Mick Grabham ( guitarra ), Dee Murray e Rick Wills ( baixo ), Dave Mattacks, Roy O Temro, Nigel Olsson e Chris Karam ( bateria ), B. J. Cole ( guitarra slide ), Francis Monkman ( piano ).

Produção de Mick Grabham

Capa: Hipgnosis

09/11/16

Heroes are hard to find ( 35 )


Martin Stone ( Mighty Baby )
1946-2016

05/11/16

"Imaginational Anthem Vol. 8, The Private Press"



Quando elaboradas com critério, por alguém com propósito e sabendo o que faz, as compilações podem ser fonte de prazer, informação e, simultaneamente, caminhos para o conhecimento.

Sob a sugestiva designação de Imaginational Anthem, a Tompkins Square tem vindo a editar um sólido conjunto de colectâneas das quais “Imaginational Anthem vol. 8, The Private Press” é a  mais recente.

Tal como o nome indicia, debruça-se sobre prensagens privadas - esse universo extraordinário onde as surpresas surgem a cada esquina -, em concreto sobre obras em tempo editadas por obscuros artesãos da guitarra acústica norte americana.

14 temas, balizados entre os anos de 1968 e 1995,  praticamente impossíveis de localizar noutro local, fruto das limitadas prensagens originais. E quando, arrogantes, julgávamos já ter escutado todo o finger-picking que interessava através dos Fahey, Kaukonen, Garcia, Kottke, Basho, Lang, Rose, Jones ou mesmo Bachman sem esquecer Jansch e Renbourn, eis que se apresentam alguns mais “professores” e discípulos para tornarem o assunto uma espécie de “never ending story”.  

Através da brochura de 24 páginas que acompanha a edição ficamos a saber entre outras coisas que estes 14 feiticeiros da guitarra criaram música de uma outra dimensão a que muito poucos tiveram acesso, uma vez que o número de exemplares das prensagens dos discos que gravaram raramente ultrapassou as três centenas.

E, com o “finger style” como veículo, cruzamo-nos com ragas, música oriental, jazz, blues, acid-folk ou até com melodias de inspiração hispânica. Nomes como Perry Lederman, Lee Murdock, Joe Bethancourt, Herb Moore, Nancy Tucker ou Russell Potter são por esta via colocados no radar e isso só pode constituir motivo de enriquecimento para quem se der ao trabalho de os escutar.

30/10/16

Artefactos ( 46 )


Jornal "Musicalíssimo" # 90, 19 de Julho de 1974


"John McLaughlin é um dos mais importantes guitarristas do momento no panorama musical; a sua formação vinculada ao blues e ao próprio rock, aliada a uma prodigiosa imaginação fazem dele um tecnicista de primeira grandeza que consegue transmitir à música por ele criada um cariz declaradamente espiritual"

As coisas que se escrevem quando se tem 20 anos ...
Mas, mantenho, "The Inner Mountain Flame" e "Birds of Fire" são dois discos monstruosos, a redescobrir com toda a urgência.


24/10/16



Originários de Washington, em 2008 os Nudity publicaram “The Nightfeeders”. Um  disco extraordinário em devido tempo aqui referido no Atalho e que mutava géneros tão diversos como o krautrock, o heavy militante dos MC5, a “guerrilha urbana” dos Hawkwind, os sit-ins psicadélicos de São Francisco ou o cinzento de Manchester tal como Ian Curtis o pintou.

Is God’s Creation” não é exactamente um alinhamento de novidades, antes uma compilação que agrega temas retirados das primeiras gravações em CDr, canções inéditas e registos dispersos de palco.

Mente aberta precisa-se, pois a paleta de géneros e influências cresceu consideravelmente. A saber:  New York Dolls, Comets on Fire, Buzzcocks, Sonic’s Rendez-Vous, Blue Cheer… são alguns dos nomes que nos chegam da memória.

Um desafio amplo e exigente, como facilmente se percebe, “Is God’s Creation” não será para todas as horas, mas é seguramente um disco para muitos anos.

17/10/16

Jardins do Paraíso ( LI )



Enquanto etiqueta, a Straight Records ( uma criação de Frank Zappa ) publicou alguns dos mais bizarros e singulares álbuns da música moderna da sua época.

Em Junho de 1969, entre outras, ao lado dessa obra genial que foi  ( e é ) “Trout Mask Replica” de Captain Beefheart nascia “Farewell Aldebaran” assinado por Judy Henske and Jerry Yester.

Judy era na altura já uma veterana. Frequentara o circuito de Greenwich Village e contava com vários discos no seu curriculum. Jerry, por seu turno, produzira o notável  Goodbye and Hello” de Tim Buckley, depois de ter integrado o Modern Folk Quartet e os Lovin’ Spoonful.

Tão eclético quanto inqualificável, o “Farewell Aldebaran” é uma mistura de folk-rock, free jazz, barroco, psych, experimentalismo e de pop melódico. Impossível? Nada disso. Ao invés, o álbum ostenta uma complexa unidade que muitas obras primas do seu tempo têm hoje dificuldade em acompanhar.

Finalmente reeditado, trata-se de uma peça obrigatória na colecção daqueles que se dão ao incómodo de ler o Atalho.

06/10/16

Nathan Bowles "Whole & Cloven"



Depois do desaparecimento de Jack Rose, Nathan Bowles é hoje olhado por muitos como o “maverick” da chamada “american primitive guitar music”. 

Glenn Jones é excelente, mas “sofisticado”; William Tyler joga nos “sub 21”; Jack Fussell nos juniores e Daniel Bachman ainda tem muitos frangos para virar. Bowles por seu lado tem quase tudo o que Rose tinha, excepto, talvez, o apetite pelo bourbon.

Militou no colectivo Pelt ( tal como Jack Rose ), andou pelos Pigeons e pelos appalachianos Black Twig Pickers. Actualmente integra a banda de suporte de Steve Gunn, com o qual já gravou dois álbuns soberbos.

Depois de “Nansemond” em 2014, “Whole & Cloven” é o novo disco para a editora da Carolina do Norte Paradise of Bachelors. E tem dentro tudo o que nesta altura se poderia esperar de Nathan Bowles. A sonoridade inóspita que os vales das Blue Ridge Mountains albergam, a vertigem desafiadora que só os Appalaches propiciam, a desconstrução da música tradicional que os Black Twig Pickers perseguem a cada prestação e, claro, o virtuosismo de um instrumentista notável que, como poucos, utiliza banjo e guitarra acústica para dar som à iconoclastia.


“Gadarene Fugue” é um carrocel acústico que, entre o banjo, a guitarra e uma percussão primitiva, recua até um pretérito quase perfeito que, entre outras coisas, nos deixou “Deliverance”, o emblemático filme de John Boorman.  Em “Chiaroscuro”, sensorial, o piano substitui os instrumentos presentes no tema anterior, mas é igualmente avassalador na interacção que estabelece com o ouvinte.

“Blank Range: Hog Jank II” e “I miss my dog” regressam ao banjo appalachiano e caso fossem vocalizados por Steve Gunn poderiam ter sido incluídos no álbum que gravou com Black Twig Pickers. “Moonshine is the sunshine” ( uma versão do esquecido Jeffrey Cain ) e “Burnt Ends Rag” ( inspirado em Jack Rose ) encerram um disco que, juntando o melhor de dois mundos maravilhosos – “american primitive guitar” e o “avant-garde” –, se encontra muito perto da perfeição.