06/07/16

Jardins do Paraíso ( L )



Porventura a mais talentosa cantora inglesa da sua geração, tal como Nick Drake, Sandy Denny nunca teve em vida o reconhecimento merecido. Quando faleceu em 1978, a sua carreira estava perto do ocaso, fruto de uma série dramas pessoais e equívocos profissionais. 

E, no entanto, a par de Anne Briggs, Shirley Collins e June Tabor, contribuiu para alterar a forma e o conteúdo da música inglesa de inspiração tradicional. Não apenas por emprestar a sua voz a velhas melodias folk, mas sobretudo por ser uma compositora emérita.

Hoje, as compilações abundam, essenciais umas, nem por isso outras. Uma das abordagens que faltava era juntar num único sítio o espólio acústico da cantora. A solo designadamente, Sandy recriou e escreveu canções fabulosas, mas nem sempre o resultado final ( produção incluída ) esteve à altura.

A voz e o talento de Sandy Denny são de tal forma sensitivos que é no meio do silêncio  que melhor se pode aquilatar da sua verdadeira dimensão. “I’ve always kept a Unicorn, The Acoustic Sandy Denny” são 2 cds e 40 temas que nos oferecem uma perspectiva nova para canções que, pensávamos, já não terem segredos.

De um encanto absoluto.

30/06/16

Lost Nuggets ( 106 )


Vários "First Thrust" ( Thrust Records THR 1 ) insert, Ireland, 1973


- "Denomination Blues"  - Johnny Norris/Nial Toner
- "Terenure Stomp" - Johnny Norris/Nial Toner
- "Billy the Kid" - Johnny Norris/Nial Toner
- "Cobblers Song" - Alan Halsey/Nial Toner
- "Groundhog" - Stokers Lodge
- "Gathering Flowers" - Stokers Lodge
- "Armoured car" - Stokers Lodge
- "Last game" - Stokers Lodge
- "Alabama Song"( Weill/ Brecht ) - Chris Thompson ( Live )
- "London Blues - Chris Thompson
- "Don't be afraid" - Chris Thompson
- "A Lover's Prayer" ( Randy Newman ) - Tragic Magic
- "Yellow Flowers and Long Black Stockings" - Alan Halsey
- "I get caught" - Alan Halsey


Produção de John Weir

Capa: Nial Toner, foto de Fran Russell; design de Bad Taste Productions.



25/06/16

Glenn Mercer "Incidental Hum"



Há mais de três décadas, os Feelies colocaram Haledon no mapa do rock.

Uma pequena cidade com pouco mais de 8.000 habitantes, situada no centro do estado de New Jersey e a poucos quilómetros de Manhattan.  Daí que quando se fala nos Feelies, a associação óbvia é Nova Iorque, mas nem tudo é assim tão simples.

Glenn Mercer esteve na génese da banda, integrou os Trypes, Yung Wu e os Wake Ooloo. Mais recentemente contribuiu para o excelente “Memory Box” dos East Of Venus.

Sempre influente por onde tem passado, Mercer é um misantropo que foge das luzes da ribalta como o diabo da cruz. Em mais de trinta anos gravou apenas dois álbuns a solo: “Wheels in motion” ( 2007 ) e o recente “Incidental Hum”.

Uma delicia geométrica e minimalista como é habitual no autor, este último acrescenta ainda duas grandes covers: “Here comes the warm jets” ( Brian Eno ) e “Third Stone from the sun” ( Jimi Hendrix ). Uma terceira, “Over the rainbow”, surge descontextualizada e seria talvez dispensável.

19/06/16

Record Files ( 13 )


Oriundos de Seattle, os Floating Bridge produziram um dos grandes "guitar albuns" do final dos 60's.
O disco homónimo foi publicado nos EUA pela Vault em 1969 e inclui versões estratosféricas de "Hey Jude", "Eight Miles High" e "Paint it Black".


No Reino Unido, o álbum foi publicado pela Liberty Records, também em 1969. A encerrar o lado B, a blues jam "Gonna Lay Down" foi substituída por  "Hello Mr. Jaybird" e "Don't mean a thing", temas que integraram um dos dois singles americanos.



14/06/16

Heroes are hard to find ( 34 )


Dave Swarbrick
( 1941 - 2016 )

09/06/16

Chris Forsyth & The Solar Motel Band "The Rarity of Experience"



A menos que um dia o próprio o decida divulgar, nunca saberemos com que intuito Chris Forsyth frequentou as aulas de Tom Verlaine. Se para melhorar a sua técnica instrumental, aproximar-se do estilo peculiar do mestre, ou ambas.

Uma dúvida que o novo registo de Forsyth com a Solar Motel Band  The rarity of Experience I & II” não esclarece em definitivo.

Na sequência do anterior “Intensity Ghost”,  este duplo cd é de uma intensidade extrema. Os dois primeiros temas ( “Anthem I” e “II” ) tudo pulverizam à sua passagem. As guitarras além de geométricas e sincopadas, são ostensivamente metálicas e quando conluiadas com uma percussão tribal como é o caso, deixam as canções em carne viva.

“The rarity of experience Part 2” soa como se Verlaine e Richard Lloyd regressassem do passado com uma versão actualizada de “Foxhole”. “High Castle Rock”, um extraordinário épico onde os intensos duelos entre as guitarras Forsyth e Nick Millevoi não fazem prisioneiros, é a verdadeira pedra de toque do álbum e aquilo que de mais parecido Forsyth terá com ele próprio. O jazzy “Harmonious Dance”, instrumentalmente menos exuberante, deixa algo a desejar em matéria de relevância.

O segundo cd vai mais longe na audácia. Mescla o estilo que já se conhecia com uma vertente experimentalista. Forsyth fã do “space rock”, do “free jazz” e de Richard Thompson. A confirmação encontra-se em “The first ten minutes of cocksucker blues” ou na ousada versão de “The Calvary Cross”.

Os próximos capítulos aguardam-se com justificada expectativa.

31/05/16

Lost Nuggets ( 105 )


Allan Wachs "Mountain Roads & City Streets" ( True Vine Records 121853 ) Insert, USA, 1979 


- "Adventures of the invisible dog"
- "Least of  my strangers"
- "Anna Lena"
- "Pretty face"
- "Dancer"
- "Mountain man breakdown"
- "The Lord will provide"
- "Travellin' light"
- "Mountain Roads"
- "Northwest passage"

Allan Wachs: canções, voz e guitarras, com Tony Recupido e Barry Soloman  ( guitarra ), Bob Gross e Paul Soloman  ( baixo ), Randy Barker ( bateria ), Steven Ray Pearlman ( violino e mandolim ), Judy Gameral ( concertina ), John Schlocker ( banjo ), Dave Pearlamn ( guitarra slide )

Produção: Allan Wachs

Capa: Patrice Marek ( ilustrações )

23/05/16

"Wayfaring Strangers: Cosmic American Music"




Cosmic American Music” é um rótulo “umbrella” debaixo do qual se abrigam muitas músicas.
Sabe-se hoje que, para cada Gram Parsons, Byrds ou Flying Burrito Bros, existem dezenas de outros nomes que nunca tiveram oportunidade de se cruzar com a fama ou tão pouco o reconhecimento.
Wayfaring Strangers, Cosmic American Music” compila alguns desses artistas cujas gravações, localizadas entre os anos de 1968 e 1980, comportam verdadeiras pérolas da música americana.
Jimmy Carter and Dallas County Green, Plain Jane, Deerfield, Allan Wachs, Sandy Harless, Bill Madison ou Arrogance ( onde em tempos militou Don Dixon ) são apenas alguns dos nomes que os leitores do Atalho seguramente gostarão de conhecer.
A maioria das gravações originais são impossíveis de encontrar, daí que esta colectânea, composta por 19 temas, seja uma excelente porta de entrada.

17/05/16

Artefactos ( 43 )


Por mera obra do acaso, fomos companheiros de escrita no semanário Sete na primeira metade dos anos 80.

Ele mais dedicado aos projectos nacionais, eu mais vocacionado para os estrangeiros. Muitas vezes não estivemos ( nem tínhamos de estar ) de acordo, mas este livro que o António publicou em 1984 permanece como uma das pedras de toque relativamente a tudo aquilo que se escreveu desde então sobre a nossa música popular.

Volto a ele com agradável frequência.

 

11/05/16

Glenn Jones "Fleeting"



Ainda que Glenn Jones venha colaborando com as irmãs Laura e Meg Baird, a música deste veterano de Cambridge no Massachusetts está hoje longe das avalanches psicadélicas dos Heron Oblivion.

Na verdade estão também distantes os tempos do experimentalismo vanguardista dos Cul de Sac ( a banda que liderou entre 1991 e 2004 ), um dos segredos musicais melhor guardados da música da costa este.

Desde há uma dúzia de anos, Glenn Jones abraçou a tradição da guitarra acústica americana e, dos seis álbuns a solo que gravou, transparece uma profunda paixão, quer pelo riquíssimo legado sonoro da cordilheira dos Apalaches, quer pelas reinterpretações que daquele fizeram talentos como John Fahey, Peter Walker, Robbie Basho, Harry Taussig ou Jack Rose.

Fleeting”, captado e produzido por Laura Baird, é o mais recente capítulo desta interessante saga. “Apenas” com recurso a uma guitarra acústica de seis cordas e um banjo, Jones conta-nos dez histórias singelas, inspiradas nos recantos, sons e paisagens do Rancocas Creek, um dos afluentes do Delaware River. E nada podia ser mais natural e tranquilo.

05/05/16

Heron Oblivion "S/t"



Existem numerosos exemplos da aplicação prática da teoria gestáltica. Na verdade, não é possível  conhecer o todo observando apenas as partes, pois o conjunto é frequentemente diverso da mera soma daquelas.

Atente-se por exemplo na banda californiana Heron Oblivion. Noel Harmonson e Ethan Miller são veteranos dos Comets on Fire, sendo que o último ainda alimenta os psiconautas Howlin’ Rain. Charlie Saufley assegurou a guitarra nos magníficos Assemble Head in Sunburst Sound e Meg Baird, a mais improvável dos amigos aqui presentes, é tudo aquilo que se sabe: Espers, colaborações várias ( Helena Espvall, Sharron Kraus ) e belíssimos discos a solo.

Com artífices deste calibre “Heron Oblivion” reunia todas as condições para ser um grande disco. É porém muito mais do que isso. É sublime, ou talvez mesmo mais.

A “west coast vibe” está presente ao longo de todo o álbum, funciona como espécie de fio condutor associado ao processo de criação e arranjo dos temas. Uma miríade de “happy trails” que conduzem a paisagens  “pastoral psych” que, ora optam por coloridas vertigens de “feedback”, ora procuram os silêncios da folk.


“Beneath Fields” é particularmente impressivo. Abre celestial, cortesia de Meg Baird, mas rapidamente deriva para as vibrações west coast, catapultado pelas guitarras gémeas de Harmonson e Saufley que, com mestria, gerem a tensão própria do vibrato que John Cipollina inventou há muitas décadas. “Oriar” é tudo isto acrescido de uma bateria tribal e de um feedback pirotécnico.

“Rama” são 10 minutos de pura beleza. A voz e percussão de Meg Baird percorrem um trilho de serenidade e gentileza que mais à frente irá desembocar num cruzamento, onde as guitarras ácidas de Saufley e Harmonson se digladiam, discutindo a prioridade. Imaginem Cipollina em plena altercação com Michio Kurihara e estão lá perto.

“Faro” poderiam ser os Dream Syndicate metamorfoseados de Opal e “Seventeen Landscaps” os Jefferson Airplane em modo “jam session”. A fechar, “Your hollows”, é o paraíso na terra; angelical e inspiradíssimo o canto de Meg, celestial e apocalítico o duelo fratricida das guitarras. Um final perfeito para um álbum mais que perfeito.

02/05/16

Les InRocks "La Bibliothèque Rock Idéale"


A língua francesa pode ser um problema. O critério que determinou as escolhas também.
Não obstante, retira-se sempre algo destes levantamentos periódicos de catálogos especializados.
"La Bibliothèque Rock Idéale" é uma opinião ( dos editores da revista InRocks ) mas fica bem ao lado destas outras edições que o tempo tem guardado.