12/11/16

Lost Nuggets ( 109 )


David Elliott "S/t" ( Atlantic K 40374 ) Lyric insert, UK, 1972


- "Kid's Stuff"
- "If I were you"
- "Lover"
- "The love you put on yesterday"
- "You better love"
- "Dear Mary"
- "Down to my last dime"
- "The invisible man"
- "The rich man's love story"
- "Some"
- "Open the door"


David Elliott: canções, voz, guitarra e harmónica; com: Caleb Quaye, Albert Lee e Mick Grabham ( guitarra ), Dee Murray e Rick Wills ( baixo ), Dave Mattacks, Roy O Temro, Nigel Olsson e Chris Karam ( bateria ), B. J. Cole ( guitarra slide ), Francis Monkman ( piano ).

Produção de Mick Grabham

Capa: Hipgnosis

09/11/16

Heroes are hard to find ( 35 )


Martin Stone ( Mighty Baby )
1946-2016

05/11/16

"Imaginational Anthem Vol. 8, The Private Press"



Quando elaboradas com critério, por alguém com propósito e sabendo o que faz, as compilações podem ser fonte de prazer, informação e, simultaneamente, caminhos para o conhecimento.

Sob a sugestiva designação de Imaginational Anthem, a Tompkins Square tem vindo a editar um sólido conjunto de colectâneas das quais “Imaginational Anthem vol. 8, The Private Press” é a  mais recente.

Tal como o nome indicia, debruça-se sobre prensagens privadas - esse universo extraordinário onde as surpresas surgem a cada esquina -, em concreto sobre obras em tempo editadas por obscuros artesãos da guitarra acústica norte americana.

14 temas, balizados entre os anos de 1968 e 1995,  praticamente impossíveis de localizar noutro local, fruto das limitadas prensagens originais. E quando, arrogantes, julgávamos já ter escutado todo o finger-picking que interessava através dos Fahey, Kaukonen, Garcia, Kottke, Basho, Lang, Rose, Jones ou mesmo Bachman sem esquecer Jansch e Renbourn, eis que se apresentam alguns mais “professores” e discípulos para tornarem o assunto uma espécie de “never ending story”.  

Através da brochura de 24 páginas que acompanha a edição ficamos a saber entre outras coisas que estes 14 feiticeiros da guitarra criaram música de uma outra dimensão a que muito poucos tiveram acesso, uma vez que o número de exemplares das prensagens dos discos que gravaram raramente ultrapassou as três centenas.

E, com o “finger style” como veículo, cruzamo-nos com ragas, música oriental, jazz, blues, acid-folk ou até com melodias de inspiração hispânica. Nomes como Perry Lederman, Lee Murdock, Joe Bethancourt, Herb Moore, Nancy Tucker ou Russell Potter são por esta via colocados no radar e isso só pode constituir motivo de enriquecimento para quem se der ao trabalho de os escutar.

30/10/16

Artefactos ( 46 )


Jornal "Musicalíssimo" # 90, 19 de Julho de 1974


"John McLaughlin é um dos mais importantes guitarristas do momento no panorama musical; a sua formação vinculada ao blues e ao próprio rock, aliada a uma prodigiosa imaginação fazem dele um tecnicista de primeira grandeza que consegue transmitir à música por ele criada um cariz declaradamente espiritual"

As coisas que se escrevem quando se tem 20 anos ...
Mas, mantenho, "The Inner Mountain Flame" e "Birds of Fire" são dois discos monstruosos, a redescobrir com toda a urgência.


24/10/16



Originários de Washington, em 2008 os Nudity publicaram “The Nightfeeders”. Um  disco extraordinário em devido tempo aqui referido no Atalho e que mutava géneros tão diversos como o krautrock, o heavy militante dos MC5, a “guerrilha urbana” dos Hawkwind, os sit-ins psicadélicos de São Francisco ou o cinzento de Manchester tal como Ian Curtis o pintou.

Is God’s Creation” não é exactamente um alinhamento de novidades, antes uma compilação que agrega temas retirados das primeiras gravações em CDr, canções inéditas e registos dispersos de palco.

Mente aberta precisa-se, pois a paleta de géneros e influências cresceu consideravelmente. A saber:  New York Dolls, Comets on Fire, Buzzcocks, Sonic’s Rendez-Vous, Blue Cheer… são alguns dos nomes que nos chegam da memória.

Um desafio amplo e exigente, como facilmente se percebe, “Is God’s Creation” não será para todas as horas, mas é seguramente um disco para muitos anos.

17/10/16

Jardins do Paraíso ( LI )



Enquanto etiqueta, a Straight Records ( uma criação de Frank Zappa ) publicou alguns dos mais bizarros e singulares álbuns da música moderna da sua época.

Em Junho de 1969, entre outras, ao lado dessa obra genial que foi  ( e é ) “Trout Mask Replica” de Captain Beefheart nascia “Farewell Aldebaran” assinado por Judy Henske and Jerry Yester.

Judy era na altura já uma veterana. Frequentara o circuito de Greenwich Village e contava com vários discos no seu curriculum. Jerry, por seu turno, produzira o notável  Goodbye and Hello” de Tim Buckley, depois de ter integrado o Modern Folk Quartet e os Lovin’ Spoonful.

Tão eclético quanto inqualificável, o “Farewell Aldebaran” é uma mistura de folk-rock, free jazz, barroco, psych, experimentalismo e de pop melódico. Impossível? Nada disso. Ao invés, o álbum ostenta uma complexa unidade que muitas obras primas do seu tempo têm hoje dificuldade em acompanhar.

Finalmente reeditado, trata-se de uma peça obrigatória na colecção daqueles que se dão ao incómodo de ler o Atalho.

06/10/16

Nathan Bowles "Whole & Cloven"



Depois do desaparecimento de Jack Rose, Nathan Bowles é hoje olhado por muitos como o “maverick” da chamada “american primitive guitar music”. 

Glenn Jones é excelente, mas “sofisticado”; William Tyler joga nos “sub 21”; Jack Fussell nos juniores e Daniel Bachman ainda tem muitos frangos para virar. Bowles por seu lado tem quase tudo o que Rose tinha, excepto, talvez, o apetite pelo bourbon.

Militou no colectivo Pelt ( tal como Jack Rose ), andou pelos Pigeons e pelos appalachianos Black Twig Pickers. Actualmente integra a banda de suporte de Steve Gunn, com o qual já gravou dois álbuns soberbos.

Depois de “Nansemond” em 2014, “Whole & Cloven” é o novo disco para a editora da Carolina do Norte Paradise of Bachelors. E tem dentro tudo o que nesta altura se poderia esperar de Nathan Bowles. A sonoridade inóspita que os vales das Blue Ridge Mountains albergam, a vertigem desafiadora que só os Appalaches propiciam, a desconstrução da música tradicional que os Black Twig Pickers perseguem a cada prestação e, claro, o virtuosismo de um instrumentista notável que, como poucos, utiliza banjo e guitarra acústica para dar som à iconoclastia.


“Gadarene Fugue” é um carrocel acústico que, entre o banjo, a guitarra e uma percussão primitiva, recua até um pretérito quase perfeito que, entre outras coisas, nos deixou “Deliverance”, o emblemático filme de John Boorman.  Em “Chiaroscuro”, sensorial, o piano substitui os instrumentos presentes no tema anterior, mas é igualmente avassalador na interacção que estabelece com o ouvinte.

“Blank Range: Hog Jank II” e “I miss my dog” regressam ao banjo appalachiano e caso fossem vocalizados por Steve Gunn poderiam ter sido incluídos no álbum que gravou com Black Twig Pickers. “Moonshine is the sunshine” ( uma versão do esquecido Jeffrey Cain ) e “Burnt Ends Rag” ( inspirado em Jack Rose ) encerram um disco que, juntando o melhor de dois mundos maravilhosos – “american primitive guitar” e o “avant-garde” –, se encontra muito perto da perfeição.

27/09/16

Lost Nuggets ( 108 )



Françoise Hardy "Françoise Hardy ( If you listen)" ( Kundalini KUN 65057 ) France, 1972

- "If you listen" ( Tommy Brown / Micky Jines )
- "Ocean" ( Beverley Martin )
- "Until it's time for you to go" ( Buffy Ste-Marie )
- "The Garden of Jane Delawnay" ( T. Boshell )
- "Sometimes" ( Alan Taylor )
- "Let my name be sorrow" ( Estardy / Chatelin / Habib )
- "Brulure" ( Françoise Hardy )
- "Can't get the one I want" ( Beverley Martin )
- "I think it's gonna rain today" ( Randy Newman )
- "Take my hand for a while" ( Buffy Ste-Marie )
- "Bown Bown Bown" (Tommy Brown / Micky Jones )
- "Till the morning comes" ( Neil Young )

Françoise Hardy: voz

Arranjos e direcção artística de Tony Cox, Herve Roy, Tommy Brown e Micky Jones.

Foto da capa: J. M. Perier

21/09/16

Artefactos ( 45 )



Davis Ackles integra o último lugar do meu Top 5 de compositores norte-americanos das últimas cinco décadas. Os outros são: Dylan, Tom Waits, Randy Newman e Springsteen; exactamente por esta ordem. Idiossincrasias ...

Durante anos soube que, em meados de 1968, havia sido publicado em Portugal um EP promocional ( edição regular julgo que nunca existiu nenhuma, mas é difícil afirmá-lo com toda a certeza ) que agrupava quatro canções retiradas ao álbum de estreia: "David Ackles".

Também, durante anos, sempre me disseram que a tal edição promocional não tinha capa ou seja, vinha dentro duma capa "genérica", indiferenciada.

Mas, a persistência tem as suas recompensas. A capa existe(iu) de facto e aí fica, gloriosamente laminada, na frente e no verso. 


 



17/09/16

FIR "Summer wasn't there"



Houve um tempo em que os super-grupos  faziam parte da actualidade. Colectivos artificiais dos quais se esperavam sempre grandes coisas mas que, salvo raras excepções, desiludiam.

Os FIR são hoje aquilo a que de forma ligeira se poderá chamar um “alt-pop super-grupo”. Matt Piucci esteve na origem dos Rain Parade, Rob Campanella nos Quarter After, Brent Rademaker nos Beachwood Sparks e Nelson Bragg na Brian Wilson Band.

Summer wasn’t there”,  o primeiro single, deixa no ar justificadas expectativas relativamente ao que aí virá, caso o projecto floresça. O tema título, uma melodia pop, serpenteia entre a Rickenbaker de Campanella e a guitarra solo de Piucci. Estival, permanece no ar muito tempo depois dos 3m e 46s que dura.

“Winter doesn’t care”, o lado B estabelece outro paradigma, mais calmo e atmosférico, ainda que a melodia, como é apanágio dos artífices envolvidos, seja de primeira água.

A seguir com a necessária prudência.

12/09/16

Lost Nuggets ( 107 )



Marlin Greene "Tiptoe past the dragon" ( Elektra EKS 75028 ) USA, 1972, with double insert

- "Grand Illusion"
- "Masquerade Ball"
- "Jonathan's Dream"
- "My Country Breakdown"
- "Forest Ranger"
- "Gemini Gypsy"
- "Ponce de Leon"
- "Who's the Captain of your ship of dreams"
- "Fields of clover" (Wayne Perkins)
- "Good Christian cowboy" (Wayne Perkins)
- "Tiptoe Past the Dragon"

Marlin Greene: canções, voz e guitarra, com: Larry Nicholson, Eddie Hinton e Wayne Perkins ( guitarras ), Roger Hawkins, Fred Prouty e Lou Mullenix ( bateria ), Barry Beckett e Chuck Level ( teclas ), Jerry Masters e David Hood ( baixo ) e Leo La Blanc ( guitarra slide ).

Produção de Marlin Greene

Capa: fotos de Frank Bez

Ilustração de Marlin Greene.

04/09/16

Steve Gunn "Eyes on the lines"



Prolífero, Steve Gunn parece melhorar a cada registo.

Depois de  Way out weather”, da colaboração com Mike Cooper  em “Cantos de Lisboa” e do fabuloso “Seasonal Hire” com os Black Twig Pickers, Gunn regressa ao lado de Nathan Bowles para um inspirado “Eyes on the lines”.

A cada novo disco, o guitarrista de Brooklyn, já não soma apenas competência e virtuosismo. Acrescenta algo que está apenas ao alcance de uns quantos criadores e que faz toda a diferença: a sofisticação.

Existe algo diferente, cosmopolita se quiserem, no discurso instrumental deste músico que faz dele não apenas um herdeiro e seguidor da escola da “american primitive guitar” como alguém que partindo das raízes, soube adaptar-se a uma sonoridade que não sendo ainda hegemónica, possui todos os ingredientes para  ser falada e consultada no futuro.

Escute-se por exemplo “Conditions Wild” ou “Heavy sails”; as melodias encantam, mas são as guitarras (eléctricas e acústicas) mais do que qualquer outro elemento que cativam e nos agarram aos temas. Para além destes, “Eyes of the lines” acolhe ainda a road song panorâmica que é  “Ancient Jules”, um  sincopado “Park Bench Smile”, assim como o hipnótico “Ark” que nasce nas seis cordas da uma guitarra acústica, prossegue numa espiral de wah wah, e lentamente desvanece até regressar à sonoridade acústica.

Orgânico e ao mesmo tempo refinado, está encontrado um dos discos do ano.