28/04/16

Heroes are hard to find ( 33 )


Lonnie Mack

( 1941 - 2016 )

24/04/16

Lost Nuggets ( 104 )



Bob Brown "The Wall I Built Myself" ( Stormy Forest SFS 6007 ) USA, 1970

- "It takes the world to make a feather fall" (Bob Brown / David Franks )
- "Quiet waterfall"
- "Monday Virus" (Bob Brown /  David Franks )
- "First Light"
- "Winds of change" ( Bob Brown / David Franks )
- "Selina"
- "Seek the sun"
- "Icarus"


Bob Brown: canções, voz e guitarra acústica, com: Joe Clark ( piano e órgão ),Orin Smith ( guitarra eléctrica ), Marshall Hawkins ( baixo acústico ), Bill LaVorgna ( bateria ) e Roland Henderson ( violino e viola ).

Produção de Richie Havens

Capa: design de Richie Havens, fotos de Dick Lee

19/04/16

Dead Sea Apes "Spectral Domain" / Mugstar "Magnetic Seasons"


 

Do eixo Manchester / Liverpool acabam de chegar os novos Dead Sea Apes e Mugstar: “Spectral Domain” e “Magnetic Seasons” respectivamente.
Do trio mancuniano espera-se o “drone”, suportado por uma secção rítmica de betão, sobre a qual evoluem as espirais da guitarra de Brett Savage. Desde 2011 que os Dead Sea Apes vêm colecionando trabalhos importantes, através de uma linguagem aparentemente monolítica mas de janelas abertas para o pós-rock. A tudo isto adicionam um experimentalismo que os diferencia de todos os outros.
Spectral Domain”, como era previsível, transporta toda aquela tensão que emerge do confronto da guitarra com o baixo teutónico, deixando à bateria o ónus de colar os cacos. A novidade são porém os sintetizadores. Presença até aqui pouco habitual, surgem na peça de abertura “Universal Interrogator”, conferindo uma ainda maior textura a uma sonoridade já em si densa. Em crescendo e já vão no terceiro álbum.


Mais próximos da kosmische musik e da “urban guerrilla” inventado pelos Hawkwind, os Mugstar utilizam a fórmula para criar paisagens sonoras que oscilam entre o épico e o contemplativo. Umas e outras, cada uma a seu modo, são absolutamente aditivas. Ao quinto lp de originais – “Magnetic Seasons” - começa a não ser fácil inovar, mas as tão peculiares densidade e intensidade, permanecem aqui tão presentes como recomendáveis.

12/04/16

Jardins do Paraíso ( XXXXIX )



Por cada disco que trepa os tops, existem algures três ou quatro pérolas que passam ao lado da história. A história da música popular está repleta de casos destes.

Um exemplo:  Parable” dos White Light.

Publicado em 1974 através de uma edição privada, o álbum é uma preciosidade e um dos grandes discos saídos da Escócia na primeira metade dos 70s. Catalogada de ‘christian rock’, a música deste quarteto de Glasgow, ainda que faça amplo uso do órgão ( tal como os contemporâneos e compatriotas Beggar’s Opera ) tinha mais pontos de contacto com o universo de Pete Townshend ou Ray Davies.

Transversal a todo o álbum, a vertente espiritual é caldeada pelas guitarras em fuzz, pela sonoridade blues garage e por um psicadelismo que à época, no auge do progressivo, terá sido sinónimo de anacronismo.

Por essa razão ou não, “Parable” não descolou. Injustamente, pois é um tremendo disco. O longo épico “Prodigal” terá encontrado inspiração em “Tommy”, “Where did I belong” tem tudo o que John Mayall costumava aportar ao blues e a versão de “Awaiting on you all” remete para esse monumento que é “All things must pass” de George Harrison.

No final, estamos aqui a falar de uma urgência com mais de quatro décadas.

07/04/16

Gene Clark "The Lost Studio Sessions"



Há dias tratei de pré-encomendar as "Gene Clark The Lost Studio Sessions 1964-1982" de Gene Clark. Sendo o mais completo songwriter que passou pelos Byrds e um dos melhores do seu tempo, qualquer coisa sua, mesmo que em bruto, será sempre muito aliciante. Esperava receber o disco na data da respectiva publicação ou, quando muito, um daqueles códigos automáticos que permitem fazer os famigerados e impessoais downloads.

No entretanto o carteiro tocou, uma vez ( nunca toca duas ), e deixou na caixa do correio um pacote com um belíssimo CD-EP ( Bonus Acoustic CD ) que integra: "The Virgin", "She's the kind of girl", "1975" e "One in a hundred".

Apenas a voz e a guitarra acústica, captados por de Jim Dickson nos Word Pacific Studios de Hollywood em finais de 1970, princípios de 1971, período em que o autor preparava as gravações do futuro e enorme "White Light".

Se o que "The Lost Studio Sessions" trouxer for pelo menos tão bom como estas quatro maquetas originais, vale a pena a espera. Qualquer espera.

E fica sempre bem receber um "Official Acknowledgement of Receipt" da editora que está a tratar do assunto. Ou, como diz frequentemente um velho amigo: "a eles não lhes custa nada e a mim sabe-me bem".



03/04/16

Constantine "Day of Light"



Oriundo de Chicago no Illinois, Constantine publicou no final de 2015 aquele que poderá muito bem ser um dos discos de 2016: “Day of light”.
Do casting fazem parte ex-membros do mítico colectivo de folk barroco OWL ( Of Wondrous Legends ) com destaque para Stephen Titra, aqui responsável pela guitarra acústica e design da capa.
Day of light” é um daqueles discos sem tempo. Actual, poderia no entanto ter sido gravado em 1971. E, seguramente, escuta-se tão bem hoje como ontem. “Acid-folk” dir-se-á.  Porém genuinamente psicadélico, belo e encantatório como poucos discos do género o conseguem ser, está construído sobre um terreno onde o bom gosto e a paixão germinam de forma espontânea.
Dito de uma outra maneira, através dele tanto podemos revisitar a atmosfera pastoral de Espers ou OWL ( “Into the Land, That time forgot” ou “On through the ages” ), como logo de seguida fazer uma incursão na costa oeste e no psicadelismo dos Jefferson Airplane, H.P. Lovecraft ou Ashes ( “The Trip, Parts I & II” ) para terminar, lisérgicos, embrenhados sem disso dar conta nas vibrações sonoras do oriente médio ( “Egyptian days” ou “Fountains / Reflections” ).
Day of light” encanta como poucos. Dele falar-se-á muito para além de 2016.

28/03/16

Lost Nuggets ( 103 )


David & Anthony "Walnut St." ( Aquarius Records MTS 6109 ) USA, 1968


- "Hazy Shade of Winter" ( Paul Simon )
- "Dangling Conversation" ( Paul Simon )
- "House of the risin' sun" ( tradicional )
- "Kathy's Song" ( Paul Simon )
- "The sounds of silence" ( Paul Simon )
- "Th weight" ( J. R. Robertson )
- "Richard Cory" ( Paul Simon )
- "Don't think twice is alright" ( Bob Dylan )
- "I started a joke" ( Maurice & Robin Gibb )
- "Nobody knows you when you're down and out" ( J. Cox )
- "At the zoo" ( Paul Simon )
- "Weep for Jamie" ( Peter Yarrow )
- "April, come she will" ( Paul Simon )


David Detillo e Anthony Balionis ( vozes e guitarras acústicas )


Gravado ao vivo no The Casbah ( Pittsburgh ) e em concerto na Indiana University of Pennsylvania


Capa: foto de Robert Bowman, design de Parris Westbrook.



21/03/16

Uther Pendragon "San Francisco Earthquake"



 
Procura-se nas enciclopédias do género, nos sites e bases de dados das revistas da especialidade, livros …, nada. É como se Uther Pendragon nunca tivesse existido. E no entanto a banda de São Francisco, sabe-se agora, esteve activa entre 1966 e 1978, venceu inclusive uma das edições da Bay Area Battle of the Bands e deu concertos amiúde ( ao lado de Country Joe & The Fish por exemplo ).
Com a edição de “San Francisco Earthquake” ficam finalmente a conhecer-se as gravações que ao longo dos anos o colectivo californiano foi metodicamente colecionando sem outro objectivo que não o prazer de tocar com e para os amigos. E, note-se, os 24 temas que fazem este “primeiro” disco dos Uther Pendragon são uma autêntica revelação.


Gravados em Outubro de 1967 e destinados a um single estreia que nunca seria publicado, “Peter Pan Blowup” e “Love Lock Temperature Drop”, são dois  “garage nuggets” perfeitamente alinhados com o que de melhor se fazia na época e no local.
Acresce que a generalidade das composições escritas e gravadas entre 1966 e 1969 ( nove para sermos precisos ) incorpora aquela vibração particular que tornava o som das Bay Area Guitar Bands algo de absolutamente distinto e perene. Neste contexto será exagero comparar Uther Pendragon aos Quicksilver Messenger Service  de John Cipollina, mas Oxford Circle ou Savage Resurrection são referências óbvias.


Longos, épicos e mais próximos do “hard rock” ( “10 Miles to freedom” ou “Man of means” por exemplo), os temas gravados nos 70s acolhem incendiárias “guitar jams” que deixarão deliciados os fãs de Michio Kurihara e do neo-psych.
Mais um caso típico de um passado que não deixa de nos surpreender.
 

14/03/16

Jack Ellister "Tune up your Ministers and start transmission from pool holes to class O Hypergiants"



Fundador da Yordan Orchestra, um projecto holandês a meio caminho entre o progressivo e o psicadélico, Jack Ellister, agora a solo, começa a ganhar o seu espaço no campo do neo-psych.

Depois de uma mão cheia de singles de assinalável sucesso, chega “Tune Up Your Ministers And Start Transmission From Pool Holes To Class O Hypergiants”, o álbum estreia e seguramente um dos discos com o título mais comprido da história.

Uma absoluta Babilónia sonora, “Tune up” toca quase todas as teclas do psych pop moderno. Beneficiando de excelente produção, está repleto de harmonias e efeitos sonoros, “actualizando” o que de melhor fizeram em tempo os Hollies, Gong ou XTC.

Pelo caminho vai deixando cair referências a Syd Barrett, Nick Nicely, Chemistry Set  ou ao Bowie dos 60s, o que nas actuais circunstâncias só pode ser uma coisa boa.

Um disco intenso, bizarro e por vezes grandioso, “Tune up” termina em apoteose com um extraordinário “A hunter needs a gun” que parece ter encontrado a sua inspiração nos Mercury Rev de “Deserter’s Songs”.

10/03/16

Flashback #8


Koobas, as histórias de "Day breaks" de John Wonderling e de "Early one morning" dos Mushroom, Human Beast, Catapilla ... e Parlour Band e Taman Shud e algumas das clássicas edições privadas do Reino Unido ...
E o Atalho não se lembra de uma revista assim! 

06/03/16

Old Jerusalem "A rose is a rose is a rose"



Talvez os Old Jerusalem nunca  tenham escutado Saint Joan, particularmente o álbum “The wrecker’s lanterna”.

Todavia,  logo a abrir “A rose is a rose is a rose”, o magnifico “A charm” como que evoca o que de melhor aquela banda transnacional nos legou.

Desde logo através  da incontornável beleza e tranquilidade da composição; mas sobretudo na forma, por via dos arranjos e da utilização das violas, violinos e  violoncelo.  O mote ficou portanto dado.

Em tons de sépia, “A rose is a rose is a rose” continua pelos caminhos solitários de Mark Kozelek ( “Airs of probity” ), visita a melancolia “soft country” de Bill Callahan ( “One for dusty light”, “Dayspring” ) e vai até lá atrás, às melodias lo-fi dos Palace Brothers, num tempo em que Will Oldham ainda não se tinha cruzado com Bonnie Prince Billy.

Termina com um lamento, “Twenties”, simultaneamente uma elegia e um repto à esperança ( “Don’t be so sad/No living thing is good or bad/The cases are many/Of miserable twenties/You’re perfectly able/To grow firm and stable/And free of regret” ).

A rose is a rose is a rose” nasceu do inverno, mas está talhado para fazer o seu caminho por entre os cores claras e os odores intensos da primavera que se anuncia.

02/03/16

Wyrdstone "Potemkin Village Fayre"



Clive Murrell é um cidadão britânico cuja actividade principal consiste num emprego das 9 às 5. Porém, nos tempos livres  Murrell veste-se de multi-instrumentista, ruma ao mundo idiossincrático do “countryside” inglês e sob o “nom de plume” Wyrdstone, revisita mitos  e lendas do seu Sussex natal.

Foi assim em 2009 com “Cuffern”, um belíssimo espaço habitado por uma guitarra psicadélica e é também assim com “Potemkin Village Fayre”.

A estrutura é simples, a música etérea, os esboços instrumentais sublimes. Tanto se pode escutar o canto matinal dos pássaros, o marulhar das águas de um ribeiro, ou a voz de um ancião contando uma história. Lá atrás, a ligar tudo isto estará sempre uma guitarra, acústica, definitivamente psicadélica.

Os mistérios e as tonalidades do mundo rural permanecem o leitmotiv de Wyrdstone, mas quando comparado com “Cuffern”, “Potemkin Village Fayre” surge mais ambicioso. “The horsemen” mescla a guitarra acústica com a eléctrica, após uma inusitada gaita de foles ter feito a abertura. Em “The Ferring Rife” e “Thelema”, em modo drone, as cordas da guitarra deambulam pelos sons e tons do “countryside”. Quanto a “Meditation on lost gardens”, “The ambient sounds of Seaford” ou “Becket window, Canterbury Cathedral” por exemplo, pouco haverá a acrescentar, pois está quase tudo no título da canção.

Um disco tão sereno quanto inspirador.