03/04/16

Constantine "Day of Light"



Oriundo de Chicago no Illinois, Constantine publicou no final de 2015 aquele que poderá muito bem ser um dos discos de 2016: “Day of light”.
Do casting fazem parte ex-membros do mítico colectivo de folk barroco OWL ( Of Wondrous Legends ) com destaque para Stephen Titra, aqui responsável pela guitarra acústica e design da capa.
Day of light” é um daqueles discos sem tempo. Actual, poderia no entanto ter sido gravado em 1971. E, seguramente, escuta-se tão bem hoje como ontem. “Acid-folk” dir-se-á.  Porém genuinamente psicadélico, belo e encantatório como poucos discos do género o conseguem ser, está construído sobre um terreno onde o bom gosto e a paixão germinam de forma espontânea.
Dito de uma outra maneira, através dele tanto podemos revisitar a atmosfera pastoral de Espers ou OWL ( “Into the Land, That time forgot” ou “On through the ages” ), como logo de seguida fazer uma incursão na costa oeste e no psicadelismo dos Jefferson Airplane, H.P. Lovecraft ou Ashes ( “The Trip, Parts I & II” ) para terminar, lisérgicos, embrenhados sem disso dar conta nas vibrações sonoras do oriente médio ( “Egyptian days” ou “Fountains / Reflections” ).
Day of light” encanta como poucos. Dele falar-se-á muito para além de 2016.

28/03/16

Lost Nuggets ( 103 )


David & Anthony "Walnut St." ( Aquarius Records MTS 6109 ) USA, 1968


- "Hazy Shade of Winter" ( Paul Simon )
- "Dangling Conversation" ( Paul Simon )
- "House of the risin' sun" ( tradicional )
- "Kathy's Song" ( Paul Simon )
- "The sounds of silence" ( Paul Simon )
- "Th weight" ( J. R. Robertson )
- "Richard Cory" ( Paul Simon )
- "Don't think twice is alright" ( Bob Dylan )
- "I started a joke" ( Maurice & Robin Gibb )
- "Nobody knows you when you're down and out" ( J. Cox )
- "At the zoo" ( Paul Simon )
- "Weep for Jamie" ( Peter Yarrow )
- "April, come she will" ( Paul Simon )


David Detillo e Anthony Balionis ( vozes e guitarras acústicas )


Gravado ao vivo no The Casbah ( Pittsburgh ) e em concerto na Indiana University of Pennsylvania


Capa: foto de Robert Bowman, design de Parris Westbrook.



21/03/16

Uther Pendragon "San Francisco Earthquake"



 
Procura-se nas enciclopédias do género, nos sites e bases de dados das revistas da especialidade, livros …, nada. É como se Uther Pendragon nunca tivesse existido. E no entanto a banda de São Francisco, sabe-se agora, esteve activa entre 1966 e 1978, venceu inclusive uma das edições da Bay Area Battle of the Bands e deu concertos amiúde ( ao lado de Country Joe & The Fish por exemplo ).
Com a edição de “San Francisco Earthquake” ficam finalmente a conhecer-se as gravações que ao longo dos anos o colectivo californiano foi metodicamente colecionando sem outro objectivo que não o prazer de tocar com e para os amigos. E, note-se, os 24 temas que fazem este “primeiro” disco dos Uther Pendragon são uma autêntica revelação.


Gravados em Outubro de 1967 e destinados a um single estreia que nunca seria publicado, “Peter Pan Blowup” e “Love Lock Temperature Drop”, são dois  “garage nuggets” perfeitamente alinhados com o que de melhor se fazia na época e no local.
Acresce que a generalidade das composições escritas e gravadas entre 1966 e 1969 ( nove para sermos precisos ) incorpora aquela vibração particular que tornava o som das Bay Area Guitar Bands algo de absolutamente distinto e perene. Neste contexto será exagero comparar Uther Pendragon aos Quicksilver Messenger Service  de John Cipollina, mas Oxford Circle ou Savage Resurrection são referências óbvias.


Longos, épicos e mais próximos do “hard rock” ( “10 Miles to freedom” ou “Man of means” por exemplo), os temas gravados nos 70s acolhem incendiárias “guitar jams” que deixarão deliciados os fãs de Michio Kurihara e do neo-psych.
Mais um caso típico de um passado que não deixa de nos surpreender.
 

14/03/16

Jack Ellister "Tune up your Ministers and start transmission from pool holes to class O Hypergiants"



Fundador da Yordan Orchestra, um projecto holandês a meio caminho entre o progressivo e o psicadélico, Jack Ellister, agora a solo, começa a ganhar o seu espaço no campo do neo-psych.

Depois de uma mão cheia de singles de assinalável sucesso, chega “Tune Up Your Ministers And Start Transmission From Pool Holes To Class O Hypergiants”, o álbum estreia e seguramente um dos discos com o título mais comprido da história.

Uma absoluta Babilónia sonora, “Tune up” toca quase todas as teclas do psych pop moderno. Beneficiando de excelente produção, está repleto de harmonias e efeitos sonoros, “actualizando” o que de melhor fizeram em tempo os Hollies, Gong ou XTC.

Pelo caminho vai deixando cair referências a Syd Barrett, Nick Nicely, Chemistry Set  ou ao Bowie dos 60s, o que nas actuais circunstâncias só pode ser uma coisa boa.

Um disco intenso, bizarro e por vezes grandioso, “Tune up” termina em apoteose com um extraordinário “A hunter needs a gun” que parece ter encontrado a sua inspiração nos Mercury Rev de “Deserter’s Songs”.

10/03/16

Flashback #8


Koobas, as histórias de "Day breaks" de John Wonderling e de "Early one morning" dos Mushroom, Human Beast, Catapilla ... e Parlour Band e Taman Shud e algumas das clássicas edições privadas do Reino Unido ...
E o Atalho não se lembra de uma revista assim! 

06/03/16

Old Jerusalem "A rose is a rose is a rose"



Talvez os Old Jerusalem nunca  tenham escutado Saint Joan, particularmente o álbum “The wrecker’s lanterna”.

Todavia,  logo a abrir “A rose is a rose is a rose”, o magnifico “A charm” como que evoca o que de melhor aquela banda transnacional nos legou.

Desde logo através  da incontornável beleza e tranquilidade da composição; mas sobretudo na forma, por via dos arranjos e da utilização das violas, violinos e  violoncelo.  O mote ficou portanto dado.

Em tons de sépia, “A rose is a rose is a rose” continua pelos caminhos solitários de Mark Kozelek ( “Airs of probity” ), visita a melancolia “soft country” de Bill Callahan ( “One for dusty light”, “Dayspring” ) e vai até lá atrás, às melodias lo-fi dos Palace Brothers, num tempo em que Will Oldham ainda não se tinha cruzado com Bonnie Prince Billy.

Termina com um lamento, “Twenties”, simultaneamente uma elegia e um repto à esperança ( “Don’t be so sad/No living thing is good or bad/The cases are many/Of miserable twenties/You’re perfectly able/To grow firm and stable/And free of regret” ).

A rose is a rose is a rose” nasceu do inverno, mas está talhado para fazer o seu caminho por entre os cores claras e os odores intensos da primavera que se anuncia.

02/03/16

Wyrdstone "Potemkin Village Fayre"



Clive Murrell é um cidadão britânico cuja actividade principal consiste num emprego das 9 às 5. Porém, nos tempos livres  Murrell veste-se de multi-instrumentista, ruma ao mundo idiossincrático do “countryside” inglês e sob o “nom de plume” Wyrdstone, revisita mitos  e lendas do seu Sussex natal.

Foi assim em 2009 com “Cuffern”, um belíssimo espaço habitado por uma guitarra psicadélica e é também assim com “Potemkin Village Fayre”.

A estrutura é simples, a música etérea, os esboços instrumentais sublimes. Tanto se pode escutar o canto matinal dos pássaros, o marulhar das águas de um ribeiro, ou a voz de um ancião contando uma história. Lá atrás, a ligar tudo isto estará sempre uma guitarra, acústica, definitivamente psicadélica.

Os mistérios e as tonalidades do mundo rural permanecem o leitmotiv de Wyrdstone, mas quando comparado com “Cuffern”, “Potemkin Village Fayre” surge mais ambicioso. “The horsemen” mescla a guitarra acústica com a eléctrica, após uma inusitada gaita de foles ter feito a abertura. Em “The Ferring Rife” e “Thelema”, em modo drone, as cordas da guitarra deambulam pelos sons e tons do “countryside”. Quanto a “Meditation on lost gardens”, “The ambient sounds of Seaford” ou “Becket window, Canterbury Cathedral” por exemplo, pouco haverá a acrescentar, pois está quase tudo no título da canção.

Um disco tão sereno quanto inspirador.

26/02/16

Lost Nuggets ( 102 )


Chris Thompson "Echoes from the pit" ( Direction Records DRS 1026 ) Nova Zelândia, 1976


- "Brazil"
- "A Victim speaks"
- "Why Weep ye Lady?"
- "Wild about my lovin" (traditional)
- "Upstairs? Downstairs?"
- "Hugo"
- "Barcelona"
- "The station mistress and the express driver"
- "Fox's minstrel show" ( P. Small )
- "Joshua gone Barbados"
- "Young lust"
- "Chelsea style"
- "Stand before me oh my soul"
- "The story of my arrest and trial"


Chris Thompson: canções, voz e guitarra; com Mike Walker e Nicky Ash  ( piano ), Andy Brown, Dusty MacSheffrey, Billy Christian, Chris Parfitt e Bob Jackson ( baixo ) Johnny Miles e Frank Gibson Jr ( bateria ), Niall Toner ( bandolim e banjo ), Clem Alford ( tamboura ), Keshav Sathe ( tabla ), Josie Rikka ( vozes ), Rolly Vaughn ( sax ), Ed Deane e Martin Hope ( guitarra ), Brian Dunning ( Flauta ).

Compilado por Kerry Thomas

Capa: design ( Jeremy Temple ), foto ( Roy Emerson ).

Compilação de canções gravadas por Chris Thompson  em Londres, Dublin e Auckland entre 1972 e 1976.



18/02/16

John Hurford "Later Graphic Work"

 

Nos finais dos 60s,  John Hurfordhttp://www.johnhurford.co.uk/ ) produzia os seus próprios posters que, nos dias de eventos, vendia à porta do Middle Earth e do Roundhouse.

Entretanto colaborou em publicações seminais como o International Times, OZ Magazine ou Gandalf's Garden, bem como na Dandelion Records de John Peel.

 Recentemente surge ligado à Shagrat Records http://shagratrecords.com/index.html ), uma pequena editora independente para quem tem criado algumas das mais fabulosas capas e flyers dos últimos anos.

 "Later Graphic Work" publicado na sua Wixon Editions, numa edição limitada de 200 exemplares, conta a história desta recente colaboração. Um regalo para a vista e um excelente aperitivo para a música.

15/02/16

Black Static Line "Enlil"



Natural de Nashville, Cole Street dedica  o seu tempo livre à prossecução de projectos musicais ligados ao pós-rock, drone e kosmische musik.
Depois dos Hollow Ox com quem publicou três álbuns, a plataforma actual chama-se Black Static Line.  Enlil retoma o trilho onde o anterior “Every vibrating body” se quedara. Como em Explosions in the Sky ou Hammock, as guitarras e a percussão são puxadas à frente ( “Feels broken”, “Rising” ),  o manto sonoro dos Windy and Carl é usado para cobrir “Vendue” e “Meigs”, enquanto o tema título e “Sweet Tooth” tentam colar-se ao paradigma Klaus Schulze.
Curioso, ainda que inovador não seja o adjectivo que melhor se lhe adequa

10/02/16

John Cale "Music for a new society / M:Fans"




Reconhecendo embora o enorme talento de Lou Reed, devo confessar que “o meu Velvet” foi e será sempre John Cale. Uma opinião evidentemente. Mas, do que se trata aqui  é realmente saber se falamos de talento ou se falamos de génio. E não, não é uma mera  questão semântica, existe de facto uma diferença entre o talento e o génio. O primeiro é constante, previsível; o segundo é absolutamente o oposto de ambos.

Comprei a minha cópia original de “Music for a new society” numa FNAC de Paris, em 1982. Produziu em mim o mesmo efeito hipnótico que os glaciares “Marble Index” e “Desert Shore ( coincidência, ambos produzidos por Cale ); uma espécie de mimetismo que se prolongava muito para além do tempo que duravam as canções/elegias que os integravam. Como todas as obras maiores “Music for a new society” não deixa ninguém indiferente. É o caso típico do clássico que, ou se ama, ou se detesta.

Há um par de anos, levei a capa do meu original a um “backstage” para que, entre o encantado e o surpreendido, o “big man himself” a autografasse.  Desde então não mais escutei o disco. Regressei agora, a propósito da reedição remasterizada do álbum original, acompanhada de “M:Fans” a transformação/recriação dos temas e a forma como Cale os olha hoje, 35 anos depois de terem sido escritos e gravados pela primeira vez.

Produzido num período complicado da vida do autor, “Music for a new society” é um disco denso e perturbador. A  frase “It’s a loving world to die in”, a encerrar essa extraordinária peça que é “Sanctus” e a ironia do cinzento “Damn life” incorporar notas da “Ode of Joy” de Beethoven, quase poderiam resumir toda a atmosfera do álbum.  Algures em 1983 Cale confidenciou numa entrevista que optou pelo título porque “The record is so dark, you’ve got to have something optimistic”.  


Distante, quer  de registos mais “amigáveis” como  Paris 1919” ou “Caribbean Sunset  ( aqui a maior proximidade reside no melódico “Close watch”  recuperado de “Helen of Troy” ) quer de brutais incinerações como “Honi Soit” ou “Sabotage”, “Music for a new society” está repleto de melodias envergonhadas que as colagens e os “overdubs” tornam quase imperceptíveis.

Inesgotável, este é um daqueles discos cuja audição nunca se pode afirmar completa. A cada nova investida existe sempre um detalhe, uma nesga de criatividade, que se descobre e   surpreende.  Tal como algumas das muitas curiosidades que encerra: a guitarra de Alan Lanier ( Blue Oyster Cult  ) em “Changes made”; a adaptação de “If you were still around”,  um poema publicado por Sam Shepard em “Motel Chronicles”, ou a colaboaração de John Wonderling,  muito provavelmente o autor do raríssimo “Daybreaks” ( 1973 ), um disco em cujo tema de abertura - “Long way home” - , são feitas elogiosas referências a Lisboa e ao Estoril.

Music for a new society” não é um disco para todas as horas nem para todos os dias. Antes um disco para sempre, porque na vida existirão sempre aqueles momentos de estranha cumplicidade, os quais nos conduzirão de novo até ele.

Nota: “M:Fans”, embora partindo das mesmas canções, é outra coisa muito diferente. Quem sabe, talvez um dia me sinta suficientemente confortável para sobre ele dissertar.

07/02/16

Artefactos ( 42 )


25 anos de Ptolemaic Terrascope, 10 anos de Terrascope Online.
A comunidade Terrascope está em festa e nada melhor do que comemorar com uma compilação de temas inéditos oferecidos pelas bandas que, desde sempre, gravitam em torno da comunidade.

O artefacto, "Paper Leaves - A Terrascope Celebration" uma edição privada e limitada a 200 exemplares, apresenta o seguinte alinhamento:


- Black Tempest "Terrescopula Tempestua"
- Nick Nicely "Dance away"
- Dead Sea Apes "Universal Translator"
- White Hills "Thermal Head"
- Ben Chasny "Dead and rising"
- The Left Outsides "Young girl cut down in her prime"
- Bevis Frond "Back in the churchyard"
- Bardo Pond "Pumori"